Time-Limited Trials for Patients With Critical Illness: A Re
Visão geral
Autores: Kruser JM, Nadig NR, Viglianti EM, Clapp JT, Secunda KE, Halpern SD
Periódico: CHEST | Ano: 2024 | Volume: 165(4):881-891
Tipo: Revisão Narrativa da Literatura
🎯 Mensagem Principal
📊 Visão Geral
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Objetivo | Sintetizar evidências empíricas e análises éticas sobre TLTs em pacientes críticos |
| Tipo de revisão | Narrativa, com busca sistemática (CINAHL, MEDLINE/PubMed, Scopus) |
| Período de busca | Março e julho de 2023 |
| Artigos identificados | 71 (18 empíricos, 15 análises éticas, 38 opinião/revisão) |
| Conceito central | TLT = plano colaborativo entre médicos, pacientes e/ou substitutos para usar terapia de suporte de vida por tempo definido, com reavaliação ao final |
| Conclusão | TLTs são parte da prática atual, mas carecem de evidências robustas sobre efetividade |
🔬 Metodologia
Estratégia de Busca
Organização dos Artigos
| Categoria | N |
|---|---|
| Opinião de especialistas e revisões | 38 |
| Estudos empíricos | 18 |
| Análises éticas | 15 |
| Total | 71 |
📈 Resultados Principais
1. O Que É um TLT? — Definição e Consenso
Em 2023, a American Thoracic Society conduziu um processo Delphi modificado com 100 stakeholders de 10 países, identificando 16 elementos essenciais para a condução de um TLT e estabelecendo a seguinte definição operacional: "Um TLT é um plano colaborativo entre clínicos e o paciente e/ou substituto(s) para usar terapia de suporte de vida por duração definida, após a qual a resposta do paciente informa a decisão de continuar o cuidado focado na recuperação, transição para cuidado focado exclusivamente no conforto, ou extensão da duração do ensaio."
Os 16 elementos essenciais organizam-se em 4 fases:
| Fase | Elementos-chave |
|---|---|
| Considerar | Discutir metas/prioridades do paciente; estimar prognóstico com grau de incerteza |
| Planejar | Reunião com paciente/substituto; definir duração, critérios de melhora/piora, terapias aceitáveis, decisões possíveis ao final; obter concordância; documentar; disseminar ao time |
| Apoiar | Atualizar paciente/substituto sobre mudanças relevantes; reconsiderar plano se necessário |
| Reavaliação | Reunião de reavaliação; aplicar critérios; decidir entre continuar, transicionar para conforto ou estender; documentar |
2. Os TLTs São Parte da Prática Atual?
Estudos observacionais demonstram que TLTs fazem parte da prática atual em UTIs médicas nos EUA, com frequência de uso variando de 8% a 27% dos pacientes internados. A frequência foi maior em UTIs de menor intensidade de cuidados ao final da vida (27% dos pacientes ≥ 65 anos) em comparação com UTIs de maior intensidade (8%).
Em um estudo de 2022 com médicos de UTI em dois centros acadêmicos nos EUA, 65% relataram familiaridade com TLTs, e destes, 77% já os haviam utilizado na prática clínica. Todos os participantes endossaram a abordagem como apropriada em alguns pacientes, após receberem a definição.
3. Como os TLTs São Implementados?
Embora os médicos possam estar familiarizados com TLTs, evidências sugerem que sua implementação na prática clínica é altamente variável. No estudo de 2022, entre os 74% de médicos que considerariam um TLT de ventilação mecânica invasiva para o mesmo paciente hipotético com insuficiência respiratória aguda, as durações propostas variaram de 3 a 7 dias.
Estudos observacionais indicam que os TLTs, quando utilizados, são frequentemente incompletos ou não executados até o fim. Em estudo de reuniões de família gravadas, as discussões quase sempre incluíam o plano de duração e os critérios de melhora/piora, mas nenhuma incluía discussão completa sobre as decisões a serem tomadas ao final do ensaio. A rotação contínua de equipe médica foi identificada como barreira estrutural à conclusão dos planos.
