🫁 Manual Clínico - Ultrafiltração Personalizada no
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🫁 Manual Clínico - Ultrafiltração Personalizada no Paciente

A ultrafiltração é crucial para reverter a sobrecarga hídrica em pacientes críticos, mas tanto a remoção insuficiente quanto excessiva aumentam o risco de mortalidade. A intolerância à ultrafiltração deve ser abordada de forma preventiva, considerando fatores como reenchimento vascular e disfunção cardíaca. A avaliação multimodal e a identificação de endotipos são essenciais para personalizar a te

Decisão & Regulação 📄 Resumo de estudo 🏥 UTI / Emergência
§ 01

Visão geral

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Abordagem por Endotipos e Preditores Dinâmicos

Baseado em: Melo P, Ramírez-Guerrero G, Castro R et al. Ultrafiltration in the critically ill patient: a framework for personalized care. Critical Care (2026). DOI: 10.1186/s13054-026-05836-x
§ 02

1. Contexto e Problema Clínico

A sobrecarga hídrica (fluid overload — FO) após reanimação volumétrica é frequente no paciente crítico e está associada de forma independente a:

  • Maior incidência e gravidade de lesão renal aguda (LRA)
  • Recuperação renal prejudicada
  • Prolongamento da ventilação mecânica
  • Aumento da mortalidade geral (>40% nessa população)
  • Mais de dois terços dos pacientes apresentam FO no início da TSR.

    A ultrafiltração (UF) — remoção de fluido por gradiente de pressão durante terapia de substituição renal (TSR) — é a principal estratégia para reverter a FO em pacientes oligúricos, com resistência a diuréticos ou complicações ameaçadoras à vida.

    ⚠️ Paradoxo da UF: Embora a remoção de fluido esteja associada à redução da mortalidade, tanto a remoção insuficiente quanto a excessiva aumentam o risco de morte — relação em curva U com a taxa de UFNET.
    § 03

    2. Fisiologia da Resposta à Ultrafiltração

    A intolerância à UF não é simplesmente um problema de depleção de volume intravascular. Quatro eixos compensatórios determinam a tolerância hemodinâmica:

    2.1 Refilling Vascular (Reenchimento Plasmático)

    O plasma reabastece o compartimento intravascular a partir dos espaços intersticial e intracelular. A taxa varia de 2 a 6 ml/kg/h na hemodiálise intermitente, podendo superar 10 ml/kg/h com taxas elevadas de UF. Depende de:

  • Taxa de UF
  • Grau de FO
  • Pressão oncótica plasmática (albumina)
  • Gradiente hidrostático e osmótico capilar
  • Integridade do glicocálice endotelial
  • 2.2 Resposta Cardíaca

    A redução da pré-carga ativa mecanismos compensatórios: aumento da FC, da contratilidade e da resistência vascular periférica. A hemodiálise pode induzir redução do fluxo miocárdico, levando ao myocardial stunning e alterações segmentares da motilidade ventricular. O reflexo de Bezold-Jarisch pode ser ativado pelo esvaziamento ventricular, causando hipotensão paradoxal e bradicardia — mais prevalente em disfunção diastólica.

    2.3 Venoconstrição e Capacitância Venosa

    A ativação simpática produz venoconstrição arteriolar e venosa. A circulação esplâncnica e cutânea são os principais reservatórios mobilizados. O fenômeno de DeJager-Krogh (vasoconstrição arteriolar reduz a pressão pós-capilar) favorece o refilling. A vasoconstrição pré-capilar reduz a pressão hidrostática intravascular, facilitando o reenchimento.

    2.4 Resistência Arteriolar Sistêmica (SVR)

    A manutenção da PAM durante a UF depende da SVR. Fatores como temperatura do dialisato, cálcio, osmolalidade e tampão da solução de diálise influenciam diretamente a SVR e a responsividade catecolaminérgica.

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    3. Taxa de UFNET: Janela Terapêutica

    Estudos observacionais demonstram relação em curva U entre a taxa de UFNET (ml/kg/h) e a mortalidade:

    Taxa UFNETRiscoConsequência
    < 1,01 ml/kg/hRemoção insuficienteSuperávit hídrico prolongado; congestão venosa; maior mortalidade
    1,01 – 1,75 ml/kg/h✅ Zona segura (população geral)Menor risco de morte; pode requerer ajuste individual
    > 1,75 ml/kg/hRemoção excessivaHipoperfusão tecidual; HIRRT; lesão orgânica isquêmica
    💡 Conceito-chave: A curva U pode se deslocar para a direita (maior tolerância), para a esquerda (menor tolerância) ou estreitar significativamente conforme as condições clínicas. A prescrição deve ser individualizada e dinâmica.
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    4. Definição de Intolerância à UF

    A intolerância à UF é definida como a incapacidade do paciente de tolerar a remoção de fluido sem desenvolver:

  • Instabilidade hemodinâmica (IDH — hipotensão intradialítica)
  • Hipoperfusão tecidual
  • Nova disfunção orgânica
  • A HIRRT ocorre em 40–60% das sessões de SLED e em 19–43% das sessões de CRRT. É o principal obstáculo à remoção eficaz de fluido e um preditor independente de mortalidade.

