Manejo Médico da Síndrome do Desconforto Respirató
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📋 Protocolo & POP

Manejo Médico da Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo

Protocolo & POP 📄 Resumo de estudo 🏥 UTI / Emergência
§ 01

Visão geral

SAMUTI

Serviço de Apoio Multiprofissional em Terapia Intensiva

Umuarama — Paraná — Brasil

PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO

POP-SAMUTI-SDRA-2026

Manejo Médico da Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) no Adulto

Versão1.0 — Maio/2026
ElaboraçãoDr. Jackson Fuck (CRM-PR 21.518)
VigênciaMaio/2026 — Maio/2028 (revisão bienal)
Público-alvoMédicos intensivistas, fisioterapeutas respiratórios, enfermeiros e residentes das UTIs SAMUTI
Referência principalMorris IS et al. The medical management of acute respiratory distress syndrome. Intensive Care Med, 2025\. DOI: 10.1007/s00134-025-08251-y

Padronizar a identificação precoce e o manejo médico-ventilatório do paciente adulto com Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) nas UTIs do SAMUTI, com base na Global Definition 2024 e na revisão narrativa internacional de Morris et al. (Intensive Care Med, 2025), visando reduzir mortalidade, tempo de ventilação mecânica e lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI).

PopulaçãoAplicação deste POPLimitação da evidência
Adultos em UTI (≥ 18 anos)Completa — todos os cenáriosEvidência alta-moderada (GRADE A/B)
PediatriaRestrita — princípios gerais; aplicar PALICC-2 2023Evidência separada (não escopo)
NeonatosNão aplicável — usar SDR neonatalFisiopatologia distinta
Suporte extracorpóreo (ECMO)Não escopo — ver POP-SAMUTI-ECMOCritérios EOLIA/ELSO

3.1 Definição Global 2024 — Critérios diagnósticos

Os 4 critérios devem estar todos presentes, em até 7 dias do insulto inicial:

  • Tempo: início agudo (até 7 dias do insulto identificado — pneumonia, sepse, trauma, aspiração, etc.)
  • Imagem: opacidades bilaterais em RX, TC ou ultrassom pulmonar, não explicadas por derrame, atelectasia ou nódulos
  • Origem do edema: não totalmente explicado por sobrecarga hídrica ou falência cardíaca esquerda
  • Oxigenação alterada — categorias (após 24h de ventilação otimizada, quando viável):
  • GravidadePaO₂/FiO₂ (mmHg)SpO₂/FiO₂ (se SpO₂ ≤97%)Mortalidade hospitalar global
    Leve200 \< PaO₂/FiO₂ ≤ 300235 \< SpO₂/FiO₂ ≤ 315\~ 35%
    Moderada100 \< PaO₂/FiO₂ ≤ 200148 \< SpO₂/FiO₂ ≤ 235\~ 40%
    GravePaO₂/FiO₂ ≤ 100SpO₂/FiO₂ ≤ 148\~ 46%

    📌 NOVIDADE 2024: a Global Definition agora aceita identificação de SDRA mesmo em pacientes em HFNO (alto fluxo ≥ 30 L/min) ou VNI, sem exigência de PEEP ≥ 5 cmH₂O — permitindo reconhecimento e intervenção mais precoces.

    3.2 Fenótipos modificadores de resposta terapêutica

    EixoCategoriasImplicação prática
    RadiológicoFocal vs Não-focalFocal: cuidado com PEEP alto (overdistensão); Não-focal: mais recrutável
    MecânicoAlta vs baixa elastância (Crs)Baixa Crs: maior benefício de VC reduzido e BNM (interação significativa)
    BiológicoTipo 1 (hipoinflamatório) \~70% / Tipo 2 (hiperinflamatório) \~30%Tipo 2: maior mortalidade; benefício post-hoc com estratégia hídrica liberal e estatinas
    HemodinâmicoPresença/ausência de disfunção de VDDisfunção de VD em 20-25%: alvo Pplat \<26-28, evitar hipercapnia

