Insuficiência Cardíaca — Diretriz ESC 2026
Diretriz ESC 2026 · Central de Estudos · Dr. Jackson Fuck
🫀 ESC 2026 · Diretriz Completa de IC

Insuficiência Cardíaca

Estágios A–D, nova nomenclatura FMT/AMT/GDIT, FMT nos dois fenótipos, IC descompensada em 3 fases e triagem formal de IC avançada — a diretriz ESC 2026 traduzida e reconstruída.

GUIA Cardiologia · Intensivismo 2026 · 112 páginas
§ 1 · Visão Geral

Diretriz ESC 2026 — Manejo da Insuficiência Cardíaca

Documento de novo: a primeira revisão completa das diretrizes ESC de IC desde 2021/2023, publicada na European Heart Journal em 2026 (112 páginas, >1.100 referências). Redefine os fenótipos, adota os estágios A–D, cria a nova nomenclatura FMT/AMT/GDIT e consolida a era do tratamento de base em ambos os fenótipos.

🧭
REDEFINIÇÃO

Fenótipos

HFrEF < 50%
Corte de FE unificado em 50% — HFrEF e HFpEF, com evidência objetiva exigida na HFpEF.
🏛️
ESTÁGIOS

Modelo A–D

A · B · C · D
Da pessoa em risco à IC avançada — adotado da 2ª Definição Universal de IC.
💊
NOVA NOMECLATURA

FMT / AMT / GDIT

3 pilares
Terapia médica de base, terapia médica adicional e terapia intervencionista guiada por diretriz.
🎯

Por que isso importa

A IC continua sendo a síndrome cardiovascular mais comum, com prevalência em expansão. A diretriz 2026 organiza o que se trata sempre (FMT), o que se trata por fenótipo (AMT) e o que se implanta (GDIT) — com algoritmos renovados para diagnóstico crônico, IC descompensada (3 fases) e IC avançada (triagem formal).

§ 2 · O que há de novo em 2026

O que muda na prática

As mudanças mais impactantes da atualização, com a força de recomendação associada.

NOVO · 1

Nova nomenclatura terapêutica

FMT (terapia médica de base), AMT (terapia médica adicional) e GDIT (terapia intervencionista guiada por diretriz). Termos dinâmicos, pensados para permanecerem atualizados à medida que a evidência avança.

NOVO · 2

Fenótipos redefinidos — corte de FE em 50%

HFrEF: FEVI < 50% + sintomas e/ou sinais de IC. HFpEF: FEVI ≥ 50% + sintomas e/ou sinais de IC + evidência objetiva de anormalidade estrutural e/ou funcional.

NOVO · 3

Estágios A–D adotados

A (em risco) → B (pré-IC) → C (sintomática) → D (avançada). Integração formal da 2ª Definição Universal de IC no fluxo de manejo.

NOVO · 4

SGLT2-inibidores entram na FMT dos dois fenótipos

SGLT2-I são agora FMT em HFrEF (além de ARNI/ACE-I, betabloqueador e BRA) e FMT em HFpEF (juntamente com BRA) — o fim da era do "HFpEF sem tratamento".

NOVO · 5

Peptídeos natriuréticos com limiares por idade (IC crônica)

Limiares de "elevado" no algoritmo de IC crônica: NT-proBNP ≥125 (<50a), ≥250 (50–74a), ≥500 (≥75a); ou BNP ≥35 pg/mL.

NOVO · 6

IC descompensada — limiares novos e 3 fases

Rule-out sem ajuste por idade (NT-proBNP <300 pg/mL) + rule-in por idade (>450 / >900 / >1800 pg/mL). Algoritmo de 3 fases: inicial → estabilização → pré-alta, com mnemônico HAMPIT.

NOVO · 7

FMT precoce na IC descompensada

Iniciar ou re-introduzir FMT o mais cedo possível durante a internação; descontinuar FMT não é recomendado. Sem troca rutinária de diurético IV → oral sem critérios.

NOVO · 8

Definição nova de deficiência de ferro

TSAT < 20% substitui a definição antiga (ferritina <100 ou 100–299 c/ TSAT <20%) como referência — maior sensibilidade, especificidade e valor prognóstico.

NOVO · 9

Triagem formal de IC avançada

Critérios "Rule of Three" / "I NEED HELP" + encaminhamento oportuno para centros de IC avançada (transplante/LVAD) — Figura 16.

