Infarto na Gestante: abordagem multidisciplinar
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Infarto na Gestante: abordagem multidisciplinar

Infarto agudo do miocárdio na gestação é raro (6,2/100 mil partos) mas tem mortalidade materna ~5 %; a causa mais comum é SCAD (43 %). A maioria apresenta STEMI e requer abordagem multidisciplinar (obstetrícia, cardiologia, anestesiologia, intensivismo). PCI é o tratamento de escolha; trombólise deve ser reservada como último recurso devido ao alto risco hemorrágico. A escolha de fármacos deve con

Decisão & Regulação 📄 Resumo de estudo 🏥 UTI / Emergência
§ 01

Visão geral

§ 02

Identificação

Título: Acute Myocardial Infarction in Pregnancy: A Multidisciplinary Approach

Autores: Hashaam Ghafoor, Farrookh Haider, Aalami Zeba, et al. (12 autores)

Periódico: Cureus 18(1): e102240 — Publicado 25/01/2026

Instituição: Hamad Medical Corporation + Qatar University — Doha, Qatar

Tipo: Open Access Narrative Review (22 páginas, 166 referências)

Departamentos: Anesthesiology ICU + Cardiology + Obstetrics/Gynecology

§ 03

Mensagem Principal

O IAM na gestação é raro (6.2/100.000 partos) mas com mortalidade materna de ~5%. A causa MAIS COMUM é SCAD (dissecção espontânea de artéria coronária) — 43% dos casos — NÃO aterosclerose. 75% apresentam-se como STEMI. Abordagem MULTIDISCIPLINAR (obstetra + cardiologista + anestesiologista + intensivista) é mandatória. PCI é o tratamento de escolha; trombólise é último recurso pelo alto risco hemorrágico (18-58%). O parto deve ser adiado pelo menos 2 semanas pós-IAM para reduzir estresse hemodinâmico.
§ 04

Epidemiologia e Etiologia

  • Incidência: 6.2/100.000 partos (aumentando por idade materna + obesidade + DM + HA)
  • Mortalidade materna: ~5% (3-4x maior que não gestantes da mesma idade)
  • Idade média: 35 anos; pico no 3º trimestre e pós-parto imediato
  • Fatores de risco modificáveis: tabagismo (25%), hiperlipidemia (20%), obesidade, DM gestacional, HA gestacional, pré-eclâmpsia (18.3%)
  • § 05

    Etiologia do IAM na Gestação

    🔬 SCAD: 43% (principal causa) | Aterosclerose: 27% | Trombo sem aterosclerose: 17% | Sem causa angiográfica: 11% | Espasmo coronariano: raro

    SCAD: Afeta principalmente mulheres jovens brancas (83%). Mais comum no pós-parto em multíparas e no 3º trimestre em anteparto. Fatores: progesterona (degrada fibras elásticas), estrogênio (aumenta metaloproteinases), estresse hemodinâmico do parto.

    § 06

    Apresentação Clínica

  • 75% STEMI | 25% NSTEMI
  • Parede anterior: 69-78% | Inferior: 27% | Lateral: 4%
  • Killip III/IV (choque cardiogênico/ICC): 38% | Arritmias ventriculares: 12%
  • FEVE <40%: 54% dos casos | <20%: 9%
  • SCAD: LMCA 26%, LAD 34%, múltiplos vasos 39% (mais grave que SCAD em não gestantes)
  • § 07

    Diagnóstico Diferencial

  • Pré-eclâmpsia (pode elevar troponina)
  • Tromboembolismo pulmonar (risco 4x maior na gestação)
  • Dissecção aórtica | Takotsubo | Miocardiopatia periparto
  • § 08

    Métodos Diagnósticos

  • ECG: Atenção às variantes normais da gestação (desvio esquerdo do eixo, Q não patológico em DIII/aVL, inversão T em V1-V3). ST elevado exige ação imediata.
  • Troponina: NÃO se altera na gestação normal — confiável. Cutoff de não gestantes é válido.
  • Ecocardiograma transtorácico: 1ª linha. Detecta alteração de contratilidade segmentar.
  • Angio-TC coronária: Útil quando SCAD suspeita e necessidade de intervenção incerta.
  • Cateterismo: Padrão-ouro. Exposição fetal: ~1.5 mGy (diagnóstico) / ~3 mGy (PCI). Limite seguro: <50 mGy.
  • § 09

    Tratamento — Intervenção

    ⚡ PCI é o tratamento de escolha para STEMI/Alto Risco. TROMBÓLISE É ÚLTIMO RECURSO — risco de hemorragia materno-fetal em 18-58% dos casos. Contraindicada na suspeita de SCAD (risco de expansão do hematoma intramural).
  • Acesso radial preferido. Posicionar em decúbito lateral esquerdo para evitar compressão aortocava.
  • SCAD com estabilidade hemodinâmica: tratamento conservador (evitar PCI pelo risco de dissecção iatrogênica).
  • Stent: BMS no 3º trimestre (DAPT 4 semanas) / DES nos 2 primeiros trimestres (DAPT 3 meses).
  • Melhor momento para PCI: 2º trimestre (após 4º mês) — organogênese completa, tireoide fetal inativa, útero pequeno.
  • § 10

