The metabolic response to stress in critical illness: update
Visão geral
Identificação
Título: The metabolic response to stress in critical illness: updated review on the pathophysiological mechanisms, consequences, and therapeutic implications
Autores: Raphael Mottale, Claire Dupuis, Sylwia Szklarzewska, Jean-Charles Preiser
Periódico: Annals of Intensive Care (2025) 15:174 — Open Access
Instituição: Université Libre de Bruxelles (ULB), Hôpital Érasme — Bruxelas, Bélgica
Tipo: Narrative Review (17 páginas, 162 referências)
Mensagem Principal
Visão Geral — Fisiopatologia
Fase Aguda: Ativação simpática -> liberação de catecolaminas -> eixo HHA -> ACTH, TSH, GH, AVP. Resposta de l luta ou fuga com produção hepática de glicose como prioridade.
Fase Subaguda: Resistência periférica a GH e hormônios tireoidianos (non-thyroidal illness). Cortisol elevado por clearance reduzido. Ativação inflamatória com DAMPs/PAMPs, disfunção mitocondrial, estresse oxidativo e autofagia.
Fase Crônica: Transição catabolismo -> anabolismo. Quando falha, evolui para CCI (Chronic Critical Illness) e PICS (Persistent Inflammation, Immunosuppression and Catabolism Syndrome).
Tabela — O que Há de Novo
Ensaios Clínicos Chave Citados
NUTRIREA-3 (Reignier 2023, Lancet Respir Med): Restrição calórica (6 kcal/kg/dia + 0.2-0.4 g/kg/dia proteína nos primeiros 7 dias) vs. padrão. Grupo restrição apresentou alta hospitalar mais precoce.
EPANIC (Casaer 2011, NEJM): Nutrição parenteral precoce vs. tardia. Parenteral precoce associada a maior morbidade. Subestudo mostrou que não preveniu perda muscular.
PRECISe (Bels 2024, Lancet): 1000 pacientes. Proteína 2.0 vs. 1.3 g/kg/dia. Sem benefício em sobrevida ou recuperação funcional. Grupo alta proteína: pior qualidade de vida em 180 dias e mais intolerância GI.
EFFORT Protein (Heyland 2023, Lancet): 1329 pacientes. Proteína >/= 2.2 vs. = 1.2 g/kg/dia. Sem efeito em sobrevida. Sinal de dano em IRA.
TARGET Protein (Summers 2025, JAMA): Proteína aumentada vs. padrão. Potencial dano em disfunção renal.
TGC-Fast (Gunst 2023, NEJM): Controle glicêmico intensivo computadorizado vs. liberal. Sem efeito em tempo de UTI ou mortalidade.
Recomendações Clínicas (Bedside Management - Table 2)
Metabolismo Energético Alternativo
Lactato: Atua como fonte energética via 'lactate shuttle' e tem efeitos imunomoduladores (polarização M2, NETose). Termo 'lactormone' reflete seu papel autócrino, parácrino e endócrino.
Corpos Cetônicos (BHB): Fonte preferencial para coração e córtex renal (até 75% da energia cerebral). BHB ativa autofagia, suprime inflamassoma NLRP3, ativa Nrf2 e promove biogênese mitocondrial.
Endótipos Metabólicos (Cluster Analysis)
Sangla et al. (2025, Ann Intensive Care): 3 clusters metabólicos em choque séptico/cardiogênico:
Forças e Limitações
Forças: Revisão abrangente e atualizada (162 refs, 2024-2025); abordagem integrada fisiopatologia-clínica-terapêutica; Tabela de bedside management com recomendações graduadas em 3 níveis (estabelecido, possível, exploratório); discussão de metabolômica e endótipos.
Limitações: Revisão narrativa (não sistemática); sem meta-análise; vieses de seleção de literatura; muitas recomendações baseadas em estudos observacionais ou pré-clínicos.
Contexto e Relevância
Esta revisão atualiza a clássica de Preiser et al. (2014, Br J Anaesth). O campo avançou significativamente com grandes RCTs (NUTRIREA-3, PRECISe, TARGET, EFFORT, TGC-Fast) que mudaram a prática: restrição calórica precoce, cautela com proteína em IRA, controle glicêmico moderado. A metabolômica emerge como promessa para medicina personalizada na UTI, permitindo identificar o momento ideal de transição de suporte catabólico para anabólico.
Referências Principais
Referências
Conteúdo migrado do Central de Estudos (Blog Dr. Jackson Fuck, Notion).