PROTOCOLO CLÍNICO - INDICAÇÕES DE TOMOGRAFIA COMPU
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PROTOCOLO CLÍNICO - INDICAÇÕES DE TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA

Protocolo & POP 📄 Resumo de estudo 🏥 UTI / Emergência
§ 01

Visão geral

Versão:1.0 - Novembro/2025Código:PROT-IMG-001
Elaborador:Dr. Eder Abelha FlavioCRM: 42907RQE 37954
Especialidade:Médico EmergencistaRevisão:Maio/2026
Público-alvo:Médicos do Pronto AtendimentoTipo:Protocolo Clínico

1. OBJETIVO E APLICABILIDADE

Finalidade: Estabelecer critérios objetivos para solicitação racional de exames tomográficos no contexto de urgência e emergência, baseados em diretrizes nacionais e internacionais reconhecidas.

  • Decisão sobre solicitação de TC em qualquer topografia no contexto de urgência/emergência
  • Priorização de exames quando há fila de espera ou limitação de acesso ao tomógrafo
  • Definição de protocolo adequado (com ou sem contraste endovenoso)
  • Orientação sobre alternativas diagnósticas disponíveis (radiografia simples, ultrassonografia)
  • Não substitui discussão com médico radiologista ou coordenador em casos atípicos ou de alta complexidade
  • Não se aplica a protocolos altamente especializados (angioTC coronariana, TC cardíaca para escore de cálcio)
  • Gestantes: avaliar individualmente relação risco-benefício com médico supervisor
  • Fundamentação Científica: Este protocolo foi elaborado com base nas seguintes diretrizes: ACR Appropriateness Criteria 2024, Choosing Wisely Initiative 2023, ATLS 10ª edição, Colégio Brasileiro de Radiologia 2023, e consensos das sociedades brasileiras de especialidades médicas.

  • Crianças menores de 2 anos: sempre considerar alternativas sem radiação ionizante (USG, RM) como primeira opção
  • 2. INDICAÇÕES ABSOLUTAS - REALIZAR TC IMEDIATAMENTE

    As seguintes condições clínicas requerem realização de tomografia computadorizada em caráter EMERGENCIAL (tempo-alvo: menos de 30 minutos da indicação). Estes exames devem ser priorizados sobre outros procedimentos não vitais.

  • Indicações Neurológicas
  • Tabela 2.1 - Indicações Neurológicas de TC de Crânio Emergencial

    Situação ClínicaProtocolo TCJustificativa Clínica e Conduta
    Traumatismo cranioencefálico com Glasgow < 13 ou deterioração neurológica progressivaTC de crânio SEM contrasteIdentificação de hematomas (epidural, subdural, intraparenquimatoso), edema cerebral, fraturas de crânio, desvio de linha média. Tempo-dependente para decisão neurocirúrgica de drenagem ou craniotomia descompressiva.
    Suspeita de AVC isquêmico com menos de 4,5 horas do início dos sintomasTC de crânio SEM contraste (+ AngioTC se disponível)Janela terapêutica para trombólise endovenosa (rtPA). TC exclui hemorragia antes de administrar trombolítico. AngioTC identifica oclusão arterial para indicação de trombectomia mecânica.
    Cefaleia súbita de forte intensidade ("pior cefaleia da vida") com ou sem rigidez nucalTC de crânio SEM contrasteSensibilidade de 98% para hemorragia subaracnóidea (HSA) nas primeiras 6 horas do início dos sintomas. Se TC normal e suspeita clínica persiste: realizar punção lombar para pesquisa de xantocromia.
    Déficit neurológico focal de início agudo sem diagnóstico clínico claroTC de crânio SEM contrasteDiagnóstico diferencial entre AVC isquêmico, AVC hemorrágico, massa ocupando espaço, abscesso cerebral. Orienta conduta terapêutica específica (anticoagulação, cirurgia, antibiótico).
    Primeira crise convulsiva em adulto com alteração neurológica persistenteTC de crânio SEM contrasteIdentificar lesão estrutural causadora: tumor cerebral primário ou metástase, malformação arteriovenosa, sangramento agudo ou sequela hemorrágica, calcificações patológicas, sequela de AVC prévio.
    Sinais de hipertensão intracraniana: papiledema, vômitos em jato, bradicardia, alterações pupilaresTC de crânio SEM contrasteEmergência neurocirúrgica. Avaliar hidrocefalia obstrutiva ou comunicante, massa expansiva, edema cerebral difuso. Pode necessitar derivação ventricular externa (DVE) urgente ou craniotomia descompressiva.
  • Indicações Torácicas
  • Tabela 2.2 - Indicações Torácicas de TC Emergencial