    3.3 Parâmetros operacionais ventilatórios

    ParâmetroMeta padrãoRelevância clínica
    VC (Vt)6 mL/kg PBW (faixa 4–8)Pilar do ARMA 2000; benefício maior se aplicado precocemente
    Pplat\< 30 cmH₂OMarcador agregado de stress; \<26-28 se disfunção de VD
    ΔP (driving pressure)\< 15 cmH₂OMediador independente de mortalidade (Amato 2015); ideal alvo ≤14
    PEEPtotIndividualizadaTabela PEEP/FiO₂ inicial; titulação personalizada após avaliação
    FR≤ 35 rpmAlvo: lowest '4×ΔP \+ RR' para uma dada ventilação-minuto
    SpO₂90–95%Alvo PaO₂ 60–80 mmHg; evitar hiperoxia e hipoxemia
    pH\> 7,25Hipercapnia permissiva tolerada se pH preservado e sem disfunção VD/HIC

    ⚠️ ATENÇÃO — Limitações do PaO₂/FiO₂: a razão é influenciada por PEEP, FiO₂ e história volêmica recente. Sempre interpretar após 24 h de ventilação otimizada, conforme estudos pivotais (Ferguson 2004, Villar 2013).

    REGRA FUNDAMENTAL (GRADE 1A): todo paciente com SDRA deve receber ventilação protetora — VC 6 mL/kg PBW (4–8), Pplat \<30 cmH₂O, ΔP \<15 cmH₂O — desde o primeiro minuto da VMI, salvo contraindicação específica documentada.

    4.1 Suporte respiratório não-invasivo

    ModalidadeIndicaçãoConfiguração
    HFNO (alto fluxo)SDRA leve, sem indicação imediata de IOT, alta carga de secreçãoFluxo 40-60 L/min; FiO₂ titulada para SpO₂ 92-96%
    VNI por máscaraCautela em SDRA — falha \~50%Apenas com critério claro de falha; reavaliar em 1-2 h
    VNI por capacete (helmet)SDRA leve-moderada, se disponível — preferível à máscaraUp-titration de PEEP; PS para VC 6-8 mL/kg PBW

    4.2 Posição prona (PROSEVA 2013\) — GRADE 1A

    INDICAR posição prona QUANDO TODOS os critérios estiverem presentes:

  • SDRA moderada-grave: PaO₂/FiO₂ \< 150 mmHg
  • PEEP ≥ 5 cmH₂O
  • FiO₂ ≥ 0,6
  • Dentro de 36 h do início da VMI/SDRA
  • Sem contraindicação absoluta (instabilidade espinhal/pélvica, tórax ou abdome aberto)
  • 📋 Sessões: ≥ 16 h/dia (PROSEVA usou 12–24h, mean 17h). Sessões de 8h são insuficientes.

    📋 Critério de suspensão:

    PaO₂/FiO₂ ≥ 150 mmHg, PEEP ≤ 10 cmH₂O e FiO₂ ≤ 0,6 por ≥ 4 h após supinação.

    📋 IMPORTANTE:

    ausência de melhora na oxigenação

    não é critério

    para interromper prona — o benefício de mortalidade é independente da resposta de oxigenação.

    4.3 Bloqueio neuromuscular (BNM) — uso seletivo

    CONSIDERAR BNM em infusão contínua nos seguintes cenários:

  • SDRA grave precoce (\< 48 h) com PaO₂/FiO₂ ≤ 100 mmHg e hipoxemia refratária
  • SDRA moderada-grave (PaO₂/FiO₂ ≤ 150\) com assincronia paciente-ventilador persistente
  • Alto drive respiratório/esforço inspiratório excessivo (risco de PSILI)
  • Mecânica respiratória ruim (alta elastância) com resposta a bolus de prova (interação estatisticamente significativa — Zalucky 2025\)
  • Necessidade de sedação profunda para outras indicações clínicas
  • ⏱️ REAVALIAÇÃO OBRIGATÓRIA em 48 h — suspender BNM se critérios já não presentes. ROSE 2019 mostrou ausência de benefício em uso rotineiro com sedação leve e PEEP alto.

