POP-SAMUTI-FA-2026
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POP-SAMUTI-FA-2026

Protocolo & POP 📄 Resumo de estudo 🏥 UTI / Emergência
§ 01

Visão geral

SAMUTI - Serviço de Apoio Multiprofissional em Terapia Intensiva

PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO

Fibrilação Atrial na Doença Crítica — Manejo na UTI

Versão1.0 — Maio/2026
ElaboraçãoDr. Jackson Fuck (CRM-PR 21.518)
VigênciaMaio/2026 — Maio/2028 (revisão bienal)
Público-alvoMédicos, enfermeiros e farmacêuticos das UTIs SAMUTI
Referência principalSIBLEY et al. Atrial fibrillation in critical illness: state of the art. Intensive Care Med 51:904-916, 2025. DOI: 10.1007/s00134-025-07895-0

Orientar a equipe multiprofissional do SAMUTI sobre o reconhecimento, manejo agudo e seguimento da fibrilação atrial (FA) em pacientes críticos, incluindo FA de novo (NOAF) e FA pré-existente, visando reduzir mortalidade, eventos tromboembólicos e recidiva pós-alta hospitalar.

O protocolo aplica-se a pacientes adultos internados nas UTIs do SAMUTI com diagnóstico eletrocardiográfico de FA, independentemente da causa de internação. As recomendações são contextualizadas à doença crítica e diferem das diretrizes para FA ambulatorial.

PopulaçãoAplicação deste POPLimitação da evidência
Adultos (UTI Geral / Coronariana)Completa — NOAF e FA pré-existenteModerada (poucos ECRs, muitos retrospectivos)
Pacientes com sepse/choque sépticoAplicação prioritária (incidência até 46%)Moderada — evidência mais robusta
Pediatria (UTI Ped)NÃO se aplica — usar protocolo pediátrico específicoEvidência adulta não extrapolável
Neonatos (UTI Neo)NÃO se aplicaFisiopatologia distinta
Pós-operatório cardiotorácicoAplicação parcial — articular com cardiologiaExiste diretriz específica (POAF)

3.1 Definições operacionais

FA pré-existente: FA documentada antes da admissão hospitalar (prontuário ou histórico). Prevalência em UTI: 10–20%.

NOAF (New-Onset AF): FA diagnosticada na UTI em paciente sem registro prévio. Incidência: 5–15% (clínica/cirúrgica); até 46% em choque séptico.

FA "reversível": Desencadeada por gatilhos transitórios (sepse, distúrbio eletrolítico, hipovolemia) com resolução esperada após correção da causa.

FA "provocada": Substrato atrial anormal subjacente (remodelamento crônico, AE dilatado, disfunção diastólica) desmascarado por gatilhos arritmogênicos. Maior risco de recidiva pós-alta.

3.2 Fisiopatologia na doença crítica

Três mecanismos sobrepostos atuam no paciente crítico:

  • Remodelamento elétrico agudo reversível: IL-6 altera expressão de conexinas atriais, reduzindo o limiar para FA (mecanismo central na sepse).
  • Hiperatividade simpático-adrenérgica: catecolaminas endógenas (estresse) e exógenas (vasopressores) precipitam automaticidade focal.
  • Substrato preexistente: HAS, DM, obesidade, idade — geram fibrose atrial crônica que é desmascarada por gatilhos.
  • 3.3 Fatores de risco e gatilhos arritmogênicos

    Fatores do hospedeiro (não modificáveis na admissão)Gatilhos arritmogênicos (modificáveis na UTI)
    Idade avançadaInflamação sistêmica (sepse, SIRS)
    Sexo masculinoDistúrbios eletrolíticos (K⁺, Mg²⁺)
    ObesidadeHiperatividade simpática
    HAS, DM, DAC, ICC préviasDrogas vasoativas (epinefrina > norepi)
    Doença pulmonar crônicaHipotensão, hipoxemia, acidose
    Predisposição genéticaSobrecarga volêmica OU hipovolemia
    Alta gravidade (SAPS3, APACHE)Embolia pulmonar, IRA, anemia

    ⚠️  CONCEITO-CHAVE: A FA na UTI NÃO É um epifenômeno benigno. Está associada independentemente a aumento de mortalidade, AVC, insuficiência cardíaca e FA recorrente até 6 anos pós-alta hospitalar (Walkey 2014; Bedford 2022).

