Terapia antitrombótica e antiplaquetária em pacien
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Terapia antitrombótica e antiplaquetária em pacientes com fi

Protocolo & POP 📄 Resumo de estudo 🏥 UTI / Emergência
§ 01

Visão geral

POP Institucional SAMUTI

Objetivo: padronizar a conduta quanto a anticoagulação e antiagregação plaquetária em pacientes com FA após trombólise endovenosa (t-PA) por AVC isquêmico, reduzindo recorrência embólica e minimizando risco de hemorragia intracraniana (HIC).

Âmbito: UTIs, unidades de AVC e Pronto-Socorro.

Público-alvo: médicos (neurologia, cardiologia, terapia intensiva, emergência), enfermagem e farmácia clínica.

Responsáveis: Coordenação de UTI, Neurologia, Comissão de Protocolos.

1) Princípios-chave baseados em evidências

  • Primeiras 24 horas pós-trombólise: não administrar antitrombóticos (nem AAS/dupla antiagregação, nem anticoagulantes). Reintroduzir somente após TC/RM de controle sem hemorragia (geralmente em 24 horas). (www.stroke.org, Circulation)
  • Estratégia atual para início de anticoagulação (ACO) precoce: Ensaios ELAN (NEJM 2023), TIMING (Circulation 2022) e OPTIMAS (Lancet 2024) mostraram que iniciar DOAC até 4 dias (com modulação pela gravidade/tamanho do infarto) é não-inferior à estratégia tardia para desfechos combinados aos 90 dias, sem aumento de HIC sintomática; alguns resultados sugerem menor recorrência isquêmica com início precoce. (New England Journal of Medicine, PubMed, Circulation, The Lancet, ScienceDirect)
  • AAS/dupla antiagregação: Em AVC cardioembólico por FA, a terapia de manutenção preferida é anticoagulação isolada. Evitar AAS concomitante ao DOAC de rotina (usa-se apenas se houver outra indicação: p.ex., stent coronário recente). Diretrizes de prevenção secundária desaconselham dupla antiagregação crônica fora de cenários específicos. (Circulation, American College of Cardiology)
  • Regras de espera tradicionais (1-3-6-12): ainda aceitáveis quando alto risco hemorrágico (infarto grande/transformação hemorrágica), porém com evidência recente apoiando encurtar prazos em casos leves/moderados. (PMC, European Stroke Organisation)
  • Metáfora rápida: pense na ACO como religar o “disjuntor anti-êmbolo” do átrio. Se a casa (cérebro) está seca e estável (infarto pequeno/moderado, sem sangramento), religamos cedo; se ainda há água no chão (transformação hemorrágica/infarto extenso), atrasamos para não levar choque.

    2) Critérios de inclusão e exclusão

    Incluir:

  • AVC isquêmico reperfundido com trombólise EV (± trombectomia), com FA (documentada ou presumida).
  • Hemodinâmica e PA controladas (alvos conforme protocolo de AVC).
  • Adiar/Contraindicar temporariamente ACO/antiagregante:

  • Qualquer hemorragia na imagem de 24–36 h pós-trombólise. (www.stroke.org)
  • Transformação hemorrágica (PH1/PH2) ou infarto extenso com efeito de massa. (PMC)
  • Plaquetas < 100.000/µL, INR > 1,7 (sem correção), sangramento ativo.
  • Procedimentos neurocirúrgicos iminentes, dissecção/aneurisma não estabilizado.
  • FA valvar (estenose mitral reumática) → DOAC não indicado; considerar varfarina após janela segura. (Circulation)
  • 3) Fluxo assistencial (pós-trombólise até introdução de ACO)

    0–24 horas

  • Proibir antitrombóticos. Controlar PA, glicemia, temperatura e dissecção de causas. Solicitar TC/RM de controle em 24 h. (www.stroke.org)
  • Após 24–36 horas (com imagem sem hemorragia)