    4.4 Corticosteroides — uso por indicação específica

  • Indicação estabelecida: COVID-19 grave (dexametasona 6mg/d), Pneumocystis em HIV, pneumonia organizativa, choque séptico, PAC grave (Dequin 2023\)
  • DEXA-ARDS (Villar 2020): dexametasona 20mg/d D1-5, 10mg/d D6-10 — melhora em dias livres de ventilador e mortalidade 60d, mas evidência ainda inconclusiva
  • Se decidir prescrever em SDRA sem indicação doença-específica: iniciar precoce (\<72 h), desmame gradual ≥7 dias, evitar início tardio (≥14 dias)
  • 4.5 Estratégia hídrica conservadora (FACCT 2006\)

    Após resolução do choque e estabilidade hemodinâmica:

  • Alvo: balanço hídrico cumulativo neutro a negativo
  • Suspender cristaloides de manutenção; usar diurético se sobrecarga
  • Particular atenção em SDRA moderada-grave e em disfunção de VD
  • ⛔ NÃO USAR manobras de recrutamento prolongadas e PEEP escalonada agressiva — GRADE 1B. Trial ART (Cavalcanti 2017): aumento de mortalidade e barotrauma.

    ⛔ NÃO USAR BNM de forma rotineira em todos os pacientes com SDRA — GRADE 1B. ROSE 2019 não mostrou benefício e elevou risco de fraqueza adquirida na UTI.

    ⛔ NÃO USAR PEEP alto em SDRA leve ou focal não-recrutável — risco de overdistensão e instabilidade hemodinâmica. Análise do LIVE 2019 mostrou dano com má classificação.

    ⛔ NÃO USAR óxido nítrico inalatório como estratégia rotineira — melhora oxigenação mas sem benefício de mortalidade (Taylor 2004).

    SituaçãoConduta proibida / orientação
    Lesão raquimedular instávelContraindica prona — usar manobras alternativas (rotação lateral)
    Abdome ou tórax abertoContraindica prona — discutir caso a caso com cirurgia
    Choque hemodinamicamente instável graveCautela ao prescrever PEEP alto, hipercapnia permissiva e prona
    Disfunção/dependência de VD com hipercapniaNão tolerar PaCO₂ \> 50 mmHg sem monitorização contínua
    Hipertensão intracraniana descompensadaNão tolerar hipercapnia permissiva; alvo PaCO₂ 35-40
    VNI por máscara em SDRA moderada-graveEvitar — risco de atraso de IOT e maior mortalidade (LUNG SAFE)

    6.1 Avaliação inicial à admissão e à intubação

    Antes de iniciar VMI no paciente com IRpA hipoxêmica suspeita de SDRA:

  • Confirmar critérios Global Definition 2024 (tempo, imagem, origem do edema, oxigenação)
  • Identificar e tratar causa subjacente (sepse, pneumonia, aspiração, etc.)
  • Calcular PBW conforme altura: Homens \= 50 \+ 0,91×(altura cm − 152,4); Mulheres \= 45,5 \+ 0,91×(altura cm − 152,4)
  • Solicitar ecocardiografia se: pneumonia como etiologia, choque, PaO₂/FiO₂ \<150, PaCO₂ ≥48, ou ΔP ≥18 cmH₂O
  • 6.2 Configuração inicial do ventilador