    Tabela de Segurança Farmacológica

    FÁRMACOGESTAÇÃOLACTAÇÃO
    AAS baixa dose (81 mg)Seguro (dose plena <32 sem; baixa dose toda gestação)Provavelmente compatível
    ClopidogrelProvavelmente compatívelProvavelmente compatível
    Heparina / HBPMSEGURO — não cruza placentaSEGURO — não excretado no leite
    BetabloqueadoresSeguro (propranolol/metoprolol); risco de RCIU e hipoglicemia neonatalProvavelmente compatível
    NitratosCautela — hipotensão + hipoperfusão placentáriaDados limitados
    IECA / BRACONTRAINDICADOS — fetotóxicosEvitar
    EstatinasEVITAR (1-2 meses pré-concepção e gravidez precoce)Dados limitados
    § 11

    Recomendações para o Parto

    🏥 ADIAR parto pelo menos 2 SEMANAS pós-IAM para reduzir estresse hemodinâmico. Idealmente manter gestação até 34 semanas.
  • Via de parto: Vaginal preferido se paciente estável (menos sangramento, infecção, trombose). Cesariana se instabilidade hemodinâmica ou IAM recente.
  • Anestesia: Neuroaxial (epidural/CSE) preferida. Anestesia geral se descompensação cardiopulmonar.
  • Monitorização intraoperatória: Linha arterial + FloTrac/Vigileo + ETE se disponível.
  • Vasopressor profilático: Fenilefrina ou noradrenalina em infusão contínua após bloqueio neuroaxial para manter pós-carga.
  • Evitar ocitocina em bolus rápido (hipotensão). Usar infusão lenta ou misoprostol. Metilergonovina CONTRAINDICADA (vasoconstrição).
  • § 12

    Pós-parto e Seguimento

  • Monitorização em UCI coronariana no pós-parto imediato (aumento de 60% no DC por autotransfusão).
  • Aleitamento: Individualizar. Benefício CV para a mãe. Ver compatibilidade dos fármacos.
  • Rastrear depressão pós-parto (10%) + pós-IAM (18%) — risco sinérgico.
  • Reabilitação cardíaca para todas.
  • SCAD: rastrear displasia fibromuscular e outras arteriopatias. Risco de recorrência: 10-29%.
  • Contracepção: Evitar estrogênio. Preferir implante de etonogestrel ou DIU de levonorgestrel.
  • § 13

    Gravidez Futura

    ⚠️ Risco de recorrência de SCA: ~10%. SCAD prévio: recorrência até 20%. Complicações obstétricas até 58% (cesariana, HA, prematuridade, baixo peso). Mortalidade materna: 0-23% em diferentes estudos. SCAD prévia ou IHD residual = desaconselhar fortemente nova gestação.
  • Avaliação CV completa antes de nova gestação: ECO, teste de esforço, cateterismo se alto risco.
  • Otimizar fatores de risco CV (DM, HA, tabagismo) antes da concepção.
  • Decisão compartilhada: equipe multidisciplinar + paciente + família.
  • § 14

    Forças e Limitações

    Forças: Revisão abrangente e verdadeiramente multidisciplinar (anestesia + cardio + obstetrícia); tabela prática de segurança farmacológica na gestação/lactação; seção detalhada de técnica anestésica; 15+ casos clínicos resumidos; abordagem prática para via de parto e monitorização.

    Limitações: Revisão narrativa (não sistemática); dados baseados em séries de casos e registros (sem RCTs — inviável nessa população); guideline ESC 2018 já tem 8 anos.

    § 15

    Abreviaturas e Tags

    SCAD = Spontaneous Coronary Artery Dissection | PAMI = Pregnancy-Associated MI | mWHO = modified WHO classification | CSE = Combined Spinal-Epidural | BMS/DES = Bare-Metal/Drug-Eluting Stent | DAPT = Dual Antiplatelet Therapy | P-SCAD = Pregnancy-associated SCAD | NP-SCAD = Non-Pregnancy SCAD

    Tags: #IAM #gestação #SCAD #STEMI #cardiologia #obstetrícia #anestesia #UTI #emergência #pós-parto #revisão

    § 16

    Referências Principais

  • Elkayam U et al. Pregnancy-associated AMI: 150 cases 2006-2011. Circulation. 2014;129:1695-702. (Série seminal)
  • Tweet MS et al. Pregnancy-associated SCAD. JACC. 2017;70:426-35. (70% eventos no 1º mês pós-parto)
  • Regitz-Zagrosek V et al. ESC Guidelines CVD in Pregnancy. Eur Heart J. 2018;39:3165-241.
  • Gédéon T et al. AMI in pregnancy review. Curr Probl Cardiol. 2022;47:101327.
  • Edupuganti MM et al. AMI in pregnancy: diagnosis and management. Indian Heart J. 2019;71:367-74.
  • Baris L et al. ACS/IHD in pregnancy — EURObservational Registry. JAHA. 2020;9:e015490.
  • Refs

    Referências

    Conteúdo migrado do Central de Estudos (Blog Dr. Jackson Fuck, Notion).