📋 PROTOCOLO DE ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE NA P
Protocolo & POP · Central de Estudos
📋 Protocolo & POP

📋 PROTOCOLO DE ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE NA PARADA CARD

Protocolo & POP 📄 Resumo de estudo 🏥 UTI / Emergência
§ 01

Visão geral

§ 02

**PROTOCOLO DE ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE NA PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA**

Cardiac Arrest Sonographic Assessment (CASA)

Instituição: SAMUTI - Serviço de Atendimento Médico de Urgências e Terapia Intensiva

Coordenador Responsável: Dr. Jackson Erasmo Fuck

Data de Implementação: [A DEFINIR]

Versão: 1.0

Revisão Programada: Semestral ou após 50 casos

§ 03

**1. OBJETIVO E ESCOPO**

1.1 Objetivo Geral

Estabelecer diretrizes para uso seguro e padronizado da ultrassonografia point-of-care (POCUS) durante o manejo da parada cardiorrespiratória nas unidades de terapia intensiva da SAMUTI, visando:

  • Identificação precoce de causas reversíveis (5H's e 5T's)
  • Avaliação prognóstica complementar
  • Manutenção da qualidade da RCP (fração de compressão ≥80%)
  • 1.2 Escopo de Aplicação

  • Unidades: 4 UTIs sob coordenação SAMUTI (72 leitos)
  • População-alvo: Pacientes adultos (≥18 anos) em PCR intra-hospitalar
  • Contexto: PCR testemunhada, com RCP de alta qualidade já estabelecida
  • 1.3 Exclusões

    Este protocolo NÃO se aplica a:

  • PCR não testemunhada com tempo de parada >20 minutos sem RCP
  • PCR traumática (usar protocolo eFAST dedicado)
  • Situações onde não há operador treinado disponível
  • Equipamento de ultrassom indisponível ou com falha técnica
  • § 04

    **2. FUNDAMENTAÇÃO CIENTÍFICA**

    2.1 Nível de Evidência

  • GRADE C: Recomendação fraca baseada em consenso de especialistas e estudos observacionais
  • Posição AHA 2020-2025: Não recomenda nem contraindica; enfatiza que pausas >10s prejudicam prognóstico
  • Posição ERC 2021: POCUS pode ser considerado por operadores experientes se não interferir na RCP
  • 2.2 Benefícios Esperados

  • Identificação de causas reversíveis em 15-30% dos casos (evidência observacional)
  • Valor prognóstico: presença de atividade cardíaca associada a OR 2.5-4.0 para ROSC
  • Potencial redução de tempo de RCP desnecessária em casos sem viabilidade
  • 2.3 Riscos Conhecidos

  • Pausa prolongada nas compressões: cada segundo >10s reduz chance de ROSC
  • Distração da equipe: desvio de atenção da qualidade da RCP
  • Falsa segurança: operador inexperiente pode fornecer informação incorreta
  • § 05

    **3. CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE**

    3.1 Critérios de INCLUSÃO (todos devem estar presentes)

    ✅ PCR testemunhada ou com RCP iniciada em <5 minutos

    ✅ RCP de alta qualidade já estabelecida (profundidade 5-6cm, frequência 100-120/min)

    ✅ Operador CASA-certificado disponível à beira-leito

    ✅ Equipamento de ultrassom funcional com probe setorial/convexo

    ✅ Monitor de qualidade de RCP ativo (feedback device ou capnografia)

    ✅ Líder da equipe autoriza realização do exame

    3.2 Critérios de EXCLUSÃO (qualquer um exclui)

    ❌ RCP de má qualidade (profundidade <4cm, frequência <80/min)

    ❌ Atraso na intubação ou desfibrilação por causa do ultrassom

    ❌ Operador sem certificação CASA-SAMUTI

    ❌ Janela acústica sabidamente inadequada (obesidade grau III, enfisema subcutâneo extenso)

    ❌ Família presente solicitando suspensão de esforços

    § 06

    **4. PROTOCOLO TÉCNICO CASA-SAMUTI**

    4.1 Equipamento Necessário

    Ultrassom:

  • Aparelho portátil com probe setorial (cardíaco) 2-5 MHz OU
  • Probe convexo 3-5 MHz (aceitável como alternativa)
  • Gel estéril em quantidade suficiente
  • Monitorização obrigatória:

  • Desfibrilador/monitor com capnografia (ETCO₂)
  • Dispositivo de feedback de RCP (se disponível)
  • Cronômetro visível para toda equipe
  • Documentação:

  • Checklist de qualidade CASA (Anexo A)
  • Formulário de eventos adversos (Anexo B)
  • 4.2 Sequência de Janelas Ecográficas (Protocolo de 10 Segundos)

    JANELA PRIMÁRIA: Subcostal (primeira escolha - 80% dos casos)

    🔹 POSICIONAMENTO DO PROBE:

  • Abaixo do processo xifoide
  • Angulação cranial e ligeiramente à esquerda
  • Marcador do probe apontando para direita do paciente
  • 🔹 ESTRUTURAS AVALIADAS:

    ✓ Átrios e ventrículos (4 câmaras)

    ✓ Pericárdio (derrame/tamponamento)

    ✓ Veia cava inferior (volemia)

    ✓ Contratilidade miocárdica (atividade cardíaca)

    🔹 TEMPO MÁXIMO: 10 segundos

    JANELA ALTERNATIVA: Paraesternal Longa (se subcostal inadequada)

    🔹 POSICIONAMENTO DO PROBE:

  • 3º-4º espaço intercostal, borda esternal esquerda
  • Marcador apontando para ombro direito do paciente
  • Probe perpendicular ao tórax
  • 🔹 ESTRUTURAS AVALIADAS:

    ✓ Ventrículo esquerdo (função e tamanho)

