Embolia Pulmonar Aguda — Diretriz 2026
Diretriz 2026 · Central de Estudos · Dr. Jackson Fuck
🫧 AHA/ACC 2026 · Destaques da Diretriz

Embolia Pulmonar Aguda

Categorias Clínicas A–E, mensagens-chave, terapias avançadas e manejo por categoria — a diretriz 2026 AHA/ACC/Multisociety traduzida e reconstruída.

GUIA Cardiologia · Intensivismo 2026
§ 1 · Visão Geral

Diretriz 2026 — Avaliação e Manejo da EP Aguda em Adultos

Documento de novo: é a primeira diretriz de prática clínica sobre EP aguda emitida pelo American College of Cardiology (ACC) e pela American Heart Association (AHA), em conjunto com ACCP, ACEP, CHEST, SCAI, SHM, SIR, SVM e SVN. Publicada em fevereiro de 2026, simultaneamente na Circulation e no JACC.

O foco está em avaliação, manejo e seguimento de adultos com EP aguda, num contexto de uso crescente de terapias intervencionistas — daí a ênfase em estratificação de risco precisa e PERT multidisciplinar.

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NOVO

5 Categorias Clínicas

A–E
Classificação que substitui o modelo binário de risco.
🤝
COR 1

PERT

Recomendada
Equipe multidisciplinar de resposta à EP.
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BASE

Anticoagulação

LMWH › DOAC
LMWH > UFH e DOAC > AVK.
🎯

Por que isso importa

A classificação A–E guia quem pode ir para casa, quem hospitalizar e quem merece terapias avançadas — o tratamento certo, no paciente certo, no momento certo.

§ 2 · Take-Home

10 Mensagens-Chave

As mensagens centrais da diretriz 2026, traduzidas.

MSG 1

Novo esquema de classificação

“Categorias Clínicas de EP Aguda”, com 5 categorias (A–E) + subcategorias, de baixo a alto risco, para refinar gravidade, prognóstico e decisão terapêutica.

MSG 2

Categoria A — assintomática

Pode receber alta do pronto-socorro e não precisa hospitalizar.

MSG 3

Categoria B — baixa gravidade

Alta precoce é geralmente recomendada para EP sintomática com escore clínico baixo.

MSG 4

Categorias C/D/E — hospitalizar

EP sintomática com escore elevado (C), falência incipiente (D) e falência com hipotensão persistente (E) devem ser hospitalizadas.

MSG 5

Terapias avançadas

Trombólise sistêmica, CDT, trombectomia mecânica e embolectomia cirúrgica são razoáveis na categoria E1 e consideráveis na D1–2.

MSG 6

PERT

Equipes de resposta à EP (PERT) são recomendadas para melhorar a tempestividade do cuidado (COR 1).

MSG 7

Anticoagulação parenteral

LMWH é recomendada sobre UFH.

MSG 8

Anticoagulação oral

DOAC é recomendado sobre AVK, salvo contraindicação.

MSG 9

Duração

1ª EP sem fator reversível maior ou com risco persistente → continuar anticoagulação além de 3–6 meses (fase estendida).

MSG 10

Seguimento

Perguntar sobre sintomas e limitação funcional em cada consulta por ≥1 ano (rastrear HPTEC).

§ 3 · Figura 1

Categorias Clínicas de EP Aguda (A–E)

A nova diretriz substitui a classificação binária/intermediária por 5 categorias (A–E) + subcategorias, num espectro de risco crescente, para refinar estratificação, prognóstico e decisão terapêutica.

MENOR RISCO
MAIOR RISCO
A
Subclínica
EP incidental e assintomática.
Alta sem hospitalização
B
Sintomática · baixa gravidade
Escore clínico baixo* (PESI ≤85 / sPESI=0 / Bova ≤4).
B1EP subsegmentar
B2EP não-subsegmentar
C
Sintomática · gravidade elevada
Escore clínico elevado† (PESI >85 / sPESI ≥1 / Bova >4).
C1VD normal e biomarker. normais
C2VD anormal ou biomarker.
C3VD anormal e biomarker.
D
Falência cardiopulmonar incipiente
Instabilidade hemodinâmica precoce.
D1Hipotensão transitória‡
D2Choque normotenso
E
Falência cardiopulmonar
Hipotensão persistente/choque cardiogênico.
E1Hipotensão persistente com choque
E2Choque refratário ou parada
Modificador respiratório “R” · se critérios presentes, acrescentar “R” (ex.: C3R, D2R): SpO₂ < 90%, FR ≥ 30, necessidade de O₂ suplementar (ou >6 L cateter nasal / máscara NRB); na categoria E, hipoxemia = insuficiência respiratória hipoxêmica ou ventilatória.
Definições operacionaisCritério
* Escore clínico baixoPESI ≤ 85 ou sPESI = 0 ou Bova ≤ 4
† Escore clínico elevadoPESI > 85 ou sPESI ≥ 1 ou Bova > 4
‡ Hipotensão transitóriaPAS < 90 ou queda > 40 mmHg <15 min ou responsiva a fluidos IV
Marcadores de gravidade (cat. D)Lactato >2 mmol/L · LRA · diurese <0,5 mL/kg/h · alteração do sensório · índice cardíaco <2,2 L/min/m² · PAM <60 · estágio de choque (SCAI/CPES)
💡

Mensagem-chave

Categoria A → alta sem hospitalização; B → alta precoce; C–E → hospitalizar para otimizar o tratamento.

