Melo et al. 2026 — Ultrafiltração no Paciente Crít
Decisão & Regulação · Central de Estudos
⚖️ Decisão & Regulação

Melo et al. 2026 — Ultrafiltração no Paciente Crítico: Frame

Framework para ultrafiltração em pacientes críticos que propõe cinco endótipos de intolerância, testes dinâmicos (PLR, UF challenge) e monitorização multimodal (POCUS, VExUS, PPI, CRT) para predizer e personalizar a prescrição de UF, visando melhorar a tolerância hemodinâmica, reduzir mortalidade e orientar intervenções específicas por endótipo.

Decisão & Regulação 📄 Resumo de estudo 🏥 UTI / Emergência
§ 01

Visão geral

Ultrafiltration in the critically ill patient: a framework for personalized care
§ 02

📋 Metadados

CampoDetalhe
AutoresPaulo Melo, Gonzalo Ramírez-Guerrero, Ricardo Castro, Adrian Wong, Eduardo R. Argaiz, Marlies Ostermann, Glenn Hernández, Eduardo Kattan
PeriódicoCritical Care
Ano2026
Volume/Número30:87
DOI10.1186/s13054-026-05836-x
TipoPerspective (Open Access — CC BY-NC-ND 4.0)
FinanciamentoFONDECYT Grant Nº 1230475
CorrespondênciaEduardo Kattan — e.kattan@gmail.com
Palavras-chaveFluid overload, Ultrafiltration, Intolerance, Dynamic predictors, Endotypes, Personalized, Critical care
§ 03

🎯 Mensagem Central

A intolerância à ultrafiltração (UF) em pacientes críticos é multifatorial e não se resume a depleção de volume intravascular. Os autores propõem um framework fisiológico baseado em 5 endótipos clínicos, testes dinâmicos preditivos e uma estratégia preventiva e personalizada de prescrição de UF.

§ 04

1. Background — O Problema da Sobrecarga Hídrica

A sobrecarga hídrica (fluid overload — FO) após ressuscitação é prevalente e associada a desfechos adversos:

  • Aumento de IRA (injúria renal aguda)
  • Recuperação prejudicada de IRA
  • Ventilação mecânica prolongada
  • Mortalidade aumentada
  • A UF durante TRS (terapia de substituição renal) é a principal estratégia para reverter FO. Mais de 2/3 dos pacientes têm FO ao iniciar TRS. Apesar da remoção de fluidos associar-se a menor mortalidade, a mortalidade global ainda excede 40%.

    Relação em U entre UFNET e Mortalidade

    Estudos observacionais sugerem uma relação em "U" ou "J" entre a taxa de UFNET (ultrafiltração líquida) e mortalidade:

    ⚙️ Fluxograma
    graph LR
        subgraph "Relação UFNET × Mortalidade"
            A["Taxa baixa\n< 1.01 ml/kg/h"] -->|"Exposição prolongada\na FO"| M["⬆ Mortalidade"]
            B["Taxa moderada\n1.01-1.75 ml/kg/h"] -->|"Zona segura"| S["⬇ Mortalidade"]
            C["Taxa alta\n> 1.75 ml/kg/h"] -->|"Isquemia\norgânica"| M
        end
    
        style A fill:#ffcccc,stroke:#cc0000
        style B fill:#ccffcc,stroke:#009900
        style C fill:#ffcccc,stroke:#cc0000
        style M fill:#ff6666,stroke:#cc0000
        style S fill:#66cc66,stroke:#006600

    Porém, a curva ideal varia de paciente para paciente:

  • Deslocamento à direita → Alta tolerância à remoção, alto risco congestivo
  • Deslocamento à esquerda → Baixa tolerância à remoção, baixo risco congestivo
  • Janela estreita → Alto risco congestivo + tolerância limitada (pior cenário)
  • § 05

    2. Fisiologia da Resposta Cardiovascular à UF

    Os 4 Eixos Compensatórios

    A tolerância à UF depende de 4 mecanismos compensatórios:

    ⚙️ Fluxograma
    graph TB
        UF["🔄 ULTRAFILTRAÇÃO"] --> V["1. Refilling Vascular\nReenchimento plasmático\na partir do interstício"]
        UF --> C["2. Resposta Cardíaca\nAumento de FC,\ncontratilidade e VS"]
        UF --> VN["3. Venoconstrição\nRedistribuição do\nvolume venoso"]
        UF --> R["4. Resistência Arteriolar\nAumento da RVS\npor vasoconstrição"]
    
        V --> T["✅ TOLERÂNCIA\nHEMODINÂMICA"]
        C --> T
        VN --> T
        R --> T
    
        style UF fill:#1a3c5e,color:#fff
        style T fill:#2e7d32,color:#fff
        style V fill:#e3f2fd
        style C fill:#fce4ec
        style VN fill:#f3e5f5
        style R fill:#fff3e0

    Detalhamento dos Mecanismos

    1. Refilling Vascular

  • Reenchimento plasmático a partir dos compartimentos intersticial e intracelular
  • Depende de: taxa de UF, grau de FO, pressão oncótica, gradientes hidrostático/osmótico, propriedade da barreira endotelial
  • Se taxa de UF excede o refilling → depleção intravascular
  • 2. Resposta Cardíaca

  • Aumento de FC, contratilidade e volume sistólico
  • Hemodiálise pode reduzir fluxo sanguíneo miocárdico → stunning segmentar de VE
  • Reflexo de Bezold-Jarisch: esvaziamento ventricular → perda de tônus simpático → hipotensão paradoxal + bradicardia
  • Disfunção diastólica agrava esse mecanismo
  • 3. Venoconstrição / Capacitância Venosa

  • Ativação simpática → constrição arteriolar e venosa
  • Redistribuição do sangue das veias sistêmicas para o compartimento cardiopulmonar central
  • Leitos esplâncnico e cutâneo: principal reservatório
  • Fenômeno de DeJager-Krogh: vasoconstrição arteriolar → redução do fluxo pós-capilar → recuo passivo venoso
  • 4. Resistência Arteriolar Sistêmica (RVS)

  • Fatores da diálise que influenciam negativamente: solução tampão, alterações de Na⁺, K⁺, Ca²⁺, equilíbrio ácido-base, biocompatibilidade da membrana, temperatura
  • § 06

    3. Lesão Multissistêmica — Os Dois Lados da Moeda

    UF Insuficiente (taxa lenta) vs. UF Excessiva (taxa rápida)

    ÓrgãoUF Insuficiente (FO prolongada)UF Excessiva (Hipoperfusão)
    CérebroCognição prejudicada, delirium, ↑PIC, ↓PPC↓Fluxo cerebral, alterações de substância branca, delirium
    PulmãoEdema pulmonar, derrame pleural, troca gasosa prejudicada, VM prolongada
    CoraçãoContratilidade prejudicada, disfunção diastólica, distúrbio de condução, derrame pericárdicoIsquemia miocárdica, stunning de VE, alterações segmentares, arritmias
    FígadoCongestão hepática, função sintética prejudicada, colestase
    RimEdema intersticial renal, ↓TFG, recuperação retardada↓Perfusão renal, recuperação retardada, progressão para DRC
    IntestinoEdema intestinal, má absorção, íleo prolongado, ↑PIA, ↓PPAIsquemia intestinal, translocação bacteriana/endotoxina, inflamação sistêmica
    § 07

    4. HIRRT — Instabilidade Hemodinâmica Relacionada à TRS

  • Preditor independente de mortalidade
  • Prevalência: 40-60% em SLED (diálise sustentada de baixa eficiência) e 19-43% em CRRT
  • Principal barreira à remoção bem-sucedida de fluidos
  • Abordagem atual é predominantemente reativa (não preventiva)
  • Monitorização Atual

  • Maioria usa variáveis estáticas: exame físico, balanço hídrico, peso, RX tórax
  • Ferramentas mais recentes (pouco usadas): LUS, ecocardiografia, Doppler de veias abdominais, VExUS
  • Termodiluição transpulmonar: alternativa calibrada e operador-independente
  • Variação de pulso/volume sistólico: validação limitada para predizer IDH
  • CRT (tempo de enchimento capilar): ferramenta promissora que prediz IDH com acurácia
  • § 08