    ParâmetroValor inicialAlvo após 1hAção se fora de meta
    ModoVCV ou A/C (familiaridade da equipe)ManterConsiderar PCV se assincronia
    VC6 mL/kg PBW4-8 mL/kg PBWReduzir para 4-6 se ΔP ≥16
    FR18-22 rpmAjustar para pH \>7,25Não exceder 35 rpm
    PEEP inicialTabela PEEP/FiO₂ baixaPersonalizarAvaliar recrutabilidade após 24h
    FiO₂ inicial100% → titularSpO₂ 90-95%FiO₂ ≤0,6 se possível
    Pplat alvo\< 30 cmH₂OManterReduzir VC se ultrapassar
    ΔP alvo\< 15 cmH₂OManter ≤14Reduzir VC ou ajustar PEEP

    6.3 Tabela PEEP/FiO₂ ARDSnet — referência inicial

    PEEP/FiO₂ BAIXA (padrão)PEEP/FiO₂ ALTA (recrutável)
    FiO₂ 0,3 → PEEP 5FiO₂ 0,3 → PEEP 5-14
    FiO₂ 0,4 → PEEP 5-8FiO₂ 0,4 → PEEP 14-16
    FiO₂ 0,5 → PEEP 8-10FiO₂ 0,5 → PEEP 16-18
    FiO₂ 0,6 → PEEP 10FiO₂ 0,6 → PEEP 18-20
    FiO₂ 0,7 → PEEP 10-14FiO₂ 0,7 → PEEP 20-22
    FiO₂ 0,8 → PEEP 14FiO₂ 0,8-1,0 → PEEP 22-24
    FiO₂ 0,9-1,0 → PEEP 14-24

    ESCOLHA DA TABELA: usar tabela ALTA preferencialmente em SDRA moderada-grave não-focal ou recrutável; usar tabela BAIXA em SDRA leve, focal, disfunção de VD ou HIC.

    6.4 Avaliação de recrutabilidade (24-48 h após estabilização)

  • R/I ratio (recruitment-to-inflation, Chen 2020): ≥ 0,5 sugere recrutável; \< 0,5 evitar PEEP alto
  • Resposta de oxigenação ao incremento de PEEP (limitação: pode refletir queda de débito cardíaco)
  • Melhor complacência ou menor ΔP em titulação decremental de PEEP
  • AOP (airway opening pressure) — se presente, ajustar PEEP 0-2 cmH₂O acima do AOP
  • EIT (tomografia por impedância elétrica) — quando disponível, balanço colapso/overdistensão
  • 6.5 Monitorização diária obrigatória — checklist

    ItemDetalhe operacional
    PEEPtot (pausa expiratória)Registrar valor real, não programado — pode haver auto-PEEP
    Pplat (pausa inspiratória)Manobra de 0,5-1 s; alvo \<30 (ou \<26-28 se disfunção VD)
    ΔP \= Pplat − PEEPtotAlvo \<15 cmH₂O; ≤14 ideal
    VC corrigido a PBWConfirmar 4-8 mL/kg; 4-6 mL/kg se ΔP elevado
    Gasometria arterialSpO₂ 90-95%, PaO₂ 60-80, pH \>7,25
    Avaliação de assincroniaAnálise de curvas do ventilador; esforço inspiratório excessivo
    Balanço hídrico cumulativoEstratégia conservadora pós-choque
    Sedação e RASSAlvo RASS −2 a 0 quando possível; despertar diário se BNM suspenso
    Ecocardiografia (se indicação)Avaliar VD em casos selecionados (ver 6.1)

    REGRA DE SEGURANÇA: este protocolo orienta condutas mas NÃO substitui o julgamento clínico do médico assistente. Em deterioração inesperada, PREVALECE a avaliação clínica beira-leito sobre quaisquer alvos numéricos.