    ✓ Pericárdio anterior

    ✓ Valva aórtica e mitral

    ✓ Movimentação do septo interventricular

    🔹 TEMPO MÁXIMO: 10 segundos

    JANELA TERCIÁRIA: Apical 4-Câmaras (raramente necessária)

    🔹 USAR APENAS SE:

  • Subcostal E paraesternal inadequadas
  • Suspeita específica de patologia apical
  • Operador experiente (>100 exames)
  • 🔹 LIMITAÇÃO:

  • Requer suspensão temporária das compressões
  • Posicionamento mais demorado
  • NÃO realizar se já consumiu 10 segundos nas janelas anteriores
  • 4.3 Protocolo Temporal (Integração com Ciclos de RCP)

    FASE 1: AVALIAÇÃO INICIAL (Primeiro Pulso Check - 2 minutos de RCP)

    TEMPO: 00:00 ──────────────────────> 02:00

    │                              │

    INÍCIO RCP              PRIMEIRA PAUSA (Verificação de Ritmo)

    [CASA - 10 SEGUNDOS]

    Decisão: Continuar RCP vs Intervenção Específica

    Perguntas a responder em 10 segundos:

  • ✅ Há atividade cardíaca organizada? (Sim/Não)
  • ✅ Há derrame pericárdico significativo? (Sim/Não)
  • ✅ Ventrículo direito está dilatado? (Sim/Não/Inconclusivo)
  • ✅ Há colabamento inspiratório da VCI? (Sim/Não/Não visualizada)
  • Condutas específicas:

  • Tamponamento evidente → Pericardiocentese de emergência
  • VD dilatado + colabamento VCI ausente → Considerar TEP (trombolítico?)
  • VCI <1cm + colabamento total → Reposição volêmica agressiva
  • Ausência total de atividade cardíaca → Registrar, mas continuar RCP (ainda é cedo)
  • FASE 2: REAVALIAÇÕES SERIADAS (2-10 minutos)

    02:00 ──> 04:00 ──> 06:00 ──> 08:00 ──> 10:00

    │         │         │         │         │

    CASA-1   CASA-2    CASA-3    CASA-4    CASA-5

    Objetivo das reavaliações:

  • Monitorar resposta à terapia específica (volume, trombolítico, pericardiocentese)
  • Detectar novas alterações (ex: tamponamento iatrogênico pós-punção central)
  • Reavaliar prognóstico (surgimento de atividade cardíaca = resposta à RCP)
  • Critério de suspensão das reavaliações:

  • ROSC sustentado (>20 segundos de pulso palpável)
  • Decisão de terminar esforços
  • Operador não consegue mais manter tempo <10s (fadiga, dificuldade técnica)
  • FASE 3: AVALIAÇÃO PROGNÓSTICA (>10 minutos de RCP refratária)

    INDICAÇÃO: RCP >10 minutos sem ROSC, sem causa reversível identificada

    PERGUNTA PROGNÓSTICA:

    ┌─────────────────────────────────────────────────┐

    │ Há QUALQUER movimentação miocárdica visível?    │

    ├─────────────────────────────────────────────────┤

    │ SIM → Continuar RCP (chance de ROSC ainda existe│

    │ NÃO → Discutir terminar esforços com equipe     │

    └─────────────────────────────────────────────────┘

    VALORES PROGNÓSTICOS (literatura 2020-2024):

  • Atividade cardíaca presente: VPP 45-60% para ROSC
  • Atividade cardíaca ausente >20 min: VPN >90% para óbito
  • ⚠️ ATENÇÃO: Esta avaliação é complementar, não substitui julgamento clínico. Outros fatores devem ser considerados:

  • Ritmo cardíaco (AESP organizada tem melhor prognóstico)
  • ETCO₂ (>10 mmHg sugere metabolismo ativo)
  • Causa da PCR (IAM tem melhor prognóstico que sepse refratária)
  • Idade, comorbidades, diretivas antecipadas
  • § 07

    **5. GARANTIA DE QUALIDADE**

    5.1 Checklist Intra-Procedimento (Obrigatório)

    OPERADOR DO ULTRASSOM deve verbalizar em VOZ ALTA:

    ANTES DE INICIAR (Time-out):

    ☐ "Sou operador certificado CASA, vou realizar exame em <10 segundos"

    ☐ "Líder da equipe, você autoriza pausa para ultrassom agora?"

    ☐ "Cronômetro ativado, começando contagem regressiva de 10 segundos"

    DURANTE O EXAME:

    ☐ Monitor de RCP visível (verificar se fração de compressão não caiu)

    ☐ Comunicação contínua: "5 segundos", "8 segundos", "finalizando"

    APÓS O EXAME:

    ☐ "Exame concluído em X segundos"

    ☐ "Achado principal: [descrever em 1 frase]"

    ☐ "Recomendação: [continuar RCP / intervenção específica / reavaliar em 2 min]"

    5.2 Critérios de Interrupção Imediata

    SUSPENDER o ultrassom imediatamente se:

    🚨 CRITÉRIOS DE ABORT (qualquer um):

    ❌ Cronômetro atingiu 10 segundos sem imagem diagnóstica

    ❌ Qualidade da RCP caiu (feedback device alerta sonoro)

    ❌ Ritmo desfibrilável detectado (priorizar choque)

    ❌ Via aérea definitiva ainda não obtida (priorizar IOT)

    ❌ Acesso vascular ainda não obtido (priorizar punção)

    ❌ Líder da equipe solicita interrupção

    5.3 Indicadores de Qualidade (Monitoramento Mensal)

    METAS INSTITUCIONAIS:

    IndicadorMetaMétodo de Coleta
    Tempo médio de pausa para CASA<10 segundosRevisão de vídeo (10% dos casos)
    % de exames com janela diagnóstica>85%Registro em prontuário
    Fração de compressão global≥80%Dados do desfibrilador
    Identificação de causa reversível15-30%Análise de casos
    Eventos adversos relacionados ao CASA0%Notificação obrigatória