    Situação ClínicaProtocolo TCJustificativa Clínica e Conduta
    Suspeita clínica de dissecção aórtica: dor torácica "em rasgar/facada", assimetria de pulsos, sopro de insuficiência aórtica, diferença de PA entre membrosAngioTC de tórax COM contraste EVSensibilidade >95% e especificidade >95%. Emergência cirúrgica se tipo A de Stanford (aorta ascendente). Define extensão da dissecção, acometimento de ramos (coronárias, carótidas, renais, mesentéricas). Guia conduta: cirurgia urgente vs tratamento clínico.
    Trauma torácico penetrante ou contuso grave com instabilidade hemodinâmica ou suspeita de lesão de grande vasoTC de tórax COM contraste EV (protocolo trauma)Avalia lesões vasculares (ruptura traumática de aorta, lesão de grandes vasos), ruptura traqueobrônquica, hemo/pneumotórax volumoso, contusão pulmonar extensa, lesões de esôfago, mediastino. Define necessidade de toracotomia.
    Avaliação de pneumotórax pós-drenagem torácicaTC de tórax SEM contrasteAvalia a reexpansão pulmonar, o adequado posicionamento do dreno torácico, a presença de loculações, pneumotórax residual, bolhas ou fístulas broncopleurais.
  • Indicações Abdominais
  • Tabela 2.3 - Indicações Abdominais de TC Emergencial

    Situação ClínicaProtocolo TCJustificativa Clínica e Conduta
    Abdome agudo com sinais de peritonite difusa e instabilidade hemodinâmica (se TC não atrasar indicação cirúrgica)TC abdome/pelve COM contraste EVDefine causa cirúrgica (perfuração de víscera oca, isquemia intestinal, abscesso intra-abdominal), extensão da contaminação peritoneal, presença de líquido livre. Sensibilidade >95% para causas cirúrgicas. Orienta laparotomia exploradora vs laparoscopia.
    Trauma abdominal fechado com FAST positivo ou mecanismo de alta energia (capotamento, atropelamento, queda >3 metros)TC abdome/pelve COM contraste EV (protocolo trauma bifásico)Gradua lesões de órgãos sólidos (fígado, baço, rins) segundo escala AAST. Identifica sangramento ativo (blush de contraste), lesões viscerais (intestino, pâncreas, diafragma). Define conduta: observação clínica vs embolização radiológica vs cirurgia.
    Aneurisma de aorta abdominal roto - suspeita clínica: dor abdominal/lombar súbita + massa pulsátil + hipotensão/choqueTC abdome COM contraste EVConfirma diagnóstico de ruptura (hematoma retroperitoneal, extravasamento ativo de contraste). Define anatomia vascular, extensão do aneurisma, acometimento de ramos arteriais. Planejamento cirúrgico urgente (cirurgia aberta vs endovascular EVAR).
    Obstrução intestinal aguda com sinais clínicos/laboratoriais de isquemia (lactato >2,5 mmol/L, acidose metabólica, peritonite, febre)TC abdome/pelve COM contraste EVIdentifica alça isquêmica (pneumatose intestinal, falta de realce parietal, gás na veia porta mesentérica), define nível e causa obstrutiva (aderência, hérnia encarcerada, volvo, tumor). Indica cirurgia urgente se isquemia confirmada.