    6.6 Fluxograma operacional — primeiras 48 horas

    ETAPA 1 — Admissão / IOT (0-1h):

    → Configurar VMI com VC 6 mL/kg PBW \+ tabela PEEP/FiO₂ baixa \+ sedação adequada

    → Gasometria, Pplat, ΔP, PEEPtot iniciais

    ETAPA 2 — Estabilização (1-24h):

    → Estratificar gravidade (PaO₂/FiO₂ sob ventilação otimizada)

    → Ecocardiografia se indicado; identificar disfunção de VD

    → Se PaO₂/FiO₂ \<150 \+ FiO₂ ≥0,6 → INDICAR prona (sessão ≥16h)

    → Se BNM indicado → iniciar e definir reavaliação em 48h

    ETAPA 3 — Personalização (24-48h):

    → Avaliar recrutabilidade (R/I ratio, melhor complacência, EIT se disponível)

    → Titular PEEP individualmente (não apenas pela tabela)

    → Otimizar ΔP — ajustar VC e PEEP, considerar '4×ΔP \+ RR'

    → Iniciar estratégia hídrica conservadora se choque resolvido

    ETAPA 4 — Reavaliação contínua:

    → Reavaliar PEEP a cada mudança clínica relevante (prona, BNM, hidratação)

    → Despertar diário e teste de respiração espontânea quando critérios presentes

    → Suspender prona quando PaO₂/FiO₂ ≥150, PEEP ≤10, FiO₂ ≤0,6 por ≥4h após supinação

    7.1 Disfunção de VD / cor pulmonale agudo

    ⚠️ RV-protective ventilation — alvos modificados:

  • Pplat alvo: \< 26-28 cmH₂O (Jardin & Vieillard-Baron 2007\)
  • VC: 4-6 mL/kg PBW para reduzir pressão média de vias aéreas
  • Evitar hipercapnia (PaCO₂ alvo \< 48 mmHg)
  • Considerar ECMO veno-venosa precocemente se persistente
  • Monitorização: ecocardiograma seriado ou cateter de artéria pulmonar (se time treinado)
  • 7.2 Obesidade central / hipertensão intra-abdominal

  • Pressões pleurais elevadas — Pplat de 30-35 cmH₂O pode ser aceitável
  • Considerar manometria esofágica (se disponível): alvo TPP end-expiratório 0 ±2 cmH₂O
  • PEEP frequentemente mais alto pode ser necessário para evitar colapso
  • 7.3 Hipertensão intracraniana

  • Não tolerar hipercapnia permissiva — alvo PaCO₂ 35-40 mmHg
  • Cautela com PEEP alto (pode reduzir drenagem venosa cerebral) — individualizar
  • Prona aceitável se monitorização PIC disponível
  • 7.4 SDRA por COVID-19 (e variantes)

  • Dexametasona 6 mg/d por 10 dias (RECOVERY 2021\) se em VMI ou oxigênio suplementar
  • Princípios ventilatórios idênticos à SDRA não-COVID — mesma resposta a prona e BNM
  • Atenção a maior risco de tromboembolismo — anticoagulação profilática plena
  • 7.5 Pediatria

    PALICC-2 (2023) — Pediatric ARDS: usar protocolo pediátrico específico. Alvos diferentes para OI (oxygenation index) e OSI. Este POP NÃO se aplica diretamente a UTI Pediátrica.

    8.1 Requisitos materiais

  • Ventilador microprocessado com pausa inspiratória e expiratória, modo VCV e PCV
  • Monitor de capnografia (EtCO₂) em todos os leitos
  • Gasometria arterial disponível 24/7
  • Equipe treinada em manobra de prona (mínimo 4 profissionais por sessão)
  • Ecocardiograma à beira-leito (POCUS) com profissional treinado
  • Desejável: EIT (tomografia por impedância elétrica) — quando disponível
  • 8.2 Treinamento da equipe

  • Capacitação inicial obrigatória ao admitir no SAMUTI (4h teórica \+ simulação)
  • Reciclagem anual com auditoria de aderência aos alvos ventilatórios
  • Discussão de casos sentinela em round semanal
  • 8.3 Registro em prontuário