    AUDITORIA:

  • Coordenador médico revisar 100% dos casos nos primeiros 3 meses
  • Após período inicial: revisão de 20% dos casos aleatorizados
  • Reunião mensal de discussão de casos com desfechos desfavoráveis
  • § 08

    **6. CERTIFICAÇÃO DE OPERADORES**

    6.1 Pré-Requisitos para Certificação CASA-SAMUTI

    NÍVEL 1 - Operador Básico (pode realizar CASA sob supervisão):

    ☐ Médico com registro CRM ativo

    ☐ Curso de POCUS básico (≥8 horas teórico-práticas)

    ☐ Curso de ACLS válido

    ☐ Realizar 20 exames ecocardiográficos supervisionados (pode ser em pacientes estáveis)

    ☐ Realizar 5 exames CASA em simulação de alta fidelidade (<10s cada)

    ☐ Aprovação em prova prática com 3 cenários de PCR simulada

    NÍVEL 2 - Operador Independente (pode realizar CASA sem supervisão):

    ☐ Certificação Nível 1 válida

    ☐ Realizar 50 exames ecocardiográficos supervisionados (incluindo patologias)

    ☐ Participar de ≥5 PCRs reais com CASA sob supervisão de operador Nível 2

    ☐ Demonstrar tempo médio <8 segundos em 10 casos consecutivos

    ☐ Aprovação de coordenador médico da UTI

    NÍVEL 3 - Instrutor CASA (pode supervisionar e certificar outros):

    ☐ Certificação Nível 2 há >6 meses

    ☐ Realizar ≥50 exames CASA em PCR real

    ☐ Curso de instrutores POCUS (recomendado)

    ☐ Publicação ou apresentação sobre POCUS em PCR (recomendado)

    ☐ Aprovação de Dr. Jackson Fuck (coordenador do protocolo)

    6.2 Manutenção da Certificação

  • Renovação anual obrigatória
  • Requisito: Realizar ≥10 exames CASA/ano OU participar de 2 simulações/ano
  • Recertificação: A cada 2 anos, refazer prova prática
  • 6.3 Descertificação

    Motivos para suspensão imediata da certificação:

  • Evento adverso grave relacionado ao CASA (ex: pausa >20s, não identificar tamponamento)
  • Média de tempo de exame >15 segundos em auditoria
  • Não manter requisitos de educação continuada
  • Violação de protocolo com impacto em paciente
  • § 09

    **7. TREINAMENTO INICIAL (ROLLOUT DO PROTOCOLO)**

    7.1 Fase 1 - Treinamento Teórico (Semana 1-2)

    PÚBLICO-ALVO: Todos os médicos plantonistas das 4 UTIs

    CONTEÚDO (4 horas):

  • Evidências científicas do CASA (1h)
  • Revisão de literatura 2020-2025
  • Benefícios x Riscos
  • Casos clínicos publicados
  • Protocolo CASA-SAMUTI (1h)
  • Leitura comentada deste documento
  • Fluxogramas de decisão
  • Checklist de qualidade
  • Física do ultrassom e janelas ecográficas (1,5h)
  • Anatomia cardíaca ultrassonográfica
  • Janela subcostal, paraesternal, apical
  • Artefatos comuns e como evitá-los
  • Integração com ACLS (0,5h)
  • Como sincronizar CASA com algoritmo ACLS
  • Priorização de intervenções
  • Comunicação em equipe
  • AVALIAÇÃO: Prova teórica com 20 questões (aprovação ≥80%)

    7.2 Fase 2 - Treinamento Prático (Semana 3-4)

    ESTAÇÕES DE SIMULAÇÃO (8 horas práticas):

    Estação 1: Janelas em pacientes estáveis (2h)

  • Praticar aquisição de janela subcostal, paraesternal, apical
  • Meta: <10 segundos para obter janela diagnóstica
  • Supervisão: Instrutor CASA Nível 3
  • Estação 2: Interpretação de achados (2h)

  • 30 vídeo-loops de casos reais
  • Identificar: tamponamento, VD dilatado, hipovolemia, atividade cardíaca
  • Discussão de diagnósticos diferenciais
  • Estação 3: Simulação de PCR em manequim (3h)

  • 10 cenários de PCR com diferentes causas
  • Integrar CASA no algoritmo ACLS
  • Feedback em tempo real de instrutor
  • Estação 4: Prova prática (1h)

  • 3 cenários de PCR simulada
  • Critérios de aprovação:
  • Tempo <10s em todos os cenários
  • Identificação correta da causa reversível em ≥2/3 casos
  • Zero violações de segurança (ex: atrasar desfibrilação)
  • 7.3 Fase 3 - Implementação Assistida (Mês 2-3)

    SUPERVISOR DEDICADO 24/7:

  • Médico instrutor CASA Nível 3 disponível via telefone
  • Presencial nas primeiras 10 PCRs de cada UTI
  • Feedback imediato após cada caso
  • DEBRIEFING OBRIGATÓRIO:

  • Reunião de 15 minutos após cada PCR com CASA
  • Revisão de vídeo do monitor (se disponível)
  • Preenchimento de formulário de eventos adversos
  • AUDITORIA INTENSIFICADA:

  • Coordenador médico (Dr. Jackson) revisar 100% dos casos
  • Reunião semanal de discussão de casos
  • Ajustes no protocolo conforme necessário
  • 7.4 Fase 4 - Autonomia (Mês 4+)

    TRANSIÇÃO PARA OPERAÇÃO ROTINEIRA:

  • Supervisão presencial apenas em casos complexos
  • Auditoria de 20% dos casos (amostragem aleatória)
  • Reunião mensal de indicadores de qualidade
  • § 10

