Distúrbios Metabólicos Ácido-Base — Revisão Abrangente (Lent
Bicarbonato sérico normal não exclui acidose metabólica, pois alcalose metabólica pode mascarar acidose com ânion gap elevado; portanto, cálculo do ânion gap corrigido e do delta‑delta é essencial em pacientes críticos para detectar distúrbios mistos, e o manejo foca na identificação e tratamento da causa subjacente, usando reposição volêmica com cristaloides balanceados, bicarbonato apenas em aci
Visão geral
Título: Metabolic Acid-Base Disorders
Autores: Skyler A. Lentz, MD (Autor correspondente — skylentz@gmail.com) e Daniel Ackil, DO
Afiliação: Department of Emergency Medicine, Larner College of Medicine at the University of Vermont, Burlington, VT, EUA
Periódico: Endocrinology & Metabolism Clinics of North America, Volume 55, Páginas 173–186, 2026
DOI: 10.1016/j.ecl.2025.02.007
Publicado originalmente em: Emergency Medicine Clinics, Volume 41, Issue 4, Novembro de 2023
Tipo de Artigo: Artigo de Revisão Clínica (Narrativa)
Financiamento: Sem conflitos financeiros declarados pelos autores
Conceitos Fundamentais
O estado ácido-base é determinado por três parâmetros laboratoriais: pH plasmático, bicarbonato (HCO₃⁻) e pressão parcial de CO₂ (PCO₂) obtidos da gasometria. O aumento do HCO₃⁻ ou a redução da PCO₂ elevam o pH (alcalemia); a redução do HCO₃⁻ ou o aumento da PCO₂ reduzem o pH (acidemia).
Quando a alteração primária é no bicarbonato, trata-se de um distúrbio metabólico; quando é na PCO₂, trata-se de um distúrbio respiratório. A PCO₂ é regulada pela ventilação; o HCO₃⁻ é regulado pela reabsorção renal.
Valores de referência (variam conforme o analisador laboratorial): pH arterial = 7,40 ± 0,02; pH venoso = ~7,36 (0,03–0,04 abaixo do arterial); HCO₃⁻ = 24 ± 2 mmol/L; PaCO₂ = 35–45 mmHg; Ânion gap normal = 8–12 mmol/L.
Acidose Metabólica
Definida como HCO₃⁻ plasmático < 22 mmol/L com pH < 7,35. Divide-se em duas categorias pelo ânion gap:
O ânion gap DEVE ser corrigido para albumina: adicionar 2,5 mmol/L ao ânion gap calculado para cada 1 g/dL de albumina abaixo do normal (4,5 g/dL).
Fórmula do Ânion Gap: AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻).
Delta-Delta e Distúrbios Mistos
Quando um HAGMA é detectado, o delta-delta (ΔAG − ΔHCO₃⁻) determina se é um distúrbio puro ou misto:
Compensação respiratória da acidose metabólica (Fórmula de Winter): PaCO₂ esperada = (1,5 × HCO₃⁻) + 8 ± 2, ou PaCO₂ ≈ HCO₃⁻ + 15 mmHg. Se a PaCO₂ real estiver fora do esperado, há um segundo distúrbio respiratório.
Alcalose Metabólica
Definida como pH arterial > 7,45 e HCO₃⁻ > 30 mmol/L. Frequentemente associada a hipocalemia. A compensação respiratória ocorre por hipoventilação (elevação da PCO₂), podendo causar hipoxemia em casos graves.
Classificação pelo cloreto urinário: Cl⁻ urinário < 20 mEq/L → cloreto-responsiva (vômitos, diuréticos, perdas GI); Cl⁻ urinário > 20 mEq/L → cloreto-não-responsiva (hiperaldosteronismo, síndromes tubulares).
Acidose Metabólica — Princípios Gerais
O pilar do manejo é identificar e tratar a causa subjacente. A correção numérica do pH com bicarbonato de sódio é controversa e deve ser reservada para casos graves.
