Anfotericina B inalatório na pneumonia fúngica: ev
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Anfotericina B inalatório na pneumonia fúngica: evidências,

O uso de anfotericina B inalatória é essencialmente adjunto ou profilático em pneumonia fúngica, com evidências mais robustas em profilaxia para neutropênicos, transplante pulmonar e CAPA/IAA. Para tratamento de pneumonia fúngica invasiva, a evidência é limitada e deve ser sempre associada a antifúngico sistêmico. As formulações e técnicas de nebulização variam, e não há padronização. Recomenda-se

Infecção 📄 Resumo de estudo 🏥 UTI / Emergência
§ 01

Visão geral

Principal mensagem: o uso de anfotericina B inalatória em pneumonia fúngica é essencialmente adjunto ou profilático, com evidência mais robusta em profilaxia (neutropênicos, transplante pulmonar, CAPA/IAA). Para tratamento propriamente dito de pneumonia fúngica invasiva existem apenas séries retrospectivas e relatos, sempre em associação a antifúngico sistêmico. Regimes, formulações e técnicas de nebulização variam bastante e não há padronização em guidelines.

A seguir, organizado para uso em UTI/adulto:

§ 02

1. Papel clínico da anfotericina B inalatória

1.1. Situações com melhor evidência

  • Profilaxia em neutropenia prolongada (hematologia / TCTH)
  • − RCT de Rijnders et al.: L‑AMB 12,5 mg 2x/semana reduziu IPA em neutropênicos (hematologia) versus placebo, com boa tolerabilidade.[1]

    − Diversos estudos abertos/observacionais confirmam viabilidade e segurança dessa dose.[1]

  • Profilaxia em transplante pulmonar
  • − Prática disseminada em muitos centros; diferentes esquemas com AMB‑d, L‑AMB ou ABLC, usualmente combinados com azóis sistêmicos.[1]

    − Estudos mostram redução ou tendência à redução de IPA e aspergilose traqueobrônquica.[1]

  • Profilaxia em CAPA/IAA (influenza/COVID‑19 ARDS)
  • − L‑AMB inalado 12,5 mg 2x/semana em ventilados por COVID‑19 reduziu CAPA/aspergilose traqueobrônquica (RR 0,15).[1][2]

    − ABLC 50 mg a cada 48 h em ventilados por COVID‑19: nenhum caso de CAPA, bem tolerado (broncospasmo 8,8%, acúmulo de droga no ventilador em 33%).[1]

    − AMB‑d 20 mg/dia (em 1–4 doses) reduziu colonização e marcadores de CAPA em coorte de COVID‑19 em ventilação mecânica.[3][1]

  • ABPA em fibrose cística / vias aéreas centrais
  • − Séries pediátricas com AMB‑d 25 mg 3x/semana ou ABLC 50 mg 2x/semana como adjuvante, permitindo retirada de corticoide sistêmico em 6/7 crianças com ABPA.[4]

    1.2. Uso em tratamento de pneumonia fúngica invasiva

    Evidência restrita a séries pequenas e retrospectivas, sempre como adjuvante à terapia sistêmica:

  • Safdar & Rodriguez (2013) – 32 adultos imunossuprimidos com doença fúngica pulmonar receberam ABLC inalado 50 mg 2x/dia + antifúngico sistêmico; 13 tinham pneumonia fúngica provável/provada; resolução clínica/radiológica em 50%, sem toxicidade grave.[1][5]
  • Venanzi et al. (2019) – 33 pacientes com IPA provável/provada; 11 receberam anfotericina lipídica inalatória (ABLC ou L‑AMB) + terapia sistêmica vs. 22 só sistêmico; tendência a melhores desfechos clínicos e menor mortalidade em 12 meses com a forma inalatória (HR 0,258).[1]
  • Em síntese: há sinal de benefício como terapia local adjuvante em pneumonias refratárias ou cavitárias, mas sem RCTs; sempre manter antifúngico sistêmico padrão (voriconazol/isavuconazol ± equinocandina, ou formulações lipídicas de AMB IV, conforme diretrizes IDSA/ESCMID).[1][6]

    § 03

    2. Formulações e impacto na via inalatória

    Quatro formulações principais:

  • AMB‑d (deoxicolato) – barata, mais experiência histórica; detergente (DOC) pode interferir com surfactante e aumentar risco de broncospasmo, disfunção de surfactante e tosse.[7][4]
  • L‑AMB (lipossomal) – melhor tolerabilidade pulmonar, menor interferência com surfactante e longa meia‑vida no pulmão.[7][4]
  • ABLC (amphotericin B lipid complex) – boa deposição pulmonar, meia‑vida longa; bem estudada em transplantados pulmonares e em CAPA.[8][9][10]
  • ABCD (amphotericin B colloidal dispersion) – menos experiência inalatória, mas estudo recente combinou ABCD IV + nebulização em IPFD com bons resultados.[11]
  • Estudos em modelos animais mostram meia‑vida pulmonar longa e altas concentrações locais com formulações lipídicas, justificando esquemas 2–3x/semana em profilaxia.[7][4]

    § 04

    3. Regimes terapêuticos e profiláticos – práticos

    3.1. Lipossomal anfotericina B (L‑AMB) inalado

    a) Neutropenia / hematologia (profilaxia)

  • RCT Rijnders et al. (hematologia, neutropenia >10 dias):
  • − Dose: 12,5 mg L‑AMB nebulizada 2x/semana até recuperação de neutrófilos ( >300–500/mm³).[1]

    − Resultado: redução significativa de IPA (6/139 vs 18/132; OR 0,26; p=0,005), aumento de tosse, sem toxicidade grave.[1]

  • Outros estudos em AML consolidam 12,5 mg 2x/semana durante ciclos de quimioterapia.[1]
  • b) Transplante pulmonar (profilaxia)

  • Monforte et al.:
  • − Dose: 25 mg L‑AMB 3x/semana por 60 dias pós‑transplante → depois 25 mg 1x/semana (dias 60–180) → depois 25 mg a cada 2 semanas.[1]

    − Bem tolerado, baixa incidência de IPA (1,9%).[1]

  • Séries de 10 anos com L‑AMB nebulizado em TXP pulmonar também usam 25 mg 2–3x/semana, depois espaçamento.[12][1]
  • c) CAPA/IAA (profilaxia em ventilados, influenza/COVID‑19)

  • Van Ackerbroeck et al. – COVID‑19, MV:
  • − Dose: 12,5 mg L‑AMB 2x/semana.

    − CAPA/aspergilose traqueobrônquica em 3/32 com profilaxia vs 11/18 sem (RR 0,15).[2][1]

  • Outros centros adotam 12,5 mg 2x/semana em ventilados de alto risco, com boa tolerância.[1]
  • d) Tratamento adjuvante de pneumonia fúngica

  • Dados de séries pequenas (Venanzi et al.):− Regimes variáveis, mais usados: 12,5–25 mg 2–3x/semana por 2–4 semanas, associados a terapia sistêmica plena.[1]
  • 3.2. Amphotericin B lipid complex (ABLC) inalado

    a) Profilaxia – TXP pulmonar / CAPA

  • Drew et al. (TXP pulmonar): AMB‑d 25 mg vs ABLC 50 mg, 1x/dia por 4 dias, depois 1x/semana por 7 semanas; ambos seguros, com menos eventos adversos em ABLC.[13][10][1]
  • Soriano et al. – CAPA (COVID‑19 MV):
  • − Dose: 50 mg ABLC a cada 48 h por nebulização; nenhum caso de CAPA; tosse/broncospasmo em 8,8%, “buildup” de droga no ventilador em 33%.[14][15][1]

    b) Tratamento adjuvante de pneumonia fúngica

  • Safdar & Rodriguez (2013):
  • − 32 imunossuprimidos, 13 com pneumonia fúngica;

    − Dose: 50 mg ABLC nebulizado 2x/dia, sempre com antifúngico sistêmico concomitante;

    − 50% de resolução clínica/radiológica; nenhuma toxicidade grave.[5][1]

  • Estudo chinês recente em IPFD:
  • − ABCD IV 3–4 mg/kg/d + ABCD inalatório 50 mg em 10 mL água estéril 1–2x/dia, nebulizados em 10–15 min, com melhores desfechos vs ABCD IV isolado.[11][16]

    3.3. Amphotericin B deoxicolato (AMB‑d) inalado

    Mais tóxica localmente, mas largamente utilizada por custo/disponibilidade.

    a) Doses em profilaxia (hematologia / TXP pulmonar / CAPA)

  • Regimes descritos em revisão de Vuong et al. e ensaios em TCTH/TXP:[1][17][18][3] − 10 mg 2x/dia
  • − 25 mg 3x/semana

    − 0,5–1,5 mg/kg/dia

    − Melchers et al. – CAPA (COVID‑19): 20 mg/dia, divididos em 1–4 nebulizações, com redução de colonização e marcadores de CAPA vs. controle.[3][1]

  • Proesmans et al. (ABPA em fibrose cística):
  • − Teste inicial com 20 mg (1 mg/mL em 20 mL, nebulização 10–15 min).