NOVO · 11

Avaliação etiológica multimodal

Abordagem multiparamétrica (ecocardiograma, RM, coronariopatia, genética, amiloidose) para encontrar causas potencialmente tratáveis — em todos os fenótipos.

§ 3 · Estágios A–D

Estágios e Classificação da Insuficiência Cardíaca

A diretriz 2026 adota o modelo de estágios (A–D) da 2ª Definição Universal de IC, combinando-o com a classificação por FEVI. O estágio descreve onde o paciente está na história natural da doença — e muda a intensidade do cuidado.

Fig. 2 — Estágios e classificação da IC (ESC 2026)
Fig. 2 — Estágios e classificação da IC (ESC 2026)
A
Em risco
Fatores de risco CV (HTA, DM, obesidade, dislipidemia, tabagismo) sem sintomas, sinais ou anormalidades cardíacas. Foco: prevenção primária.
B
Pré-IC
Anormalidade cardíaca (estrutural, funcional ou biomarcador elevado) sem sintomas/sinais de IC. Foco: prevenção de progressão.
C
Sintomática
Anormalidade cardíaca + sintomas e/ou sinais atuais ou prévios de IC. HFrEF (FEVI <50%) ou HFpEF (FEVI ≥50% + evidência objetiva).
D
Avançada
Sintomas/sinais persistentes apesar de FMT + AMT + GDIT otimizados, disfunção cardíaca grave e internações recorrentes. Triagem formal para transplante/LVAD.
📐

Redefinição dos fenótipos (2026)

HFrEF: FEVI < 50% + sintomas e/ou sinais de IC. HFpEF: FEVI ≥ 50% + sintomas e/ou sinais de IC + evidência objetiva de anormalidade estrutural e/ou funcional do coração. O corte migrou de 40% para 50%, e a HFpEF exige comprovação objetiva — não apenas a exclusão da HFrEF.

§ 4 · Nova Nomenclatura

FMT, AMT e GDIT — as três camadas do tratamento

Os termos foram desenhados para serem dinâmicos: novos fármacos entram na camada certa à medida que a evidência se acumula, sem renomear a diretriz a cada ano.

Fig. 3 — Nova nomenclatura das terapias de IC (ESC 2026)
Fig. 3 — Nova nomenclatura das terapias de IC (ESC 2026)
FMT · FOUNDATIONAL MEDICAL THERAPY

Terapia Médica de Base

Terapias com recomendação Classe I para reduzir hospitalização por IC e/ou morte em pacientes não selecionados. HFrEF: ARNI/ACE-I (ou BRA se intolerante) + betabloqueador + BRA + SGLT2-I. HFpEF: SGLT2-I + BRA.

AMT · ADDITIONAL MEDICAL THERAPY

Terapia Médica Adicional

Terapias com Classe IIa/IIb, ou Classe I para melhorar sintomas/qualidade de vida, ou para reduzir morbimortalidade em subgrupos específicos (ex.: ferro IV na deficiência de ferro, espironolactona adicional, dapagliflozina na IC com FE preservada em estudos, terapia para comorbidades).

GDIT · GUIDELINE-DIRECTED INTERVENTIONAL THERAPY

Terapia Intervencionista Guiada por Diretriz

Todos os dispositivos implanteáveis ou terapias intervencionistas recomendados pela diretriz: DDI (CRT), DCD (ICD), ablação de FA, valvuloplastia/TCVR, revascularização, além de terapias avançadas (LVAD, transplante) quando aplicável.

§ 5 · Diagnóstico — IC Crônica

Algoritmo Diagnóstico em Ambiente Ambulatorial/Comunidade

Avaliação clínica, ECG e laboratoriais no primeiro contato. O papel central dos peptídeos natriuréticos — agora com limiares de "elevado" estratificados por idade — e do ecocardiograma na confirmação e fenotipagem.

Fig. 4 — Algoritmo diagnóstico da IC crônica (ESC 2026)
Fig. 4 — Algoritmo diagnóstico da IC crônica (ESC 2026)

Limiares de NT-proBNP — IC crônica

Faixa etária"Elevado" (rule-in)
< 50 anos≥ 125 pg/mL
50–74 anos≥ 250 pg/mL
≥ 75 anos≥ 500 pg/mL
Todas as idades (BNP)≥ 35 pg/mL

NT-proBNP tem dupla vantagem: estável à temperatura ambiente (testável em comunidade) e inalterado pelo ARNI, que degrada o BNP.