    3. INDICAÇÕES POR TOPOGRAFIA ANATÔMICA

  • Tomografia de Crânio
  • § 02

    3.1.1 Indicações Fortes (Solicitar o exame)

  • Traumatismo cranioencefálico (TCE) com critérios de New Orleans ou Regra Canadense:
  • Critérios NOC: cefaleia, vômitos ³2x, idade >60 anos, intoxicação, amnésia >30 min, trauma acima das clavículas, convulsão pós-traumática. Regra Canadense: Glasgow <15 após 2h, fratura de crânio, vômitos ³2x, idade ³65 anos.

    § 03

    Cefaleia súbita de forte intensidade (thunderclap headache):

    Sensibilidade 98% para HSA nas primeiras 6h. Se TC normal e alta suspeita: punção lombar.

    § 04

    Alteração do nível de consciência sem causa aparente:

    Avaliar AVC, hemorragia, hidrocefalia, massa expansiva, edema cerebral.

    § 05

    Primeira crise convulsiva em adulto (pode aguardar estabilização):

    10-15% apresentam lesão estrutural (tumor, malformação, sequela de AVC).

    § 06

    Cefaleia com sinais de alerta:

    Início após 50 anos, padrão progressivo, papiledema, déficit focal, febre + rigidez nucal.

    § 07

    3.1.2 Indicações Moderadas (Avaliar individualmente)

  • TCE leve (Glasgow 15) sem critérios de risco: observação clínica pode ser suficiente
  • Cefaleia crônica sem mudança de padrão: investigação ambulatorial
  • Tontura isolada sem déficit focal: investigar causas periféricas primeiro
  • Síncope sem TCE e exame neurológico normal: TC raramente indicada
  • § 08

    3.1.3 Contraindicações Relativas (NÃO solicitar)

  • Cefaleia tensional ou enxaqueca típica sem sinais de alerta
  • TCE mínimo (Glasgow 15, sem perda de consciência, sem amnésia, mecanismo leve)
  • Síncope vasovagal típica com recuperação completa
  • Tontura crônica sem novos sintomas
  • § 09

    3.2.1 Indicações Fortes

  • Suspeita de TEP com Wells ³4 ou Geneva >5:
  • AngioTC é padrão-ouro (sensibilidade 96%, especificidade 95%). Sempre aplicar escores pré-teste.

    Considerações:

  • Em pacientes de baixo risco que não apresentem resultado negativo no teste PERC, o médico deve considerar a dosagem de dímero-D para avaliação complementar.
  • Se o dímero-D for negativo e a avaliação clínica indicar uma probabilidade pré-teste inferior a 15%, o paciente não necessita de exames adicionais para embolia pulmonar.
  • Caso o dímero-D seja positivo, devem ser realizados exames adicionais, como uma angiotomografia computadorizada
  • § 10

    Dissecção aórtica (dor 'em facada/rasgando', assimetria de pulsos):

    Sensibilidade >95%. Define tipo Stanford e orienta conduta.

    § 11

    Pneumotórax: se RX inconclusivo ou antes de drenagem >20%:

    Quantifica volume, identifica bolhas, pneumotórax loculado.

    § 12

    Trauma torácico moderado/grave:

    Avalia lesões vasculares, ruptura aórtica, lesões traqueobrônquicas.

    § 13

    Hemoptise volumosa (>200ml/24h):

    Localiza sangramento, avalia parênquima (bronquiectasias, neoplasia).

    § 14

    Derrame pleural com suspeita de empiema:

    Define loculações, espessamento pleural, melhor sítio para drenagem.