    − Manutenção: 25 mg 3x/semana; em intolerância, troca para ABLC 50 mg 2x/semana.[4]

    b) Doses em tratamento adjuvante (ABPA / central airway disease)

  • Relatos em ABPA: 2,5–5 mg 2–3x/dia ou 25–50 mg 1–3x/semana, geralmente com corticoide inalatório/sistêmico.[4]
  • 3.4. Resumo prático de esquemas usados na literatura

    SituaçãoFormulaçãoEsquema mais usado
    Neutropenia hematológica (profilaxia)L‑AMB12,5 mg 2x/semana até recuperação de neutrófilos[1]
    TXP pulmonar (profilaxia)L‑AMB25 mg 3x/semana por 60 dias, depois 25 mg 1x/sem (60–180 d), depois 25 mg quinzenal[1]
    TXP pulmonar (profilaxia)AMB‑d5–10 mg 2x/dia nas 2 primeiras semanas pós‑TXP; outros: 6 mg q8h por 120 d, depois 6 mg/dia[1]
    CAPA (COVID‑19) – profilaxiaL‑AMB12,5 mg 2x/semana em ventilados[2][1]
    CAPA (COVID‑19) – profilaxiaABLC50 mg a cada 48 h[14][1]
    CAPA (COVID‑19) – profilaxiaAMB‑d20 mg/dia (1–4 doses) nebul.[3][1]
    Pneumonia fúngica (adjunto)ABLC50 mg 2x/dia + antifúngico sistêmico[5][1]
    ABPA (CF, adjunto)AMB‑d25 mg 3x/semana; se intolerância → ABLC 50 mg 2x/semana[4]
    § 05

    4. Nebulização em UTI: dispositivos, técnica e considerações

    4.1. Tipo de nebulizador

  • Requisitos: partículas <5 µm (ideal ~3–5 µm) para deposição alveolar/bronquiolar.[7][10][19]
  • Estudos comparando sistemas para ABLC e L‑AMB mostram:− Jet nebulizers dedicados (Respirgard, AeroEclipse) com fluxos de 7–20 L/min atingem alta fração de partículas <5 µm.[20][7][10]− Nebulizadores mesh vibratórios oferecem partículas mais uniformes, maior deposição pulmonar e menor volume residual; estudo comparando jet vs mesh com anfotericina não mostrou diferença na resistência de filtros de ventilação em 24h, mas sugere vantagens técnicas dos mesh (menos perda de droga, menos tempo).[21][19]
  • Na UTI, se disponível, mesh nebulizer acoplado ao circuito (p. ex. Aerogen) é provavelmente a melhor escolha; caso contrário, jet nebulizer de alto desempenho.

    4.2. Posicionamento no circuito e aspectos ventilatórios

  • Em ventilação mecânica, a nebulização de anfotericina aumenta gradualmente a resistência do filtro do ramo expiratório; esse efeito é discreto, mas mais relevante com fármacos de alto peso molecular (IFN‑α > AMB).[21]
  • Recomendações práticas:− Colocar o nebulizador próximo ao paciente, antes do filtro expiratório.− Trocar filtros após a nebulização ou ao menos diariamente em protocolos com anfotericina.[21]− Monitorizar pico de pressão de via aérea e resistência; suspender se broncoespasmo ou elevação importante de pressões.
  • § 06

    5. Preparo e diluição: passo a passo por formulação

    5.1. Lipossomal anfotericina B (AmBisome ou similares) para nebulização

    As instruções abaixo combinam dados de bula/produto para preparo IV com protocolos específicos de nebulização em TXP pulmonar e CAPA.[22][23][24][25][1]

    Reconstituição padrão do frasco de 50 mg

  • Adicionar 12 mL de água estéril para injeção ao frasco de 50 mg.− Concentração resultante: 4 mg/mL de anfotericina B lipossomal.[22][25]
  • Agitar vigorosamente por pelo menos 30 s até completa dispersão, obtendo solução opalescente homogênea.[22][24][25]
  • Utilizar o filtro de 5 µm fornecido para retirar a solução (recomendado para remover agregados/lipossomas de maior tamanho).[22][23][24][25]
  • Diluição para nebulização (esquema típico de 12,5 ou 25 mg)

  • Para 12,5 mg:
  • − Volume necessário da solução reconstituída (4 mg/mL): 12,5 ÷ 4 = 3,125 mL.

    − Retirar 3,1 mL com seringa + filtro 5 µm e injetar em reservatório do nebulizador.