    **8. DOCUMENTAÇÃO E REGISTRO**

    8.1 Registro em Prontuário (Obrigatório)

    MODELO DE NOTA DE EVOLUÇÃO:

    PCR INTRA-HOSPITALAR - ULTRASSONOGRAFIA CASA

    Data/Hora: [DD/MM/AAAA HH:MM]

    Operador: [Nome completo + CRM]

    Certificação CASA: [Nível 1/2/3]

    CONTEXTO DA PCR:

  • Ritmo inicial: [FV/TVSP/AESP/Assistolia]
  • Tempo de RCP antes do CASA: [X minutos]
  • ETCO₂ no momento do exame: [X mmHg]
  • Drogas administradas: [Epinefrina X mg, Amiodarona X mg, etc.]
  • PROTOCOLO CASA REALIZADO:

  • Tempo de pausa para ultrassom: [X segundos]
  • Janela utilizada: [Subcostal/Paraesternal/Apical]
  • Qualidade da janela: [Excelente/Boa/Limitada/Inadequada]
  • ACHADOS ULTRASSONOGRÁFICOS:

  • Atividade cardíaca: [Presente (descrever: contrações organizadas/fibrilação/tremulação) / Ausente]
  • Pericárdio: [Sem derrame / Derrame pequeno / Derrame moderado / Tamponamento]
  • Ventrículo direito: [Normal / Dilatado / Não avaliado]
  • Veia cava inferior: [Colabada / Normal / Dilatada / Não visualizada]
  • Outros achados relevantes: [Livre]
  • INTERPRETAÇÃO E CONDUTA:

  • Causa reversível identificada: [Sim/Não - especificar]
  • Conduta baseada no CASA: [Continuar RCP / Pericardiocentese / Reposição volêmica / Considerar TEP / Outro]
  • Reavaliação programada: [Sim - em X minutos / Não]
  • DESFECHO:

  • Status ao final da RCP: [ROSC / Óbito / Transferência]
  • Tempo total de RCP: [X minutos]
  • Qualidade da RCP preservada: [Sim/Não - justificar se não]
  • EVENTOS ADVERSOS:

    [Nenhum / Descrever qualquer complicação relacionada ao CASA]

    _________________________________________________

    Assinatura do Operador + CRM

    8.2 Registro de Qualidade (Checklist Anexo A)

    Preencher IMEDIATAMENTE após cada CASA:

    CHECKLIST DE QUALIDADE CASA-SAMUTI

    ID do Caso: [SAMUTI-CASA-AAAA-XXX]

    Data: ____/____/______  Hora: ____:____

    Unidade: [UTI 1/2/3/4]  Leito: ______

  • PRÉ-PROCEDIMENTO
  • ☐ Operador certificado CASA presente

    ☐ Equipamento de ultrassom funcionando

    ☐ Gel estéril disponível

    ☐ Cronômetro ativado e visível

    ☐ Monitor de qualidade RCP funcionando

    ☐ Time-out realizado (líder autorizou)

  • INTRA-PROCEDIMENTO
  • ☐ Tempo de pausa ≤10 segundos

    ☐ Janela diagnóstica obtida

    ☐ Comunicação contínua com equipe

    ☐ Nenhum atraso em intervenções prioritárias (IOT/desfibrilação/drogas)

  • PÓS-PROCEDIMENTO
  • ☐ Achados comunicados em voz alta

    ☐ Recomendação clara fornecida

    ☐ Nota em prontuário preenchida

    ☐ Imagem salva no sistema (se possível)

  • QUALIDADE DA RCP
  • ☐ Fração de compressão global ≥80%

    ☐ ETCO₂ mantido >10 mmHg

    ☐ Nenhuma pausa adicional não prevista

  • EVENTOS ADVERSOS (marcar se ocorreu)
  • ☐ Tempo de pausa >10 segundos

    ☐ Falha em obter janela diagnóstica

    ☐ Atraso em intervenção prioritária

    ☐ Queda na qualidade da RCP

    ☐ Equipamento com falha técnica

    ☐ Outro: ___________________________

    RESPONSÁVEL PELO PREENCHIMENTO:

    Nome: ________________________________

    CRM: ____________  Assinatura: ________________

    8.3 Notificação de Eventos Adversos (Anexo B)

    EVENTO ADVERSO = Qualquer situação onde o CASA causou dano ou risco ao paciente

    Prazo: Notificar em até 24 horas

    Fluxo:

  • Preencher formulário digital (link interno SAMUTI)
  • Enviar cópia para: coordenacao.uti@samuti.com.br
  • Acionar coordenador médico (Dr. Jackson) via telefone se evento grave
  • Aguardar reunião de análise de causa-raiz (dentro de 7 dias)
  • CLASSIFICAÇÃO DE GRAVIDADE:

    🟢 EVENTO LEVE (sem impacto em desfecho)

  • Tempo de pausa 11-15 segundos
  • Falha técnica de equipamento sem alternativa imediata
  • 🟡 EVENTO MODERADO (potencial impacto)

  • Tempo de pausa 16-20 segundos
  • Atraso em desfibrilação de ritmo chocável
  • Queda de fração de compressão <70% durante CASA
  • 🔴 EVENTO GRAVE (impacto definitivo)

  • Tempo de pausa >20 segundos
  • Não identificação de tamponamento óbvio
  • Decisão errônea de terminar esforços baseada em CASA incorreto
  • § 11

    **9. SITUAÇÕES ESPECIAIS**

    9.1 PCR em Paciente Pós-Operatório Imediato

    PARTICULARIDADES:

  • Risco aumentado de tamponamento (cirurgia cardíaca/torácica)
  • Janela paraesternal pode estar prejudicada (drenos, curativos)
  • PRIORIZAR janela subcostal
  • PROTOCOLO MODIFICADO:

  • Realizar CASA já no PRIMEIRO ciclo (antes de 2 min) se suspeita de tamponamento
  • Se confirmar derrame pericárdico significativo → pericardiocentese IMEDIATA
  • Comunicar cirurgião responsável simultaneamente (possível reabordagem cirúrgica)
  • 9.2 PCR em Paciente com COVID-19 ou Patógeno Respiratório

    PRECAUÇÕES:

  • Operador deve estar com EPI completo (N95, avental, face shield)
  • Probe coberto com filme plástico estéril + gel dentro do filme
  • Minimizar aerossolização: evitar desconectar ventilador
  • AVALIAÇÃO RISCO-BENEFÍCIO:

  • REALIZAR CASA: Se alta probabilidade de TEP (D-dímero muito elevado, RX com oligoemia)
  • NÃO REALIZAR CASA: Se PCR claramente refratária a hipóxia grave (SpO₂ <70% por >30 min antes da PCR)
  • 9.3 PCR em Gestante (>20 semanas)

    MODIFICAÇÕES TÉCNICAS:

  • Deslocamento uterino manual contínuo durante RCP
  • Janela subcostal é PRIORIDADE ABSOLUTA (útero gravídico dificulta outras janelas)
  • Avaliar especificamente: VCI (hipovolemia por descolamento de placenta?), VD (embolia amniótica?)
  • DECISÃO DE CESÁREA PERIMORTEM:

  • Se CASA mostra atividade cardíaca organizada → continuar RCP + extração fetal em 4 minutos
  • Se CASA mostra assistolia verdadeira → considerar cesárea perimortem IMEDIATA (pode melhorar retorno venoso materno)
  • 9.4 PCR em Paciente com ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea)

    INTERPRETAÇÃO MODIFICADA:

  • Atividade cardíaca mínima é ESPERADA (coração está "em repouso" com suporte de ECMO)
  • Foco do CASA: Identificar tamponamento (complicação comum) e posição das cânulas
  • PROTOCOLO:

  • Confirmar que fluxo de ECMO está adequado (>3 L/min)
  • CASA para avaliar:
  • Derrame pericárdico (pode comprometer retorno venoso)
  • Posição da cânula venosa (deve estar em AD/VCS)
  • Ausência de ar nas câmaras cardíacas (embolia gasosa)
  • § 12

    **10. FLUXOGRAMAS DE DECISÃO**

    10.1 Fluxograma Principal: Quando Realizar CASA?

    ⚙️ Fluxograma
    graph TD
    
    A[PCR Identificada] --> B{RCP de alta qualidade<br>já estabelecida?}
    
    B -->|NÃO| C[PRIORIZAR:<br>1. Compressões<br>2. IOT<br>3. Acesso vascular<br>NÃO realizar CASA ainda]
    
    B -->|SIM| D{Operador certificado<br>disponível?}
    
    D -->|NÃO| E[Continuar ACLS padrão<br>Acionar operador se disponível]
    
    D -->|SIM| F{Primeira verificação<br>de ritmo<br>2 min de RCP}
    
    F --> G[REALIZAR CASA<br>Tempo máximo: 10s]
    
    G --> H{Causa reversível<br>identificada?}
    
    H -->|SIM| I[Intervenção específica:<br>- Pericardiocentese<br>- Volume<br>- Trombolítico<br>- Correção hipóxia]
    
    H -->|NÃO| J{Há atividade<br>cardíaca?}
    
    J -->|SIM| K[Continuar RCP<br>Reavaliar a cada 2 min]
    
    J -->|NÃO e >10 min| L[Discutir terminar esforços<br>considerar outros fatores]
    
    K --> M{ROSC obtido?}
    
    M -->|SIM| N[Fim do protocolo CASA<br>Cuidados pós-PCR]
    
    M -->|NÃO| F

    10.2 Fluxograma de Interpretação: Achados do CASA

    ⚙️ Fluxograma
    graph TD
    
    A[Imagem obtida em <10s] --> B{Qualidade da<br>janela}
    
    B -->|Inadequada| C[Tentar janela alternativa<br>Se >10s: ABORTAR]
    
    B -->|Diagnóstica| D{PERICÁRDIO}
    
    D --> E{Derrame?}
    
    E -->|Não| F{VENTRÍCULO DIREITO}
    
    E -->|Sim, >1cm| G{Colapso diastólico<br>de AD/VD?}
    
    G -->|SIM| H[🚨 TAMPONAMENTO<br>→ Pericardiocentese URGENTE]
    
    G -->|NÃO| F
    
    F --> I{VD dilatado<br>VD/VE >0.6?}
    
    I -->|SIM| J{VCI dilatada<br>>2cm?}
    
    J -->|SIM| K[🚨 Suspeita TEP<br>→ Considerar trombolítico<br>Reavaliar resposta]
    
    J -->|NÃO| L{VEIA CAVA INFERIOR}
    
    I -->|NÃO| L
    
    L --> M{VCI colabada<br><1cm?}
    
    M -->|SIM| N[🚨 HIPOVOLEMIA<br>→ Volume agressivo<br>Investigar fonte sangramento]
    
    M -->|NÃO| O{ATIVIDADE CARDÍACA}
    
    O --> P{Movimentação<br>miocárdica visível?}
    
    P -->|SIM| Q{Tipo de movimento}
    
    Q -->|Contrações organizadas| R[Prognóstico FAVORÁVEL<br>Continuar RCP<br>Otimizar terapia]
    
    Q -->|Fibrilação/tremulação| S[Prognóstico INTERMEDIÁRIO<br>Verificar ritmo no monitor<br>Considerar antiarrítmico]
    
    P -->|NÃO e <10 min| T[Continuar RCP<br>Ainda há tempo para resposta]
    
    P -->|NÃO e >20 min| U[Prognóstico DESFAVORÁVEL<br>Discutir terminar esforços<br>Considerar outros fatores]