    🔑 Ponto crítico: A HIRRT frequentemente não é causada por depleção de volume. A abordagem reativa (reduzir ou suspender UF) sem identificar o mecanismo subjacente é inadequada. A estratégia deve ser PREVENTIVA e baseada em endotipos.
    § 06

    5. Monitorização Multimodal: Avaliação Basal

    5.1 Macrocirculação Arterial

  • Pressão arterial sistólica (PAS), diastólica (PAD) e de pulso
  • Variação de pressão de pulso (PPV) — limitações em respiração espontânea
  • Índice cardíaco via termodiluição transpulmonar (se disponível)
  • Análise de contorno de pulso
  • Índice de choque diastólico (PAD/FC): PAD baixa → vasoplegia
  • 5.2 Microcirculação e Perfusão

  • TEC (Tempo de Enchimento Capilar): >3s prediz IDH
  • PPI (Índice de Perfusão Periférica via oximetria): PPI ≤ 0,82 prediz hipotensão com 70% sensibilidade e 92% especificidade
  • HRV (Variabilidade da FC): prediz IDH e mortalidade
  • Fluxo sanguíneo cutâneo por Doppler laser
  • 5.3 Macrocirculação Venosa (POCUS)

  • LUS (Lung Ultrasound): linhas B correlacionam-se com FO; escore B ≥14 com hipervolemia indica menor risco de IDH
  • VCI: colapsibilidade >30% prediz hipotensão; <20% sugere hipervolemia e maior tolerância à UF
  • VExUS: avalia congestão venosa sistêmica; útil para titular e monitorar a UF
  • 5.4 Ecocardiografia POCUS

  • Função sistólica e diastólica do VE (razão E/E' >14 = pressões de enchimento elevadas; <8 = risco de intolerância à UF)
  • Alterações regionais da motilidade (FWMA)
  • Função do VD e sinais de hipertensão pulmonar
  • VTI no trato de saída do VE para estimativa do débito cardíaco
  • 5.5 Biomarcadores

  • NT-proBNP pré-diálise elevado → menor risco de IDH
  • Cálcio iônico: <1,02 mmol/L prediz HIRRT e maior mortalidade
  • Albumina: hipoalbuminemia associa-se a IDH, mas sem benefício clínico comprovado com reposição rotineira
  • § 07

    6. Preditores Dinâmicos de Tolerância à UF

    Analogamente aos preditores de responsividade à fluido, utilizamos testes que emulam a perturbação hemodinâmica da remoção de fluido para revelar a reserva fisiológica individual:

    Rebaixamento Passivo das Pernas (PLL)Desafio de Ultrafiltração (UFC)
    TipoRemoção virtual de fluido (reversível)Remoção real de fluido (irreversível)
    MecanismoTransfere ~300 mL do compartimento intratorácico para extratoráxicoReplica diretamente a UF; expõe ao circuito extracorpóreo
    EvidênciaNão validado prospectivamente para UF em UTI; extrapolação fisiológicaBiscarrat et al. (Crit Care 2025): queda IC >9% após 250 mL UFNET diagnostica dependência de pré-carga

    6.1 Passive Leg Raising (PLR) — Já Validado

  • Elevação passiva das pernas gera deslocamento de ~300 mL para o compartimento central
  • Aumento do IC >9% durante PLR prediz HIRRT com sensibilidade 77% e especificidade 96% (Monnet et al.)
  • Variação contínua do IC ≥5% durante PLR identifica pacientes em risco de se tornar dependentes de pré-carga (Biscarrat et al.)
  • Limitação: identifica dependência de pré-carga, mas não os demais mecanismos de intolerância
  • 6.2 Rebaixamento Passivo das Pernas (PLL) — Conceito Emergente

    A inversão da manobra PLR (passagem para 45° sentado) reduz a pré-carga por deslocamento sanguíneo intratorácico-extratoráxico. Dados indiretos em neurocirúrgicos e SDRA sustentam o fundamento fisiológico, mas o teste não está validado prospectivamente para guiar UF.