    5. Intolerância à UF — Construto Teórico

    Definição Proposta

    Tolerância à UF: medida em que o paciente pode ser submetido à UF sem desenvolver instabilidade hemodinâmica, hipoperfusão tecidual ou disfunção orgânica de novo.
    Intolerância à UF: reserva fisiológica limitada OU prescrição inadequada de UF.
    § 09

    6. Preditores Dinâmicos de Tolerância à UF

    Conceito: Emular a remoção de fluidos para revelar a reserva fisiológica

    ⚙️ Fluxograma
    graph LR
        subgraph "Fase de Ressuscitação"
            PLR["PLR\n(Passive Leg Raising)"] --> FR["Prediz\nResponsividade\na Fluidos"]
            MFC["MFC\n(Mini Fluid Challenge)"] --> FR
        end
    
        subgraph "Fase de Evacuação/De-ressuscitação"
            PLL["PLL\n(Passive Leg Lowering)"] --> TUF["Prediz\nTolerância\nà UF"]
            UFC["UFC\n(UF Challenge)"] --> TUF
        end
    
        style PLR fill:#4caf50,color:#fff
        style MFC fill:#4caf50,color:#fff
        style PLL fill:#ff9800,color:#fff
        style UFC fill:#ff9800,color:#fff

    Passive Leg Lowering (PLL) — Teste de Remoção Virtual

  • Conceito: se PLR desloca ~300 mL do não-estressado para o estressado, abaixar as pernas faria o reverso
  • Evidência indireta: posição sentada 45° reduz PA, VS e IC em ~14% (shift intratorácico → extratorácico)
  • Necessita padronização: posição basal, amplitude de movimento, técnica de monitorização
  • Ainda não validado prospectivamente
  • UF Challenge (UFC) — Teste de Remoção Real

  • Blood pump-out test (Huang et al.): drenagem de sangue a 100 mL/min por ~2 min. Queda de DC >11% previu responsividade a fluidos (sensibilidade 70.9%, especificidade 76.5%)
  • UF Challenge de 250 mL (Biscarrat et al., 2025): UFNET de 250 mL em 15 ou 30 min. Queda de IC >9% diagnosticou pré-carga dependência de novo com performance aceitável. Manobra postural com variação de IC contínuo ≥5% teve boa performance preditiva.
  • CaracterísticaPLLUFC
    Tipo de remoçãoVirtualReal
    ReversibilidadeReversívelIrreversível
    MecanismoPassagem de sangue do intratorácico para o extratorácicoReplica ultrafiltração e expõe ao circuito extracorpóreo
    § 10

    7. Os 5 Endótipos de Intolerância à UF

    ⚙️ Fluxograma
    graph TB
        I["🚨 INTOLERÂNCIA À UF\n(Reserva Fisiológica Pobre)"] --> E1["1️⃣ Dependência\nde Pré-carga"]
        I --> E2["2️⃣ Disfunção\nCardíaca"]
        I --> E3["3️⃣ Tônus Vascular\nDiminuído"]
        I --> E4["4️⃣ Disfunção\nAutonômica"]
        I --> E5["5️⃣ Refilling Vascular\nPrejudicado"]
    
        E1 --> A1["Avaliação: PLR, POCUS, IVC, VExUS, LUS"]
        E2 --> A2["Avaliação: Eco cardíaco focado"]
        E3 --> A3["Avaliação: PAD, índice de choque diastólico"]
        E4 --> A4["Avaliação: VFC, PPI"]
        E5 --> A5["Avaliação: Albuminemia, Ht contínuo, PVPI"]
    