HAGMA — Tratamentos Específicos
Cetoacidose Diabética (CAD)
Cetoacidose Alcoólica
Acidose Láctica
Intoxicações por Álcoois Tóxicos
NAGMA — Tratamentos Específicos
Alcalose Metabólica — Tratamento
Lactato
Beta-Hidroxibutirato (cetonas)
Gap Osmolal
Salicilatos
Creatina Quinase (CK)
O artigo fornece dois fluxogramas principais (Fig. 1 e Fig. 2) que estruturam a abordagem diagnóstica e terapêutica:
Figura 1 — Avaliação e Manejo da Acidose Metabólica

Resumo do algoritmo: (1) Confirmar acidose metabólica (HCO₃⁻ < 22 mmol/L ou AG elevado); (2) Calcular ânion gap corrigido para albumina; (3) Se HAGMA: investigar cetoacidose, uremia, acidose láctica, toxinas (MUDPILES/KULT); (4) Se NAGMA: investigar perdas GI, ATR, medicamentos; (5) Calcular delta-delta para distúrbios mistos; (6) Fórmula de Winter para avaliar compensação respiratória; (7) Tratar causa subjacente.
Figura 2 — Avaliação e Manejo da Alcalose Metabólica
⚠️ A Figura 1 do artigo (Avaliação e Manejo da Acidose Metabólica) foi extraída como texto pelo OpenDataLoader. Segue o fluxograma completo:
FLUXOGRAMA — AVALIAÇÃO E MANEJO DA ACIDOSE METABÓLICA
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INÍCIO
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┌─────────────────────────────┐
│ HCO₃⁻ < 22 mmol/L │
│ OU Ânion Gap elevado? │
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│ │
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┌──────────┐ ┌──────────┐
│ SIM │ │ NÃO │
└──────────┘ └──────────┘
│ │
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│ Calcular Ânion Gap │ │ Repetir exame │
│ AG = Na⁺-(Cl⁻+HCO₃⁻)│ │ Monitorizar │
└───────────────────┘ └─────────────────┘
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┌───────────────────────────────┐
│ CORRIGIR PARA ALBUMINA: │
│ +2,5 mmol/L para cada 1 g/dL │
│ abaixo de 4,5 g/dL │
└───────────────────────────────┘
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┌────┴────┐
│ │
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┌──────┐ ┌──────┐
│HAGMA │ │NAGMA │
└──────┘ └──────┘
│ │
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│ Causas HAGMA: │ │ Causas NAGMA: │
│ • Cetoacidose │ │ • Perdas GI (diarreia) │
│ • Uremia (IRA) │ │ • Derivação ureteral │
│ • Acidose Láctica │ │ • SF 0,9% em excesso │
│ • Toxinas (salicilato│ │ • ATR (Tipos 1-4) │
│ álcoois tóxicos) │ │ • Hipoaldosteronismo │
└─────────────────────┘ └────────────────────────┘
│ │
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│ Calcular DELTA-DELTA │ │ Tratamento Específico │
│ ΔAG - ΔHCO₃⁻ │ │ • NaHCO₃ isotônico │
│ │ │ (150 mEq em 1L SG5%) │
│ <-5 → + NAGMA │ │ • Suspender SF 0,9% │
│ >+5 → + ALCALOSE │ │ • NefrologistFonte: Adaptado de Lentz & Ackil, Endocrinology & Metabolism Clinics of North America, 2026;55:173–186 (Fig. 1).
📌 A Figura 2 (Alcalose Metabólica) está disponível como imagem. O Dr. Jackson a está inserindo manualmente (tmpfiles.org bloqueia hotlinking no Notion).
Resumo do fluxograma: (1) Confirmar alcalose (pH>7,45, HCO₃⁻>30); (2) História clínica: vômitos? diuréticos?; (3) Avaliar volemia/PA; (4) Dosar Cl⁻ urinário; (5) Cl⁻<20 → SF 0,9% + KCl; (6) Cl⁻>20 → investigar hiperaldosteronismo, acetazolamida se hipervolemia.
Referências
Conteúdo migrado do Central de Estudos (Blog Dr. Jackson Fuck, Notion).