    REGRA FUNDAMENTAL (GRADE 1B): TODA FA na UTI exige busca ativa e correção de gatilhos reversíveis ANTES de qualquer estratégia farmacológica de controle de ritmo ou frequência. Em muitos casos, a correção dos gatilhos resulta em cardioversão espontânea.

    4.1 Checklist inicial obrigatório (primeiros 30 minutos)

    AvaliaçãoDetalhe operacional
    ECG 12 derivaçõesConfirmar diagnóstico; descartar IAM, BAV, pré-excitação
    Gasometria + lactatoAcidose? Hipoxemia? pH < 7,25?
    Eletrólitos (K, Mg, Ca, P)Reposição se K < 4,0 ou Mg < 2,0 mEq/L
    HemoglobinaAnemia significativa (< 8 g/dL) deve ser corrigida
    Função tireoidiana (TSH)Se primeiro episódio sem causa evidente
    Balanço hídrico das últimas 24hSobrecarga volêmica? Hipovolemia?
    Drogas vasoativas em cursoEpi/Norepi em dose alta? Considerar redução
    Ecocardiograma POCUSFE? AE? Disfunção diastólica? Trombo? Derrame?

    4.2 Decisão estratégica — estável vs. instável

    ⚡  Considerar instabilidade hemodinâmica ATRIBUÍDA À FA quando: PAS < 90 mmHg ou queda > 30 mmHg da basal, sinais de baixo débito (alteração da consciência, oligúria, lactato em ascensão, extremidades frias), congestão pulmonar aguda nova OU isquemia miocárdica.

    ⛔  NÃO TENTAR CARDIOVERSÃO (elétrica ou farmacológica) antes de buscar e corrigir gatilhos reversíveis em paciente estável. A taxa de sucesso é <30% e a recidiva é de 40–60% se a causa não for tratada (Kanji 2012; Shima 2021).

    SituaçãoMotivo / Conduta alternativa
    FE < 40% — evitar amiodarona EV em bolus rápidoRisco de depressão miocárdica; preferir infusão lenta ou digoxina
    FE < 40% — proibido vernakalant, BCC não-DHP, classe IC (propafenona)Depressores miocárdicos contraindicados em disfunção sistólica grave
    Anticoagulação rotineira nas primeiras 48h sem indicação claraAnálise pós-hoc AFTER-ICU (Sakuraya 2021): sem benefício, sem aumento de sangramento — reavaliar após estabilização
    Uso isolado de CHA₂DS₂-VASc em sépticoC-statistic 0,526 (Walkey 2016) — não discrimina adequadamente em críticos
    Pré-excitação ventricular conhecida (WPW)Evitar BCC, digoxina, amiodarona — risco de FV
    FA com FC <110 bpm estávelNão há indicação de controle rigoroso de FC se estável e assintomático

    6.1 Paciente HEMODINAMICAMENTE INSTÁVEL atribuído à FA

    Conduta de primeira linha (GRADE 1C): Cardioversão elétrica sincronizada (CVE) com 200J (bifásico) sob sedação. Considerar pré-tratamento com Mg 2g EV (Curran 2023).

    Importante:

  • Taxa de sucesso da CVE em críticos: <30% (vs. ambulatorial ~70%). Recidiva 40–60%. Em FA pré-existente, sucesso ainda menor (~25%).
  • SEMPRE corrigir K⁺ ≥ 4,0 e Mg²⁺ ≥ 2,0 antes da CVE.
  • Se múltiplas tentativas falharam, avaliar substrato com ecocardiograma e considerar mudança para estratégia de controle de frequência.
  • 6.2 Drogas para controle agudo — paciente INSTÁVEL