        A1 --> T1["Reconsiderar UF\nDescartar outras causas\nVenoconstrição com vasopressores"]
        A2 --> T2["Corrigir hipocalcemia\nInotrópicos\nCorrigir acidose"]
        A3 --> T3["Vasopressores: NE, vasopressina\nCorrigir hipocalcemia, acidose, febre"]
        A4 --> T4["Sem intervenção direta\nOtimizar demais endótipos"]
        A5 --> T5["Vasoconstrição pré-capilar com NE\nConsiderar albumina\nDialisato com alto Na⁺"]
    
        style I fill:#c62828,color:#fff
        style E1 fill:#1565c0,color:#fff
        style E2 fill:#6a1b9a,color:#fff
        style E3 fill:#e65100,color:#fff
        style E4 fill:#2e7d32,color:#fff
        style E5 fill:#4e342e,color:#fff

    Endótipo 1: Dependência de Pré-carga

  • Apenas um subgrupo de episódios de IDH resulta de dependência de pré-carga
  • PLR com aumento de IC >9% prediz HIRRT (sensibilidade 77%, especificidade 96% — Monnet et al.)
  • Variação de IC contínuo ≥5% durante PLR identifica risco de pré-carga dependência (Biscarrat et al.)
  • Avaliação multimodal com POCUS:
  • B-lines ≥14 + hipervolemia → menor risco de hipotensão
  • Índice de colapsibilidade de VCI >30% → prediz hipotensão durante UF lenta contínua
  • Índice de colapsibilidade de VCI <20% → sugere sobrecarga intravascular, maior probabilidade de tolerar UF
  • VExUS: avalia congestão venosa sistêmica; avaliações repetidas podem titular UF
  • VTI no VSVE: estima VS e DC; alta acurácia para responsividade a fluidos, mas sem estudos prospectivos para guiar UF
  • Endótipo 2: Disfunção Cardíaca

  • Disfunção de base + disfunção aguda induzida por TRS
  • Stunning miocárdico: redução transitória de perfusão miocárdica durante TRS, com anormalidades segmentares
  • Disfunção diastólica: particularmente vulnerável a reduções de pré-carga
  • Pode desencadear reflexo de Bezold-Jarisch ou obstrução de via de saída (em hipertrofia de VE)
  • NT-proBNP pré-diálise elevado: associado a menor queda de PAS intradialítica e menor risco de IDH
  • E/E' >14: prediz pressões de enchimento de VE elevadas
  • E/E' baixo: associado a má tolerância à remoção de fluidos
  • Intervenções: inotrópicos, vasodilatação pulmonar (falência de VD), prevenção de esvaziamento ventricular, controle de taquicardia, Ca²⁺ no dialisato mais alto, tamponamento de acidose, temperatura mais baixa
  • Endótipo 3: Tônus Vascular Diminuído

  • Vasoplegia: não é exclusiva de choque séptico — ocorre em hemorrágico, cardiogênico, anafilático, pós-PCR, politrauma
  • Hipocalcemia (Ca²⁺ ionizado <1.02 mmol/L): prediz maior mortalidade e HIRRT em TRS
  • Dialisato com Ca²⁺ mais alto (1.75 mmol/L) pode melhorar tônus arterial, RVS e DC
  • Efeito térmico: em HD intermitente, ↑temperatura central → vasodilatação → ↓PA. Dialisato frio melhora tolerância
  • PAD (pressão arterial diastólica): determinada principalmente pelo tônus vascular. PAD pré-diálise baixa associada a IDH
  • Índice de choque diastólico: reflete gravidade da disfunção circulatória em condições vasodilatadoras
  • Intervenções: manejo de temperatura, Ca²⁺, correção de acidose, vasopressina, corticosteroides em choque séptico
  • Endótipo 4: Disfunção Autonômica

  • Comorbidades predisponentes: diabetes, HAS, IC, DRC
  • Doenças críticas que agravam: sepse, trauma, neurocríticos (TCE, AVC, epilepsia, Guillain-Barré)
  • Sedação profunda e BNM alteram quimio e barorreflexos
  • Variabilidade de FC (VFC): avaliação não invasiva da função autonômica; prediz sepse, choque séptico, DMOS, mortalidade e IDH
  • Índice de Perfusão (PI): razão pulsátil/não-pulsátil da oximetria de pulso
  • Hipoperfusão → ↓componente pulsátil → ↓PI
  • PI basal ≤0.82 prediz hipotensão durante UF (sensibilidade 70%, especificidade 92%)
  • Pacientes sem hipotensão: PI ↓ enquanto RVS ↑ (vasoconstrição adequada)
  • Pacientes hipotensos: RVS basal já alta → pouca reserva para vasoconstrição adicional
  • Sem intervenção direta; otimizar demais endótipos
  • Endótipo 5: Refilling Vascular Prejudicado