4. Perspectivas de Pacientes e Familiares
Dados existentes sugerem que alguns idosos preferem TLTs em relação ao suporte vital indefinido ou aos cuidados focados exclusivamente no conforto. Em estudo de 1998 com idosos em casas de repouso, TLTs foram avaliados como mais aceitáveis que uso indefinido das terapias. Para ventilação mecânica especificamente, a maioria preferia um TLT à ventilação de longa duração ou ao cuidado exclusivamente paliativo.
Em estudo de 2018 com substitutos de pacientes com demência, 31% acreditavam que o paciente preferiria um TLT, 47% prefeririam cuidado focado no conforto, e 11% escolheriam terapias máximas de suporte de vida.
Um estudo qualitativo de 2023 com substitutos para pacientes com lesão cerebral aguda grave indicou que TLTs eram valorizados por substitutos que se viam com agência na tomada de decisão, mas não pelos que se percebiam como passivos diante da evolução médica.
5. A Incerteza Prognóstica Diminui com o Tempo?
Dois estudos utilizaram modelos de machine learning e deep learning em grandes bancos de dados de UTIs nos EUA e Reino Unido, demonstrando que a acurácia preditiva de mortalidade hospitalar melhora ao longo das primeiras 48 horas de internação em UTI, quando dados acumulados e tendências são incluídos.
Contudo, a incerteza prognóstica é uma noção mais complexa do que a acurácia de um modelo preditivo. Distingue-se entre incerteza epistêmica (conhecimento incompleto, potencialmente reduzível com melhores dados) e incerteza aleatória (inerente, não reduzível mesmo com modelos perfeitos). A resposta completa sobre se — e em que grau — a incerteza diminui durante um TLT precisa incorporar essas complexidades.
6. Qual a Duração Ideal de um TLT?
| Estudo | População | Duração Sugerida | Método |
|---|---|---|---|
| Shrime et al. (2016) | Pacientes com câncer sólido avançado em UTI | ≤ 4 dias | Microssimulação de transição de estados |
| Beil et al. (2022) | Pacientes ≥ 80 anos | ≥ 7 dias | Modelagem com dados de coorte internacional |
| George et al. (2020) | Idosos intubados no pronto-socorro | Mediana de 3 dias até a morte | Análise descritiva de tempo até morte |
7. TLTs Melhoram Desfechos?
Apenas um estudo prospectivo comparou cuidado habitual com intervenção para promover TLTs: uma avaliação pré-pós em três hospitais na Califórnia, que incluiu treinamento de médicos de UTI para comunicar TLTs a substitutos. Após a intervenção, as reuniões de família foram mais frequentes, ocorreram mais cedo, e incluíram mais elementos de comunicação de alta qualidade. A mortalidade hospitalar não foi alterada, e o tempo de internação em UTI reduziu, porém com limitação metodológica reconhecida (regressão linear sem ajuste para censura informativa).
O estudo não determinou se os TLTs causaram as mudanças observadas ou se os resultados foram primariamente devidos a reuniões de família mais frequentes e precoces, independentemente dos TLTs em si. Além disso, os investigadores não reportaram se TLTs foram de fato oferecidos, aceitos, planejados ou executados durante a internação.
8. Considerações Éticas
| Questão | Posição |
|---|---|
| TLT como meio-termo ético | Supera dilemas de withholding vs withdrawing, reduzindo tanto mortes evitáveis por falta de informação quanto a dificuldade psicológica de retirar suporte já iniciado |
| Apoio de comitês de ética | Frequente, especialmente em decisões sobre ECMO |
| Crítica ética | Um autor argumenta que TLTs para pacientes com baixa chance de sobrevida expõe-os a danos sem benefício suficiente — porém sem limiares amplamente aceitos para definir "baixa chance" |
| Pandemia COVID-19 | Alguns bioeticistas propuseram TLTs como estratégia de alocação de recursos escassos, com distinção explícita do uso clínico colaborativo |
🔄 Fluxograma — Condução de um TLT na UTI
flowchart TD
A[🏥 Paciente com Indicação Incerta\\nde Terapia de Suporte de Vida] --> B{Critérios para TLT?\\nPrognóstico incerto /\\nConsenso não atingido}