§ 4 · Ilustração Central

Manejo por Categoria Clínica

Fluxo reconstruído que orienta a estratégia inicial conforme a categoria A–E, com as Classificações de Recomendação (COR).

MANEJO DA EP AGUDA POR CATEGORIA CLÍNICA EP AGUDA estratificação Categorias A–E · escore · VD · biomarcadores · hemodinâmica CATEGORIA A & B A: assintomática → alta sem internação B: escore baixo → alta precoce COR 1 · anticoagulação LMWH › UFH · DOAC › AVK B1 subsegmentar · B2 não-subseg. CATEGORIA C C1: VD normal + BN normais → anticoagulação COR 3: Dano NÃO trombolítico sistêmico C2/C3: VD ou BN alterado anticoagulação + PERT COR 1 · 2b trombólise (C3) CATEGORIA D Falência cardiopulmonar incipiente COR 2b · pode considerar trombólise, CDT, MT, embolectomia cirúrgica Coágulo em trânsito COR 2a · terapias av. CATEGORIA E E1: hipotensão persistente COR 2a · terapias avançadas razoáveis* trombólise, CDT, MT, embolectomia cirúrgica E2: choque refratário ou parada cardiorrespiratória VA-ECMO · COR 2a se recursos disponíveis *Se risco de sangramento aceitável. VD = ventrículo direito · BN = biomarcadores · CDT = trombólise por cateter · MT = trombectomia mecânica LMWH = heparina de baixo peso molecular · UFH = heparina não fracionada · DOAC = anticoagulante oral direto · AVK = antagonista da vitamina K · PERT = equipe de resposta à EP COR 1 · recomendado 2a · razoável 2b · pode considerar 3 · dano

Figura 2 (reconstruída) — Ilustração Central: manejo da EP aguda por categoria clínica (AHA/ACC 2026).

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A base em todas as categorias: anticoagulação

LMWH > UFH se parenteral; DOAC > AVK se elegível para anticoagulante oral (COR 1). As terapias avançadas somam-se à anticoagulação, nunca a substituem.

§ 5 · Contexto

2026 AHA/ACC vs 2019 ESC

Comparativo entre as duas diretrizes (classificação, PERT e terapias avançadas).

Tema2019 ESC2026 AHA/ACC/Multisociety
Classificação
(msg 1)
COR 1: estratificação por instabilidade hemodinâmica. Baixo risco = PESI I–II/sPESI=0 + VD normal; intermediário e alto por escore+VD+biomarcadores.Categorias A–E: espectro que integra achado incidental, escore clínico, VD, biomarcadores e hemodinâmica + modificador respiratório “R”.
PERT
(msg 6)
COR 2a: considerar equipe multidisciplinar para alto (e selecionados intermediário) risco, conforme recursos locais.COR 1: PERT multidisciplinar recomendada para risco aumentado (categorias C–E).
Trombólise sistêmicaCOR 1 em alto risco; 3 em baixo/intermediário.2a em E1–2 · 2b em D1–2 e C3 · 3: Dano em A1–C2.
Embolectomia cirúrgicaCOR 1 em alto risco, se trombólise contraindicada/falhou.2a em E1 · 2b em D1–2 · 3: Sem benefício em E2 sem suporte MCS.
VA-ECMOCOR 2b: ECMO com embolectomia/cateter em colapso refratário.COR 2a: VA-ECMO razoável na cat. E2 (choque cardiogênico refratário) se recursos.
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Mudança de filosofia

A nova diretriz substitui o modelo binário/intermediário por um espectro de 5 categorias, formaliza a PERT como Classe 1 e aproxima as terapias avançadas do risco real do paciente.

§ 6 · Terapias

Terapias Avançadas e COR

Recomendações de terapias avançadas (trombólise sistêmica, cateter, trombectomia mecânica e embolectomia) por categoria.

ModalidadeCategoriasRecomendação (PT-BR)COR
Trombólise sistêmicaE1–2Razoável sobre anticoagulação isolada se sangramento aceitável (reduz mortalidade e EP recorrente)2a
Trombólise sistêmicaD1–2Pode ser considerada sobre anticoagulação isolada para evitar deterioração2b
Trombólise sistêmicaA1–C2NÃO deve ser usada (risco de sangramento maior/HIC)3: Dano
Trombólise sistêmicaC3Benefício sobre anticoagulação isolada incerto2b
Trombólise (dose baixa)Em usoDose menor pode ser considerada para reduzir sangramento2b
CDT + anticoa.E1Razoável para evitar deterioração e mortalidade precoce2a
CDT + anticoa.D1–2Pode ser considerada2b
MT + anticoa.E1Razoável para evitar descompensação e mortalidade aguda2a
MT + anticoa.D1–2Pode ser considerada2b
Embolectomia cirúrgica + anticoa.E1Razoável sobre anticoagulação isolada2a
Embolectomia cirúrgicaE2 sem suporte MCSNão recomendada sobre outras terapias avançadas (sem benefício de mortalidade)3: Sem benefício
VA-ECMOE2Razoável para estabilizar hemodinâmica e melhorar oxigenação (se recursos)2a
Terapias avançadasC3–E2 coágulo em trânsitoRazoáveis sobre anticoagulação isolada para reduzir deterioração2a
⚠️

Risco de sangramento antes de avançar

As terapias avançadas exigem risco de sangramento aceitável. Na cat. C3–E2 com coágulo em trânsito (VD/AD), terapias avançadas sobre anticoagulação isolada são razoáveis (COR 2a).

