ESICM guidelines on circulatory shock and hemodynamic monito
As diretrizes atualizadas enfatizam uma abordagem multimodal para o diagnóstico e manejo do choque circulatório, recomendando o uso de variáveis dinâmicas para avaliar a responsividade a fluidos, individualizando metas de pressão arterial e utilizando a ecocardiografia como ferramenta de primeira linha. As principais mudanças incluem a monitorização do Tempo de Enchimento Capilar (TEC) e a proibiç
Visão geral
📄 Identificação
Autores/Organização:` European Society of Intensive Care Medicine (ESICM) | Monnet X et al.
`Periódico: Intensive Care Medicine | Ano: 2025 | DOI: 10.1007/s00134-025-08137-z
🎯 Mensagem Principal
📊 Contexto da Diretriz
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Escopo | Pacientes adultos gravemente enfermos com insuficiência circulatória aguda (choque). |
| Objetivo | Fornecer recomendações baseadas em evidência para diagnóstico, monitorização hemodinâmica e terapia com fluidos. |
| Metodologia | Metodologia GRADE para avaliação de evidência e formulação de recomendações. Declarações de boas práticas (UGPS) usadas quando não houve evidência forte. |
| Versão Anterior | Consenso ESICM 2014. |
| Principais Mudanças | Maior ênfase na avaliação da perfusão periférica (TEC), preferência forte por índices dinâmicos de fluidos e integração da ecocardiografia. |
🔄 O Que Mudou?
Comparação com Consenso ESICM 2014
| Tópico | Antes (2014) | Agora (2025) | Impacto Prático |
|---|---|---|---|
| Perfusão Tecidual | Sugeria avaliar as "3 janelas" (pele, rim, cérebro). | Recomenda monitorar perfusão da pele usando Tempo de Enchimento Capilar (TEC), complementado por temperatura e mottling. | O TEC torna-se um alvo e ferramenta de monitorização central. |
| Responsividade a Fluidos | Recomendava desafios de fluidos, exceto em hipovolemia óbvia. | Recomenda avaliar responsividade antes de dar fluidos em choque persistente. Forte preferência por variáveis dinâmicas sobre estáticas. | Fim da reposição volêmica "às cegas" após a fase inicial; proscrição de CVP isolada para decidir volume. |
| Pressão Arterial (PAM) | Sugeria alvo inicial ≥ 65 mmHg. | Recomenda individualizar. Alvo inicial 65-70 mmHg em sepse. Considerar alvos maiores se hipertensão prévia ou CVP alta. | Personalização da meta de PAM baseada na fisiologia e resposta do paciente. |
| Monitorização de Débito Cardíaco (DC) | Sugeria se resposta clínica insuficiente. | Deve ser monitorado em pacientes não respondedores à terapia inicial para avaliar tipo de choque e resposta. | Indica monitorização avançada (PAC ou termodiluição transpulmonar) mais precocemente em casos refratários. |
| Ecocardiografia | Preferida para avaliação inicial. | Sugerida como modalidade de imagem de primeira linha para avaliar tipo de choque e status hemodinâmico. | Eco torna-se ferramenta padrão-ouro para avaliação inicial e seriada. |
📋 Recomendações Principais
🩺 Definição e Diagnóstico de Choque
| # | Recomendação | Evidência | Força | Justificativa |
|---|---|---|---|---|
| 1.2 | O choque é definido como falência circulatória aguda com perfusão tecidual inadequada, levando à disóxia celular. Hipotensão é comum, mas não obrigatória. | Ungraded | Forte | O foco deve ser na perfusão tecidual, não apenas na macrohemodinâmica. |
| 1.5 | Monitorar a perfusão da pele usando o Tempo de Enchimento Capilar (TEC), complementado por temperatura da pele e mottling. | Ungraded | Forte | TEC é um marcador rápido e sensível de perfusão que se correlaciona com desfechos. |
| 1.6 | Em pacientes com cateter venoso central, realizar medidas seriadas da saturação venosa central de oxigênio (ScvO₂). | Ungraded | Forte | Reflete o balanço global entre oferta e consumo de oxigênio. |
| 1.7 | Em pacientes com cateter central e arterial, medir a diferença veno-arterial de CO₂ (P(v-a)CO₂). | Ungraded | Forte | P(v-a)CO₂ > 6 mmHg sugere fluxo sanguíneo inadequado (baixo débito relativo). |