    DrogaDoseVantagemCuidado
    Amiodarona150–300 mg EV em 10 min → 1 mg/min por 6h → 0,5 mg/minMais usada; útil em FE↓; melhora com Mg IVLenta para FC; hipotensão; flebite; QT longo
    Landiolol1–10 µg/kg/min EV contínuoβ1-ultraseletivo; controle rápido SEM piorar PA (RCT Landi-SEP 2024)Disponibilidade limitada no Brasil; custo
    Esmolol500 µg/kg bolus → 50–200 µg/kg/minInício ultra-rápido (segundos); meia-vida curtaBradicardia, broncoespasmo em DPOC; cuidado em FE↓
    Digoxina0,25 mg EV 6/6h (até 3 doses) → 0,125 mg/diaNão-inferior à amiodarona para ritmo; útil em FE↓Janela estreita; toxicidade em IRA
    Propafenona2 mg/kg EV em 10 minEm séptico FE≥40% e AE não-dilatado (LAVI<40 mL/m²): RS 72,8% vs amio 67,3%; mortalidade 1 ano HR 0,6 (Balik 2023)CONTRAINDICADA em FE<40% e AE dilatado
    Sulfato de Mg2 g EV em 20 min (adjuvante)Melhora taxa de RS com amiodaronaHipotensão se infundido rápido

    💡  INSIGHT DO ARTIGO (Balik 2023, RCT): Em choque séptico com NOAF e FE preservada (>40%), a escolha entre amiodarona e propafenona depende do TAMANHO DO ÁTRIO ESQUERDO no eco POCUS:

  • LAVI < 40 mL/m² (AE NÃO dilatado): PROPAFENONA superior — maior RS em 24h (72,8% vs 67,3%), menor recidiva (52% vs 76%), menor mortalidade em 1 ano.
  • LAVI ≥ 40 mL/m² (AE DILATADO): AMIODARONA — controle de ritmo mais rápido; melhor mortalidade em 1 mês.
  • 6.3 Paciente HEMODINAMICAMENTE ESTÁVEL

    Conduta de primeira linha (GRADE 1B): Corrigir gatilhos reversíveis e observar 24–48h. Spontaneous cardioversion ocorre em significativa proporção (Kanji 2012; Bedford 2022).

    Se FC > 110 bpm sustentada e/ou sintomático:

    FE preservada (≥40%)DoseAlvoObservação
    Metoprolol EV2,5–5 mg em 2 min, repetir até 15 mgFC < 110 bpmPrimeira escolha em sepse estável — benefício de mortalidade (Qian 2021, MIMIC III: HR 0,59)
    Diltiazem EV0,25 mg/kg em 2 min → 5–15 mg/hFC < 110 bpmBom controle de FC; descontinuado >br>frequentemente por hipotensão
    FE reduzida (<40%)DoseAlvoObservação
    AmiodaronaComo em 6.2FC < 110 bpmPrimeira escolha; cuidado com hipotensão
    DigoxinaComo em 6.2FC < 110 bpmÚtil isolada ou associada à amiodarona

    6.4 Estratégia catecholamine-sparing — Prevenção de NOAF

    REGRA OPERACIONAL (GRADE 1B em sepse): Em choque séptico, adotar estratégia poupadora de catecolaminas para prevenir NOAF:

  • Meta de PAM 65–70 mmHg (NÃO 80–85 mmHg) — Asfar 2014: NOAF 2,8% vs 6,7% (P=0,02)
  • Considerar vasopressina 0,03 UI/min precocemente em choque refratário — Meta-análise McIntyre 2018: RR 0,77 (IC 0,67–0,88)
  • Evitar epinefrina como primeira escolha em paciente sem indicação cardiogênica
  • 6.5 Ecocardiografia POCUS — Indicação obrigatória

    AplicaçãoParâmetro a obterDecisão clínica
    Estratificação inicialFE, AE (LAVI ou área), disfunção diastólicaFE<40% → evitar BCC, classe IC, vernakalant
    Escolha do antiarrítmicoTamanho do AE (LAVI)LAVI<40 mL/m² → propafenona; LAVI≥40 → amiodarona
    Predição de recidiva pós-CVFE de esvaziamento AE em 4h< 38,4% → alta chance de recidiva
    Estratificação de tromboAE dilatado + FE↓ + sem IMRisco de até 20% — ETE antes de CV se FA >24h
    Avaliação volêmicaVCI, função RVHipovolemia ou sobrecarga — gatilho reversível

    6.6 Anticoagulação na UTI — abordagem individualizada

    ⚠️  ESCORES TRADICIONAIS TÊM BAIXA PERFORMANCE EM CRÍTICOS: CHA₂DS₂-VASc em sepse: C-statistic 0,526 (Walkey 2016) — praticamente sem discriminação. NÃO usar isoladamente para decidir AC em paciente crítico.