    § 15

    3.2.2 Contraindicações Relativas (NÃO solicitar)

  • Pneumonia não complicada com RX confirmando diagnóstico
  • Bronquite aguda ou exacerbação leve de DPOC
  • Trauma torácico mínimo com RX normal e estabilidade hemodinâmica
  • Dor torácica atípica com ECG, troponina e RX normais
  • § 16

    3.3.1 Indicações Fortes

  • Abdome agudo com peritonite ou instabilidade:
  • Sensibilidade 95% para causas cirúrgicas. Orienta conduta.

    § 17

    Apendicite atípica (USG inconclusivo, obesidade, gestante 2º/3º trimestre):

    Sensibilidade >95%, especificidade 94%. Evita laparotomias negativas.

    § 18

    Diverticulite aguda:

    Confirma diagnóstico, estadeia Hinchey, orienta tratamento clínico vs cirúrgico.

    § 19

    Colecistite complicada ou colangite:

    Avalia abscesso, perfuração, coledocolitíase.

    § 20

    Pancreatite aguda grave:

    Critérios de Balthazar, necrose, coleções.

    § 21

    Trauma abdominal com FAST positivo:

    Gradua lesões de órgãos sólidos (escala AAST), identifica sangramento ativo.

    § 22

    Obstrução intestinal com suspeita de isquemia:

    Define nível, causa, sinais de isquemia (pneumatose, falta de realce).

    § 23

    Urolitíase complicada (dor refratária, IRA, infecção, rim único):

    TC sem contraste é padrão-ouro. Identifica cálculos radiotransparentes.

    4. PROTOCOLO DE CONTRASTE ENDOVENOSO

  • Processos infecciosos/inflamatórios (apendicite, diverticulite, abscessos)
  • Avaliação vascular (dissecção, aneurisma, TEP, trauma vascular)
  • Caracterização de massas e tumores
  • Pancreatite aguda (avaliar necrose)
  • Trauma de tórax/abdome (protocolo bifásico)
  • Cálculo renal/ureteral (TC sem contraste é padrão-ouro)
  • TCE ou AVC isquêmico agudo
  • Hemorragias (sangue já é hiperdenso)
  • Contraindicação absoluta ao contraste
  • Contraindicações e Precauções ao Contraste Iodado
  • Tabela 4.1 - Contraindicações e Precauções ao Uso de Contraste Iodado

    Situação ClínicaNível de RiscoConduta Recomendada e Cuidados
    Alergia prévia documentada ao contraste iodadoALTOContraindicação relativa. Primeira opção: avaliar alternativa diagnóstica (RM sem contraste, USG). Se TC com contraste for absolutamente imprescindível: pré-medicação com corticoide (prednisona 50mg VO) + anti-histamínico (difenidramina 50mg VO/EV) 12h antes e 2h antes do exame. Manter observação por 1h após contraste.
    TFG <30 ml/min/1,73m² ou creatinina sérica >2,0 mg/dL (doença renal crônica grave)ALTOAlto risco de nefropatia induzida por contraste. Avaliar criteriosamente se benefício supera risco. Se TC com contraste for essencial: hidratação vigorosa (SF 0,9% 1ml/kg/h iniciando 12h antes e mantendo 12h após), usar menor volume possível de contraste. Reavaliar função renal 48-72h após.
    TFG entre 30-60 ml/min/1,73m² (doença renal crônica moderada)MODERADORisco moderado de nefropatia. Hidratar adequadamente (SF 0,9% 1ml/kg/h por 6-12h antes e após). Usar protocolo de baixo volume de contraste. Evitar anti-inflamatórios e outros nefrotóxicos. Reavaliar função renal 48-72h após.
    Uso de metformina em paciente diabético + TFG <60MODERADORisco de acidose láctica. Suspender metformina imediatamente após contraste por no mínimo 48h. Só reintroduzir após reavaliar função renal e confirmar que não houve piora. Manter hidratação adequada. Orientar paciente sobre sinais de acidose láctica.
    Mieloma múltiplo, gamopatia monoclonal ou macroglobulinemia de WaldenströmMODERADORisco aumentado de nefropatia por precipitação de proteínas. Hidratação vigorosa obrigatória (SF 0,9% 1-1,5ml/kg/h por 12h antes e após). Evitar diuréticos. Monitorar função renal e eletrólitos.
    Hipertireoidismo não controlado ou tireotoxicoseBAIXO-MODERAD ORisco de desencadear crise tireotóxica (tempestade tireoidiana) pela carga de iodo. Se não for emergência vital: adiar TC até controle do hipertireoidismo. Se imprescindível: discutir com endocrinologista, considerar profilaxia com betabloqueador e corticoide.
    Gravidez (qualquer trimestre)BAIXOContraste iodado cruza barreira placentária, mas risco fetal documentado é baixo. Avaliar cuidadosamente risco-benefício. Preferir RM sem contraste quando possível. Se TC com contraste for necessária: não contraindicar se benefício materno justificar (ex: embolia pulmonar, apendicite complicada). Documentar discussão de risco-benefício. Não há necessidade de suspender amamentação.
  • Checklist Obrigatório Pré-Contraste (documentar no prontuário)
  • Creatinina recente verificada (<7 dias se estável, <24h se grave)
  • Questionado histórico de alergia a contraste iodado
  • Verificado uso de metformina (orientar suspensão por 48h se TFG <60)
  • Confirmado jejum (ideal 4h, não obrigatório em emergência)
  • Prescrita hidratação venosa (SF 0,9% 1ml/kg/h antes/após)
  • Documentada avaliação risco-benefício se contraindicação relativa
  • 5. CRITÉRIOS DE PRIORIZAÇÃO DOS EXAMES