§ 7 · PERT

Equipe de Resposta à EP (PERT)

A diretriz eleva a PERT a Classe 1 — recomendação formal de equipe multidisciplinar.

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Quem acionar

EP aguda com risco aumentado (categorias C–E), ou cat. A/B com comorbidades (ex.: cat. B com hemorragia intracraniana).

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Composição

Multidisciplinar: cardiologia, pneumologia, cirurgia cardiovascular, radiologia intervencionista, intensivismo.

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Objetivo

Melhorar a tempestividade do cuidado — decisão rápida e informada sobre estratificação e terapias avançadas.

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COR 1 — recomendação literal

Em pacientes com EP aguda e risco aumentado de desfechos adversos (categorias C–E), a avaliação por PERT multidisciplinar é recomendada para melhorar a entrega do cuidado intra-hospitalar.

§ 8 · Anticoagulação

Anticoagulação

Base do manejo agudo e de longo prazo da EP.

Inicial (parenteral)

LMWH é recomendada sobre UFH quando é necessária anticoagulação parenteral inicial (COR 1).

Mais previsível, menor risco de HIT e de sangramento, sem monitorização rotineira.

Longo prazo (oral)

Em elegíveis, DOAC é recomendado sobre AVK, salvo contraindicação, para prevenir EP recorrente e reduzir sangramento maior (COR 1).

Eficácia não inferior com menos sangramento maior e intracraniano.

📆

Duração estendida

Na 1ª EP sem fator reversível maior ou com risco persistente, continuar a anticoagulação além da fase inicial (3–6 meses) até a fase estendida é recomendado (COR 1).

§ 9 · Seguimento

Seguimento pós-EP

Rastreio de doença tromboembólica pulmonar crônica

≥1 ano
Perguntar sobre sintomas relacionados à EP e limitação funcional em cada consulta por pelo menos 1 ano (COR 1).
HPTEC
Suspeitar de hipertensão pulmonar tromboembólica crônica ou outras causas de dispneia/limitação persistente.

Investigação

Dispneia persistente, limitação ao exercício ou sinais de disfunção de VD após EP → ecocardiograma + cintilografia de perfusão à procura de defeitos segmentares persistentes.

§ 10 · Intensivista

Leitura para o Intensivista

MAIOR GRAVIDADE · categoria E

Falência cardiopulmonar ALTO RISCO

E1: hipotensão persistente com choque cardiogênico → terapias avançadas razoáveis (COR 2a). E2: choque refratário/parada → VA-ECMO (COR 2a) se recursos.

ZONA DE TRANSIÇÃO · categoria D

Falência incipiente INTERMEDIÁRIO

Janela crítica: tecnologias avançadas podem ser consideradas (COR 2b) para evitar deterioração. Monitorizar de perto — é onde a EP “descompensa”.

SUPORTE · E2

VA-ECMO 2a

Em choque cardiogênico refratário por EP (cat. E2), instituir VA-ECMO é razoável para estabilizar hemodinâmica e melhorar oxigenação, se recursos e expertise.

NÃO FAZER · A1–C2

Trombólise sistêmica COR 3: DANO

Não usar trombolítico sistêmico em vez de anticoagulação isolada nas categorias A1–C2 — risco de sangramento maior e hemorragia intracraniana.

🫀

Cardiopulmonar na prática

Estratificação rigorosa: escore clínico (PESI/sPESI/Bova) + disfunção de VD à imagem + biomarcadores (troponina). Disfunção miocárdica muda a categoria e a decisão terapêutica.

§ 11 · Assistente

Assistente de Categoria A–E

Ferramenta didática que estima a categoria clínica e a conduta de referência. Não substitui o julgamento clínico.

PASSO 1 · quadro clínico

EP assintomática / incidental?

PASSO 2 · gravidade clínica

Escore de gravidade clínica baixo?

PASSO 3 · hemodinâmica

Instabilidade hemodinâmica?

PASSO 4 · imagem + biomarcadores (categoria C)

Disfunção de VD à imagem?

PASSO 5 · biomarcadores

Biomarcador elevado (troponina)?

OPCIONAL · respiratório

Modificador respiratório (SpO₂<90%, FR≥30, O₂)?

Resultado

Selecione os determinantes ao lado
§ 12 · Quiz

Quiz — Diretriz 2026

11 questões × 10 pts. Teste o domínio das novas categorias e recomendações.

§ 13 · Fontes

Referências