💧 Fluidoterapia e Responsividade
| # | Recomendação | Evidência | Força | Justificativa |
|---|---|---|---|---|
| 2.10 | Em choque persistente após ressuscitação inicial, avaliar responsividade a fluidos antes de continuar a reposição. | Ungraded | Forte | Evitar sobrecarga hídrica em pacientes que não aumentarão o DC com volume. |
| 2.16 | Recomendamos usar variáveis dinâmicas em vez de marcadores estáticos de pré-carga para prever responsividade. | Alta | Forte | Variáveis estáticas (CVP, diâmetros) não preveem se o coração responderá ao volume (curva de Frank-Starling). |
| 2.17 | Recomendamos o teste de Elevação Passiva das Pernas (PLR) para avaliar responsividade em ventilados (com ou sem esforço espontâneo). | Alta | Forte | O PLR é o teste mais acurado e reversível, simulando uma carga de volume endógena. |
| 2.26 | Sugerimos contra o uso isolado da variação do diâmetro da veia cava inferior (VCI) para avaliar responsividade. | Moderada | Fraca | A VCI tem muitas limitações e baixa acurácia em pacientes com esforço respiratório espontâneo. |
💓 Monitorização Hemodinâmica
| # | Recomendação | Evidência | Força | Justificativa |
|---|---|---|---|---|
| 3.27 | Monitorar Débito Cardíaco (DC) e/ou Volume Sistólico em pacientes que não respondem à terapia inicial. | Ungraded | Forte | Necessário para diferenciar mecanismos de choque (ex: cardiogênico vs distributivo) e guiar inotrópicos/vasopressores. |
| 3.36 | Pressão arterial deve ser monitorada continuamente (cateter arterial) em choque não responsivo ou requerendo vasopressores. | Ungraded | Forte | Acurácia essencial para titulação de drogas vasoativas. |
| 3.38 | A meta de pressão arterial deve ser individualizada. | Ungraded | Forte | Pacientes diferentes (ex: idosos hipertensos vs jovens com trauma) precisam de perfusões diferentes. |
| 3.46 | A Pressão Venosa Central (CVP) deve ser medida se houver cateter, mas não usada como meta (alvo) isolado de ressuscitação. | Ungraded | Forte | CVP elevada é um sinal de alerta para congestão e risco de lesão renal, não um alvo terapêutico a ser "perseguido". |
🖥️ Ecocardiografia
| # | Recomendação | Evidência | Força | Justificativa |
|---|---|---|---|---|
| 3.34 | Sugerimos ecocardiografia como modalidade de imagem de primeira linha para avaliar tipo de choque. | Baixa | Fraca | Permite diagnóstico etiológico rápido (tamponamento, disfunção VE/VD, hipovolemia). |
| 3.35 | Avaliações seriadas devem ser feitas para fornecer informações adicionais sobre função cardíaca, mesmo se o DC for monitorado por outros meios. | Ungraded | Forte | O perfil hemodinâmico muda com o tempo e com as intervenções. |
🚨 Recomendações de Alta Prioridade
Top 5 ações para implementar imediatamente na prática clínica:
| Prioridade | Recomendação | Ação Prática Imediata |
|---|---|---|
| 1 | Abolir reposição volêmica "às cegas" após fase inicial | Implementar protocolo de teste de responsividade (PLR ou Variação de Pressão de Pulso/PPV) antes de cada bolus em pacientes estáveis. |
| 2 | Monitorização do Tempo de Enchimento Capilar (TEC) | Padronizar a medição do TEC (pressão por 10s na polpa digital) como sinal vital de perfusão a cada hora. |
| 3 | Personalização da PAM | Não fixar PAM em 65 mmHg para todos. Em hipertensos crônicos mal controlados, considerar teste terapêutico com PAM 75-85 mmHg. |
| 4 | Ecocardiografia Precoce | Realizar Eco "point-of-care" imediatamente na admissão de qualquer choque não esclarecido ou refratário a volume inicial. |
| 5 | Monitorização Avançada em Refratários | Se o paciente continua chocado e com altas doses de vasopressor, instalar monitorização de DC (Swan-Ganz ou Termodiluição Transpulmonar). |
🔬 Base de Evidências
💡 Pontos de Destaque
✅ Forças
⚠️ Limitações
🏥 Aplicabilidade Clínica
Para quem: Intensivistas, Emergencistas, Anestesiologistas.
Quando: Desde a triagem na emergência até o manejo avançado na UTI.