Se a suspeita clínica persistir…

Mesmo com peptídeo abaixo do limiar, se a suspeita clínica for alta: ecocardiograma + revisão especializada.

Com achados anormais: avaliação etiológica multiparamétrica (Fig. 7 da diretriz) para encontrar causas tratáveis — coronariopatia, miocardite, amiloidose, valvulopatias, doenças infiltrativas/genéticas.

⚠️

Pegadinha clássica

Na HFpEF a elevação dos peptídeos pode ser modesta ou ausente (obesidade, fases iniciais). Peptídeo normal não exclui HFpEF se a suspeita clínica é alta — o ecocardiograma e a avaliação hemodinâmica permanecem necessários.

§ 6 · FMT — HFrEF

Os 4 Pilares da Terapia de Base em HFrEF

Em todo paciente sintomático com FEVI < 50%: iniciar os 4 pilares logo (o mais rápido possível, sem esperar tolerar um para iniciar o próximo) e titular até dose-alvo dentro de 90 dias.

🧪

ARNI / ACE-I

Sacubitril/valsartan de preferência; ACE-I como alternativa; BRA se intolerância a ambos. Iniciar em dose baixa e titular.
💚

Betabloqueador

Somente os 4 com evidência em IC (bisoprolol, carvedilol, metoprolol succinato, nebivolol). Iniciar após euvolemia, dose baixa, titulação lenta.
🧂

BRA (MRA)

Espironolactona / eplerenona. Monitorar K⁺ e função renal (48–72h e 1–2 semanas após iniciar/titular). Cuidado com IECA/ARNI + BRA + hipocalemia.
🩺

SGLT2-I

Dapagliflozina ou empagliflozina — independente de diabetes. Agora FMT também em HFpEF. Iniciar em dose plena (10 mg) — sem titulação.
TITULAÇÃO · FMT

Dose-alvo dentro de 90 dias

Iniciar os 4 pilares logo e titular até dose-alvo (ou máxima tolerada) dentro de 90 dias após diagnóstico/início. Hipotensão, bradicardia e alterações renais transitórias são comuns — corrigir, reduzir temporariamente se necessário e re-titular, não abandonar.

SGLT2-I · 1º LUGAR

O pilar que muda tudo

SGLT2-I são o único pilar com benefício em ambos os fenótipos (HFrEF e HFpEF) e em pacientes sem diabetes. Se só pudesse iniciar um primeiro, em 2026 a resposta é SGLT2-I — com os outros 3 logo em sequência.

💡

Na IC descompensada (DHF)

Iniciar (ou re-introduzir) FMT o mais cedo possível durante a internação, quando o paciente está estável. Descontinuar FMT não é recomendado; a troca de diurético IV → oral deve seguir critérios (euvolemia, função renal estável, K⁺ normal) e não um cronograma fixo.

§ 7 · HFpEF

HFpEF — Fim da Era do "Sem Tratamento"

HFpEF agora exige evidência objetiva de anormalidade estrutural e/ou funcional para o diagnóstico, e recebe FMT própria: SGLT2-I + BRA. Os principais fatores de risco são também alvos terapêuticos.

FMT em HFpEF (Classe I)

S
SGLT2-I
Reduz internação por IC e eventos CV. Benefício independente de diabetes — iniciar em dose plena (10 mg).
B
BRA (MRA)
Espironolactona reduz eventos CV em HFpEF (TOPCAT). Monitorar K⁺/creatinina; evitar com eGFR muito baixa.

Fatores de risco = alvos terapêuticos

FatorIntervenção
ObesidadeSGLT2-I + perda de peso (dieta, exercício; bariátrica em casos selecionados)
DiabetesSGLT2-I ± GLP-1 RA; controle glicêmico individualizado
HTAControle rigoroso (alvo <130/80 quando tolerado)
FCControle de frequência / ritmo na FA; betabloqueador/IB quando indicado
Apneia do sonoCPAP em OSA — benefício em HFpEF (sintomas e função)
ExercícioPrograma de reabilitação — melhora capacidade funcional e QV
🔬

Diagnóstico exige evidência objetiva

FEVI ≥ 50% + sintomas + evidência objetiva de anormalidade estrutural e/ou funcional: sinais de pressão de enchimento elevada (ecocardiograma, BNP/NT-proBNP, cateterismo com PMA elevada em exercício quando incerto). A avaliação etiológica multiparamétrica (amiloidose! miocardite! infiltrativas!) é mandatória — causa tratável muda tudo.