    10.3 Fluxograma de Qualidade: Checklist Rápido

    ⚙️ Fluxograma
    graph TD
    
    A[Líder da equipe indica:<br>Próxima pausa para CASA] --> B[Operador verbaliza:<br>Vou realizar CASA em 10s]
    
    B --> C[Cronômetro ativado<br>VISÍVEL para toda equipe]
    
    C --> D[Pausa nas compressões<br>Contagem regressiva inicia]
    
    D --> E{5 segundos}
    
    E --> F{Janela obtida?}
    
    F -->|NÃO| G{8 segundos}
    
    G --> H{Janela obtida?}
    
    H -->|NÃO| I[10 segundos: ABORTAR<br>Verbalizar: Janela inadequada<br>Retomar compressões]
    
    F -->|SIM| J[Avaliação rápida:<br>4 perguntas em 3-5s]
    
    H -->|SIM| J
    
    J --> K[Verbalizar achado principal<br>em 1 frase]
    
    K --> L[Retomar compressões<br>IMEDIATAMENTE]
    
    L --> M[Líder decide conduta<br>baseado no achado]
    
    M --> N{Intervenção<br>específica necessária?}
    
    N -->|SIM| O[Executar intervenção<br>Reavaliar com CASA em 2 min]
    
    N -->|NÃO| P[Continuar ACLS padrão<br>Próximo CASA em 2 min]
    § 13

    **11. CASOS CLÍNICOS ILUSTRATIVOS**

    11.1 Caso 1: Tamponamento Pós-Cateterismo

    CENÁRIO:

  • Paciente, 72 anos, 6 horas após cateterismo cardíaco (angioplastia de DA)
  • PCR súbita em AESP (ritmo sinusal no monitor, sem pulso)
  • ETCO₂ inicial: 18 mmHg → caiu para 8 mmHg após 2 minutos de RCP
  • CASA (janela subcostal) aos 2 minutos:

  • Derrame pericárdico circunferencial (~2 cm)
  • Colapso diastólico de átrio direito (sinal de tamponamento)
  • Mínima movimentação cardíaca apesar de ritmo organizado no monitor
  • CONDUTA:

  • Pericardiocentese subxifoide imediata (retirado 150 ml de sangue)
  • ROSC em 30 segundos após drenagem
  • Paciente sobreviveu com alta hospitalar em 10 dias
  • LIÇÕES: ✅ CASA identificou causa reversível em <10 segundos

    ✅ Dissociação eletromecânica explicada (tamponamento)

    ✅ Intervenção guiada por ultrassom salvou vida

    11.2 Caso 2: Hipovolemia Oculta

    CENÁRIO:

  • Paciente, 58 anos, pós-operatório de colectomia (D+2)
  • PCR em assistolia após episódio de hipotensão progressiva
  • Hb pré-PCR: 7.2 g/dL (era 11 g/dL no pré-op)
  • CASA (janela subcostal) aos 4 minutos:

  • VCI <0.5 cm, colabamento total em inspiração
  • Ventrículos pequenos, "kissing walls" (paredes tocando-se)
  • Ausência de derrame pericárdico ou dilatação de VD
  • CONDUTA:

  • Reposição agressiva: 2L de cristaloide + 2 CH em 10 minutos
  • CASA aos 8 minutos: VCI expandiu para 1.5 cm, ventrículos com melhor enchimento
  • ROSC aos 12 minutos
  • DESFECHO:

  • Reabordagem cirúrgica: sangramento de artéria mesentérica (500 ml em cavidade)
  • Paciente sobreviveu, mas com encefalopatia anóxica (CPC 3)
  • LIÇÕES: ✅ CASA detectou hipovolemia grave não suspeitada

    ✅ Guiou reposição volêmica agressiva

    ⚠️ Alertar equipe cirúrgica IMEDIATAMENTE quando VCI colabada em pós-op

    11.3 Caso 3: Falso Negativo - Limitação do CASA

    CENÁRIO:

  • Paciente, 45 anos, PCR extra-hospitalar trazida por SAMU
  • Ritmo inicial: FV (3 choques, sem ROSC)
  • Converteu para AESP após 4º choque
  • CASA (janela paraesternal) aos 10 minutos:

  • Atividade cardíaca presente (contrações fracas, mas organizadas)
  • Ventrículos de tamanho normal
  • Sem derrame pericárdico ou dilatação de VD
  • EVOLUÇÃO:

  • Continuou RCP por mais 20 minutos baseado em atividade cardíaca ao CASA
  • Não obteve ROSC
  • Óbito declarado aos 30 minutos
  • AUTÓPSIA:

  • IAM extenso de parede anterior (oclusão de DA proximal)
  • 60% de massa ventricular infartada (viabilidade zero)
  • LIÇÕES: ⚠️ Atividade cardíaca ao CASA ≠ viabilidade miocárdica

    ⚠️ CASA não avalia extensão de IAM ou necrose miocárdica

    ⚠️ Decisão de terminar esforços deve considerar MÚLTIPLOS fatores (ETCO₂, idade, causa, tempo de RCP)

    11.4 Caso 4: TEP Maciço

    CENÁRIO:

  • Paciente, 68 anos, DPOC, pós-op de fratura de fêmur (D+7)
  • PCR súbita em AESP (taquicardia ritmo amplo)
  • ETCO₂: 12 mmHg (não melhorou com RCP)
  • CASA (janela subcostal) aos 2 minutos:

  • VD massivamente dilatado (relação VD/VE = 1.2)
  • Septo interventricular retificado ("D-shape")
  • VCI dilatada (2.5 cm), sem colabamento
  • Movimentação paradoxal do septo (McConnell's sign)
  • CONDUTA:

  • Alteplase 50 mg IV em bolus (trombolítico)
  • CASA aos 10 minutos: VD ainda dilatado, mas septo com melhor movimentação
  • ROSC aos 18 minutos
  • DESFECHO:

  • AngioTC pós-RCE: TEP bilateral maciço
  • Paciente sobreviveu, alta com CPC 1 (neurologicamente íntegro)
  • LIÇÕES: ✅ CASA identificou TEP com alta especificidade (dilatação VD + VCI plena + McConnell's)

    ✅ Guiou decisão de trombolítico em PCR (contraindicação relativa)

    ✅ Reavaliação com CASA mostrou resposta à terapia

    § 14

    **12. PERGUNTAS FREQUENTES (FAQ)**

    Q1: O CASA é obrigatório em todas as PCRs da SAMUTI?

