Diaphragm Ultrasound Ultrassonografia do Diafragma
Full bilingual text of the review — physiology, acquisition techniques, reference values and clinical applications across the ICU, weaning, COPD, heart failure, interstitial lung disease and neurological disorders.
Texto bilíngue integral da revisão — fisiologia, técnicas de aquisição, valores de referência e aplicações clínicas na UTI, desmame, DPOC, insuficiência cardíaca, doença pulmonar intersticial e doenças neurológicas.
AbstractResumo
Diaphragm ultrasound has become a widely adopted bedside tool for assessing respiratory muscle function in both acute and chronic respiratory failure. Initially introduced as a descriptive imaging technique, it is now increasingly used to support physiological interpretation, prognostic evaluation, and monitoring during invasive and noninvasive respiratory support, as well as in chronic respiratory diseases. In clinical practice, diaphragm ultrasound findings are often interpreted using isolated threshold values to classify diaphragm function as normal or abnormal, an approach that may inadequately represent the underlying respiratory muscle physiology. This state-of-the-art review summarizes current evidence across critical illness, noninvasive respiratory support, chronic respiratory failure, and chronic obstructive pulmonary disease (COPD). Conventional parameters—such as diaphragm thickness, thickening fraction, and excursion—are discussed within a physiological framework, highlighting their limitations in assessing intrinsic muscle strength when considered in isolation. Emerging ultrasound-based techniques, including speckle tracking, elastography, echogenicity analysis, contrast-enhanced ultrasound, and area-based motion assessment, are also reviewed. These approaches aim to provide deeper insights into diaphragmatic biomechanics, muscle quality, and perfusion, although they remain largely investigational and lack standardized acquisition and interpretation protocols. Overall, conventional diaphragm ultrasound parameters offer partial, load-dependent information with moderate and variable prognostic value across clinical settings. Integrated approaches combining diaphragm, lung, and peripheral muscle ultrasound appear to enhance physiological interpretation and clinical relevance. Diaphragm ultrasound should therefore be regarded as a dynamic, complementary component of multimodal respiratory assessment rather than a stand-alone diagnostic tool, with its greatest value in longitudinal monitoring and individualized clinical decision making.
A ultrassonografia do diafragma tornou-se uma ferramenta à beira do leito amplamente adotada para avaliar a função muscular respiratória tanto na insuficiência respiratória aguda quanto na crônica. Inicialmente introduzida como uma técnica de imagem descritiva, é hoje cada vez mais utilizada para apoiar a interpretação fisiológica, a avaliação prognóstica e o monitoramento durante o suporte respiratório invasivo e não invasivo, bem como nas doenças respiratórias crônicas. Na prática clínica, os achados da ultrassonografia do diafragma são frequentemente interpretados por meio de valores de corte isolados para classificar a função diafragmática como normal ou anormal, uma abordagem que pode representar de forma inadequada a fisiologia muscular respiratória subjacente. Esta revisão do estado da arte resume as evidências atuais na doença crítica, no suporte respiratório não invasivo, na insuficiência respiratória crônica e na doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Parâmetros convencionais — como espessura do diafragma, fração de espessamento e excursão — são discutidos dentro de um arcabouço fisiológico, destacando suas limitações na avaliação da força muscular intrínseca quando considerados isoladamente. Técnicas emergentes baseadas em ultrassom, incluindo speckle tracking, elastografia, análise de ecogenicidade, ultrassom com contraste e avaliação do movimento baseada em área, também são revisadas. Essas abordagens visam fornecer insights mais profundos sobre a biomecânica diafragmática, a qualidade muscular e a perfusão, embora permaneçam em grande parte investigacionais e careçam de protocolos padronizados de aquisição e interpretação. De modo geral, os parâmetros convencionais da ultrassonografia do diafragma oferecem informações parciais e dependentes de carga, com valor prognóstico moderado e variável entre os cenários clínicos. Abordagens integradas que combinam ultrassonografia do diafragma, do pulmão e dos músculos periféricos parecem aprimorar a interpretação fisiológica e a relevância clínica. A ultrassonografia do diafragma deve, portanto, ser considerada um componente dinâmico e complementar da avaliação respiratória multimodal, e não uma ferramenta diagnóstica isolada, com seu maior valor no monitoramento longitudinal e na tomada de decisão clínica individualizada.
KeywordsPalavras-chave
- Diaphragm
- Ultrasound
- Respiratory muscle dysfunction
- Review
- COPD
- Acute respiratory failure
- Diafragma
- Ultrassonografia
- Disfunção muscular respiratória
- Revisão
- DPOC
- Insuficiência respiratória aguda
IntroductionIntrodução
Respiratory muscle dysfunction is increasingly recognized as a key determinant of respiratory failure, weaning difficulty, exercise intolerance, and adverse outcomes across a wide range of acute and chronic diseases. Among respiratory muscles, the diaphragm plays a central role in ventilation and is particularly vulnerable to mechanical unloading, excessive load, systemic inflammation, and neuromuscular impairment. Accordingly, diaphragm ultrasound has gained widespread interest as a noninvasive bedside technique for real-time assessment of diaphragmatic structure and function [1–2]. The use of ultrasound for diaphragm assessment dates back several decades, with early applications focusing on the evaluation of diaphragmatic motion in patients with intra-abdominal diseases [3]. Over time, diaphragm ultrasound evolved from a descriptive imaging technique to a bedside tool for the assessment of respiratory muscle structure and function. Early studies in critical care and respiratory medicine primarily focused on simple ultrasound-derived indices—such as diaphragm thickness, thickening fraction, and excursion—often aiming to identify thresholds predictive of clinically relevant outcomes, including weaning or noninvasive ventilation failure [4–7]. However, subsequent evidence has revealed substantial heterogeneity, with wide variability in proposed cut-off values and only moderate predictive accuracy [8]. These inconsistencies largely reflect a key limitation: ultrasound parameters are frequently interpreted in isolation, without adequate consideration of respiratory load, ventilatory support, lung mechanics, and patient effort [8]. In parallel, advances in ultrasound technology have introduced techniques capable of assessing diaphragmatic biomechanics, regional deformation, muscle quality, and perfusion, enabling a more comprehensive physiological characterization of diaphragm function beyond motion-based indices [9–13]. At the same time, integrated approaches combining diaphragm, lung, and peripheral muscle ultrasound have emphasized the importance of multidimensional assessment, particularly in complex and frail populations, where respiratory dysfunction reflects global vulnerability rather than isolated muscle impairment [14]. Emerging prospective evidence further indicates that even when associations between ultrasound parameters and clinical outcomes are observed, their interpretation remains strongly dependent on ventilatory conditions and respiratory load. As such, apparent prognostic signals often reflect contextual physiology rather than intrinsic diaphragmatic function.
A disfunção muscular respiratória é cada vez mais reconhecida como um determinante fundamental da insuficiência respiratória, da dificuldade de desmame, da intolerância ao exercício e de desfechos adversos em uma ampla gama de doenças agudas e crônicas. Entre os músculos respiratórios, o diafragma desempenha um papel central na ventilação e é particularmente vulnerável ao descondicionamento mecânico, à carga excessiva, à inflamação sistêmica e ao comprometimento neuromuscular. Nesse sentido, a ultrassonografia diafragmática tem despertado amplo interesse como técnica não invasiva à beira do leito para avaliação em tempo real da estrutura e da função diafragmática [1–2]. O uso da ultrassonografia para avaliação diafragmática remonta a várias décadas, com as primeiras aplicações voltadas à avaliação da excursão diafragmática em pacientes com doenças intra-abdominais [3]. Ao longo do tempo, a ultrassonografia diafragmática evoluiu de uma técnica de imagem descritiva para uma ferramenta à beira do leito destinada à avaliação da estrutura e da função muscular respiratória. Os primeiros estudos em medicina intensiva e pneumologia concentraram-se principalmente em índices ultrassonográficos simples — como espessura diafragmática, fração de espessamento e excursão — muitas vezes com o objetivo de identificar limiares preditivos de desfechos clinicamente relevantes, incluindo falha de desmame ou de ventilação não invasiva [4–7]. No entanto, evidências subsequentes revelaram heterogeneidade substancial, com ampla variabilidade nos valores de corte propostos e acurácia preditiva apenas moderada [8]. Essas inconsistências refletem, em grande parte, uma limitação fundamental: os parâmetros ultrassonográficos são frequentemente interpretados de forma isolada, sem consideração adequada da carga respiratória, do suporte ventilatório, da mecânica pulmonar e do esforço do paciente [8]. Paralelamente, os avanços na tecnologia ultrassonográfica introduziram técnicas capazes de avaliar a biomecânica diafragmática, a deformação regional, a qualidade muscular e a perfusão, permitindo uma caracterização fisiológica mais abrangente da função diafragmática para além dos índices baseados em movimento [9–13]. Ao mesmo tempo, abordagens integradas que combinam ultrassonografia do diafragma, do pulmão e da musculatura periférica têm enfatizado a importância da avaliação multidimensional, particularmente em populações complexas e frágeis, nas quais a disfunção respiratória reflete vulnerabilidade global e não comprometimento muscular isolado [14]. Evidências prospectivas emergentes indicam ainda que, mesmo quando são observadas associações entre parâmetros ultrassonográficos e desfechos clínicos, sua interpretação permanece fortemente dependente das condições ventilatórias e da carga respiratória. Dessa forma, sinais prognósticos aparentes frequentemente refletem fisiologia contextual, e não função diafragmática intrínseca.
