Acesso Vascular de Emergência em Sala de Ressuscitação
O guideline aborda o acesso vascular de emergência em salas de ressuscitação, destacando a importância de estabelecer acessos venosos periféricos e centrais rapidamente. Recomenda-se a instalação de pelo menos dois acessos venosos periféricos de grande calibre e, em casos de parada cardíaca, o uso de acesso intraósseo. A ultrassonografia é enfatizada para melhorar a taxa de sucesso na punção. A se
Visão geral
Guideline Alemão • Sociedades: DGAI, DGINA, DGIIN, DGNI, DGU
Compilado em: 27 de dezembro de 2025
Artigo original nos detalhes da página.
📑 Índice
Tempo estimado de leitura: 25 minutos
O tratamento inicial em sala de ressuscitação envolve procedimentos vitais que incluem a instalação de acessos venosos periféricos, cateteres venosos centrais (CVC) e linhas arteriais. A decisão entre estabelecer rapidamente esses acessos para estabilização ou priorizar diagnóstico por tomografia computadorizada (TC) para identificar causas subjacentes deve ser individualizada.
Metodologia do Guideline
Este guideline foi desenvolvido como recomendação nível S1 pela Associação Alemã de Sociedades Médicas Científicas (AWMF), representando primariamente consenso de especialistas devido à limitação de estudos randomizados controlados neste contexto específico.
Características do Cenário de Emergência
- Ampla variedade de doenças e lesões
- Condições estruturais locais variáveis
- Diferentes níveis de experiência dos operadores
- Necessidade de decisões rápidas sob pressão
Acesso Venoso Periférico
Recomendação básica: Pelo menos dois acessos venosos periféricos de grande calibre com fluxo mínimo de 100 ml/min (ex: 18G) devem estar disponíveis na sala de ressuscitação.[[1]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR1)
Quando Considerar Acesso Intraósseo
Cateter Venoso Central (CVC)
Indicações para CVC na Sala de Ressuscitação
Cenários que Justificam CVC
1. Acesso periférico insuficiente + situação circulatória instável que requer estabilização imediata
1. Necessidade acentuada de vasopressores após estabilização inicial via acesso periférico
1. Pode ser instalado após imagem diagnóstica inicial (TC) antes da transferência para UTI ou centro cirúrgico
Tipos de CVC Conforme Necessidade
A escolha do tipo específico deve considerar a doença ou lesão subjacente:
Linha Arterial
Indicação: Pacientes gravemente enfermos ou severamente traumatizados devem ter monitorização da pressão arterial invasiva.
Vantagens da Ultrassonografia
A ultrassonografia melhora a taxa de sucesso na punção de:[[5]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR7)
Técnica de Referência Anatômica
Habilidade Essencial
Operadores devem ser capazes de realizar a instalação de CVC pela técnica guiada por pontos de referência anatômicos quando dispositivos de ultrassom não estiverem disponíveis.
Verificação de Acessos Periféricos e Centrais
Protocolo básico antes do uso:
Verificação de Cateteres Arteriais
Devem apresentar:
Métodos de Confirmação de Posição do CVC
1. ECG Endovascular
2. Ecocardiografia Transtorácica
Técnica do "Rapid Atrial Swirl Sign"
- Realizar ecocardiografia transtorácica à beira do leito
- Administrar bolus de fluido via CVC
- Observar turbilhonamento no átrio direito[[12]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR13)
3. Diagnóstico por Imagem de Rotina
A TC de trauma inicial (ex: politrauma) pode ser utilizada para verificar a posição correta do CVC.[[13]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR14)
Princípios Gerais
Regra universal: Todos os pontos de acesso vascular devem sempre ser fixados com segurança.
Fixação com Sutura
Obrigatória
Não Recomendada como Rotina
Técnica Correta de Sutura do CVC
- Aplicar suturas no hub de distribuição do cateter
- NÃO fixar apenas nas presilhas
- Evita deslocamento acidental[[14]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR15)
Documentação
Registro obrigatório:
Diretrizes Padrão
As diretrizes padrão de higiene devem ser observadas considerando o tipo de cateter utilizado.[[16]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR5)[[17]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR6)
Profilaxia Antibiótica
Não indicada: A administração profilática intravenosa de antibióticos para acesso vascular NÃO está indicada.