B -->|Não| C[Cuidado Convencional\\nou Paliativo]
B -->|Sim| D[FASE 1: CONSIDERAR\\nDiscutir metas, prioridades\\ne estimativas prognósticas]
D --> E[FASE 2: PLANEJAR\\nReunião com paciente/substituto\\nDefinir duração, critérios, terapias\\nDocumentar e disseminar ao time]
E --> F[FASE 3: APOIAR\\nAtualizar sobre mudanças\\nReavaliar plano se necessário]
F --> G[FASE 4: REAVALIAÇÃO\\nAplicar critérios ao final do período]
G --> H{Resposta ao\\nTratamento?}
H -->|Melhora| I[✅ Continuar Cuidado\\nFocado na Recuperação]
H -->|Piora / Sem Melhora| J[🕊️ Transição para\\nCuidado Paliativo Exclusivo]
H -->|Inconclusivo| K[⏳ Estender TLT\\npor novo período acordado]
K --> F
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style D fill:#7B68EE,stroke:#5A4DB3,color:#fff
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style H fill:#F5A623,stroke:#C87E0A,color:#fff
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style K fill:#E67E22,stroke:#CA6F1E,color:#fff
style C fill:#BDC3C7,stroke:#95A5A6,color:#333💡 Pontos de Destaque
✅ Forças da Revisão
⚠️ Limitações
🏥 Aplicabilidade Clínica para a UTI
Para quem: Intensivistas, paliativistas, nefrologistas, neurologistas, cirurgiões
Quando: Pacientes com prognóstico incerto, sem consenso sobre continuidade de terapias agressivas, ou com discordância entre equipe e família
| Recomendação | Ação Prática |
|---|---|
| Implementar estrutura formal de TLT | Definir duração, critérios e decisões ao final antes de iniciar o suporte |
| Documentar no prontuário e disseminar ao time | Incluir na passagem de plantão; registrar em local visível à equipe rotativa |
| Agendar reuniões de reavaliação | Não aguardar deterioração — a reunião final é parte essencial do plano |
| Envolver substitutos com clareza de papel | Reconhecer se o substituto se percebe ativo ou passivo na tomada de decisão |
| Considerar 3–7 dias como janela inicial | Ajustar conforme diagnóstico principal (ex: neoplasia vs sepse vs LCA) |
Cautelas:
📚 Contexto na Literatura
🔮 Implicações Futuras
Perguntas não respondidas:
Pesquisa futura sugerida:
📖 Referência ABNT
KRUSER, J. M. et al. Time-limited trials for patients with critical illness: a review of the literature. CHEST, v. 165, n. 4, p. 881-891, abr. 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.chest.2023.12.014.
📝 Lista de Abreviaturas
| Sigla | Significado | Observação |
|---|---|---|
| TLT | Time-Limited Trial / Ensaio de Tempo Limitado | Termo consolidado na literatura |
| UTI | Unidade de Terapia Intensiva | — |
| ATS | American Thoracic Society | — |
| ECMO | Extracorporeal Membrane Oxygenation | Oxigenação por membrana extracorpórea |
| LCA | Lesão Cerebral Aguda | — |
| SDRA | Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo | — |
| SOFA | Sequential Organ Failure Assessment | Escore de disfunção orgânica |
| GRADE | Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation | Sistema de graduação de evidências |
| SUS | Sistema Único de Saúde | Contexto brasileiro |
🗺️ Mapa Mental
mindmap
root((Time-Limited Trials\\nCHEST 2024))
Definição
Plano colaborativo estruturado
Duração definida
Critérios explícitos
16 elementos essenciais ATS
Prática Atual
8 a 27% dos pacientes em UTI
Variação por cultura de unidade
65% médicos familiarizados
Implementação frequentemente incompleta
Perspectivas
Idosos preferem TLT a suporte indefinido
31% substitutos de pacientes com demência
Agência do substituto influencia aceitação
Incerteza Prognóstica
Diminui nas primeiras 48h na UTI
Epistêmica vs aleatória
Modelos de ML apoiam a premissa
Duração
3 a 4 dias para neoplasia
7 dias para muito idosos
Paciente e substituto definem junto
Evidência de Efetividade
Apenas 1 estudo prospectivo
Redução de tempo de UTI não definitiva
Mortalidade sem diferença
Ética
Supera dilema withholding vs withdrawing
Apoio de comitês de ética
Crítica para baixa chance de sobrevida
Lacunas
Desfechos centrados no paciente
Contextos fora dos EUA
Critérios de elegibilidade
Rotatividade de equipe