Although several reviews on diaphragm ultrasound have been published in recent years, most have focused on specific diseases, technical aspects of image acquisition, or the prognostic performance of individual ultrasound-derived parameters [11,15–18]. Less attention has been devoted to the physiological interpretation of ultrasound findings across different clinical settings and to the integration of emerging techniques with conventional diaphragm assessment. Given the expanding use of diaphragm ultrasound beyond critical care and the growing recognition of the limitations of isolated cut-off values, an updated integrative perspective is warranted [19].
Embora várias revisões sobre ultrassonografia diafragmática tenham sido publicadas nos últimos anos, a maioria se concentrou em doenças específicas, aspectos técnicos da aquisição de imagens ou no desempenho prognóstico de parâmetros individuais derivados do ultrassom [11,15–18]. Menos atenção tem sido dedicada à interpretação fisiológica dos achados ultrassonográficos em diferentes cenários clínicos e à integração de técnicas emergentes com a avaliação diafragmática convencional. Dado o uso crescente da ultrassonografia diafragmática além da medicina intensiva e o reconhecimento crescente das limitações de valores de corte isolados, justifica-se uma perspectiva integrativa atualizada [19].
This state-of-the-art review aims to synthesize current evidence on diaphragm ultrasound across invasive and noninvasive respiratory support, chronic respiratory disease, and acute illness, within a physiological and integrative framework. Rather than identifying a single “best” parameter, we focus on how ultrasound findings should be interpreted in the context of the interaction between respiratory muscle performance, mechanical load, and clinical trajectory.
Esta revisão do estado da arte tem como objetivo sintetizar as evidências atuais sobre a ultrassonografia do diafragma no suporte respiratório invasivo e não invasivo, na doença respiratória crônica e na doença aguda, dentro de um referencial fisiológico e integrativo. Em vez de identificar um único “melhor” parâmetro, focamos em como os achados ultrassonográficos devem ser interpretados no contexto da interação entre o desempenho dos músculos respiratórios, a carga mecânica e a trajetória clínica.
Literature search strategyEstratégia de busca na literatura
This state-of-the-art narrative review was based on a structured, nonsystematic literature search and was designed to provide a critical and contemporary synthesis of evolving concepts in diaphragm ultrasound, with particular emphasis on physiological interpretation, emerging techniques, current clinical applications, and unresolved research priorities. A structured, nonsystematic search was conducted in PubMed/MEDLINE and Scopus from database inception through January 2026 using terms related to diaphragm ultrasound, respiratory failure, mechanical ventilation, weaning, noninvasive ventilation, COPD, and respiratory muscles. Reference lists of key articles and recent reviews were also screened. Eligible studies included original research, observational and physiological studies, systematic reviews, and meta-analyses. Case reports were considered only when they described novel ultrasound techniques or provided relevant physiological insights. No formal quality assessment was performed, consistent with the narrative design. However, among original clinical studies, greater emphasis was placed on prospective investigations with clearly defined clinical outcomes and standardized ultrasound methodologies. Systematic reviews, meta-analyses, physiological studies, and landmark articles were also included when deemed relevant to the physiological understanding and clinical application of diaphragm ultrasound. Study selection and interpretation were guided by clinical relevance and physiological plausibility rather than quantitative synthesis. Novel techniques were defined as ultrasound approaches extending beyond conventional assessment of diaphragm thickness, thickening fraction, and excursion, including methods evaluating regional deformation, biomechanical properties, muscle quality, or perfusion. Clinical relevance was defined as the potential of a study to improve physiological understanding, inform clinical decision-making, support patient monitoring, or provide prognostic information in acute or chronic respiratory conditions.
Esta revisão narrativa do estado da arte baseou-se em uma busca estruturada e não sistemática da literatura e foi concebida para fornecer uma síntese crítica e contemporânea dos conceitos em evolução na ultrassonografia do diafragma, com ênfase particular na interpretação fisiológica, nas técnicas emergentes, nas aplicações clínicas atuais e nas prioridades de pesquisa ainda não resolvidas. Foi realizada uma busca estruturada e não sistemática no PubMed/MEDLINE e no Scopus, desde o início das bases de dados até janeiro de 2026, utilizando termos relacionados à ultrassonografia do diafragma, insuficiência respiratória, ventilação mecânica, desmame, ventilação não invasiva, DPOC e músculos respiratórios. As listas de referências de artigos-chave e de revisões recentes também foram triadas. Os estudos elegíveis incluíram pesquisas originais, estudos observacionais e fisiológicos, revisões sistemáticas e metanálises. Relatos de caso foram considerados apenas quando descreviam técnicas ultrassonográficas inovadoras ou forneciam insights fisiológicos relevantes. Não foi realizada avaliação formal de qualidade, em consonância com o desenho narrativo. Entretanto, entre os estudos clínicos originais, deu-se maior ênfase a investigações prospectivas com desfechos clínicos claramente definidos e metodologias ultrassonográficas padronizadas. Revisões sistemáticas, metanálises, estudos fisiológicos e artigos de referência também foram incluídos quando considerados relevantes para a compreensão fisiológica e a aplicação clínica da ultrassonografia do diafragma. A seleção e a interpretação dos estudos foram guiadas pela relevância clínica e pela plausibilidade fisiológica, e não por síntese quantitativa. Técnicas inovadoras foram definidas como abordagens ultrassonográficas que vão além da avaliação convencional da espessura do diafragma, da fração de espessamento e da excursão, incluindo métodos que avaliam deformação regional, propriedades biomecânicas, qualidade muscular ou perfusão. Relevância clínica foi definida como o potencial de um estudo para aprimorar a compreensão fisiológica, subsidiar a tomada de decisão clínica, apoiar a monitorização do paciente ou fornecer informação prognóstica em condições respiratórias agudas ou crônicas.
The literature screening and study selection process were performed independently by two authors. Disagreements regarding study relevance or inclusion were resolved by discussion and consensus.
A triagem da literatura e o processo de seleção dos estudos foram realizados de forma independente por dois autores. Divergências quanto à relevância ou inclusão dos estudos foram resolvidas por discussão e consenso.
Physiological basis and ultrasound assessment of the diaphragmBases fisiológicas e avaliação ultrassonográfica do diafragma
The diaphragm is the primary inspiratory muscle, generating negative intrathoracic pressure to sustain effective ventilation at rest and during increased respiratory demand. Its function reflects the interaction between neural respiratory drive, muscle contractility, chest wall mechanics, and lung volumes. In respiratory failure, disruption of any of these components may lead to diaphragmatic dysfunction, manifesting as reduced force generation, impaired endurance, and altered recruitment patterns [1]. From a physiological perspective, diaphragmatic performance cannot be captured by a single metric. Ultrasound provides multiple complementary parameters, each reflecting different aspects of diaphragmatic structure and function ( Table 1 ). A clear understanding of what each parameter represents—and its limitations—is essential to avoid oversimplification and misinterpretation in clinical practice.