    − Completar com solução de glicose 5% ou água estéril para injeção/inalação até volume final de 4–6 mL (habitualmente 5 mL) para permitir nebulização em 10–15 min.[1][24][26]

  • Para 25 mg:
  • − Volume: 25 ÷ 4 = 6,25 mL (como descrito em protocolos de TXP: 25 mg em 6,25 mL, completando para 8–10 mL).[24][26]

    Pontos práticos

  • Não utilizar solução salina (risco de precipitação com formulação lipossomal; seguir bula: sempre glicose 5% ou água estéril).[13][23][25]
  • Preparar imediatamente antes do uso; a maioria dos protocolos recomenda descartar o excedente após 1 h, não armazenar.[24]
  • Nebulizar em 10–15 min; paciente sentado ou cabeceira a 45°; instruir a fazer inspirações profundas (quando não ventilado).[24][26]
  • 5.2. Amphotericin B lipid complex (ABLC) para nebulização

    ABLC comercial (p. ex. Abelcet) está pronto para uso IV (concentrado), usualmente 5 mg/mL em suspensão lipídica.[4][11][8]

    Preparo típico para dose de 50 mg

  • Aspirar 10 mL da suspensão (5 mg/mL) = 50 mg.
  • Diluir em 10–20 mL de água estéril ou soro glicosado 5% até concentração de 2,5–5 mg/mL, dependendo do volume alvo.− Em IPFD (ABCD, análogo lipídico), usou‑se 50 mg em 10 mL de água para injeção.[11][16]
  • Colocar no reservatório do nebulizador; tempo de nebulização alvo: 10–15 min.[11][5]
  • Considerações

  • A solução é opaca; agitar suavemente antes de aspirar.
  • Não misturar com outros fármacos na mesma câmara.
  • Em ventilação mecânica, preferir volumes finais 5–10 mL para otimizar tempo e deposição.
  • 5.3. Amphotericin B deoxicolato (AMB‑d) para nebulização

    Usar o pó liófilo de 50 mg (Fungizone ou genéricos). A bula de algumas formulações descreve explicitamente um esquema de preparo para aerosol.[27][28]

    Esquema clássico descrito em monografia de produto[27]

  • Reconstituir frasco de 50 mg com 10 mL de água estéril → solução 5 mg/mL.
  • Para uso por aerosol, dissolver o frasco de 50 mg em 10 mL de água estéril ou em frasco de solução surfactante tipo Alevaire (histórico).[27]
  • Administrar 1–2 mL dessa solução (5–10 mg) 3–4x/dia por 1–2 semanas (esquema de bula antiga; hoje pouco usado).[27]
  • Adaptação prática mais usada atualmente

  • Reconstituir 50 mg com 10 mL de água estéril (5 mg/mL).
  • Para dose de 10 mg: aspirar 2 mL e diluir com 3 mL de água estéril ou água para inalação (total 5 mL).
  • Para dose de 20–25 mg: aspirar 4–5 mL (20–25 mg) e completar para 8–10 mL.
  • Nebulizar em 10–20 min, 1–3x/dia, conforme protocolo (profilaxia ou tratamento adjuvante).[17][3][4]
  • Importante em AMB‑d

  • Preferir água estéril para injeção ou para inalação, não SF 0,9% (maior risco de irritação/broncospasmo; alguns protocolos usam SF, mas água estéril é mais frequente).[29][9]
  • Evitar uso prolongado (>semanas) em altas doses em pacientes com grande doença alveolar difusa, dado risco teórico de disfunção de surfactante (dados em modelos animais).[7]
  • § 07

    6. Eventos adversos e manejo

  • Tosse, irritação faríngea, gosto metálico – mais comum, geralmente leve; pré‑medicação com broncodilatador inalatório (salbutamol) 10–15 minutos antes em pacientes com DPOC/asma ou em protocolos de doses mais altas.[1][4]
  • Broncoespasmo / dispneia – risco maior com AMB‑d; se ocorrer, suspender, tratar broncoespasmo e considerar troca para L‑AMB ou ABLC.[1][4]
  • Impacto em filtros/circuito de VM – aumento discreto da resistência; programar troca de filtro após nebulização e monitorizar pressões.[21]
  • Eventos sistêmicos (nefrotoxicidade, eletrólitos) – praticamente ausentes com doses usuais, pela baixa absorção sistêmica, mas sempre considerar que parte da droga pode ser deglutida; em pacientes com IR grave, preferir formulações lipídicas.
  • § 08

    7. Proposta de algoritmo prático para UTI (uso off‑label, baseado em evidência disponível)

    7.1. Paciente com pneumonia fúngica invasiva pulmonar (IPA ou mucormicose), refratária ou cavitária

  • Garantir terapia sistêmica otimizada (voriconazol ou isavuconazol ± equinocandina; ou anfotericina lipídica IV conforme patógeno e guias).[6][30]
  • Considerar anfotericina inalatória como adjuvante em situações como:
  • − Cavitações com carga fúngica alta, difícil penetração;

    − Aspergilose traqueobrônquica;

    − Hospedeiro com limitações à dose sistêmica plena;

    − CAPA grave com lesões centrais.

