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SAMUTIResumo Científico
Emerg Med Clin N Am · 2026 · Revisão narrativa

Pressão arterial nas emergências neurológicas

A PA não é achado secundário — é alvo terapêutico modificável. Todo o manejo equilibra dois riscos opostos: hipoperfusão cerebral (ao baixar demais ou rápido) contra expansão do hematoma e transformação hemorrágica (ao deixar alta). O alvo certo depende de subtipo, tempo e autorregulação.

Wagstaff & Ledyard DOI 10.1016/j.emc.2025.08.008 9 cenários clínicos XAI-UC ativo · N5–N2
HIPOPERFUSÃO isquemia · ↓CPP HEMORRAGIA expansão · TH PA ideal subtipo + tempo + autorregulação
A tensão central de toda a revisão

Pontos-chave para o plantão

Cinco regras governam quase todas as decisões. O erro mais perigoso e mais comum é tratar a PA antes de saber o subtipo do AVC.

  • Diferencie emergência hipertensiva de hipertensão incidental. Trate só com lesão de órgão-alvo aguda ou indicação convincente — PA elevada isolada e assintomática no PS não exige redução imediata. N4 ⚠️ Moderada
  • AVC depende de tempo e subtipo. Isquêmico para trombólise/trombectomia → manter ≤185/110 mmHg. Hemorragia → redução suave precoce para 130–150 mmHg reduz expansão.
  • Evite a supercorreção. Redução agressiva ou rápida agrava isquemia (AVCi, SVCR, PRES) ou causa lesão renal (HIC). A meta é descida gradual e estável.
  • Gestante é caso à parte. Pré-eclâmpsia/eclâmpsia grave (≥160/110) → tratar em até 30 min (labetalol, hidralazina ou nifedipino) + sulfato de magnésio.
  • No TCE, o inimigo é a hipotensão. Manter PAS >100–110 conforme a idade; tanto a hipotensão quanto a hipertensão grave aumentam a mortalidade.

Alerta de subtipoNão baixe a PA no AVC suspeito antes da imagem. O INTERACT4 mostrou: a mesma redução pré-hospitalar que ajuda a hemorragia piora o isquêmico. Sem TC, você não sabe de que lado da balança o paciente está.

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Hipertensão indiferenciada no PS

A hipertensão atinge ~1,3 bilhão de pessoas, mas só cerca de 20% têm controle adequado. No pronto-socorro, até 45% das visitas registram PA elevada — porém a emergência hipertensiva (com lesão aguda de órgão-alvo) aparece em apenas ~0,6% dos casos.

A política do American College of Emergency Physicians (ACEP) é clara: não testar de rotina nem iniciar anti-hipertensivos para PA elevada isolada e assintomática. O papel do emergencista é identificar a emergência hipertensiva por história, tendência dos sinais vitais e exame focado (cardiovascular, neurológico, oftalmológico e renal). Exames (ECG, função renal, RX de tórax, EAS, imagem cerebral) só quando há suspeita de lesão de órgão-alvo.

PráticaEm PA muito elevada sem sintomas, pese comorbidades, cronicidade, acesso a seguimento e determinantes sociais de saúde. Prescrever anti-hipertensivo na alta é razoável quando o seguimento ambulatorial vai demorar.

N4 ⚠️ Confiança moderada — política ACEP consolidada
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AVC indiferenciado (antes da imagem)

A evidência para o manejo hiperagudo, antes da TC, é limitada. A PA elevada no isquêmico pode ser compensatória, mantendo a perfusão da penumbra; na hemorragia, a mesma PA elevada alimenta a expansão do hematoma. São mecanismos opostos sob a mesma apresentação.

Ensaios que definiram a cautela
  • PIL-FAST — lisinopril oral em AVC suspeito (14 pts): PA menor à chegada, mas amostra pequena demais. fraca
  • RIGHT (41 pts, GTN transdérmico) sugeriu benefício, mas o RIGHT-2 (1.149 pts) não mostrou benefício funcional ou de mortalidade. moderada
  • INTERACT4 (2.404 pts, China): redução intensiva pré-hospitalar melhorou a hemorragia e piorou o isquêmico — a prova viva do risco de tratar sem subtipo. moderada

A European Stroke Organisation (ESO) desaconselha baixar a PA de rotina no cenário pré-hospitalar pelo risco de classificar errado o subtipo. Monitorar a tendência da PA, porém, é parte essencial do cuidado.