O diafragma é o principal músculo inspiratório, gerando pressão intratorácica negativa para sustentar a ventilação efetiva em repouso e durante o aumento da demanda respiratória. Sua função reflete a interação entre o drive respiratório neural, a contratilidade muscular, a mecânica da parede torácica e os volumes pulmonares. Na insuficiência respiratória, a ruptura de qualquer um desses componentes pode levar à disfunção diafragmática, manifestando-se como redução da geração de força, comprometimento da endurance e alteração dos padrões de recrutamento [1]. Do ponto de vista fisiológico, o desempenho diafragmático não pode ser capturado por uma única métrica. A ultrassonografia fornece múltiplos parâmetros complementares, cada um refletindo diferentes aspectos da estrutura e da função diafragmática ( Tabela 1 ). Uma compreensão clara do que cada parâmetro representa — e de suas limitações — é essencial para evitar simplificações excessivas e interpretações equivocadas na prática clínica.
| Category | Unilateral diaphragm dysfunction | Bilateral diaphragm dysfunction | Main diagnostic methods | Role of ultrasound |
|---|---|---|---|---|
| Neurological (central) | Rare (e.g., focal brain lesions) | Brainstem lesions, central hypoventilation | MRI brain, neurophysiology | Limited; may show reduced/absent excursion, not etiologic |
| Phrenic nerve injury | Surgery (cardiac/thoracic), tumor compression, cervical radiculopathy | Bilateral phrenic neuropathy, mediastinal disease | Nerve conduction studies, EMG, CT/MRI | Detects reduced excursion/thickening; useful for bedside diagnosis and follow-up |
| Neuromuscular disorders | Neuralgic amyotrophy | ALS, myopathies, Guillain–Barré, ICU-acquired weakness | EMG, muscle biopsy, serum markers | Assesses thickness and thickening fraction; useful for monitoring progression |
| Spinal cord lesions | Cervical hemisection | High cervical injury (C1–C5), myelitis | MRI spine, neurological exam | Shows bilateral reduced/absent motion; helps quantify dysfunction |
| Mechanical / structural | Subphrenic abscess, hepatomegaly, postsurgery | COPD hyperinflation, obesity, ascites | Chest X-ray, CT scan, pulmonary function tests | Identifies reduced excursion due to load; helps distinguish paralysis vs. mechanical limitation |
| Infectious / inflammatory | Herpes zoster, local neuritis | Systemic neuromuscular involvement | Serology, CSF analysis, imaging | Nonspecific; may show dysfunction but not etiology |
| Iatrogenic | Surgical or nerve block injury | Mechanical ventilation, neuromuscular blockers | Clinical history, ventilatory parameters | Key tool for detecting ventilator-induced dysfunction and monitoring recovery |
| Idiopathic | Common | Rare | Diagnosis of exclusion | Useful for functional assessment and longitudinal follow-up |
The table summarizes major etiological categories, distinguishing between unilateral and bilateral involvement, and outlines the principal diagnostic methods used for evaluation. Ultrasound is highlighted as a bedside, noninvasive tool that provides functional assessment of diaphragmatic motion and thickening, supporting diagnosis and longitudinal monitoring, although it does not directly identify the underlying etiology. Summary of the physiological information provided by conventional and emerging diaphragm ultrasound parameters.
| Categoria | Disfunção diafragmática unilateral | Disfunção diafragmática bilateral | Principais métodos diagnósticos | Papel da ultrassonografia |
|---|---|---|---|---|
| Neurológica (central) | Rara (p. ex., lesões cerebrais focais) | Lesões de tronco encefálico, hipoventilação central | RM de encéfalo, neurofisiologia | Limitada; pode mostrar excursão reduzida/ausente, não etiológica |
| Lesão do nervo frênico | Cirurgia (cardíaca/torácica), compressão tumoral, radiculopatia cervical | Neuropatia frênica bilateral, doença mediastinal | Estudos de condução nervosa, EMG, TC/RM | Detecta excursão/espessamento reduzidos; útil para diagnóstico à beira do leito e seguimento |
| Distúrbios neuromusculares | Amiotrofia nevrálgica | ELA, miopatias, Guillain–Barré, fraqueza adquirida na UTI | EMG, biópsia muscular, marcadores séricos | Avalia espessura e fração de espessamento; útil para monitorar progressão |
| Lesões da medula espinhal | Hemissecção cervical | Lesão cervical alta (C1–C5), mielite | RM de coluna, exame neurológico | Mostra movimento bilateral reduzido/ausente; ajuda a quantificar a disfunção |
| Mecânica / estrutural | Abscesso subfrênico, hepatomegalia, pós-cirurgia | Hiperinsuflação por DPOC, obesidade, ascite | Radiografia de tórax, TC, provas de função pulmonar | Identifica excursão reduzida devido à carga; ajuda a distinguir paralisia vs. limitação mecânica |
| Infecciosa / inflamatória | Herpes-zóster, neurite local | Envolvimento neuromuscular sistêmico | Sorologia, análise do LCR, imagem | Inespecífica; pode mostrar disfunção, mas não etiologia |
| Iatrogênica | Lesão cirúrgica ou por bloqueio nervoso | Ventilação mecânica, bloqueadores neuromusculares | História clínica, parâmetros ventilatórios | Ferramenta fundamental para detectar disfunção induzida pela ventilação e monitorar a recuperação |
| Idiopática | Comum | Rara | Diagnóstico de exclusão | Útil para avaliação funcional e seguimento longitudinal |
A tabela resume as principais categorias etiológicas, distinguindo entre envolvimento unilateral e bilateral, e descreve os principais métodos diagnósticos utilizados para avaliação. A ultrassonografia é destacada como uma ferramenta não invasiva à beira do leito que fornece avaliação funcional da excursão e do espessamento diafragmático, auxiliando no diagnóstico e no monitoramento longitudinal, embora não identifique diretamente a etiologia subjacente. Resumo das informações fisiológicas fornecidas pelos parâmetros ultrassonográficos convencionais e emergentes do diafragma.
Diaphragm thickness and thickening fractionEspessura diafragmática e fração de espessamento
Diaphragm thickness (Tdi), typically measured at the zone of apposition using a high-frequency linear probe, reflects muscle size at end-expiration ( Figs. 1–3 ) ( Table 2 ). Reduced Tdi may indicate atrophy, particularly during prolonged mechanical ventilation, but provides limited information on functional capacity. In addition, absolute values are influenced by individual anatomy, limiting comparisons across patients.
A espessura do diafragma (Tdi), tipicamente medida na zona de aposição com um transdutor linear de alta frequência, reflete o tamanho do músculo ao final da expiração ( Figs. 1–3 ) ( Tabela 2 ). A redução da Tdi pode indicar atrofia, particularmente durante ventilação mecânica prolongada, mas fornece informação limitada sobre a capacidade funcional. Além disso, os valores absolutos são influenciados pela anatomia individual, o que limita comparações entre pacientes.
| Parameter | Population / setting | Reference values | LLN / normal threshold | Pathological cut-off | Key study |
|---|---|---|---|---|---|
| Diaphragmatic excursion (DE) | Healthy adults (supine, quiet breathing) | Right: 2.32 ± 0.54 cmLeft: 2.35 ± 0.54 cm | 1.2–1.3 cm | < 1.0 cm | Kabil et al. [85] |
| Healthy adults (supine, deep breathing) | Right: 5.54 ± 1.26 cmLeft: 5.30 ± 1.21 cm | 3.0 cm | < 2.5 cm | Kabil et al. [85] | |
| Healthy adults (sniff) | ∼2.9 cm | — | — | Kabil et al. [85] | |
| Healthy adults (semi-recumbent) | Rest: 18.4 ± 7.6 mmForced: 78.8 ± 13.3 mm | — | — | Testa et al. [86] | |
| Healthy adults (tidal, standing) | Right: 10.2 ± 3.7 mmLeft: 14.9 ± 4.2 mm | — | — | Yamada et al. [87] | |
| Healthy adults (forced, standing) | Right: 49.1 ± 17.0 mmLeft: 52.1 ± 15.9 mm | — | — | Hida et al. [88] | |
| ICU patients | Median: 16.3 mm (3–31 mm) | >10 mm normal | <10 mm dysfunction | Laguado-Nieto et al. [89] | |
| Thickening fraction (TFDI) | Healthy adults (seated) | 57–264% | 39–48% (LLN) | — | Boussuges et al. [75] |
| ICU / weaning (literature synthesis) | — | — | 20–36% | Vetrugno et al. [25] | |
| ICU patients | Median: 46.8% (5.9–152%) | >30% normal | <20% dysfunction | Laguado-Nieto et al. [89] | |
| ICU / weaning prediction | — | — | 29.3% (Se 77%, Sp 73%) | Lin et al. [90] |
Reference values for diaphragmatic excursion (DE) and diaphragm thickening fraction (TFdi) obtained by ultrasound and dynamic imaging. Normative values derived from healthy populations are presented alongside clinically derived thresholds from intensive care and weaning settings. The wide physiological variability of TFdi reflects its dependence on baseline diaphragm thickness and inspiratory effort; therefore, clinical interpretation should rely on validated cut-off values rather than absolute ranges. DE, diaphragmatic excursion; TFdi, diaphragm thickening fraction; LLN, lower limit of normal; ICU, intensive care unit; COPD, chronic obstructive pulmonary disease; Se, sensitivity; Sp, specificity; AUC, area under the curve.
