Procedimento Operacional Padrão (POP) para Manejo
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Procedimento Operacional Padrão (POP) para Manejo da Fibrila

Protocolo & POP 📄 Resumo de estudo 🏥 UTI / Emergência
§ 01

Visão geral

  • Objetivo
  • Padronizar a abordagem da fibrilação atrial (FA) em pacientes críticos, desde a identificação, manejo agudo, até o seguimento pós-UTI, incluindo doses de fármacos e decisões clínicas baseadas em função cardíaca, estabilidade hemodinâmica e risco tromboembólico.

  • Público-alvo
  • Pacientes adultos internados em UTI com FA pré-existente ou de início recente (NOAF).

  • Diagnóstico e Avaliação Inicial
  • Monitorização contínua do ritmo cardíaco.
  • Avaliação rápida de fatores precipitantes e causas reversíveis: sepse, distúrbios hidroeletrolíticos (especialmente K+ e Mg2+), sobrecarga/hipovolemia, uso de catecolaminas, insuficiência renal, insuficiência respiratória aguda, embolia pulmonar, pós-operatório etc.
  • Laboratorial: Eletrólitos, função renal, gasometria, lactato, biomarcadores cardíacos.
  • Ecocardiografia à beira-leito: Avaliar FEVE, diâmetro do átrio esquerdo, função diastólica e exclusão de trombos.
  • Estratificação de Estabilidade Hemodinâmica
  • Instável: Hipotensão refratária, choque, baixo débito, isquemia miocárdica, insuficiência cardíaca aguda, deterioração do nível de consciência.
  • Estável: Sem os critérios acima.
  • Manejo Terapêutico:
  • 5.1. Pacientes Hemodinamicamente Instáveis

  • Cardioversão elétrica sincronizada (preferencial, 100-200 J bifásico).
  • Repetir se necessário.
  • Se refratário ou recorrente:
  • Amiodarona IV: Dose de ataque: 150 mg IV em 10-20 minutos; seguido por infusão contínua: 1 mg/min por 6 horas, depois 0,5 mg/min por até 18 horas.
  • Magnésio IV: 2-4 g IV em 30-60 minutos, especialmente se hipomagnesemia ou uso de amiodarona.
  • Digoxina IV: 0,25-0,5 mg IV em 5 minutos; repetir 0,25 mg IV a cada 4-6 h até dose total máxima de 1,5 mg.
  • Betabloqueadores ultrarrápidos (preferir em paciente séptico ou com necessidade de resposta rápida):
  • Esmolol: Bolus: 0,5 mg/kg IV em 1 min; infusão: 50-200 mcg/kg/min, ajustar conforme resposta.
  • Landiolol: Bolus: 0,1 mg/kg IV (opcional); infusão: 1-10 mcg/kg/min.
  • Propafenona IV: detalhada no tópico abaixo.
  • 5.2. Pacientes Hemodinamicamente Estáveis

  • Correção das causas reversíveis (primeiras 24-48h podem aguardar reversão espontânea após correção de fatores desencadeantes).
  • Controle da frequência ventricular:
  • Betabloqueadores:
  • Metoprolol: 2,5-5 mg IV a cada 5 min até máximo 15 mg.
  • Esmolol: conforme acima.
  • Landiolol: conforme acima.
  • Bloqueadores de canais de cálcio (em FEVE >40%):
  • Diltiazem: 0,25 mg/kg IV em 2 min, repetir 0,35 mg/kg após 15 min se necessário; infusão de manutenção 5-15 mg/h.
  • Verapamil: 5-10 mg IV em 2 min, pode repetir após 30 min.
  • Digoxina: conforme acima (especialmente se disfunção ventricular ou hipotensão).
  • Amiodarona IV: conforme acima.
  • Cardioversão farmacológica:
  • Indicação em FA refratária ou sintomas persistentes.
  • Amiodarona: conforme acima.
  • Propafenona (ver tópico específico).
  • 5.3. Propafenona: Indicações, Dose e Detalhamento

    A propafenona é um antiarrítmico da classe 1C com uso restrito a pacientes com função ventricular preservada, sem doença estrutural cardíaca relevante e átrio esquerdo não dilatado. Evidências recentes (citadas no artigo-base) sugerem eficácia superior à amiodarona para cardioversão e menor recorrência em pacientes com NOAF e função cardíaca preservada.

  • Indicação: NOAF em paciente estável, com FEVE >40%, sem cardiopatia estrutural, sem história de infarto/IC grave, átrio esquerdo <40 mL/m².
  • Dose IV: Propafenona: 2 mg/kg em 10 minutos, podendo repetir dose em até 6 horas se não houver conversão (dose máxima total de 4 mg/kg em 24h).
  • Dose oral: 450-600 mg VO dose única, alternativa se não tiver disponível via IV.
  • Monitorização rigorosa: ECG contínuo devido ao risco de arritmias ventriculares, bloqueios de condução e hipotensão. Contraindicada em pacientes com distúrbios graves de condução, doença estrutural cardíaca importante ou IC descompensada.
  • Resumo dos resultados (estudo destacado no artigo):

  • Cardioversão: propafenona 72,8% x amiodarona 67,3% em 24h.
  • Tempo médio para reversão: propafenona 3,7h x amiodarona 7,3h.
  • Menor recorrência e benefício em sobrevida de 1 ano para propafenona em átrios não dilatados.
  • Em átrios dilatados, amiodarona é preferível.
  • 5.4. Alvo de Frequência Cardíaca

  • Geralmente <110 bpm, ajustando conforme tolerância hemodinâmica e débito cardíaco.
  • Anticoagulação
  • Avaliação individualizada.
  • Não há recomendação formal para anticoagulação durante a fase aguda da FA na UTI.
  • Iniciar após estabilização se risco tromboembólico justificar (após avaliação hemorrágica).
  • Preferir DOACs após alta se não houver contraindicação (ainda sem robustez de dados para fase aguda).
  • Seguimento e Prevenção Secundária
  • Registrar episódio no prontuário.
  • Encaminhar para seguimento cardiológico em até 30 dias.
  • Educar paciente/família sobre recorrência, sinais de alerta e importância do controle dos fatores de risco cardiovasculares.
  • Fluxograma Detalhado para Manejo da Fibrilação Atrial na UTI

    Referência Bibliográfica (ABNT):

    SIBLEY, Stephanie et al. Atrial fibrillation in critical illness: state of the art. Intensive Care Medicine, v. 51, n. 5, p. 1-18, 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s00134-025-07895-0.

    Refs

    Referências