SínteseIndividualize pela apresentação e pelo contexto de transporte. Para candidato a trombólise, mirar PAS <185 e PAD <110 é crítico; fora disso, a redução agressiva no AVC indiferenciado permanece controversa.

N3 ⚠️⚠️ Baixa — incerteza diagnóstica (D) + evidência conflitante (E)
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AVC isquêmico agudo

Responde por ~87% dos AVCs; até 75% chegam com PA elevada. A conduta se divide conforme a elegibilidade para reperfusão.

Sem reperfusão

Tratar só se
>220/120
Relação em U: PA muito alta e muito baixa pioram desfecho. AHA/ASA e ESO recomendam reter anti-hipertensivo, exceto PAS >220 ou PAD >120 mmHg (ou comorbidade específica). SCAST, PRoFESS e ENOS: sem benefício de baixar de rotina.
N4 ⚠️ Moderada

Candidato a trombólise (alteplase/tenecteplase)

Antes do trombolítico
≤185/110
Por 24 h após
≤180/105
Base no ensaio NINDS (excluiu PA >185/110). O registro SITS mostrou risco 4× maior de HIC sintomática com PAS >170 vs. 141–150. O ENCHANTED baixou intensivamente (130–140) e reduziu HIC, mas sem benefício funcional — o que reforça o alvo do guideline em vez de descer mais.
N5 🟢 Alta — guideline robusto, confirmado por RCT

Candidato a trombectomia (TEV)

Durante e 24 h após
≤180/105
Limiar extrapolado de ensaios em que a maioria também recebeu trombólise. PA >220/120 correlaciona-se com pior desfecho e HIC. O BP-TARGET (alvo 100–129 vs. 130–185 pós-TEV) não achou diferença em HIC, com baixa adesão à meta intensiva. Reduzir demais pode comprometer a circulação colateral.
N3 ⚠️⚠️ Baixa — alvo por extrapolação; aguarda evidência

MonitorizaçãoPA a cada 5–15 min no início, com checagens neurológicas frequentes para garantir que a redução não está comprometendo a perfusão. Agentes IV são preferidos pela titulabilidade (ver Box 1).

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Hemorragia intracerebral

Cerca de 10% dos AVCs, mas o subtipo mais letal (mortalidade até 40%). A PA elevada na chegada é o principal fator modificável, ligada à expansão do hematoma e à deterioração. Como a maior parte da expansão ocorre nas primeiras 3 horas, a redução precoce é o alvo.

Alvo na maioria
130–150
mmHg sistólica
AHA/ASA 2022: iniciar em <2 h, atingir alvo em <1 h, com titulação suave e estável (evitar picos e variabilidade). PAS ≥150 → baixar para 130–150 é razoável e seguro. ESO 2021: na fase hiperaguda (<6 h), <140 mas >110; manter o controle por 24–72 h.
Por que o alvo é "razoável", não "definitivo"
  • INTERACT (404): PAS <140 reduziu o crescimento do hematoma sem eventos adversos.
  • INTERACT2 (2.839): sem diferença em morte/incapacidade; benefício funcional apenas na análise ordinal. neutro/modesto
  • ATACH-II (1.000): 110–140 vs. 140–180 com nicardipino — sem benefício funcional e mais eventos renais no grupo intensivo. alerta renal
  • INTERACT3 (Lancet 2023): bundle com PA <140 em 1 h melhorou o desfecho — mas a contribuição isolada da PA é incerta (PA semelhante entre grupos).

CautelaEm HIC grande, grave ou cirúrgica, a segurança e a eficácia da redução intensiva não estão estabelecidas. Prefira agentes IV tituláveis para um controle estável, evitando flutuações associadas a pior desfecho.

N4 ⚠️ Moderada — alvo 130–150 seguro; benefício funcional modesto
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AIT — manejo na alta

O paciente de baixo risco costuma receber alta com seguimento neurológico. RCTs mostram que prescrever anti-hipertensivo reduz a recorrência de AIT e AVC.