| Parâmetro | População / cenário | Valores de referência | LIN / limiar de normalidade | Ponto de corte patológico | Estudo-chave |
|---|---|---|---|---|---|
| Excursão diafragmática (ED) | Adultos saudáveis (supino, respiração tranquila) | Direito: 2,32 ± 0,54 cmEsquerdo: 2,35 ± 0,54 cm | 1,2–1,3 cm | < 1,0 cm | Kabil et al. [85] |
| Adultos saudáveis (supino, respiração profunda) | Direito: 5,54 ± 1,26 cmEsquerdo: 5,30 ± 1,21 cm | 3,0 cm | < 2,5 cm | Kabil et al. [85] | |
| Adultos saudáveis (sniff) | ∼2,9 cm | — | — | Kabil et al. [85] | |
| Adultos saudáveis (semirreclinado) | Repouso: 18,4 ± 7,6 mmForçado: 78,8 ± 13,3 mm | — | — | Testa et al. [86] | |
| Adultos saudáveis (volume corrente, ortostase) | Direito: 10,2 ± 3,7 mmEsquerdo: 14,9 ± 4,2 mm | — | — | Yamada et al. [87] | |
| Adultos saudáveis (forçado, ortostase) | Direito: 49,1 ± 17,0 mmEsquerdo: 52,1 ± 15,9 mm | — | — | Hida et al. [88] | |
| Pacientes de UTI | Mediana: 16,3 mm (3–31 mm) | >10 mm normal | <10 mm disfunção | Laguado-Nieto et al. [89] | |
| Fração de espessamento (TFDI) | Adultos saudáveis (sentado) | 57–264% | 39–48% (LIN) | — | Boussuges et al. [75] |
| UTI / desmame (síntese da literatura) | — | — | 20–36% | Vetrugno et al. [25] | |
| Pacientes de UTI | Mediana: 46,8% (5,9–152%) | >30% normal | <20% disfunção | Laguado-Nieto et al. [89] | |
| UTI / predição de desmame | — | — | 29,3% (Se 77%, Sp 73%) | Lin et al. [90] |
Valores de referência para excursão diafragmática (DE) e fração de espessamento diafragmático (TFdi) obtidos por ultrassom e imagem dinâmica. Valores normativos derivados de populações saudáveis são apresentados juntamente com limiares clinicamente derivados de contextos de terapia intensiva e desmame. A ampla variabilidade fisiológica da TFdi reflete sua dependência da espessura diafragmática basal e do esforço inspiratório; portanto, a interpretação clínica deve se basear em valores de corte validados, e não em faixas absolutas. DE, excursão diafragmática; TFdi, fração de espessamento diafragmático; LLN, limite inferior da normalidade; ICU, unidade de terapia intensiva; COPD, doença pulmonar obstrutiva crônica; Se, sensibilidade; Sp, especificidade; AUC, área sob a curva.
The diaphragm thickening fraction (TF), defined as the relative increase in thickness from end-expiration to end-inspiration, is a dynamic index of contractile activity ( Fig. 4 ). It correlates with inspiratory effort and neural respiratory drive and is widely used as a surrogate of diaphragm function in both critically ill and noncritically ill patients [20]. However, TF does not directly reflect intrinsic muscle strength, as it is influenced by respiratory load, lung volume, and ventilatory assistance. Consequently, similar TF values may correspond to different physiological states, ranging from adequate spontaneous breathing to excessive inspiratory effort under high load [20–21]. Reference values obtained in the seated position indicate that diaphragm thickness and excursion are significantly influenced by anthropometric factors such as sex, age, and body mass index, whereas TF appears relatively independent of these variables [22–23]. This supports its use as a more generalizable parameter, while caution is warranted when interpreting absolute thickness and excursion values across different populations and settings. Notably, after adjustment for anthropometric factors, only diaphragm excursion during deep breathing was independently associated with maximal inspiratory and expiratory pressures, suggesting that excursion reflects global pressure-generating capacity, whereas TF primarily reflects relative muscle activation [22].
A fração de espessamento do diafragma (FE), definida como o aumento relativo da espessura do final da expiração para o final da inspiração, é um índice dinâmico da atividade contrátil ( Fig. 4 ). Ela se correlaciona com o esforço inspiratório e com o drive respiratório neural e é amplamente utilizada como substituta da função diafragmática tanto em pacientes críticos quanto em não críticos [20]. No entanto, a FE não reflete diretamente a força muscular intrínseca, pois é influenciada pela carga respiratória, pelo volume pulmonar e pela assistência ventilatória. Consequentemente, valores semelhantes de FE podem corresponder a estados fisiológicos distintos, variando desde respiração espontânea adequada até esforço inspiratório excessivo sob carga elevada [20–21]. Valores de referência obtidos na posição sentada indicam que a espessura e a excursão diafragmáticas são significativamente influenciadas por fatores antropométricos como sexo, idade e índice de massa corporal, enquanto a FE parece relativamente independente dessas variáveis [22–23]. Isso sustenta seu uso como um parâmetro mais generalizável, ao passo que se recomenda cautela ao interpretar valores absolutos de espessura e excursão entre diferentes populações e contextos. Notavelmente, após ajuste para fatores antropométricos, apenas a excursão diafragmática durante a respiração profunda se associou de forma independente às pressões inspiratória e expiratória máximas, sugerindo que a excursão reflete a capacidade global de geração de pressão, enquanto a FE reflete primariamente a ativação muscular relativa [22].
Age further modulates ultrasound parameters. In healthy individuals, advancing age is associated with increased diaphragm thickness but reduced TF, while excursion remains largely preserved. Maximal inspiratory pressure declines independently of ultrasound measures, highlighting a dissociation between muscle size, contractile behavior, and overall strength [24]. These findings reinforce that ultrasound-derived indices reflect functional behavior rather than intrinsic muscle strength.
A idade modula ainda mais os parâmetros ultrassonográficos. Em indivíduos saudáveis, o avanço da idade está associado ao aumento da espessura do diafragma, porém com redução da TF, enquanto a excursão permanece amplamente preservada. A pressão inspiratória máxima diminui independentemente das medidas ultrassonográficas, evidenciando uma dissociação entre o tamanho muscular, o comportamento contrátil e a força global [24]. Esses achados reforçam que os índices derivados da ultrassonografia refletem o comportamento funcional, e não a força muscular intrínseca.
Diaphragmatic excursionExcursão diafragmática
Diaphragmatic excursion (DE) measures the cranio-caudal displacement of the diaphragm during inspiration and is typically assessed using M-mode ultrasound at the diaphragmatic dome ( Figs. 5–8 ) ( Table 2 ). It reflects the mechanical consequences of diaphragmatic contraction rather than muscle activation itself and is therefore strongly influenced by lung volume, chest wall compliance, and ventilatory mode [25–26]. During spontaneous breathing, DE correlates with tidal volume and inspiratory capacity. However, under assisted or controlled mechanical ventilation, excursion may largely reflect ventilator-driven lung inflation rather than active diaphragmatic contraction, limiting its interpretability unless measurements are obtained under standardized conditions, such as spontaneous breathing trials or minimal support [8,25]. Importantly, DE and TF reflect distinct physiological processes and are not interchangeable. Preserved excursion may coexist with reduced thickening in cases of passive displacement, whereas preserved TF may be associated with limited excursion in conditions such as lung hyperinflation or increased abdominal pressure [27].