    Em situações de alta demanda ou fila de espera para realização de TC, utilizar os seguintes critérios:

    PrioridadeTempo-AlvoSituações Clínicas Específicas
    EMERGÊNCIA (Vermelho)Imediato (<30 min)• TCE grave (Glasgow £13) ou deterioração neurológica progressiva • AVC agudo <4,5h do início (janela terapêutica para trombólise) • Cefaleia súbita intensa com suspeita de hemorragia subaracnóidea • Abdome agudo com sinais de peritonite e instabilidade hemodinâmica • Trauma com forte suspeita de lesão vascular (dissecção, ruptura aórtica) • Dissecção aórtica confirmada ou altamente suspeita • Obstrução intestinal com sinais clínicos/laboratoriais de isquemia mesentérica • Aneurisma de aorta abdominal roto
    URGÊNCIA (Laranja)2-4 horas• TCE moderado (Glasgow 14-15) com pelo menos um critério de risco (New Orleans/Canadense) • TEP com instabilidade hemodinâmica, hipoxemia grave ou sinais de disfunção de VD • Apendicite aguda complicada (abscesso, perfuração suspeita) • Diverticulite aguda complicada (abscesso, perfuração, fístula) • Pancreatite aguda grave (Ranson ³3, APACHE ³8, sinais de necrose) • Trauma raquimedular sem déficit neurológico imediato mas com dor/mecanismo significativo • Urolitíase complicada (infecção associada, IRA obstrutiva, dor refratária, rim único) • Colecistite aguda complicada ou colangite
    URGÊNCIA RELATIVA (Amarelo)6-12 horas (mesmo dia)• Primeira crise convulsiva em adulto (paciente já estabilizado neurologicamente) • Pneumonia complicada (derrame pleural, suspeita de abscesso, falta de resposta a antibiótico) • Lombalgia com ciatalgia mas sem déficit motor ou síndrome de cauda equina • Investigação de massa ou tumor sem sinais de complicação aguda • Trauma com dor persistente mas paciente hemodinamicamente estável • Febre de origem indeterminada em paciente grave sem foco definido
    ELETIVO (Verde)Pode agendar• Seguimento ambulatorial de achados crônicos previamente conhecidos • Investigação de sintomas crônicos estáveis sem piora aguda recente • Controle pós-tratamento sem sinais ou sintomas de complicação • Rastreamento ou check-up (não indicado em emergência)