Alvo de prevenção
<130/80
Primeira linha: tiazídicos, IECA e BRA (apoiados por grandes ensaios); BCC são alternativa razoável. Idealmente, iniciar com o médico ambulatorial — mas prescrever na alta é apropriado se o seguimento vai atrasar. Individualizar pelas comorbidades (ex.: IECA preferido em diabetes/proteinúria).
N4 ⚠️ Moderada-alta — prevenção secundária bem suportada
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PRES — encefalopatia posterior reversível

Quadro agudo/subagudo: encefalopatia (~80%), convulsões (~75%), distúrbios visuais (~60%), cefaleia (~50%), déficits focais (5–15%). Na RM, edema vasogênico parieto-occipital. A hipertensão é comum (~70%), mas ausente em até 20% dos casos — não a use como critério obrigatório. Mais frequente em mulheres de 30–50 anos; associada a doença renal, sepse, imunossupressores, doenças autoimunes e pré-eclâmpsia.

1ª hora
↓ ≤25%
da PAS
Nenhum ensaio avaliou o impacto direto da PA no desfecho — a recomendação é de consenso: reduzir a PAS em ≤25% na primeira hora, normalizar em 24–48 h, evitando flutuações. Agentes: clevidipino, labetalol, nicardipino. Tratar o gatilho (infecção, fármaco, autoimune), manter o magnésio em faixa normal e tratar convulsões (sem profilaxia). UTI é frequentemente necessária.
N3 🔴 Baixa — consenso de especialistas, sem RCT
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Pré-eclâmpsia e eclâmpsia

Os distúrbios hipertensivos da gravidez respondem por ~16% das mortes maternas. Pré-eclâmpsia = hipertensão nova (≥140/90) após 20 semanas + proteinúria ou disfunção de órgão-alvo. Eclâmpsia = convulsões nesse contexto. Pode surgir após 20 semanas, no parto ou até 6 semanas pós-parto.

Tratar emergencialmente
≥160/110
em até 30 min
Avalie prontamente toda PA ≥140/90 em gestante/puérpera e trate a hipertensão grave (≥160/110) idealmente em 30 minutos para prevenir AVC, insuficiência cardíaca e isquemia miocárdica. O sulfato de magnésio é essencial para profilaxia de convulsão na forma grave. Labetalol, hidralazina e nifedipino IR têm eficácia semelhante (ver Box 4).
N5 🟢 Alta — diretriz ACOG, conduta tempo-dependente consolidada
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SVCR — vasoconstrição cerebral reversível

Causa rara e subdiagnosticada de cefaleia thunderclap, com estreitamento arterial transitório. Pode evoluir para AVC, AIT, hemorragia e PRES. Gatilhos: serotoninérgicos, vasoconstritores, estimulantes (cocaína, metanfetamina), cannabis, pós-parto e estresse físico/emocional. Predomina em mulheres (~45 anos); a angiografia revela o padrão clássico em "sausage-on-a-string". Cerca de 25–30% têm picos de PA.

Manter
PAS <160
Sem alvo padronizado; manter PAS <160 é razoável (risco hemorrágico maior acima). BCC como nimodipino e verapamil de liberação prolongada são usados para o vasoespasmo, mas sem benefício consistente em desfecho e podem aumentar o risco isquêmico se a PA cair demais. Titule pelos sintomas — aliviar a cefaleia sem causar hipotensão.
N3 🔴 Baixa — séries de casos; sem alvo validado
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Trauma cranioencefálico (TCE)

Após o TCE, a autorregulação cerebral fica prejudicada e o fluxo sanguíneo passa a depender da pressão de perfusão cerebral: CPP = PAM − PIC. A hipotensão derruba a CPP (isquemia, hipóxia, morte neuronal); a hipertensão eleva a PIC e o edema. Os dois extremos pioram o prognóstico — mas a hipotensão é o vilão principal.