A excursão diafragmática (ED) mede o deslocamento craniocaudal do diafragma durante a inspiração e é tipicamente avaliada por ultrassonografia em modo M na cúpula diafragmática ( Figs. 5–8 ) ( Tabela 2 ). Ela reflete as consequências mecânicas da contração diafragmática, e não a ativação muscular em si, sendo, portanto, fortemente influenciada pelo volume pulmonar, pela complacência da parede torácica e pelo modo ventilatório [25–26]. Durante a respiração espontânea, a ED correlaciona-se com o volume corrente e a capacidade inspiratória. Entretanto, sob ventilação mecânica assistida ou controlada, a excursão pode refletir em grande parte a insuflação pulmonar promovida pelo ventilador, e não a contração diafragmática ativa, o que limita sua interpretabilidade, a menos que as medidas sejam obtidas em condições padronizadas, como em testes de respiração espontânea ou com suporte mínimo [8,25]. É importante ressaltar que a ED e a fração de espessamento (FE) refletem processos fisiológicos distintos e não são intercambiáveis. Excursão preservada pode coexistir com espessamento reduzido em casos de deslocamento passivo, enquanto FE preservada pode estar associada a excursão limitada em condições como hiperinsuflação pulmonar ou aumento da pressão abdominal [27].
Advanced and emerging ultrasound-derived metricsMétricas avançadas e emergentes derivadas do ultrassom
Conventional diaphragm ultrasound parameters—thickness, TF, and excursion—provide information on muscle size, relative activation, and global motion, but incompletely capture regional deformation, biomechanical properties, muscle quality, and perfusion. To address these limitations, several advanced techniques have been developed to refine physiological assessment [2,11,25]. These approaches should be viewed as complementary tools rather than replacements for standard ultrasound, as their clinical value remains uncertain and their use is currently largely restricted to research settings.
Os parâmetros ultrassonográficos convencionais do diafragma — espessura, TF e excursão — fornecem informações sobre o tamanho do músculo, a ativação relativa e o movimento global, mas capturam de forma incompleta a deformação regional, as propriedades biomecânicas, a qualidade muscular e a perfusão. Para abordar essas limitações, várias técnicas avançadas foram desenvolvidas para refinar a avaliação fisiológica [2,11,25]. Essas abordagens devem ser vistas como ferramentas complementares, e não como substitutas da ultrassonografia convencional, uma vez que seu valor clínico permanece incerto e seu uso atualmente se restringe, em grande parte, a contextos de pesquisa.
Echogenicity and muscle qualityEcogenicidade e qualidade muscular
Ultrasound allows assessment of diaphragmatic echogenicity as a marker of muscle composition. Increased echogenicity is generally associated with structural alterations such as fatty infiltration, fibrosis, or edema—features not captured by thickness or excursion [25]. Preliminary data suggest that higher echogenicity may be associated with more severe dysfunction and adverse outcomes in critically ill patients, although evidence remains limited. Unlike dynamic parameters, echogenicity may detect early structural changes preceding functional impairment. However, its clinical applicability is constrained by the lack of standardized acquisition and analysis protocols and by sensitivity to technical factors such as gain, depth, and postprocessing [11,28].
A ultrassonografia permite a avaliação da ecogenicidade diafragmática como um marcador da composição muscular. O aumento da ecogenicidade geralmente está associado a alterações estruturais como infiltração gordurosa, fibrose ou edema — características não captadas pela espessura ou pela excursão [25]. Dados preliminares sugerem que maior ecogenicidade pode estar associada a disfunção mais grave e a desfechos adversos em pacientes críticos, embora as evidências ainda sejam limitadas. Diferentemente dos parâmetros dinâmicos, a ecogenicidade pode detectar alterações estruturais precoces que precedem o comprometimento funcional. Entretanto, sua aplicabilidade clínica é limitada pela falta de protocolos padronizados de aquisição e análise e pela sensibilidade a fatores técnicos como ganho, profundidade e pós-processamento [11,28].
Advanced motion and deformation analysisAnálise avançada de movimento e deformação
Speckle-tracking ultrasound enables quantification of diaphragmatic strain and strain rate, allowing assessment of regional contractile behavior and mechanical heterogeneity. Tissue Doppler imaging provides estimates of contraction and relaxation velocities, serving as indirect markers of muscle activation. Both techniques require high-quality imaging, dedicated software, and precise acquisition, limiting their routine applicability [9,11].
A ultrassonografia com speckle-tracking permite a quantificação da deformação (strain) e da taxa de deformação diafragmática, possibilitando a avaliação do comportamento contrátil regional e da heterogeneidade mecânica. O Doppler tecidual fornece estimativas das velocidades de contração e relaxamento, servindo como marcadores indiretos da ativação muscular. Ambas as técnicas exigem imagem de alta qualidade, software dedicado e aquisição precisa, o que limita sua aplicabilidade rotineira [9,11].
Area-based and zone-of-apposition methods extend conventional excursion analysis by capturing motion over a broader diaphragmatic region. These techniques may improve assessment in challenging anatomical conditions, such as evaluation of the left hemidiaphragm. However, their measurements are influenced by lung volume and respiratory pattern, suggesting that they primarily reflect global respiratory mechanics rather than intrinsic contractility [11,29].
Os métodos baseados em área e no método da zona de aposição estendem a análise convencional da excursão ao capturar o movimento ao longo de uma região diafragmática mais ampla. Essas técnicas podem melhorar a avaliação em condições anatômicas desafiadoras, como na avaliação da hemicúpula diafragmática esquerda. Entretanto, suas medidas são influenciadas pelo volume pulmonar e pelo padrão respiratório, sugerindo que refletem primariamente a mecânica respiratória global, e não a contratilidade intrínseca [11,29].
Biomechanical and perfusion assessmentAvaliação biomecânica e de perfusão
Elastography techniques, including shear-wave and strain elastography, provide noninvasive estimates of diaphragmatic stiffness and biomechanical properties. These measures correlate with inspiratory effort and transdiaphragmatic pressure and may reflect altered mechanical efficiency in chronic respiratory disease [30]. However, elastography remains technically demanding, operator-dependent, and insufficiently standardized.
As técnicas de elastografia, incluindo a elastografia por ondas de cisalhamento e por deformação, fornecem estimativas não invasivas da rigidez diafragmática e das propriedades biomecânicas. Essas medidas se correlacionam com o esforço inspiratório e a pressão transdiafragmática e podem refletir eficiência mecânica alterada na doença respiratória crônica [30]. Entretanto, a elastografia permanece tecnicamente exigente, dependente do operador e insuficientemente padronizada.
Contrast-enhanced ultrasound (CEUS) allows evaluation of diaphragmatic microvascular perfusion. Experimental data suggest that perfusion increases with inspiratory workload, linking muscle activity to metabolic demand. Nonetheless, human data are scarce, and standardized protocols and validated clinical applications are lacking [11].
A ultrassonografia com contraste (CEUS) permite a avaliação da perfusão microvascular diafragmática. Dados experimentais sugerem que a perfusão aumenta com a carga de trabalho inspiratório, vinculando a atividade muscular à demanda metabólica. No entanto, os dados em humanos são escassos, e faltam protocolos padronizados e aplicações clínicas validadas [11].
Diaphragm ultrasound applicationsAplicações do ultrassom diafragmático
Diaphragm ultrasound in the ICU and during weaning from mechanical ventilationUltrassom diafragmático na UTI e durante o desmame da ventilação mecânica
Diaphragmatic dysfunction is highly prevalent in critically ill patients undergoing invasive mechanical ventilation and contributes to difficult or prolonged weaning. Controlled ventilation, excessive support, systemic inflammation, sepsis, and pharmacological exposure can induce rapid structural and functional changes in the diaphragm, commonly referred to as ventilator-induced diaphragmatic dysfunction. In this context, diaphragm ultrasound has emerged as a bedside tool to support functional assessment during the weaning process [25]. A meta-analysis including 19 studies and 1071 patients demonstrated that diaphragm ultrasound parameters have moderate accuracy in predicting weaning failure [8]. Among these, the thickening fraction (TF) appears the most informative, whereas diaphragmatic excursion (DE) is more variable and strongly influenced by ventilatory settings, patient effort, and lung volume [8]. Low TF values during spontaneous breathing trials have been associated with weaning failure, although with heterogeneous diagnostic performance [4–5].