    6.3 Desafio de Ultrafiltração (UFC) — Evidência Incipiente

    Biscarrat et al. (Crit Care 2025): remoção de 250 mL de UFNET em 15–30 min antes da CRRT. Queda do IC >9% diagnosticou dependência de pré-carga de novo com desempenho diagnóstico aceitável. O UFC replica diretamente a UF e expõe o circuito extracorpóreo — é irreversível e requer cuidado na implementação.

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    7. Endotipos de Intolerância à UF

    A intolerância à UF é multifatorial e os mecanismos frequentemente se sobrepõem. A identificação do endotipo predominante orienta intervenções específicas:

    EndotipoAvaliação Beira-LeitoIntervenção Terapêutica
    Dependência de pré-cargaPLR + IC contínuo; VExUS; LUS; colapsibilidade da VCIReconsiderar UF; excluir depleção intravascular; venoconstrição com vasopressores
    Disfunção cardíacaEcocardio POCUS (VE sistólico/diastólico, FWMA, VD); NT-proBNPCorrigir hipocalcemia, acidose; considerar inotrópicos; cálcio no dialisato 1,75 mmol/L
    Tônus vascular reduzidoPAD + índice de choque diastólico; temperatura corporal; calcemia iônicaVasopressores (noradrenalina, vasopressina); dialisato frio; corrigir hipocalcemia
    Disfunção autonômicaHRV; PPI basal; variabilidade da PASem intervenção direta; otimizar os demais endotipos; reduzir sedação profunda
    Baixo refilling vascularPVPI via termodiluição; hematócrito contínuo; albuminemiaVasoconstrição pré-capilar (noradrenalina); albumina selecionada; dialisato Na >145 mmol/L

    7.1 Dependência de Pré-carga

    Apenas uma fração dos episódios de IDH resulta de dependência de pré-carga. Avaliação obrigatória antes de atribuir toda hipotensão à depleção volêmica. Causas alternativas (sangramento GI, redistribuição) devem ser excluídas.

    7.2 Disfunção Cardíaca

    A CRRT pode induzir stunning miocárdico precoce, antes mesmo de remoção significativa de fluido. Disfunção diastólica é especialmente vulnerável à redução da pré-carga. O esvaziamento do VE pode desencadear o reflexo de Bezold-Jarisch. Valvulopatias ocultas, tamponamento e arritmias devem ser considerados.

    7.3 Tônus Vascular Reduzido

    Vasoplegia pode acompanhar sepse, choque hemorrágico, cardiogênico, anafilático ou pós-parada cardíaca. A hipocalcemia iônica (<1,02 mmol/L) reduz o tônus arterial e a função do VE. O aumento da temperatura corporal durante HD intermitente causa vasodilatação que antagoniza a resposta cardiovascular à UF.

    7.4 Disfunção Autonômica

    O sistema nervoso autônomo é o maestro da homeostase cardiovascular durante a UF. Comorbidades (DM, HAS, ICC, DRC) e a doença crítica per se (sepse, TCE, sedação profunda, bloqueio neuromuscular) prejudicam os reflexos barorreceptores necessários para compensar a redução do retorno venoso.

    7.5 Baixo Refilling Vascular

    Disrupção do glicocálice, disfunção linfática e hipoalbuminemia comprometem a transferência de fluido do interstício para o intravascular. O PVPI ≥1,6 (termodiluição transpulmonar) prediz dependência de pré-carga por hipoperfusão de reenchimento. O monitoramento contínuo do hematócrito estima indiretamente o volume sanguíneo relativo.

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    8. Estratégia Proposta: Framework em 3 Passos

    🔵 Passo 1 — Avaliação Basal (Antes de Iniciar a UF)

    Para todo paciente selecionado para UF, realizar:

  • ▢ PAD, índice de choque diastólico, PPV
  • ▢ TEC, PPI por oximetria, HRV
  • ▢ LUS (escore B-lines), VCI (colapsibilidade), VExUS
  • ▢ Ecocardiografia focada: VE sistólico/diastólico, VD, VTI
  • ▢ Cálcio iônico, albumina, NT-proBNP
  • 🔵 Passo 2 — Predizer Intolerância (Testes Dinâmicos)

    Aplicar PLR com medida contínua do IC (ou VTI via POCUS) e/ou UFC de 250 mL em 15–30 min. Reavaliação dos mesmos parâmetros basais após o teste.