Faixa-alvo emergente
110–150
PAS, mmHg
Brain Trauma Foundation 2017: PAS >100 (50–69 anos) e >110 (15–49 ou >70) — mas a própria diretriz reconhece evidência insuficiente para endosso forte. Dados recentes apontam faixa, não limiar único.
A evidência empurra o alvo para cima
  • Chesnut (Traumatic Coma Data Bank): um único episódio de hipotensão dobra a mortalidade.
  • EPIC-TBI (>12.000 casos): mortalidade dispara com PAS <90, mas o risco aumenta em toda a faixa 40–119; menor mortalidade ajustada com PAS 130–180.
  • IMPACT: PAS 120–150 e PAM 85–110 como limiares de melhor desfecho.

CondutaCorrigir hipotensão prontamente com cristaloide isotônico ou hemoderivado; salina hipertônica/manitol no TCE grave (GCS <8) com suspeita de PIC elevada. Albumina é contraindicada (aumenta mortalidade). Vasopressores (noradrenalina, fenilefrina) para sustentar a CPP, guiados pelo contexto (sepse, choque neurogênico).

N4 ⚠️ Moderada — observacional robusto; BTF ainda sem endosso forte

Fármacos — doses de referência

Box 1 — Anti-hipertensivos IVEmergências neurológicas
AgenteMecanismoUso recomendado
NicardipinoBCC1ª linha. Iniciar 5 mg/h IV; titular 2,5 mg/h a cada 5–15 min (máx. 15 mg/h).
Labetalolβ-bloq. com efeito αBolus 10–20 mg IV em 1–2 min; repetir a cada 10 min (20–80 mg), cumulativo ≤300 mg. Ou infusão 2–10 mg/min após bolus.
ClevidipinoBCC curta açãoIniciar 1–2 mg/h IV; dobrar a cada 2 min se necessário (máx. 21 mg/h).
HidralazinaVasodilatador direto5–10 mg IV em 1–2 min; repetir (cumulativo máx. 20 mg). Resposta hipotensora imprevisível — usar com cautela.
Esmololβ-bloq. ultracurtoAtaque 50–500 mcg/kg em 1 min; infusão 25–50 mcg/kg/min; titular 20–50 mcg/kg/min a cada 5 min (máx. 300).
NitroprussiatoVasodilatador arterial/venoso0,3–0,5 mcg/kg/min; usual 3, máx. 10. Evitar salvo necessidade absoluta — risco de ↑PIC.
Box 2 — Anti-hipertensivos oraisInício ambulatorial / alta
AgenteClasseDose inicial / máx.Considerações
HidroclorotiazidaDiurético12,5–25 mg/dia · máx 501ª linha sem comorbidades
LisinoprilIECA5–10 mg/dia · máx 40Preferido em diabetes e proteinúria
LosartanaBRA25–50 mg/dia · máx 100Para intolerantes a IECA
Box 3 — Critérios diagnósticos de pré-eclâmpsia* = característica grave · adaptado de ACOG
DomínioCritério
PAPAS ≥140 ou PAD ≥90 em 2 ocasiões ≥4 h após 20 sem (PA prévia normal) — OU PAS ≥160 / PAD ≥110* (confirmar em minutos para agilizar o tratamento)
Proteinúria≥300 mg/24 h · relação proteína/creatinina ≥0,3 · fita 2+ (só se outros indisponíveis)
Sem proteinúria*HAS nova + qualquer: plaquetas <100.000/μL · creatinina >1,1 mg/dL (ou dobro do basal) · transaminases ≥2× · edema pulmonar · cefaleia persistente refratária ou distúrbio visual
Box 4 — Regimes na pré-eclâmpsia / eclâmpsiaSem diferença significativa de eficácia (ACOG)
AgenteDoseNotas
Labetalol10–20 mg IV; depois 20–80 mg a cada 10–30 min (máx 300) ou infusão 1–2 mg/minEvitar em asma, disfunção cardíaca, bradicardia
Hidralazina5–10 mg IV a cada 20–40 min (cumulativo máx 20 mg) ou infusão 0,5–10 mg/hRisco de hipotensão materna / alteração do BCF
Nifedipino IR10–20 mg VO; repetir em 20 min; depois a cada 2–6 h (máx 180 mg/dia)Pode causar taquicardia reflexa e cefaleia
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Raciocínio & crítica SAMUTI

Cadeia de raciocínio · graduação de evidência · incerteza calibrada

Fio condutor

Toda decisão se resolve por três variáveis: subtipo (isquêmico × hemorrágico), tempo (a janela em que a redução ainda muda o desfecho) e estado da autorregulação (intacta → tolera; perdida → dependente da CPP). Quem internaliza esse tripé não precisa decorar números soltos.