  • Taxa de refilling: 2-6 mL/kg/h em HD intermitente, pode exceder 10 mL/kg/h em altas taxas de UF
  • Fatores que prejudicam: disrupção do glicocálix endotelial, disfunção linfática, modificação estrutural intersticial
  • PVPI ≥1.6 (índice de permeabilidade vascular pulmonar por termodiluição): prediz hipotensão associada a pré-carga dependência
  • Monitorização contínua de hematócrito: avalia volume sanguíneo relativo; declínios maiores com taxas maiores de UF
  • Albumina: evidência fraca para prevenir/tratar intolerância à UF. Cochrane: apenas 1 pequeno trial (albumina 5% vs. salina = sem diferença). Guidelines não recomendam albumina para prevenir IDH
  • Albumina 20% e IRA: trial recente em cirurgia cardíaca mostrou ↑incidência de IRA com albumina 20%
  • Clearance rápido de Na⁺: ↓osmolalidade plasmática → shift de água livre para extravascular → ↓refilling
  • Dialisato com alto Na⁺ (>145 mmol/L): limita shift osmótico e promove estabilidade
  • Vasopressores: vasoconstrição pré-capilar → ↓pressão hidrostática intravascular → facilita refilling (lei de Starling)
  • § 11

    8. Estratégia Proposta — 3 Passos para UF Personalizada

    ⚙️ Fluxograma
    graph TB
        subgraph "PASSO 1 — Medidas Basais"
            P1["Paciente selecionado\npara UF"]
            P1 --> MA["Macro Arterial\n• PPI, VFC\n• Análise de linha arterial\n• Pulse contour / TPTD"]
            P1 --> ECO["Ecocardiograma\n• Função sistólica VE\n• Motilidade segmentar\n• Diastologia\n• Função de VD"]
            P1 --> MI["Microperfusão\n• CRT\n• Laser Doppler\n• Parâmetros metabólicos\n• Biomarcadores"]
            P1 --> MV["Macro Venoso\n• VCI\n• VExUS\n• LUS"]
        end
    
        subgraph "PASSO 2 — Predizer Intolerância"
            MA --> DYN["Testes Dinâmicos\nPLL + UFC"]
            ECO --> DYN
            MI --> DYN
            MV --> DYN
            DYN -->|"Tolerado (-)"| STD["✅ UF Padrão"]
            DYN -->|"Não tolerado (+)"| INT["🚨 Intolerância\n(Reserva pobre)"]
        end
    
        subgraph "PASSO 3 — Buscar Endótipos"
            INT --> END["Identificar Endótipo(s)\n1. Pré-carga dependência\n2. Disfunção cardíaca\n3. Tônus vascular diminuído\n4. Disfunção autonômica\n5. Refilling prejudicado"]
            END --> TX["🎯 UF Tailored\nIntervenção específica\npor endótipo"]
            TX --> REA["🔄 Reavaliação Contínua\n(tolerância pode mudar\ndurante a sessão)"]
        end
    
        style P1 fill:#1a237e,color:#fff
        style DYN fill:#e65100,color:#fff
        style STD fill:#2e7d32,color:#fff
        style INT fill:#c62828,color:#fff
        style END fill:#4a148c,color:#fff
        style TX fill:#00695c,color:#fff
        style REA fill:#01579b,color:#fff
    § 12