    Abordagem operacional sugerida:

    SituaçãoConduta sugerida
    FA com instabilidade hemodinâmicaFoco em CVE e tratamento da causa. Avaliar AC após estabilização (48–72h).
    NOAF nas primeiras 48h, sem trombo no ETENÃO anticoagular rotineiramente. Análise pós-hoc AFTER-ICU: sem benefício precoce (HR 0,77; IC 0,47–1,23).
    NOAF >48h sustentada + alto risco TEProfilaxia farmacológica de TEV padrão (HBPM) já cobre parcialmente. Discutir AC plena com cardiologia.
    FA pré-existente com AC oral em usoPonderar suspensão se risco hemorrágico alto; ponte com HBPM em casos selecionados.
    Pós-alta da UTI (sobreviventes com NOAF)Reavaliar em 2–4 semanas com cardiologia. Considerar DOAC sobre varfarina (Carnicelli 2022). 32% terão FA recorrente em 1 ano (Lancini 2023).

    6.7 Critérios para descontinuação do controle agudo / alta hospitalar

    CritérioDetalhe operacional
    Ritmo sinusal sustentado por ≥24hOU FC controlada (<110 bpm) em FA estável
    Causa de base controladaSepse resolvida, eletrólitos normais, vasopressor em desmame
    Sem necessidade de droga EVTransição para via oral viável
    Plano de seguimento estabelecidoCardiologia agendada em 2–4 semanas pós-alta
    Decisão sobre anticoagulação documentadaIniciada / suspensa / reavaliar ambulatorial — com justificativa
    Educação do paciente/familiarSinais de recidiva, importância do seguimento

    ✅  REGRA DE SEGURANÇA: Este POP orienta mas NÃO determina isoladamente. O médico assistente mantém a decisão final. Em caso de conflito entre critérios objetivos e deterioração clínica, PREVALECE A AVALIAÇÃO CLÍNICA À BEIRA-LEITO.

    6.8 Fluxograma operacional — síntese

    ETAPA 1 — DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO (0–30 min):

    → ECG 12 derivações + gasometria + eletrólitos + Hb + balanço hídrico + POCUS

    ETAPA 2 — CORREÇÃO DE GATILHOS (0–6h):

    → K ≥ 4,0 / Mg ≥ 2,0 / Hb ≥ 8 / pH > 7,25 / Vasopressor: reduzir epi-norepi, considerar vasopressina

    ETAPA 3 — DECISÃO ESTRATÉGICA:

    → INSTÁVEL: CVE 200J + droga adjuvante conforme FE e AE

    → ESTÁVEL: observar 24–48h; intervir se FC>110 sustentada ou sintomas

    ETAPA 4 — ESCOLHA DO ANTIARRÍTMICO:

    → FE≥40% + AE não dilatado: PROPAFENONA

    → FE≥40% + AE dilatado: AMIODARONA

    → FE<40%: AMIODARONA ou DIGOXINA

    ETAPA 5 — DECISÃO DE AC:

    → Adiar AC plena nas primeiras 48h salvo indicação clara

    → Não usar CHA₂DS₂-VASc isoladamente

    → Reavaliar com cardiologia em 2–4 sem pós-alta

    ETAPA 6 — SEGUIMENTO PÓS-UTI:

    → Documentar burden de FA no resumo de alta

    → Encaminhamento à cardiologia para reavaliação de AC e ECG/Holter

    → Educação sobre risco de recidiva (32% em 1 ano)

    7.1 Pacientes com choque séptico

    Surviving Sepsis Campaign + Sibley 2025: Choque séptico é o cenário de maior incidência de NOAF (até 46%). Aplicar prioritariamente estratégia catecholamine-sparing (PAM 65-70 mmHg + vasopressina precoce). RCT Landi-SEP (Rehberg 2024) demonstrou que landiolol é eficaz e seguro em choque séptico com FA.