  • Classificar gravidade/tamanho do infarto (clínica, NIHSS, neuroimagem).
  • Escolher trilha de tempo para ACO:
  • CenárioConduta sugerida
    AVC leve/moderado, sem hemorragia na imagemIniciar DOAC no D+2–D+4 (ex.: D+2 se muito pequeno). Não associar AAS de rotina. (New England Journal of Medicine, Circulation, The Lancet)
    AVC extenso sem transformação hemorrágicaAdiar para D+6–D+7 (seguindo ELAN/OPTIMAS para “major stroke”). (New England Journal of Medicine, The Lancet)
    Com transformação hemorrágica relevante (PH2) ou alto risco de HICAdiar para D+12–D+14; usar AAS isolado apenas se imagem estável e benefício > risco, até introduzir ACO. (PMC)

    AAS: se não for possível iniciar ACO logo (p.ex., aguardando D+6–D+14), pode-se usar AAS 81–100 mg/dia após 24 h (imagem limpa), interrompendo quando DOAC for iniciado. Evitar AAS + DOAC salvo indicação cardiológica formal. (www.stroke.org, American College of Cardiology)

    4) Escolha do anticoagulante e doses (ajustar por função renal/idade/peso)

    DOACs preferidos em FA não-valvar; varfarina para FA valvar (estenose mitral reumática) ou válvula mecânica. (Circulation)

  • Apixabana: 5 mg 2×/dia; reduzir para 2,5 mg 2×/dia se ≥2 critérios: idade ≥80 a, peso ≤60 kg, creatinina ≥1,5 mg/dL.
  • Rivaroxabana: 20 mg 1×/dia com alimento; 15 mg 1×/dia se ClCr 15–49 mL/min.
  • Dabigatrana: 150 mg 2×/dia; 110 mg 2×/dia se ≥80 a ou alto risco de sangramento; evitar se ClCr <30.
  • Edoxabana: 60 mg 1×/dia; 30 mg 1×/dia se ClCr 15–50 ou peso ≤60 kg.
  • (Usar bula/protocolo institucional para ajustes finos e interações.) (Circulation)

    5) Situações especiais

  • Após trombectomia mecânica: seguir a mesma lógica de extensão do infarto/risco de HIC; não antecipar ACO sem imagem ok. (Consenso prático; aplicar regras ELAN/OPTIMAS). (New England Journal of Medicine, The Lancet)
  • HAS não controlada (PAS >185 ou PAD >110 mmHg): adiar ACO até controle sustentado. (www.stroke.org)
  • Doença coronária com stent recente (<30–90 dias): discutir com cardiologia. Se obrigatório manter AAS, usar menor tempo possível e reavaliar; preferir monoterapia com ACO assim que viável. (American College of Cardiology)
  • Insuficiência renal: redobrar cautela no início precoce; dados sugerem segurança mantida com ajuste renal. (Circulation)
  • FA valvar (EM reumática) e prótese mecânica: varfarina quando elegível, com ponte heparínica apenas se estritamente necessária e após janela segura definida pela neuroimagem. (Circulation)
  • 6) Monitorização e segurança

  • Imagem: TC/RM de controle às 24 h e sempre que houver piora neurológica. (www.stroke.org)
  • Laboratório: Hb/plaquetas, função renal e hepática antes do DOAC e periodicamente (p.ex., 48–72 h; 2–4 semanas; depois trimestral).
  • Pressão arterial: manter metas do protocolo de AVC.
  • Sangramento: treinar equipe para sinais de HIC; protocolos de reversão (idarucizumabe para dabigatrana; andexanet alfa/prot. PCC conforme disponibilidade).
  • 7) Indicadores de qualidade (auditoria)

  • % de pacientes trombolisados com antitrombótico nas primeiras 24 h (meta: 0%). (www.stroke.org)
  • Tempo mediano para início de ACO por categoria de gravidade (leve/moderado: ≤4 dias; grave: D6–D7). (New England Journal of Medicine, The Lancet)
  • Taxa de HIC sintomática até 7 e 90 dias após início de ACO. (New England Journal of Medicine, Circulation)
  • % de uso concomitante AAS+DOAC sem indicação cardiológica válida (meta: <5%). (American College of Cardiology)
  • 8) Checklists operacionais