A disfunção diafragmática é altamente prevalente em pacientes críticos submetidos à ventilação mecânica invasiva e contribui para o desmame difícil ou prolongado. A ventilação controlada, o suporte excessivo, a inflamação sistêmica, a sepse e a exposição farmacológica podem induzir alterações estruturais e funcionais rápidas no diafragma, comumente denominadas disfunção diafragmática induzida pela ventilação mecânica. Nesse contexto, a ultrassonografia do diafragma surgiu como uma ferramenta à beira do leito para apoiar a avaliação funcional durante o processo de desmame [25]. Uma metanálise incluindo 19 estudos e 1071 pacientes demonstrou que os parâmetros ultrassonográficos do diafragma apresentam acurácia moderada na predição de falha do desmame [8]. Entre eles, a fração de espessamento (FE) parece ser a mais informativa, enquanto a excursão diafragmática (ED) é mais variável e fortemente influenciada pelos parâmetros ventilatórios, pelo esforço do paciente e pelo volume pulmonar [8]. Valores baixos de FE durante testes de respiração espontânea foram associados à falha do desmame, embora com desempenho diagnóstico heterogêneo [4–5].
Importantly, diaphragm ultrasound should be interpreted within the broader clinical and physiological context. Variability in patient populations, methodologies, and outcome definitions limits the applicability of universal cut-offs, with proposed TF thresholds typically ranging between 20% and 30% [5,8]. In addition, early measurements may reflect transient disuse rather than irreversible dysfunction, further complicating interpretation.
É importante ressaltar que a ultrassonografia do diafragma deve ser interpretada dentro do contexto clínico e fisiológico mais amplo. A variabilidade nas populações de pacientes, nas metodologias e nas definições de desfecho limita a aplicabilidade de pontos de corte universais, com os limiares de TF propostos tipicamente variando entre 20% e 30% [5,8]. Além disso, mensurações precoces podem refletir desuso transitório em vez de disfunção irreversível, o que complica ainda mais a interpretação.
Weaning success depends on the coordinated activity of multiple respiratory muscle groups. Emerging evidence suggests that abdominal muscle function, particularly during cough, may be more closely associated with extubation outcomes than diaphragmatic indices in selected populations, such as neurocritical patients [31]. These findings highlight the importance of expiratory muscle performance in airway protection and support a broader assessment of the respiratory muscle system. Overall, diaphragm ultrasound is a valuable adjunct for identifying marked dysfunction and contextualizing weaning failure. Nevertheless, diaphragmatic assessment alone is insufficient to fully predict weaning outcomes, as its relevance may vary according to the underlying pathology. In COVID-19 patients, for instance, Vetrugno et al. reported that diaphragmatic evaluation was not associated with successful weaning from mechanical ventilation [32–33]. Its clinical utility is greatest when integrated with respiratory mechanics and global muscle assessment, whereas reliance on isolated parameters or fixed thresholds may lead to oversimplified interpretations.
O sucesso do desmame depende da atividade coordenada de múltiplos grupos musculares respiratórios. Evidências emergentes sugerem que a função muscular abdominal, particularmente durante a tosse, pode estar mais intimamente associada aos desfechos da extubação do que os índices diafragmáticos em populações selecionadas, como pacientes neurocríticos [31]. Esses achados destacam a importância do desempenho muscular expiratório na proteção das vias aéreas e respaldam uma avaliação mais ampla do sistema muscular respiratório. De modo geral, a ultrassonografia diafragmática é um adjuvante valioso para identificar disfunção acentuada e contextualizar a falha do desmame. No entanto, a avaliação diafragmática isolada é insuficiente para prever plenamente os desfechos do desmame, uma vez que sua relevância pode variar de acordo com a patologia subjacente. Em pacientes com COVID-19, por exemplo, Vetrugno et al. relataram que a avaliação diafragmática não se associou ao sucesso do desmame da ventilação mecânica [32–33]. Sua utilidade clínica é maior quando integrada à mecânica respiratória e à avaliação muscular global, ao passo que a dependência de parâmetros isolados ou de limiares fixos pode levar a interpretações excessivamente simplificadas.
Diaphragm ultrasound during noninvasive respiratory supportUltrassom diafragmático durante o suporte respiratório não invasivo
Noninvasive respiratory support, including noninvasive ventilation (NIV) and high-flow nasal therapy (HFNT), is widely used in acute respiratory failure. Despite its benefits, NIV failure remains common and is associated with delayed intubation and worse outcomes, making early risk stratification a key clinical challenge. Diaphragm ultrasound enables bedside assessment of diaphragmatic behavior during spontaneous breathing with varying levels of ventilatory assistance. As in invasive ventilation, ultrasound-derived parameters reflect the interaction between neural respiratory drive, respiratory load, and ventilatory support, rather than intrinsic muscle strength alone [25]. The diaphragm TF is the most frequently studied parameter in this setting. However, its interpretation is inherently complex: reduced TF may indicate impaired contractility but may also reflect excessive unloading or patient–ventilator asynchrony. Conversely, preserved or increased TF may represent either adequate function or excessive inspiratory effort under high respiratory load. These features limit its use as a binary predictor of noninvasive support success or failure [25]. Diaphragmatic excursion is even more sensitive to changes in lung volume, interface characteristics, and ventilatory settings, which often vary during NIV or HFNT. Consequently, excursion should be interpreted cautiously and is unlikely to provide reliable prognostic information when considered in isolation [8,25].
O suporte respiratório não invasivo, incluindo ventilação não invasiva (VNI) e oxigenoterapia nasal de alto fluxo (ONAF), é amplamente utilizado na insuficiência respiratória aguda. Apesar de seus benefícios, a falha da VNI permanece comum e está associada a atraso na intubação e piores desfechos, tornando a estratificação precoce de risco um desafio clínico fundamental. A ultrassonografia diafragmática permite a avaliação à beira do leito do comportamento diafragmático durante a respiração espontânea com níveis variáveis de assistência ventilatória. Assim como na ventilação invasiva, os parâmetros derivados da ultrassonografia refletem a interação entre o drive respiratório neural, a carga respiratória e o suporte ventilatório, e não apenas a força muscular intrínseca [25]. A fração de espessamento (FE) do diafragma é o parâmetro mais frequentemente estudado nesse contexto. Entretanto, sua interpretação é inerentemente complexa: uma FE reduzida pode indicar comprometimento da contratilidade, mas também pode refletir desassistência excessiva ou assincronia paciente-ventilador. Por outro lado, uma FE preservada ou aumentada pode representar função adequada ou esforço inspiratório excessivo sob carga respiratória elevada. Essas características limitam seu uso como preditor binário de sucesso ou falha do suporte não invasivo [25]. A excursão diafragmática é ainda mais sensível a alterações no volume pulmonar, nas características da interface e nos parâmetros ventilatórios, que frequentemente variam durante a VNI ou a ONAF. Consequentemente, a excursão deve ser interpretada com cautela e é improvável que forneça informações prognósticas confiáveis quando considerada isoladamente [8,25].
Prediction of NIV failurePredição de falha da VNI
Several observational studies have evaluated diaphragm ultrasound for predicting NIV failure, primarily focusing on TF as a marker of diaphragmatic activation. In a prospective study of 75 patients with acute respiratory failure, Marchioni et al. reported that diaphragmatic dysfunction (TF <20%) was associated with a six-fold increase in NIV failure and a five-fold increase in 90-day mortality [6]. Similarly, Kocyigit et al., in 60 patients undergoing NIV, found that reduced TF predicted treatment failure with high sensitivity (84.6%) and specificity (91.5%) [7]. These findings suggest that impaired diaphragmatic activation identifies patients at increased risk of NIV failure. However, TF should be interpreted as a physiological signal rather than a definitive predictor, as it reflects the balance between neural drive and ventilatory assistance. Accordingly, ultrasound findings should be integrated with gas exchange, respiratory mechanics, and clinical response.