    6. ALTERNATIVAS DIAGNÓSTICAS À TOMOGRAFIA

    Antes de solicitar TC, considerar se outros métodos de imagem podem responder à questão clínica com menor custo, menor radiação ou maior rapidez:

  • Gestante com apendicite (1º trimestre): USG ® RM se inconclusivo - Evita radiação. RM sensibilidade >90%
  • Criança com apendicite: USG primeira escolha - Menor radiação, boa acurácia
  • Colecistite/colelitíase: USG de abdome - Sensibilidade >95% para cálculos
  • Suspeita de TVP: USG Doppler venoso - Sem radiação, sens. 95%
  • Trauma abdominal ESTÁVEL: FAST ® TC se positivo -> Se negativo considerar a necessidade
  • Derrame pericárdico/ICC: Ecocardiograma - Melhor avaliação funcional
  • Pneumotórax pequeno: RX de tórax - Suficiente para diagnóstico
  • Obstrução intestinal clara: RX de abdome (série) - Pode ser suficiente
  • Regra prática de decisão - pergunte-se:

  • O resultado da TC vai mudar minha conduta terapêutica imediata?
  • Posso obter a informação com exame menos invasivo e sem radiação?
  • O risco do atraso diagnóstico supera os riscos da radiação/contraste?
  • 7. ERROS COMUNS E ARMADILHAS DIAGNÓSTICAS

    Problema: Uma TC de abdome = 400 RX tórax. Achados incidentais em 30% geram cascata de exames.

    Como evitar: Anamnese + exame físico completos. Laboratório básico. TC só se dúvida razoável.

    Problema: TC normal NÃO exclui: HSA após 6h, AVC <4h, meningite, encefalite, lesões pequenas.

    Como evitar: Cefaleia "pior da vida" + TC normal ® punção lombar. Déficit + TC normal ® angioTC/RM.

    Problema: Nefropatia por contraste em 5-10% com função renal limítrofe. Pode levar à diálise.

    Como evitar: SEMPRE checar creatinina. Hidratar (SF 1ml/kg/h 12h antes/depois). Documentar.

    Problema: Aumenta custos, expõe à radiação desnecessariamente.

    Como evitar: Tentar USG beira-leito primeiro. Sedação leve se necessário para exame físico.

  • Não investigar causas não-radiológicas de dispneia Problema: ICC, asma/DPOC, acidose, anemia não aparecem na TC. Como evitar: BNP, ECG, eco, gasometria, hemograma ANTES da
  • Problema: Apendicite rota tem mortalidade fetal 20-35%. Maior que risco da radiação.

    Como evitar: USG primeiro. RM se inconclusivo. TC se necessário e RM indisponível. Documentar.

    8. CASOS CLÍNICOS ILUSTRATIVOS

    Caso: Homem 28a, queda própria altura futebol. Sem perda consciência. Hematoma frontal. Glasgow 15. Sem amnésia. Sem vômitos. Exame neurológico normal. Família pressiona por 'exame completo'.

    Análise: Critérios NOC e Canadense: NENHUM positivo.

    Conduta: TC NÃO indicada (rendimento <1%). Orientações de alerta. Alta.

    Desfecho: Evolução favorável. Radiação evitada (2mSv = 100 RX tórax).

    Caso: Mulher 68a, dor abdominal 6h, progressiva. Afebril. Abdome doloroso difuso, sem defesa. Leucócitos 12.400, Cr 1,1, lactato 3,2.

    Armadilha: 'Dor inespecífica, vou observar' - ERRO potencialmente fatal.

    Conduta correta: Idosa + dor desproporcional + lactato ­ = ISQUEMIA MESENTÉRICA. TC urgente com contraste fase arterial.

    TC: Oclusão artéria mesentérica superior, pneumatose inicial.