    7.2 Pacientes com FE reduzida (<40%)

    ⚠️  Restrições farmacológicas: EVITAR vernakalant, BCC não-DHP (verapamil/diltiazem), classe IC (propafenona). PREFERIR amiodarona ou digoxina. β-bloqueio com cautela e em pacientes compensados.

    7.3 Pós-operatório cardíaco (POAF)

    FA pós-operatória após cirurgia cardíaca é entidade clínica distinta com protocolos próprios. Articular com equipe de cirurgia cardíaca/cardiologia. Sobre reposição de potássio: TIGHT-K trial (O'Brien 2024) demonstrou que repor K se < 3,5 mEq/L é não-inferior a repor se < 4,5 mEq/L para prevenção de POAF — evitar reposição agressiva.

    7.4 Casos especiais por co-morbidade

    SituaçãoRecomendação específica
    DPOC com FA + IRpAEvitar β-bloqueio não-seletivo; preferir landiolol/esmolol (β1-seletivo) ou amiodarona
    IRA dialíticaAtenção à dose de digoxina (clearance renal); preferir amiodarona
    TEP com FA agudaTratar o TEP é prioridade — anticoagulação plena pelo TEP cobre risco de TE da FA
    Pré-excitação ventricular (WPW)CONTRAINDICADOS: BCC, digoxina, amiodarona (FA com via acessória → risco de FV). CVE como primeira escolha.
    HipertireoidismoTratar tireotoxicose é fundamental; β-bloqueio para sintomas. AC mesmo com CHA₂DS₂-VASc baixo (substrato pró-trombótico específico).

    8.1 Requisitos institucionais

  • Ecocardiograma POCUS disponível 24/7 em todas as UTIs SAMUTI (treinamento da equipe assistente)
  • Disponibilidade de amiodarona, β-bloqueador EV (metoprolol/esmolol), digoxina, sulfato de magnésio, vasopressina
  • Considerar incorporação de landiolol no arsenal terapêutico (avaliar custo-efetividade local)
  • Protocolo de notificação para cardiologia em todos os casos de NOAF para discussão e seguimento
  • Treinamento da equipe de enfermagem para reconhecimento eletrocardiográfico e monitorização específica
  • Integração com Comissão de Auditoria Médica para validação de CID-10 (I48.0–I48.91) no resumo de alta
  • 8.2 Registro padronizado em prontuário

    REGISTRO PADRÃO — Fibrilação Atrial na UTI:

    Tipo: □ NOAF  □ FA pré-existente   |   Início: ___/___/_____  ____h____

    FC máxima: _____ bpm   |   PAS no momento: _____ mmHg   |   Estado: □ Estável  □ Instável

    Gatilhos identificados: □ Sepse  □ Distúrbio K/Mg  □ Hipovolemia  □ Sobrecarga  □ Vasopressor alto  □ Outro: _______

    POCUS realizado: □ Sim  □ Não   |   FE: ___ %   |   LAVI: ___ mL/m²   |   Trombo: □ Não  □ Sim  □ Não avaliado

    Conduta: □ Observação  □ CVE  □ Antiarrítmico: _______  □ Controle de FC com: _______

    Anticoagulação: □ Não indicada agora  □ Iniciada com: _______  □ Mantida (uso prévio)  □ Reavaliar pós-alta

    Plano de seguimento: □ Cardiologia em ___ semanas  □ Holter pós-alta  □ Eco ambulatorial

    Nota: Conforme CFM 2.314/2022 e LGPD Art. 11. Pseudonimizar ao exportar.