  • Tolerância adequada → Iniciar UF na taxa padrão (1,01–1,75 ml/kg/h). Monitorização contínua.
  • Intolerância presente → Identificar o endotipo predominante. Intervir antes ou durante a UF. Nunca apenas suspender sem investigar o mecanismo.
  • 🔵 Passo 3 — Identificar e Corrigir Endotipos

    Baseado nos achados dos passos anteriores, aplicar as intervenções específicas descritas na Seção 7.

    ⚠️ Múltiplos endotipos podem coexistir. As intervenções podem beneficiar mais de um mecanismo simultaneamente. Reavaliação contínua durante cada sessão de TSR é essencial, pois a tolerância pode mudar ao longo do tempo.
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    9. Considerações Práticas e Ajustes da Prescrição

    9.1 Temperatura do Dialisato

    Dialisato resfriado (35–36°C): aumenta a liberação de catecolaminas, eleva a SVR, centraliza o volume sanguíneo. Melhora a tolerância hemodinâmica em HD intermitente, SLED e CRRT. Considerar como estratégia profilática em pacientes com alto risco de HIRRT.

    9.2 Cálcio no Dialisato

    Concentração de cálcio de 1,75 mmol/L pode aumentar o tônus arterial, a SVR e o débito cardíaco. Considerar em pacientes com hipocalcemia iônica e baixo tônus vascular. Monitorar calcemia sérica para evitar hipercalcemia.

    9.3 Sódio no Dialisato

    Concentração de sódio >145 mmol/L limita o gradiente osmótico, reduzindo o desvio de água livre do compartimento intravascular para o extracelular. Promove maior estabilidade hemodinâmica, especialmente em HD intermitente.

    9.4 Albumina — Uso Restrito e Individualizado

    Apesar do uso clínico frequente, as evidências para uso rotineiro de albumina na prevenção ou tratamento de IDH durante TSR são fracas. Diretrizes atuais não recomendam seu uso de rotina. Avaliar individualmente em endotipo de baixo refilling com hipoalbuminemia grave.

    ⚠️ Albumina hiperoncótica pode estar associada a maior incidência de LRA em cirurgia cardíaca (Shehabi et al., JAMA Surg 2025).

    9.5 Vasopressores Durante a UF

  • Noradrenalina: efeito duplo — venoconstrição (aumenta retorno venoso) + vasoconstrição pré-capilar (facilita refilling). Indicada nos endotipos de tônus vascular reduzido e dependência de pré-carga.
  • Vasopressina e corticosteroides: considerar em choque séptico refratário conforme guidelines SSC 2021.
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    10. Sinais de Alerta e Limites de Segurança

    🚨 Critérios de Suspensão ou Redução Imediata da UF

    Importante: a interrupção isolada da UF sem investigar o mecanismo de HIRRT é insuficiente. O endotipo deve ser identificado e corrigido para permitir retomada da remoção de fluido de forma segura.

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    11. Referência Bibliográfica

    MELO, P.; RAMÍREZ-GUERRERO, G.; CASTRO, R.; WONG, A.; ARGAIZ, E. R.; OSTERMANN, M.; HERNÁNDEZ, G.; KATTAN, E. Ultrafiltration in the critically ill patient: a framework for personalized care. Critical Care, 2026. DOI: 10.1186/s13054-026-05836-x.

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    Glossário de Abreviações

    SiglaSignificado
    CRRTContinuous Renal Replacement Therapy (Terapia de Substituição Renal Contínua)
    FOFluid Overload (Sobrecarga hídrica)
    HIRRTInstabilidade hemodinâmica relacionada à TSR
    HRVHeart Rate Variability (Variabilidade da Frequência Cardíaca)
    IDHIntradialytic Hypotension (Hipotensão intradialítica)
    LRALesão Renal Aguda
    LUSLung Ultrasound (Ultrassom pulmonar)
    NT-proBNPN-terminal pro-B-type natriuretic peptide
    PADPressão Arterial Diastólica
    PLRPassive Leg Raising (Elevação passiva das pernas)
    PLLPassive Leg Lowering (Rebaixamento passivo das pernas)
    POCUSPoint-of-Care Ultrasound
    PPIPerfusion Index (Índice de Perfusão Periférica)
    PVPIPulmonary Vascular Permeability Index
    SLEDSustained Low-Efficiency Dialysis
    SVRSystemic Vascular Resistance (Resistência Vascular Sistêmica)
    TECTempo de Enchimento Capilar
    TSRTerapia de Substituição Renal
    UFUltrafiltração
    UFCUltrafiltration Challenge (Desafio de Ultrafiltração)
    UFNETNet Ultrafiltration (Ultrafiltração Líquida)
    VCIVeia Cava Inferior
    VExUSVenous Excess Ultrasound
    VTIVelocity-Time Integral
    Refs

    Referências