    Desfecho: Cirurgia urgente. Ressecção 40cm jejuno. Sobrevida. TC precoce foi essencial.

    Caso: Mulher 32a, dispneia 2h. Usa ACO 6 meses. PA 125/80, FC 88, SatO2 97%. ECG e RX normais.

    Armadilha: 'Dispneia + ACO = TEP. AngioTC já!' - ERRO.

    Conduta correta: Wells: ACO +1,5, FC<100 =0 ® Total 1,5 (BAIXA prob). PERC: só usa estrogênio ✗ ® positivo. Solicitar D-dímero PRIMEIRO.

    Desfecho: D-dímero 245 (normal). TEP descartado SEM angioTC. Diagnóstico: ansiedade.

    9. REGISTRO OBRIGATÓRIO NO PRONTUÁRIO

  • Indicação clínica PRECISA (não 'dor abdominal', mas 'suspeita apendicite - dor FID 12h + Blumberg + leucocitose 16.000')
  • Grau de urgência (emergente <30min / urgente 2-4h / mesmo dia)
  • Protocolo especificado (com/sem contraste) + justificativa
  • Se contraste: creatinina checada (valor + data)
  • Se contraste: hidratação prescrita
  • Se contraindicação relativa: risco-benefício documentado
  • Laudo completo lido e interpretado
  • Correlação clínico-radiológica
  • Conduta definida com base no resultado
  • Achado incidental: plano de seguimento
  • Resultado discordante: discussão com radiologista
  • Critérios que não preencheram indicação
  • Alternativas adotadas
  • Orientações de alerta fornecidas
  • Reavaliação programada
  • 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • American College of Radiology (ACR). ACR Appropriateness Criteria.
  • Choosing Wisely Initiative. ACEP: Ten Things Physicians and Patients Should Question.
  • Stiell IG, et al. Canadian CT Head Rule for minor head injury. 2001;357:1391-96.
  • Haydel MJ, et al. Indications for CT in minor head injury (New Orleans Criteria). 2000;343:100-05.
  • Wells PS, et al. Clinical model for pulmonary embolism. Thromb Haemost. 2000;83:416-
  • Kline JA, et al. PERC rule for pulmonary embolism. J Thromb Haemost. 2004;2:1247-
  • Colégio Brasileiro de Radiologia. Critérios de Adequação do CBR. 3ª ed,
  • Advanced Trauma Life Support. 10th ed. ACS. 2018.
  • Stoker J, et al. Imaging acute abdominal pain. 2009;253:31-46.
  • Smith-Bindman R, et al. Radiation dose from CT and cancer risk. Arch Intern Med. 2009;169:2078-2023, ATLS
  • CONTROLE DE VERSÕES E ATUALIZAÇÕES

    VersãoDataElaboradorPrincipais Alterações  1.0  Novembro/2024Dr. Eder Abelha Flavio CRM 42907 - RQE 37954 Médico Emergencista  Versão inicial baseada em ACR 2024, Choosing Wisely

    Elaborador: Dr. Eder Abelha Flavio - CRM 42907 / RQE 37954 - Médico Emergencista

    Data de Elaboração: Novembro de 2025

    Próxima Revisão: Maio de 2026 (ou quando atualização de diretrizes)

    § 24

    Observações:

  • Protocolo deve ser revisado periodicamente para incorporar novas evidências
  • Sugestões de melhorias: enviar à coordenação médica
  • Situações não contempladas: contatar supervisor ou radiologista
  • Este protocolo não substitui julgamento clínico individualizado
  • IMPORTANTE: Este protocolo auxilia a tomada de decisão clínica, promovendo uso racional de recursos e segurança do paciente. Na dúvida, sempre priorize a segurança e discuta com médico experiente ou especialista.

    Refs

    Referências

    Conteúdo migrado do Central de Estudos (Blog Dr. Jackson Fuck, Notion).