    R: NÃO. O CASA é uma ferramenta adjuvante que pode ser utilizada quando:

  • Há operador certificado disponível
  • RCP de alta qualidade já está estabelecida
  • Não há intervenções prioritárias pendentes (IOT, desfibrilação, acesso)
  • Se essas condições não forem atendidas, o ACLS padrão deve ser seguido sem ultrassom.

    Q2: E se eu não conseguir obter uma janela diagnóstica em 10 segundos?

    R: ABORTE o exame imediatamente e retome as compressões. Verbalize para a equipe: "Janela inadequada, retomando compressões". Isso NÃO é considerado falha do operador - obesidade, enfisema subcutâneo e posicionamento de drenos/curativos podem impedir visualização adequada em até 15-20% dos casos.

    Q3: Posso usar a janela apical como primeira escolha?

    R: NÃO é recomendado. A janela apical requer mais tempo de posicionamento e geralmente não é obtida durante compressões ativas. Use subcostal como primeira escolha (80% dos casos) e paraesternal como alternativa (15% dos casos). Apical deve ser reservada para <5% dos casos com operadores muito experientes.

    Q4: Se o CASA mostrar ausência de atividade cardíaca, devo parar a RCP?

    R: DEPENDE do contexto:

  • <10 minutos de RCP: Não. Continue RCP conforme ACLS. Ausência de atividade NESTE momento não é critério para terminar esforços.
  • >20 minutos de RCP + ausência de atividade + ETCO₂ <10 mmHg + sem causa reversível: Discuta com a equipe a possibilidade de terminar esforços, mas considere outros fatores (idade, causa da PCR, vontades do paciente).
  • Q5: Posso realizar CASA durante as compressões torácicas (sem pausa)?

    R: Tecnicamente é POSSÍVEL obter imagens subcostais durante compressões (usando filtro de movimento), mas a interpretação é muito difícil. Na SAMUTI, o protocolo CASA exige pausa nas compressões para garantir imagens diagnósticas. Operadores Nível 3 experientes podem tentar aquisição durante compressões como "pré-visualização", mas a avaliação formal deve ocorrer na pausa.

    Q6: O que fazer se identificar uma causa reversível, mas a intervenção não está disponível imediatamente?

    EXEMPLOS:

  • Tamponamento identificado, mas kit de pericardiocentese não está no carro de PCR:
  • Acionar 2ª equipe para buscar kit IMEDIATAMENTE
  • Continuar RCP de alta qualidade
  • Considerar toracotomia de emergência se cirurgião disponível
  • TEP identificado, mas não há trombolítico disponível na unidade:
  • Solicitar trombolítico à farmácia (prioridade máxima)
  • Continuar RCP enquanto aguarda (pode levar 5-10 min)
  • Considerar ECMO de resgate se disponível no hospital
  • PRINCÍPIO: Não desista da RCP só porque a intervenção tem atraso logístico. Mantenha RCP de alta qualidade enquanto mobiliza recursos.

    Q7: Posso usar meu celular (app de ultrassom) para realizar CASA?

    R: Dispositivos de ultrassom portáteis conectados a smartphones (ex: Butterfly iQ, Lumify) são ACEITÁVEIS para CASA, desde que:

  • Tenham probe setorial ou convexo (não apenas linear)
  • Qualidade de imagem seja adequada para identificar estruturas cardíacas
  • Operador tenha treinamento específico com aquele dispositivo
  • Ultrassons de "brinquedo" ou apps que usam apenas a câmera do celular NÃO são adequados.

    Q8: E se houver conflito entre CASA e avaliação clínica?

    EXEMPLO: CASA mostra atividade cardíaca, mas ETCO₂ está em 5 mmHg (sugerindo RCP ineficaz ou prognóstico ruim).

    R: Nenhuma ferramenta isolada define conduta. A decisão de continuar ou terminar esforços deve integrar:

  • Achados do CASA
  • ETCO₂
  • Ritmo cardíaco
  • Tempo de RCP
  • Causa da PCR
  • Idade e comorbidades
  • Vontades do paciente (se conhecidas)
  • Em caso de dúvida, favoreça continuar RCP e reavalie em 2-4 minutos.

    Q9: Posso realizar CASA em PCR pediátrica?

    R: Este protocolo foi desenvolvido para adultos (≥18 anos). PCR pediátrica tem peculiaridades (causas diferentes, janelas ecográficas proporcionalmente diferentes, menor evidência de benefício do CASA). Se houver interesse em expandir para pediatria, isso requer:

  • Revisão de literatura pediátrica específica
  • Treinamento adicional dos operadores
  • Aprovação de comitê de ética em pesquisa (se for implementado como protocolo experimental)
  • Q10: O que fazer se o líder da equipe de RCP não autorizar o CASA?

    R: RESPEITE a decisão do líder. O protocolo CASA exige autorização explícita do líder da equipe. Motivos legítimos para não autorizar:

  • RCP ainda não está otimizada
  • Há procedimentos prioritários pendentes
  • Líder não confia na competência do operador
  • Situação caótica com muitos membros da equipe
  • Após a PCR, converse com o líder para entender os motivos e ofereça treinamento/esclarecimentos se necessário.