    Checklist de 24–36 h pós-trombólise

  • TC/RM de controle sem hemorragia documentada. (www.stroke.org)
  • PA, glicemia e temperatura controladas.
  • Classificação de gravidade/tamanho do infarto.
  • Plano de início de ACO definido (D+2–D+4 ou D+6–D+14). (New England Journal of Medicine, The Lancet)
  • Decisão sobre AAS transitório se ACO adiado; programar suspensão no dia do DOAC. (American College of Cardiology)
  • Ajustes por função renal/idade/peso revisados. (Circulation)
  • Checklist de prescrição do DOAC

  • Droga/dose corretas e ajustes renais aplicados. (Circulation)
  • Suspenso AAS/clopidogrel se sem outra indicação. (American College of Cardiology)
  • Educação do paciente/família (adesão, sinais de sangramento).
  • Agendamento de revisão (imagem/labs) e seguimento em 2–4 semanas.
  • 9) Fluxograma (visão rápida)

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    10) Educação e comunicação (time e família)

  • Explicar benefício da ACO precoce quando elegível (reduz novas embolias) sem elevar HIC nas janelas seguras. (New England Journal of Medicine, Circulation, The Lancet)
  • Registrar em prontuário: justificativa do timing, droga/dose, plano de suspensão de AAS, monitorização.
  • Referências (formato ABNT-BR)

  • POWERS, W. J. et al. 2019 Update to the 2018 Guidelines for the Early Management of Acute Ischemic Stroke. Stroke, v. 50, n. 12, 2019. Disponível em: AHA/ASA slide deck. Acesso em: 6 set. 2025. (www.stroke.org)
  • POWERS, W. J. et al. 2019 update to the 2018 guidelines for the early management of patients with acute ischemic stroke. Stroke, 2019. Disponível em: . Acesso em: 6 set. 2025. (Circulation)
  • KLEINDORFER, D. O. et al. 2021 Guideline for the Prevention of Stroke in Patients With Stroke and TIA. Stroke, v. 52, n. 7, p. e364–e467, 2021. Disponível em: AHA Journals/Slide deck. Acesso em: 6 set. 2025. (Circulation)
  • FISCHER, U. et al. Early versus Later Anticoagulation for Stroke with Atrial Fibrillation (ELAN). New England Journal of Medicine, v. 389, p. 611–621, 2023. Acesso em: 6 set. 2025. (New England Journal of Medicine, PubMed)
  • OLDGREN, J. et al. Early Versus Delayed NOAC After Acute Ischemic Stroke in Atrial Fibrillation (TIMING). Circulation, v. 146, n. 16, p. 1217–1226, 2022. Acesso em: 6 set. 2025. (Circulation, PubMed)
  • WERRING, D. J. et al. Optimal timing of anticoagulation after acute ischaemic stroke associated with atrial fibrillation (OPTIMAS). The Lancet, 2024. Acesso em: 6 set. 2025. (The Lancet, ScienceDirect, PubMed)
  • AMERICAN COLLEGE OF CARDIOLOGY. 2021 AHA/ASA Stroke Secondary Prevention Guideline: Key Points. 2021. Acesso em: 6 set. 2025. (American College of Cardiology)
  • OLMA, M. C. et al. Timing of oral anticoagulation in AF patients after acute ischaemic stroke. European Heart Journal Supplements, 2024. Acesso em: 6 set. 2025. (Revisão do “1-3-6-12”). (PMC)
  • EUROPEAN STROKE ORGANISATION. Starting anticoagulation following cardioembolic stroke with ELAN (comentário). 2023. Acesso em: 6 set. 2025. (European Stroke Organisation)
  • Observações finais

  • Este POP será revisado anualmente ou quando novas diretrizes/ensaios mudarem o padrão de cuidado.
  • Refs

    Referências