Diversos estudos observacionais avaliaram a ultrassonografia diafragmática para predizer falha da VNI, concentrando-se principalmente na TF como marcador de ativação diafragmática. Em um estudo prospectivo com 75 pacientes com insuficiência respiratória aguda, Marchioni et al. relataram que a disfunção diafragmática (TF <20%) associou-se a um aumento de seis vezes na falha da VNI e a um aumento de cinco vezes na mortalidade em 90 dias [6]. Da mesma forma, Kocyigit et al., em 60 pacientes submetidos à VNI, constataram que a TF reduzida predisse falha do tratamento com alta sensibilidade (84,6%) e especificidade (91,5%) [7]. Esses achados sugerem que a ativação diafragmática comprometida identifica pacientes com risco aumentado de falha da VNI. Entretanto, a TF deve ser interpretada como um sinal fisiológico, e não como um preditor definitivo, pois reflete o equilíbrio entre o drive neural e a assistência ventilatória. Assim, os achados ultrassonográficos devem ser integrados à troca gasosa, à mecânica respiratória e à resposta clínica.
Physiological comparison between HFNT and NIVComparação fisiológica entre CNAF e VNI
Beyond outcome prediction, diaphragm ultrasound has been used to explore diaphragmatic behavior under different forms of noninvasive support. In a prospective physiological study, Pérez-Terán et al. reported similar diaphragmatic excursion and TF during HFNT and NIV. However, a composite index integrating excursion, TF, and respiratory rate (MAR index) was higher during HFNT, suggesting differences in diaphragmatic workload between the two modalities [34]. These findings provide physiological insight but should be interpreted cautiously, as the study was not designed to assess clinical outcomes and may have been influenced by patient selection and disease severity. Accordingly, current evidence does not support the use of diaphragm ultrasound to guide the choice between HFNT and NIV. Diaphragm ultrasound should instead be considered an adjunctive tool for identifying abnormal diaphragmatic behavior and supporting integrated clinical decision-making in conjunction with respiratory mechanics, gas exchange, and clinical trajectory [34]. Cut-off values derived from invasive ventilation or spontaneous breathing trials should not be extrapolated to noninvasive settings. Ultrasound has also been used to evaluate the impact of ventilatory interfaces. In a proof-of-concept study in patients with obstructive sleep apnea treated with CPAP, diaphragmatic excursion increased when switching from an oronasal to a nasal mask, suggesting reduced inspiratory load. Greater neck circumference and disease severity were associated with lower excursion when using an oronasal mask [35]. These findings highlight the sensitivity of diaphragm ultrasound to detect changes in respiratory mechanics, reinforcing its role as a physiological monitoring tool.
Além da predição de desfechos, a ultrassonografia diafragmática tem sido utilizada para explorar o comportamento diafragmático sob diferentes formas de suporte não invasivo. Em um estudo fisiológico prospectivo, Pérez-Terán et al. relataram excursão diafragmática e TF semelhantes durante HFNT e VNI. No entanto, um índice composto que integra excursão, TF e frequência respiratória (índice MAR) foi maior durante HFNT, sugerindo diferenças na carga de trabalho diafragmática entre as duas modalidades [34]. Esses achados fornecem insights fisiológicos, mas devem ser interpretados com cautela, pois o estudo não foi desenhado para avaliar desfechos clínicos e pode ter sido influenciado pela seleção de pacientes e pela gravidade da doença. Assim, as evidências atuais não sustentam o uso da ultrassonografia diafragmática para orientar a escolha entre HFNT e VNI. A ultrassonografia diafragmática deve, em vez disso, ser considerada uma ferramenta adjuvante para identificar comportamento diafragmático anormal e apoiar a tomada de decisão clínica integrada em conjunto com a mecânica respiratória, a troca gasosa e a trajetória clínica [34]. Valores de corte derivados da ventilação invasiva ou de testes de respiração espontânea não devem ser extrapolados para contextos não invasivos. A ultrassonografia também tem sido utilizada para avaliar o impacto das interfaces ventilatórias. Em um estudo de prova de conceito em pacientes com apneia obstrutiva do sono tratados com CPAP, a excursão diafragmática aumentou ao trocar de uma máscara oronasal para uma máscara nasal, sugerindo redução da carga inspiratória. Maior circunferência cervical e gravidade da doença foram associadas a menor excursão ao usar máscara oronasal [35]. Esses achados destacam a sensibilidade da ultrassonografia diafragmática para detectar alterações na mecânica respiratória, reforçando seu papel como ferramenta de monitorização fisiológica.
Diaphragm ultrasound in COPDUltrassom diafragmático na DPOC
Chronic obstructive pulmonary disease (COPD) is characterized by airflow limitation, lung hyperinflation, and increased inspiratory load, all of which alter diaphragmatic geometry and function. Chronic mechanical disadvantage, muscle remodeling, and increased work of breathing contribute to diaphragmatic dysfunction, a key determinant of dyspnea, exercise limitation, and susceptibility to exacerbations. In this context, diaphragm ultrasound represents a noninvasive tool for assessing diaphragmatic structure and function across different stages of the disease. In stable COPD, diaphragm thickness and TF during quiet breathing are often comparable to those of healthy individuals, suggesting that resting measurements may underestimate dysfunction [36–37]; impairment becomes more evident during maximal inspiratory efforts, with reduced thickness and TF reflecting diminished contractile reserve under increased load [38]. Diaphragmatic excursion progressively declines with disease severity and correlates with airflow limitation, supporting its role as an integrated marker of disease burden [39]. During acute exacerbations, diaphragmatic function further deteriorates due to increased respiratory load, dynamic hyperinflation, and elevated neural drive. TF is reduced in the acute phase and improves with recovery, indicating a largely reversible impairment, while greater improvement in excursion is associated with faster clinical recovery and longer exacerbation-free intervals [40]. Ultrasound parameters assessed during maximal inspiration also show moderate accuracy in distinguishing exacerbation from stable disease, suggesting their role as markers of disease activity rather than fixed abnormalities [41]. Pulmonary rehabilitation has been shown to improve diaphragmatic function, with increased excursion observed after intervention despite minimal changes in lung function, highlighting adaptive mechanisms [42]. Ultrasound assessment additionally provides insight into diaphragmatic workload, as patients with COPD exhibit increased effort and reduced force reserve, correlating with disease severity [30]; overall, diaphragmatic dysfunction reflects an imbalance between respiratory load and muscle capacity. Sarcopenia, a frequent and often under-recognized comorbidity in COPD, further contributes to functional impairment. Nearly half of COPD patients may meet criteria for sarcopenia, and although diaphragm thickness may remain unchanged, TF is significantly reduced, particularly when adjusted for lung volume, showing greater sensitivity than conventional indices such as maximal inspiratory and expiratory pressures [43]. These findings indicate that diaphragm ultrasound may detect early functional impairment related to systemic muscle wasting. This concept is supported by prospective data in older patients with acute respiratory failure, where sarcopenia is independently associated with reduced diaphragmatic excursion and TF, suggesting that diaphragmatic dysfunction is more closely linked to global muscle vulnerability than to respiratory disease severity; ultrasound parameters were not predictive of short-term survival [44]. Overall, diaphragm ultrasound emerges as a valuable marker of reduced respiratory muscle reserve and frailty, underscoring the importance of integrating it into a comprehensive assessment of systemic muscle function.