§ 8 · IC Descompensada (DHF)

IC Descompensada — Diagnóstico em 3 Fases

Até 50% dos pacientes com IC passam por descompensação em ambulatório ou serviço de emergência. O diagnóstico é rápido: sinais/sintomas de congestão e hipóperfusion no primeiro contato, NP precoce, e tratamento imediato nos fenótipos mais graves (edema agudo, choque).

Fig. 11 — Diagnóstico da IC descompensada (ESC 2026)
Fig. 11 — Diagnóstico da IC descompensada (ESC 2026)

Limiares de peptídeos natriuréticos na DHF — 2026

FaixaNT-proBNPBNPMR-proANP
Rule-out (sem ajuste por idade)< 300 pg/mL< 100 pg/mL< 120 pg/mL
Rule-in "provável" — <50 anos> 450 pg/mL
Rule-in "provável" — 50–74 anos> 900 pg/mL
Rule-in "provável" — >74 anos> 1800 pg/mL

Em APO ou choque cardiogênico: tratamento precoce antes de completar todo o work-up. Com valores abaixo do rule-out mas suspeita persistente: ecocardiograma + especialista. DHF improvável → buscar outras causas dos sintomas.

Fig. 12 — Fases e objetivos do manejo intra-hospitalar (ESC 2026)
Fig. 12 — Fases e objetivos do manejo intra-hospitalar (ESC 2026)
🚑
Fase 1 — Manejo Inicial

Tratar condições que ameaçam a vida (HAMPIT); estabilização hemodinâmica; iniciar descongestão; suporte ventilatório quando necessário.

⚖️
Fase 2 — Estabilização

Descongestão completa; iniciar diuréticos orais; iniciar/otimizar FMT; identificar causa e tratar reversíveis.

🏠
Fase 3 — Pré-alta / Pós-alta

Excluir congestão persistente; FMT otimizado; GDIT quando indicado; planejamento de seguimento e alta.

Fig. 13 — Fase 1: identificação e tratamento de causas agudas (ESC 2026)
Fig. 13 — Fase 1: identificação e tratamento de causas agudas (ESC 2026)

Mnemônico HAMPIT — causas agudas na Fase 1

HHypertensive — crise hipertensiva
AArrhythmias — arritmias (nova/reaquecida)
MMechanical — causas mecânicas (VHD, VSD, DMP)
PPulmonary embolism — EP
IInfections/Inflammations — infecções, miocardite
TTamponade — tamponamento cardíaco
🫀

Fenótipos de descompensação

Edema pulmonar agudo (APO), IC dessincronizada à esquerda, dessincronizada à direita (o RV costuma determinar o quadro e o prognóstico — monitorar função renal e hepática) e choque cardiogênico. Em todos: NP, gasometria/lactato se instável, ECG, RX tórax, ecocardiograma.

§ 9 · Comorbidades

Comorbidades Não-Cardiovasculares — o que mudou

As comorbidades não são espectadores: definem fenótipo, prognóstico e, cada vez mais, o tratamento.

FERRO · DEFINIÇÃO NOVA

TSAT < 20% — a nova régua da deficiência de ferro

A definição antiga (ferritina <100, ou 100–299 c/ TSAT <20%) não identifica de forma confiável deficiência absoluta/funcional e inclui pacientes que não respondem a ferro IV. A Task Force adota TSAT < 20% como referência — maior sensibilidade/especificidade, melhor prognóstico e melhor predição de resposta à suplementação.

FERRO · TERAPIA

Ferro IV (FCM) em HFrEF sintomático com ID — Classe I

Carboximaltato de ferro IV é recomendado para aliviar sintomas e melhorar qualidade de vida em HFrEF sintomática com deficiência de ferro (AFFIRM-AHF, CONFIRM-HF, FAIR-HF, EFFECT-HF, IRONMAN). Dados em HFpEF ainda são escassos; benefício sobre endpoints duros (morte/reinternação) não conclusivo.

OBESIDADE · TERAPIA

SGLT2-I + manejo do peso

Obesidade é fator de risco independente e afeta diretamente estrutura e função cardíacas. SGLT2-I reduzem eventos CV e hospitalização em HFpEF obesa; programas estruturados de perda de peso melhoram sintomas, função e QV. Métodos de perda de peso (incluindo bariátrica) em estudo — ainda é lacuna de evidência.