Pontos fortes

  • Síntese pragmática para a beira do leito, com tabelas de dose acionáveis.
  • Ênfase correta no perigo de tratar a PA antes da imagem (INTERACT4).
  • Reconhece honestamente onde a evidência é só consenso (PRES, SVCR).

Limitações

  • É revisão narrativa de emergencistas — não diretriz nem revisão sistemática. nível herdado dos estudos citados
  • Alvos baseados em ensaios neutros (INTERACT2, ATACH-II) viram recomendação prática.
  • Erros de digitação no original (faixa etária do TCE; "AGOG" por ACOG) — confira ao citar.

Aplicabilidade no Brasil — a crítica que muda a prática

As Box 1 e 4 assumem disponibilidade norte-americana. Nicardipino e clevidipino têm acesso limitado no SUS e em boa parte das UTIs brasileiras; o labetalol IV é de oferta irregular. Na prática local, esmolol, metoprolol, nitroprussiato e nitroglicerina são mais acessíveis — com a ressalva forte do nitroprussiato (risco de ↑PIC, evitar em lesão expansiva). A tenecteplase (TNK) já está incorporada. N4 ⚠️ Factual — disponibilidade varia por serviço

Confiança por cenário

Trombólise ≤185/110 · N5 🟢 Pré-eclâmpsia grave · N5 🟢 HIC 130–150 · N4 ⚠️ Não-reperfusão >220/120 · N4 ⚠️ TCE 110–150 · N4 ⚠️ TEV ≤180/105 · N3 ⚠️⚠️ AVC pré-imagem · N3 ⚠️⚠️ PRES ≤25% · N3 🔴 SVCR <160 · N3 🔴

Contexto na literatura e propostas de melhoria

Onde se encaixa. A revisão está alinhada às diretrizes vigentes: AHA/ASA 2019 (AVC isquêmico), AHA/ASA 2022 (HIC), ESO 2021 (PA no AVC), BTF 2017 (TCE) e ACOG 2020 (gravidez). O dado mais novo e clinicamente decisivo é o INTERACT4 (NEJM 2024), que transforma "evite tratar pré-imagem" de cautela teórica em recomendação baseada em dano demonstrado.

Lacunas que persistem

  • Alvo ótimo de PA após trombectomia — o BP-TARGET foi neutro e com baixa adesão.
  • Manejo pré-imagem — depende de identificar o subtipo no pré-hospitalar, ainda sem ferramenta confiável.
  • PRES e SVCR seguem órfãos de RCT — toda conduta é consenso.

Propostas de aplicação SAMUTI

  • POP de PA pré-trombólise com meta ≤185/110, checklist e gatilho de chamada ao neuro/farmácia.
  • Mapa de substituição de fármacos por disponibilidade local (nicardipino → alternativas), padronizado nas 4 unidades.
  • Protocolo de pré-eclâmpsia grave com indicador "porta-droga ≤30 min" e auditoria do tempo.
  • Bundle de HIC inspirado no INTERACT3 (PA <140 em 1 h + glicemia + reversão de anticoagulação + temperatura).

EducaçãoMaterial pronto para residência: o tripé subtipo–tempo–autorregulação rende uma aula de 50 min com caso clínico de cada cenário e um item de "dados insuficientes para concluir" (treino de humildade epistêmica, conforme o módulo XAI-UC).

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Referências (ABNT-BR)

Fonte primária + diretrizes e ensaios estruturantes citados. Use o botão para copiar a citação formatada.

WAGSTAFF, H.; LEDYARD, H. K. Blood pressure management in neurologic emergencies. Emergency Medicine Clinics of North America, v. 44, n. 1, p. 123-141, 2026. DOI: 10.1016/j.emc.2025.08.008.

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