🔄 Fluxograma Decisório
flowchart TD
A[Paciente com Suspeita de Choque] --> B{Sinais de Hipoperfusão?<br/>TEC > 3s, Mottling, Lactato alto,<br/>Oligúria, Alteração Mental}
B -->|Não| C[Monitorar e Reavaliar]
B -->|Sim| D[Diagnóstico de Choque]
D --> E{Hipovolemia Óbvia?}
E -->|Sim| F[Fluidoterapia Inicial<br/>200-500mL bolus]
E -->|Não| G[Avaliar Responsividade a Fluidos]
G --> H{Teste Positivo?<br/>PLR, PPV, SVV}
H -->|Sim| F
H -->|Não| I[Iniciar/Titular Vasopressor<br/>Alvo PAM Individualizado]
F --> J{Melhora da Perfusão?}
I --> J
J -->|Sim| K[Manter e Descalonar]
J -->|Não - Choque Persistente| L[Monitorização Avançada]
L --> M[Ecocardiografia]
L --> N[Cateter Arterial + CVC]
L --> O[Monitorização de Débito Cardíaco<br/>PAC ou Termodiluição]
M --> P{Causa Identificada?}
P -->|Cardiogênico| Q[Inotrópicos / Suporte Mecânico]
P -->|Vasoplégico| R[Vasopressores / Corticoide?]
N --> S[Avaliar P v-a CO₂ e ScvO₂]
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style F fill:#7ED321,stroke:#5FA019,color:#fff
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style S fill:#4A90E2,stroke:#2E5C8A,color:#fff📚 Contexto na Literatura
Relação com outras diretrizes: Atualiza a diretriz da ESICM de 2014. Alinha-se com a Surviving Sepsis Campaign na preferência por variáveis dinâmicas, mas é mais incisiva na necessidade de individualização da PAM e no uso de TEC como alvo (validado pelo estudo ANDROMEDA-SHOCK).
Divergências: Ao contrário de protocolos antigos (Early Goal-Directed Therapy), não recomenda valores fixos de CVP (8-12 mmHg) ou ScvO₂ (70%) como metas isoladas obrigatórias para todos.
🔮 Implicações Futuras
Perguntas não respondidas:
Pesquisa futura: Estudos randomizados focados em algoritmos de manejo guiados por inteligência artificial ou integração multimodal de variáveis.
📖 Referência ABNT
MONNET, X. et al. ESICM guidelines on circulatory shock and hemodynamic monitoring 2025. Intensive Care Medicine, 2025. DOI: 10.1007/s00134-025-08137-z.
📝 Lista de Abreviaturas
| Sigla | Significado | Observação |
|---|---|---|
| TEC | Tempo de Enchimento Capilar | Em inglês: CRT (Capillary Refill Time) |
| PAM | Pressão Arterial Média | Em inglês: MAP |
| PLR | Elevação Passiva das Pernas | Em inglês: Passive Leg Raising |
| PPV | Variação da Pressão de Pulso | Marcador dinâmico de fluido-responsividade |
| ScvO₂ | Saturação Venosa Central de Oxigênio | Marcador de balanço O₂ global |
| P(v-a)CO₂ | Diferença veno-arterial de CO₂ | Marcador de adequação de fluxo (débito) |
| CVP | Pressão Venosa Central | Marcador de pré-carga estática e congestão |
| DC | Débito Cardíaco | Em inglês: CO (Cardiac Output) |
🏷️ Tags
#medicinaintensiva #choque #hemodinamica #ESICM2025 #fluidoterapia
Snippet de código
mindmap
root((Diretriz ESICM
Choque 2025))
Mudanças Principais
TEC como alvo de perfusão
Fim da CVP como meta isolada
PAM Individualizada
Ecocardiografia como 1ª linha
Diagnóstico
Abordagem Multimodal
Lactato + TEC + Mottling
P v-a CO2 para avaliar fluxo
Fluidoterapia
Fim do volume às cegas
Variáveis Dinâmicas PPV SVV
Teste PLR Padrão Ouro
Teste de Oclusão Expiratória
Hemodinâmica
Monitorar DC em refratários
Cateter Arterial se vasopressor
CVP para segurança não alvo
Ecocardiografia
1ª linha para tipo de choque
Avaliação seriada obrigatória
Identificar fenótipos VE VD
Implementação
Triagem com TEC
Teste de Fluido antes de Bolus
Protocolos IndividualizadosReferências
Conteúdo migrado do Central de Estudos (Blog Dr. Jackson Fuck, Notion).