    9. Tabela Resumo — Endótipos, Avaliação e Intervenções

    EndótipoAvaliação à Beira-LeitoIntervenção Potencial
    1. Dependência de pré-cargaPreditores dinâmicos de responsividade (PLR)Reconsiderar UF. Descartar outras causas de depleção intravascular. Venoconstrição com vasopressores
    2. Disfunção cardíacaEcocardiograma focadoCorrigir hipocalcemia, acidose. Inotrópicos
    3. Tônus vascular diminuídoPAD, Índice de choque diastólicoVasopressores (NE, vasopressina). Corrigir hipocalcemia, acidose, febre
    4. Disfunção autonômicaVFC, PPI (índice de perfusão)Sem intervenção direta. Otimizar demais endótipos
    5. Refilling prejudicadoAlbuminemia, Ht contínuo, PVPIVasoconstrição pré-capilar (NE). Considerar albumina. Dialisato com alto Na⁺
    § 13

    10. Limiares Diagnósticos Chave

    ParâmetroLimiarSignificado
    UFNET segura1.01–1.75 mL/kg/hZona de menor mortalidade
    PLR → ↑IC>9%Prediz HIRRT (S 77%, E 96%)
    UFC 250 mL → ↓IC>9%Diagnostica pré-carga dependência de novo
    Blood pump-out → ↓DC>11%Prediz responsividade a fluidos (S 70.9%, E 76.5%)
    IVC colapsibilidade>30%Prediz hipotensão durante UF lenta
    IVC colapsibilidade<20%Sugere sobrecarga intravascular, tolera UF
    B-line score≥14Congestão pulmonar, menor risco de hipotensão
    E/E'>14Pressões de enchimento de VE elevadas
    Ca²⁺ ionizado<1.02 mmol/LPrediz maior mortalidade e HIRRT
    PVPI≥1.6Prediz hipotensão associada a pré-carga dependência
    PI (perfusion index)≤0.82Prediz hipotensão durante UF (S 70%, E 92%)
    PLR → IC contínuo≥5%Identifica risco de pré-carga dependência
    § 14

    11. Pontos Críticos e Limitações

  • O framework é teórico e requer validação prospectiva
  • PLL (passive leg lowering) ainda não foi testado como preditor de tolerância à UF
  • Endótipos frequentemente se sobrepõem
  • A tolerância pode mudar ao longo da sessão de TRS → reavaliação contínua é essencial
  • VExUS: sem estudos prospectivos demonstrando utilidade para guiar UF
  • VTI: sem estudos prospectivos para guiar UF especificamente
  • Albumina: evidência fraca e potencialmente danosa em populações susceptíveis
  • § 15

    12. Implicações para a Prática Clínica

    Aplicabilidade Direta

  • Integrar preditores dinâmicos (PLR, UF challenge) na rotina de prescrição de CRRT
  • Utilizar PPI e CRT como ferramentas de monitorização de perfusão durante UF
  • Adotar abordagem multimodal: POCUS (LUS + IVC + eco focado + VExUS) + perfusão
  • Classificar HIRRT por endótipos → intervenção direcionada vs. "reduzir UF" genérico
  • Considerar PAD e índice de choque diastólico na avaliação pré-UF
  • Pontos para POP-SAMUTI

  • Definir protocolo institucional de avaliação pré-UF (medidas basais do Passo 1)
  • Estabelecer critérios de intolerância à UF baseados em perfusão (não apenas PA)
  • Treinar equipe em PPI e CRT como marcadores de resposta à UF
  • Protocolo de dialisato: temperatura, Ca²⁺, Na⁺ — ajustáveis por endótipo
  • § 16

    📚 Referência ABNT-BR

    MELO, P. et al. Ultrafiltration in the critically ill patient: a framework for personalized care. Critical Care, v. 30, n. 87, 2026. DOI: 10.1186/s13054-026-05836-x.

    § 17

    🏷️ Tags

    #ultrafiltração #CRRT #TRS #fluid-overload #endótipos #HIRRT #IDH #personalização #POCUS #VExUS #PLR #CRT #PPI #terapia-intensiva #Critical-Care-2026

    Síntese gerada em 23/05/2026

    🧠 Confiança: N4 — Framework teórico bem fundamentado fisiologicamente, mas sem validação prospectiva completa

    Refs

    Referências

    Conteúdo migrado do Central de Estudos (Blog Dr. Jackson Fuck, Notion).