    8.3 Interface com outros POPs SAMUTI

  • POP-SAMUTI-SEPSE — manejo do choque séptico e prevenção de NOAF (catecholamine-sparing)
  • POP-SAMUTI-VM — em paciente com FA + IRpA, considerar otimização ventilatória
  • POP-SAMUTI-PCT — biomarcador útil em FA associada à sepse para guiar descontinuação ATB
  • POP-SAMUTI-TEP — manejo de FA aguda associada à embolia pulmonar
  • RecomendaçãoForçaCertezaFonte principal
    Buscar e corrigir gatilhos reversíveis (eletrólitos, volume, hipoxemia, sepse) ANTES de cardioversão1BSibley 2025 (revisão); Kanji 2012
    Catecholamine-sparing em sepse: PAM-alvo 65-70 mmHg1BAsfar 2014 (NEJM, RCT)
    Vasopressina + catecolamina vs catecolamina isolada em choque distributivo: reduz NOAF1BMcIntyre 2018 (JAMA, meta-análise)
    CVE em FA com instabilidade hemodinâmica atribuída à arritmia1CESC 2024; Sibley 2025
    β-bloqueio em FA estável com FE preservada — melhor mortalidade2BQian 2021 (MIMIC III)
    Landiolol para controle de FC em choque séptico com FA2BRehberg 2024 (Landi-SEP RCT)
    Propafenona vs amiodarona em séptico FE≥40% e AE não-dilatado2BBalik 2023 (RCT)
    Mg adjuvante para melhorar taxa de RS2CCurran 2023 (meta-análise)
    NÃO anticoagular rotineiramente nas primeiras 48h de NOAF2CSakuraya 2021 (AFTER-ICU post-hoc)
    NÃO usar CHA₂DS₂-VASc isoladamente em séptico1BWalkey 2016
    DOAC preferível a varfarina em sobreviventes (uso ambulatorial)2BCarnicelli 2022 (meta-análise individual)
    Encaminhar sobreviventes com NOAF para seguimento cardiológico1CLancini 2023; Sibley 2025

    Legenda GRADE: Força — 1=Forte, 2=Fraca/Condicional | Certeza — A=Alta, B=Moderada, C=Baixa, D=Muito baixa

    IndicadorFórmulaMetaPeriodicidade
    Adesão ao registro padronizado de FANº casos com registro completo / total FA × 100≥ 90%Mensal
    POCUS realizado em todo caso de NOAFNº NOAF com POCUS / total NOAF × 100≥ 80%Mensal
    Documentação de gatilhos identificadosNº casos com gatilhos documentados / total × 100≥ 95%Mensal
    Incidência de NOAF na UTINº NOAF / total internações × 100Monitorar tendênciaTrimestral
    Encaminhamento à cardiologia pós-altaNº NOAF com encaminhamento / sobreviventes × 100≥ 90%Mensal
    Eventos tromboembólicos em 30 diasNº eventos / NOAF × 100< 5%Trimestral
    Mortalidade hospitalar em FANº óbitos com FA / total FA × 100Benchmarking internoTrimestral

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    VersãoDescrição da alteraçãoResponsávelData
    1.0Elaboração inicial baseada em Sibley et al. 2025 (Intensive Care Med)Dr. Jackson FuckMaio/2026
    Base LegalReferência
    Dados sensíveis de saúdeLGPD Art. 11 — pseudonimização obrigatória ao exportar
    Prontuário eletrônicoResolução CFM 2.314/2022
    Segurança do pacienteANVISA RDC 7/2010
    Prescrição médica e responsabilidadeCódigo de Ética Médica (CFM 2.217/2018)
    Auditoria médica e codificaçãoCID-10: I48.0 (FA paroxística), I48.1 (FA persistente), I48.2 (FA crônica), I48.91 (FA não especificada)
    Dr. Jackson Fuck CRM-PR 21.518 Médico IntensivistaCoordenador SAMUTI Professor Coordenador UNIPARElaborado por IA-assistida Claude (Anthropic) — claude-sonnet-4-6 Baseado em PubMed + Guidelines atuais Conteúdo revisado e aprovado pelo autor

    POP-SAMUTI-FA-2026 | v1.0 | Maio/2026 | Confidencial — uso interno SAMUTI/UNIPAR

    Refs

    Referências

    Conteúdo migrado do Central de Estudos (Blog Dr. Jackson Fuck, Notion).