FA · RITMO E FREQUÊNCIA

Controle de ritmo quando indicado

Fibrilação atrial em IC: controle de frequência (betabloqueador, IB) ou de ritmo conforme sintomatologia e FE; ablação pode ser considerada (especialmente com IC sintomática). Anticoagulação conforme risco de tromboembolia (CHA₂DS₂-VASc) — sem exceção por "ser cardíaco".

§ 10 · IC Avançada

Triagem e Encaminhamento Oportuno

IC avançada (estágio D) = sintomas persistentes apesar de FMT + AMT + GDIT otimizados. A triagem formal é obrigatória: pacientes elegíveis para transplante/LVAD devem ser identificados antes da janela crítica fechar.

Fig. 16 — Triagem e encaminhamento para IC avançada (ESC 2026)
Fig. 16 — Triagem e encaminhamento para IC avançada (ESC 2026)

"Rule of Three" — referir se qualquer 1 de 3:

  • 3+ internações por IC em 12 meses
  • 3+ visitas a urgência por IC em 12 meses
  • 1+ internação por IC em 6 meses com sintomas limitantes

"I NEED HELP" — sinais de alarme

  • I — internações recorrentes / N — NYHA III-IV persistente
  • E — deterioração funcional / E — dependência de inotrópicos IV
  • D — disfunção de órgãos / H — hipotensão / E — edema refratário / L — lactato elevado / P — progressão apesar de terapia
⏱️

Tempo é janela terapêutica

Encaminhamento tardio (lactato cronicamente elevado, disfunção orgânica instalada, dependência de inotrópicos) reduz a elegibilidade para transplante/LVAD. Reavaliação periódica no serviço local de IC é parte do manejo — não um luxo.

§ 11 · Key Messages

Mensagens-Chave da Diretriz

CLASSIFICAÇÃO

IC redefinida em 2 fenótipos + 4 estágios

HFrEF: FEVI <50% + sintomas/sinais. HFpEF: FEVI ≥50% + sintomas/sinais + evidência objetiva. Estágios A (risco) → B (pré-IC) → C (sintomática) → D (avançada).

TERAPIA

ARNI/ACE-I (BRA se intolerante) + betabloqueador + BRA + SGLT2-I = FMT em HFrEF; SGLT2-I + BRA = FMT em HFpEF

A FMT reduz hospitalização por IC e/ou morte (Classe I) nos dois fenótipos. AMT para subgrupos; GDIT para dispositivos/intervenções recomendadas.

PREVENÇÃO

Controle rigoroso de fatores de risco

Prevenção de IC passa pelo controle de HTA, DM, obesidade e dislipidemia — e, cada vez mais, pelo SGLT2-I em pacientes de risco (estágio B), embora a evidência em não-diabéticos sem IC ainda esteja em consolidação.

DIAGNÓSTICO

Peptídeos natriuréticos + ecocardiograma no centro do diagnóstico

Papéis centrais nos dois cenários (crônico e agudo), com limiares por idade. Avaliação etiológica multimodal para causas tratáveis em todos os fenótipos.

§ 12 · Simulador

Assistente de Rule-out / Rule-in — IC Descompensada

Arraste o valor de NT-proBNP, selecione a idade e veja onde o paciente cai no algoritmo da diretriz 2026.

NT-proBNP (pg/mL)
900 pg/mL
0300 (rule-out)100020004000

Faixa etária

ZONA-CINZA — investigar

Limiares (Fig. 11, ESC 2026)

  • 🔴
    Rule-out — NT-proBNP < 300 pg/mL (sem ajuste por idade)
    BNP <100 · MR-proANP <120
  • 🟡
    Rule-in "provável" — <50a — > 450 pg/mL
    entre 300 e 450: zona-cinza
  • 🟡
    Rule-in "provável" — 50–74a — > 900 pg/mL
    entre 300 e 900: zona-cinza
  • 🟡
    Rule-in "provável" — ≥75a — > 1800 pg/mL
    entre 300 e 1800: zona-cinza
  • 🚨
    Instabilidade / APO / choque — tratar antes de completar o work-up
    não espere o laboratório
§ 13 · Quiz

Quiz — Diretriz ESC 2026 de IC

10 questões × 10 pts. Teste o domínio da nova classificação, FMT e algoritmos.

§ 14 · Fontes

Referências