    § 15

    **13. ANEXOS**

    ANEXO A: Checklist de Qualidade CASA (Versão Impressa)

    [Já incluído na seção 5.1 - versão digital disponível em sistema interno]

    ANEXO B: Formulário de Notificação de Eventos Adversos

    [Formulário digital disponível em: https://samuti.com.br/casa-eventos-adversos]

    CAMPOS OBRIGATÓRIOS:

  • Data/hora do evento
  • Unidade e leito
  • Nome do operador + CRM
  • Descrição detalhada do evento (mínimo 100 caracteres)
  • Classificação de gravidade (leve/moderado/grave)
  • Desfecho do paciente (ROSC/óbito)
  • Ações corretivas imediatas tomadas
  • Sugestões para prevenção de recorrência
  • ANEXO C: Cronograma de Implementação

    FASEPERÍODOATIVIDADE PRINCIPALRESPONSÁVEL
    Fase 0Semana -2Aprovação do protocolo pelo corpo clínicoDr. Jackson Fuck
    Fase 1Semanas 1-2Treinamento teórico (4h) - todos os plantonistasInstrutores CASA
    Fase 2Semanas 3-4Treinamento prático (8h) - estações de simulaçãoInstrutores CASA
    Fase 3Meses 2-3Implementação assistida - supervisor 24/7Coordenador médico
    Fase 4Mês 4+Operação autônoma - auditoria de 20% casosCoordenador médico
    RevisãoMês 6Primeira revisão do protocolo - ajustes baseados em dadosComitê multidisciplinar

    RECURSOS NECESSÁRIOS:

  • 2 aparelhos de ultrassom portáteis adicionais (investimento: R$ 60.000)
  • 4 instrutores CASA Nível 3 (1 por UTI)
  • 20 horas de liberação de cada plantonista para treinamento
  • Software de gestão de qualidade (opcional, mas recomendado)
  • 14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • AMERICAN HEART ASSOCIATION. Destaques da American Heart Association 2020: atualização das diretrizes de RCP e ACE. Circulation, v. 142, n. 16_suppl_2, 2020.
  • GASPARI, R. et al. Emergency department point-of-care ultrasound in out-of-hospital and in-ED cardiac arrest. Resuscitation, v. 109, p. 33-39, 2016.
  • BREITKREUTZ, R. et al. Focused echocardiographic evaluation in resuscitation management: concept of an advanced life support-conformed algorithm. Critical Care Medicine, v. 35, n. 5, p. S150-S161, 2007.
  • ATKINSON, P. R. T. et al. International Federation for Emergency Medicine Consensus Statement: Sonography in hypotension and cardiac arrest (SHoC). Canadian Journal of Emergency Medicine, v. 19, n. 6, p. 459-470, 2017.
  • HERNANDEZ, C. et al. C.A.U.S.E.: Cardiac arrest ultra-sound exam—a better approach to managing patients in cardiac arrest. Resuscitation, v. 76, n. 2, p. 198-206, 2008.
  • CLATTENBURG, E. J. et al. Point-of-care ultrasound use in patients with cardiac arrest is associated prolonged cardiopulmonary resuscitation pauses: A prospective cohort study. Resuscitation, v. 122, p. 65-68, 2018.
  • BLYTH, L. et al. Validation of the FEEL (focused echocardiography in emergency life support) protocol in cardiac arrest. Emergency Medicine Journal, v. 32, n. 6, p. 456-460, 2015.
  • FAIR, J. et al. Transesophageal echocardiography during cardiopulmonary resuscitation is associated with shorter compression pauses compared with transthoracic echocardiography. Annals of Emergency Medicine, v. 73, n. 6, p. 610-616, 2019.
  • SHOENBERGER, J. M. et al. Cardiopulmonary resuscitation performance and interruptions by ultrasound use. Resuscitation, v. 129, p. 88-93, 2018.
  • TSOU, P. Y. et al. Role of point-of-care ultrasound in predicting return of spontaneous circulation and survival in adult patients with cardiac arrest: a systematic review and meta-analysis. Resuscitation, v. 157, p. 72-79, 2020.
  • CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 2.314/2022. Dispõe sobre o uso de prontuário eletrônico e telemedicina. Diário Oficial da União, Brasília, 2022.
  • BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Diário Oficial da União, Brasília, 2018.
  • § 16

    **15. CONTROLE DE VERSÕES E ATUALIZAÇÕES**

    VERSÃODATAALTERAÇÕESRESPONSÁVEL
    1.0[DD/MM/2025]Versão inicial do protocoloDr. Jackson Fuck

    PRÓXIMA REVISÃO PROGRAMADA: [DD/MM/2025 - 6 meses após implementação]

    PROCESSO DE ATUALIZAÇÃO:

  • Coordenador médico coleta dados de qualidade e eventos adversos (mensal)
  • Reunião de comitê multidisciplinar (semestral) para análise de indicadores
  • Propostas de modificação são submetidas ao corpo clínico para aprovação
  • Nova versão é publicada com controle de versão
  • Treinamento de reciclagem para todas as equipes (se mudanças significativas)
  • § 17

    **16. APROVAÇÕES E ASSINATURAS**

    PROTOCOLO APROVADO POR:

    _________________________________________

    Dr. Jackson Erasmo Fuck

    Coordenador Médico SAMUTI

    CRM/PR: [XXXXX]

    _________________________________________

    Diretor Clínico Hospital [Nome]

    CRM/PR: [XXXXX]

    _________________________________________

    Coordenador do Serviço de Emergência

    CRM/PR: [XXXXX]

    _________________________________________

    Presidente da Comissão de Ética Médica

    CRM/PR: [XXXXX]

    DATA DE VIGÊNCIA: A partir de [DD/MM/AAAA]

    Refs

    Referências

    Conteúdo migrado do Central de Estudos (Blog Dr. Jackson Fuck, Notion).