  • Opções de regime adjuvante (adulto, ventilado ou não), por 2–4 semanas:
  • − ABLC 50 mg nebulizado 2x/dia (10–15 min), ou

    − L‑AMB 25 mg 3x/semana (ou 12,5 mg 2–3x/semana), ou

    − AMB‑d 20–25 mg 1–2x/dia em centros com experiência e sem formulações lipídicas disponíveis.

  • Monitorizar tolerabilidade (tosse, broncoespasmo, pressões de via aérea), resposta clínica e radiológica.
  • 7.2. Paciente crítico em risco elevado de CAPA/IAA (profilaxia)

  • Critérios locais (COVID‑19/Influenza grave + MV prolongada, corticoide em alta dose, imunossupressão, etc.).
  • Uma estratégia razoável, alinhada aos estudos:[1][2][3][14][31]
  • − Se L‑AMB disponível: 12,5 mg 2x/semana por nebulização, iniciando na intubação ou ao reconhecer alto risco, até suspensão da ventilação mecânica ou redução da imunossupressão.

    − Alternativa com ABLC: 50 mg a cada 48 h.

    − Onde só há AMB‑d: 20 mg/dia (1–2 nebulizações) ou 10 mg 2x/dia.

    § 09

    8. Pontos de cautela e lacunas

  • Não há guideline de IDSA/ESCMID que recomende anfotericina inalatória como tratamento de primeira linha para pneumonia fúngica; o papel é profilaxia alternativa ou adjuvante.[1][23][5]
  • Não existem estudos comparando diretamente regimes e formulações entre si (L‑AMB vs ABLC vs AMB‑d) para tratamento de pneumonia invasiva; escolha é guiada por disponibilidade, custo e tolerabilidade.
  • Dados em pediatria e em ABPA são mais robustos que em adultos com IPA; extrapolações devem ser feitas com cautela.
  • Efeitos de longo prazo de deposição lipídica em pulmões com L‑AMB/ABLC/ABCD ainda são pouco estudados, embora séries de TXP pulmonar de longo prazo não tenham mostrado sinal claro de toxicidade crônica.[1][15]
  • § 10

    9. Sugestão prática para sua realidade (UTI adulta, Brasil)

    Considerando uso off‑label e a necessidade de padronizar:

  • Se objetivo é profilaxia de CAPA/IPA em pacientes de altíssimo risco que não toleram azóis:
  • Padronizar L‑AMB 12,5 mg nebulizado 2x/semana (se disponível).
  • Na ausência, definir protocolo com AMB‑d 20 mg/dia ou ABLC 50 mg a cada 48 h, com pré‑broncodilatador.
  • Se objetivo é adjuvante em pneumonia fúngica invasiva estabelecida, refratária:
  • ABLC 50 mg 2x/dia é o esquema melhor documentado em adultos imunossuprimidos.[5]
  • Alternativamente, L‑AMB 25 mg 3x/semana ou 12,5 mg 2–3x/semana, especialmente em doença de vias aéreas centrais.
  • Criar ficha de preparo na farmácia com:
  • Passo a passo de reconstituição (água estéril, concentração final, volume de nebulização).
  • Tipo de nebulizador recomendado (idealmente mesh).
  • Orientações de troca de filtro e monitorização de evento adverso.
  • Se desejar, é possível estruturar um POP/ordem prescritiva padrão (em português, formato hospitalar) para:

  • Profilaxia de CAPA com L‑AMB em ventilados;
  • Tratamento adjuvante de IPA com ABLC nebulizado + antifúngico sistêmico;
  • Fluxograma de seleção de formulação conforme disponibilidade e função renal.
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Chegamos com ... https://www.instagram.com/reel/DJwcyk5xAw1/ [69] Por que existe a letra “h” se ela não tem som? | Super https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/por-que-existe-a-letra-h-se-ela-nao-tem-som/ [70] O GRANDE DEBATE - 24/11/2025 - YouTube - YouTube https://www.youtube.com/watch?v=z3p_lIp4-PA

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