FA na UTI · Dashboard de Decisão
Sibley et al · Intensive Care Med · 2025
ARRITMIA MAIS COMUM EM UTI · STATE OF THE ART

Fibrilação atrial na doença crítica

Multifatorial, heterogênea e associada a desfechos adversos de curto e longo prazo. Este dashboard condensa o algoritmo de decisão por cenário hemodinâmico e as estratégias farmacológicas da revisão de Sibley et al. (Intensive Care Medicine, 2025).

🫀 NOAF novo início em UTI 📊 5 números-chave de epidemiologia 🧭 3 cenários hemodinâmicos 💊 6 antiarrítmicos comparados
§ 01

Epidemiologia em números

Da prevalência na admissão à recidiva após a alta — a FA no paciente crítico está longe de ser benigna.

FA pré-existente
10–20%
dos internados em UTI
NOAF geral
5–15%
hospitalizados graves
NOAF em séptico
até 46%
no choque séptico
AVC com NOAF
2,4–7,3%
4× maior risco
Recidiva pós-alta
~32%
em ~1 ano
§ 02

Algoritmo de decisão por cenário

Selecione o perfil hemodinâmico do paciente para ver a conduta recomendada passo a passo.

§ 03

Antiarrítmicos: quando usar cada um

Seis opções, contextos diferentes. O verde indica preferência de cenário, o âmbar pede cautela e o vermelho marca contraindicação.

AmiodaronaClasse III

Mais usada. RS variável (18–94%). Útil em FE reduzida.

Lento p/ FC · hipotensão
PropafenonaRCT 2023

Séptico com FE≥40% + AE não dilatado (LAVI<40): RS 72,8% vs amiodarona 67,3% (Balik et al.).

Contraindicada: FE<40%
Landiololβ1 ultrasseletivo

Controle rápido de FC sem piorar a pressão arterial. RCT Landi-SEP 2024.

Disponibilidade limitada no BR
Esmololβ1 seletivo

FC: 64% vs amiodarona 25% em 40 min. Início ultra-rápido e meia-vida de minutos.

Broncoespasmo · FE reduzida
Metoprololβ1 seletivo

Estável com FE≥40%. HR 0,59 para mortalidade em 90 dias na sepse (MIMIC III).

1ª escolha no estável
DigoxinaBomba Na-K

Não inferior à amiodarona para controle de ritmo. Menos bradicardia e hipotensão. Opção em FE↓.

Janela estreita · ajuste na IRA
§ 04

Take-home: fazer × não fazer

Os quatro princípios que resumem o manejo da FA na doença crítica.

Fazer

  • Buscar e tratar a causa de base
  • Usar ecocardiografia (POCUS) antes de decidir
  • Estratégia catecholamine-sparing em sepse
  • Organizar seguimento pós-alta (recidiva ~32% em 1 ano)

Não fazer

  • Assumir FA como benigna na UTI
  • Cardioverter sem corrigir os gatilhos
  • Anticoagular rotineiramente nas primeiras 48 h
  • Usar CHA₂DS₂-VASc isolado no paciente séptico
§ 05

Referência

SIBLEY, S.; BEDFORD, J.; WETTERSLEVE, M. et al. Atrial fibrillation in critical illness: state of the art. Intensive Care Medicine, v. 51, n. 5, p. 904–916, 2025. DOI: 10.1007/s00134-025-07895-0 · PubMed 40323451 ↗