    REGISTRO PADRÃO — Manejo SDRA (a cada turno):

    Data/Hora: \

    \

    \

    /\

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    \

    /\

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    \

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    PaO₂/FiO₂: \

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    \

    \

    VC: \

    \

    \_ mL (\

    \

    \_ mL/kg PBW)

    Pplat: \

    \

    \_

    Prona: □ Em sessão (h\

    \

    \_) □ Suspensa □ Não indicada

    BNM: □ Em uso (h\

    \

    \_) □ Suspenso □ Não indicado

    Balanço hídrico 24h: \

    \

    \

    \

    Eventos adversos: \

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    \

    \

    \

    \

    \

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    \

    \

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    \

    \

    \

    Conforme CFM 2.314/2022 e LGPD Art. 11\.

    RecomendaçãoForçaCertezaFonte principal
    VC 6 mL/kg PBW \+ Pplat \<301AARMA, Brower 2000
    ΔP \< 15 cmH₂O1BAmato 2015, Goligher 2021
    Prona ≥16h em SDRA moderada-grave1APROSEVA, Guérin 2013
    PEEP individualizada (não rotineiramente alta)1BBriel 2010 (meta), Beitler 2019
    Estratégia hídrica conservadora2BFACCT, NHLBI 2006
    BNM seletivo (não rotineiro)2BACURASYS vs ROSE, Zalucky 2025
    Dexametasona em SDRA sem indicação específica2CDEXA-ARDS, Villar 2020
    Helmet VNI preferível à máscara2BPatel 2016
    HFNO em SDRA leve sem critério IOT1BFrat 2015, Ferreyro 2020
    SpO₂ 90-95% / PaO₂ 60-80 mmHg1BHOT-ICU 2021
    NÃO usar manobras de recrutamento prolongadas1BART, Cavalcanti 2017
    NÃO usar óxido nítrico rotineiramente1BTaylor 2004 (RCT)

    Legenda GRADE: Força — 1=Forte, 2=Fraca/Condicional | Certeza — A=Alta, B=Moderada, C=Baixa, D=Muito baixa

    IndicadorFórmulaMetaPeriodicidade
    Adesão ao VC ≤ 8 mL/kg PBWNº dias com VC ≤8 / Nº dias VMI × 100≥ 90%Mensal
    Adesão ao Pplat \< 30 cmH₂ONº medições \<30 / Nº totais × 100≥ 85%Mensal
    ΔP \< 15 cmH₂O registradoNº dias ΔP \<15 / Nº dias × 100≥ 80%Mensal
    Tempo até prona em SDRA mod-graveMediana (h) entre IOT e 1ª sessão≤ 24 hTrimestral
    Duração da sessão de pronaMediana (h) por sessão≥ 16 hTrimestral
    Mortalidade hospitalar em SDRAÓbitos / casos × 100\< 40% (moderada); \<46% (grave)Trimestral
    Eventos adversos em pronaEventos / sessões × 100\< 5%Mensal

    1\. MORRIS, I. S. et al. The medical management of acute respiratory distress syndrome. Intensive Care Medicine, 2025\. DOI: 10.1007/s00134-025-08251-y

    2\. MATTHAY, M. A. et al. A new global definition of acute respiratory distress syndrome. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, v. 209, p. 37-47, 2024\. DOI: 10.1164/rccm.202303-0558ws

    3\. BROWER, R. G. et al. (ARDS Network). Ventilation with lower tidal volumes as compared with traditional tidal volumes for acute lung injury and the acute respiratory distress syndrome. New England Journal of Medicine, v. 342, p. 1301-1308, 2000\. DOI: 10.1056/nejm200005043421801

    4\. AMATO, M. B. P. et al. Driving pressure and survival in the acute respiratory distress syndrome. New England Journal of Medicine, v. 372, p. 747-755, 2015\. DOI: 10.1056/nejmsa1410639