Imobilização Cervical
Trauma Torácico Grave
Recomendação estratégica: Na presença de lesão torácica grave ou dreno de tórax, é aconselhável instalar CVC via veia subclávia no lado lesionado/drenado.
Estratégia Femoral
Dupla Punção Ipsilateral
Dependendo da presença e posição de faixa pélvica, a punção femoral dupla (artéria e veia ipsilaterais) pode ser uma opção viável.[[10]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR12)
Considerações para REBOA
Quando há indicação de balão intra-aórtico de oclusão endovascular (REBOA), os padrões de punção e tamanho de introdutor devem ser considerados.
Pacientes em Extremis
Em pacientes sem pulso inguinal palpável:
Grandes Queimados
Acesso para Termodiluição Transpulmonar
CVC e linha arterial para medida de débito cardíaco/termodiluição transpulmonar podem ser instalados:
- Na sala de ressuscitação OU
- Durante o banho de admissão
- Decisão baseada em: estabilidade circulatória + extensão das queimaduras
- Objetivo: guiar reposição volêmica
Insuficiência Respiratória
Quando Subclávia é Inevitável
Se o acesso subclávio for indispensável:
Posicionamento do Paciente
Recomendação padrão: Elevação da cabeceira a 15–30° é recomendada para pacientes com pressão intracraniana aumentada. Esta posição deve ser mantida se CVC for necessário.[[18]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR17)[[19]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR18)
Escolha da Via de Acesso
Seleção Estratégica em Neurotrauma
Evitar subclávia se:
- Substâncias trombolíticas ou anticoagulantes precisarão ser administradas
- Risco de complicações hemorrágicas torácicas relacionadas à punção
Recomendação: Acesso femoral esquerdo
- Reservar femoral direito para procedimentos angiográficos
Controvérsia sobre CVC Jugular
Atualmente não há evidência clara de que CVC jugular cause comprometimento significativo do fluxo venoso de saída cerebral.
Monitorização Hemodinâmica
Princípio fundamental: A terapia volêmica deve ser guiada por monitorização arterial e venosa central.
Após Retorno da Circulação Espontânea (RCE)
Sequência de acesso vascular:
RCP Extracorpórea (ECPR)
Padrões Institucionais
Em casos envolvendo RCP extracorpórea, os padrões internos da instituição para canulação vascular devem ser considerados.
Acesso Intraósseo Durante RCP
Recomendação: Pacientes em RCP com apenas acesso intraósseo devem também receber uma cânula venosa periférica.[[2]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR2)[[20]](https://link.springer.com/article/10.1186/s12245-025-01015-x#ref-CR19)
Abreviaturas
| Sigla | Significado |
|---|---|
| CVC | Cateter Venoso Central |
| TC | Tomografia Computadorizada |
| IO | Intraósseo |
| IV | Intravenoso |
| RCP | Ressuscitação Cardiopulmonar |
| RCE | Retorno da Circulação Espontânea |
| ECMO | Oxigenação por Membrana Extracorpórea |
| ECPR | RCP Extracorpórea |
| REBOA | Balão Intra-Aórtico de Oclusão Endovascular |
| DGAI | Sociedade Alemã de Anestesiologia e Medicina Intensiva |
| DGINA | Sociedade Alemã de Medicina de Emergência |
| DGIIN | Sociedade Alemã de Medicina Intensiva Interna e de Emergência |
| DGNI | Sociedade Alemã de Medicina Neurointensiva e de Emergência |
| DGU | Sociedade Alemã de Cirurgia do Trauma |
Referências Principais
✅ Checklist de Validação
Data de Compilação: 27 de dezembro de 2025
Fonte Original: German guideline on emergency vascular access in resuscitation rooms - Springer Nature (Open Access)
Compilado por: Dr. Jackson Fuck