    5\. GUÉRIN, C. et al. Prone positioning in severe acute respiratory distress syndrome (PROSEVA). New England Journal of Medicine, v. 368, p. 2159-2168, 2013\. DOI: 10.1056/nejmoa1214103

    6\. PAPAZIAN, L. et al. (ACURASYS). Neuromuscular blockers in early acute respiratory distress syndrome. New England Journal of Medicine, v. 363, p. 1107-1116, 2010\. DOI: 10.1056/nejmoa1005372

    7\. MOSS, M. et al. (ROSE / NHLBI PETAL). Early neuromuscular blockade in the acute respiratory distress syndrome. New England Journal of Medicine, v. 380, p. 1997-2008, 2019\. DOI: 10.1056/nejmoa1901686

    8\. CAVALCANTI, A. B. et al. (ART). Effect of lung recruitment and titrated PEEP vs low PEEP on mortality in ARDS. JAMA, v. 318, p. 1335, 2017\. DOI: 10.1001/jama.2017.14171

    9\. VILLAR, J. et al. (DEXA-ARDS). Dexamethasone treatment for the acute respiratory distress syndrome: a multicentre RCT. Lancet Respiratory Medicine, v. 8, p. 267-276, 2020\. DOI: 10.1016/s2213-2600(19)30417-5

    10\. WIEDEMANN, H. P. et al. (FACCT). Comparison of two fluid-management strategies in acute lung injury. New England Journal of Medicine, v. 354, p. 2564-2575, 2006\. DOI: 10.1056/nejmoa062200

    11\. PATEL, B. K. et al. Effect of noninvasive ventilation delivered by helmet vs face mask on the rate of endotracheal intubation in patients with ARDS. JAMA, v. 315, p. 2435, 2016\. DOI: 10.1001/jama.2016.6338

    12\. GRASSELLI, G. et al. ESICM guidelines on acute respiratory distress syndrome: definition, phenotyping and respiratory support strategies. Intensive Care Medicine, v. 49, p. 727-759, 2023\. DOI: 10.1007/s00134-023-07050-7

    13\. QADIR, N.; SAHETYA, S.; MUNSHI, L. et al. An update on management of adult patients with acute respiratory distress syndrome: an official ATS clinical practice guideline. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, v. 209, p. 24-36, 2024\. DOI: 10.1164/rccm.202311-2011st

    VersãoDescrição da alteraçãoResponsávelData
    1.0Elaboração inicial baseada em Morris et al. (ICM 2025), Global Definition 2024, ESICM 2023 e ATS 2024Dr. Jackson FuckMaio/2026
    Base Legal / NormativaReferência
    Dados sensíveis de saúdeLGPD (Lei 13.709/2018) Art. 11 — pseudonimização obrigatória ao exportar
    Prontuário eletrônicoResolução CFM 2.314/2022
    Segurança do paciente em serviços de saúdeANVISA RDC 36/2013
    Tempo de retenção e auditoriaANVISA RDC 7/2010 — UTI
    Conflito de interesseDeclaração de inexistência por parte do elaborador

    📌 NOTA FINAL: Este POP é orientativo e baseado nas melhores evidências disponíveis até maio/2026. A decisão clínica permanece com o médico assistente. Revisão bienal obrigatória ou imediata em caso de publicação de nova diretriz internacional relevante.

    Dr. Jackson Fuck CRM-PR 21.518 Médico IntensivistaCoordenador SAMUTI Professor Coordenador UNIPARElaboração com IA-assistência Claude (Anthropic) Base: Morris IS et al., ICM 2025 \+ guidelines ESICM/ATS Conteúdo revisado e aprovado pelo autor

    POP-SAMUTI-SDRA-2026 | v1.0 | Maio/2026 | Confidencial — uso interno SAMUTI/UNIPAR

    Refs

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    Conteúdo migrado do Central de Estudos (Blog Dr. Jackson Fuck, Notion).