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é caracterizada por limitação ao fluxo aéreo, hiperinsuflação pulmonar e aumento da carga inspiratória, fatores que alteram a geometria e a função diafragmática. A desvantagem mecânica crônica, o remodelamento muscular e o aumento do trabalho respiratório contribuem para a disfunção diafragmática, um determinante fundamental de dispneia, limitação ao exercício e suscetibilidade a exacerbações. Nesse contexto, a ultrassonografia diafragmática representa uma ferramenta não invasiva para avaliação da estrutura e da função diafragmática em diferentes estágios da doença. Na DPOC estável, a espessura diafragmática e a TF durante a respiração tranquila são frequentemente comparáveis às de indivíduos saudáveis, sugerindo que as medidas em repouso podem subestimar a disfunção [36–37]; o comprometimento torna-se mais evidente durante esforços inspiratórios máximos, com redução da espessura e da TF refletindo diminuição da reserva contrátil sob carga aumentada [38]. A excursão diafragmática declina progressivamente com a gravidade da doença e correlaciona-se com a limitação ao fluxo aéreo, sustentando seu papel como marcador integrado da carga de doença [39]. Durante exacerbações agudas, a função diafragmática deteriora-se ainda mais devido ao aumento da carga respiratória, à hiperinsuflação dinâmica e ao drive neural elevado. A TF encontra-se reduzida na fase aguda e melhora com a recuperação, indicando um comprometimento amplamente reversível, enquanto maior melhora da excursão está associada a recuperação clínica mais rápida e intervalos livres de exacerbação mais longos [40]. Os parâmetros ultrassonográficos avaliados durante a inspiração máxima também mostram acurácia moderada em distinguir exacerbação de doença estável, sugerindo seu papel como marcadores de atividade da doença em vez de anormalidades fixas [41]. A reabilitação pulmonar demonstrou melhorar a função diafragmática, com aumento da excursão observado após a intervenção apesar de alterações mínimas na função pulmonar, destacando mecanismos adaptativos [42]. A avaliação ultrassonográfica também fornece informações sobre a carga de trabalho diafragmática, uma vez que pacientes com DPOC exibem esforço aumentado e reserva de força reduzida, correlacionando-se com a gravidade da doença [30]; de modo geral, a disfunção diafragmática reflete um desequilíbrio entre a carga respiratória e a capacidade muscular. A sarcopenia, uma comorbidade frequente e muitas vezes sub-reconhecida na DPOC, contribui adicionalmente para o comprometimento funcional. Quase metade dos pacientes com DPOC pode preencher critérios para sarcopenia e, embora a espessura diafragmática possa permanecer inalterada, a TF encontra-se significativamente reduzida, particularmente quando ajustada para o volume pulmonar, mostrando maior sensibilidade do que índices convencionais como as pressões inspiratória e expiratória máximas [43]. Esses achados indicam que a ultrassonografia diafragmática pode detectar comprometimento funcional precoce relacionado à perda muscular sistêmica. Esse conceito é sustentado por dados prospectivos em pacientes idosos com insuficiência respiratória aguda, nos quais a sarcopenia está independentemente associada à redução da excursão diafragmática e da TF, sugerindo que a disfunção diafragmática está mais intimamente ligada à vulnerabilidade muscular global do que à gravidade da doença respiratória; os parâmetros ultrassonográficos não foram preditivos de sobrevida em curto prazo [44]. De modo geral, a ultrassonografia diafragmática emerge como um marcador valioso de reserva muscular respiratória reduzida e fragilidade, ressaltando a importância de integrá-la a uma avaliação abrangente da função muscular sistêmica.
Diaphragm ultrasound in heart failureUltrassonografia diafragmática na insuficiência cardíaca
In patients with heart failure, diaphragm ultrasound is increasingly recognized as a valuable bedside tool to assess respiratory muscle structure and function, providing insights into the interplay between cardiac dysfunction and ventilatory mechanics. Heart failure is associated with increased inspiratory load, pulmonary congestion, and altered intrathoracic pressure dynamics, all of which contribute to diaphragmatic dysfunction and reduced ventilatory reserve. In acute and perioperative settings, such as cardiac surgery, diaphragm ultrasound can support the assessment of readiness for weaning from mechanical ventilation by identifying reduced diaphragmatic excursion, impaired contractility, and increased workload, particularly in the presence of right ventricular dysfunction or fluid overload [45]. In acute heart failure (AHF), clinical data support a relevant role for diaphragm ultrasound in disease characterization: in a cohort of 72 patients with acute decompensated heart failure, diaphragmatic motion at total lung capacity was significantly reduced compared with controls and inversely correlated with disease severity (NYHA class) and systolic pulmonary artery pressure, while diaphragm thickness was paradoxically increased, suggesting a maladaptive response to increased respiratory load [46]. Additional evidence indicates that diaphragm ultrasound, combined with 2D speckle tracking imaging, may provide dynamic information on respiratory muscle performance and its response to therapy: higher diaphragm strain and inspiratory motion have been observed during states of increased cardiac loading, with reduction after decongestive treatment, whereas persistent diaphragmatic weakness—defined by excursion <10 mm—may identify patients at risk of early relapse [47]. Beyond acute care, muscle ultrasound has emerged as a tool for phenotyping and risk stratification in chronic heart failure. Distinct pathophysiological patterns have been described across HF subtypes, with diaphragmatic atrophy and mitochondrial dysfunction predominating in HFrEF, whereas reduced diaphragmatic motion and skeletal muscle fat infiltration are more characteristic of HFpEF [17]. In HFpEF, ultrasound studies demonstrate both diaphragmatic and peripheral muscle impairment: diaphragmatic excursion during quiet and deep breathing is significantly reduced (e.g., 1.09 vs. 1.36 cm at rest and 4.2 vs. 5.8 cm during deep breathing compared with controls), and strongly correlates with exercise capacity, with peak VO₂ positively associated with diaphragmatic motion (r = 0.47 during quiet breathing and r = 0.71 during deep breathing, p < 0.001), highlighting diaphragm dysfunction as a key determinant of exercise intolerance [48]. Ultrasound-derived parameters also correlate with functional capacity, including 6-min walk distance and peak VO₂, and may provide prognostic information; for example, a diaphragmatic excursion <2.5 cm in HFpEF has been associated with adverse outcomes [17]. In addition, the concept of respiratory sarcopenia—defined by the coexistence of reduced diaphragm thickness and impaired respiratory function—identifies a high-risk phenotype. In a cohort of 435 older patients hospitalized for heart failure (median age 81 years), respiratory sarcopenia was present in 10.8% of cases and was independently associated with increased 2-year all-cause mortality (HR 2.51, 95% CI 1.40–4.50), whereas reduced diaphragm thickness or impaired lung function alone were not predictive [49]. Interventional data further support the functional relevance of diaphragm ultrasound parameters: in a randomized crossover study including 17 heart failure patients, high-intensity inspiratory muscle loading (60% of maximal inspiratory pressure) significantly increased diaphragm thickness (from 2.21 ± 0.26 mm to 2.68 ± 0.33 and 2.73 ± 0.44 mm; p = 0.01) and mobility, with greater effects observed using tapered flow-resistive loading, while baseline diaphragm thickness showed moderate correlation with pulmonary function tests [50]. Taken together, these findings highlight the importance of integrating structural and functional assessment of the diaphragm, as well as considering systemic factors such as muscle wasting and frailty, which significantly contribute to respiratory dysfunction and poor outcomes in heart failure.
Em pacientes com insuficiência cardíaca, a ultrassonografia do diafragma é cada vez mais reconhecida como uma ferramenta valiosa à beira do leito para avaliar a estrutura e a função dos músculos respiratórios, fornecendo insights sobre a interação entre a disfunção cardíaca e a mecânica ventilatória. A insuficiência cardíaca está associada ao aumento da carga inspiratória, congestão pulmonar e alterações na dinâmica da pressão intratorácica, fatores que contribuem para a disfunção diafragmática e a redução da reserva ventilatória. Em cenários agudos e perioperatórios, como na cirurgia cardíaca, a ultrassonografia do diafragma pode auxiliar na avaliação da prontidão para o desmame da ventilação mecânica ao identificar redução da excursão diafragmática, comprometimento da contratilidade e aumento do trabalho respiratório, particularmente na presença de disfunção ventricular direita ou sobrecarga hídrica [45]. Na insuficiência cardíaca aguda (ICA), dados clínicos sustentam um papel relevante da ultrassonografia do diafragma na caracterização da doença: em uma coorte de 72 pacientes com insuficiência cardíaca aguda descompensada, o movimento diafragmático na capacidade pulmonar total foi significativamente reduzido em comparação com controles e inversamente correlacionado com a gravidade da doença (classe NYHA) e com a pressão arterial pulmonar sistólica, enquanto a espessura do diafragma estava paradoxalmente aumentada, sugerindo uma resposta mal-adaptativa ao aumento da carga respiratória [46]. Evidências adicionais indicam que a ultrassonografia do diafragma, combinada com a imagem de speckle tracking 2D, pode fornecer informações dinâmicas sobre o desempenho dos músculos respiratórios e sua resposta à terapia: maior strain diafragmático e movimento inspiratório foram observados durante estados de aumento da carga cardíaca, com redução após o tratamento descongestivo, enquanto a fraqueza diafragmática persistente — definida por excursão <10 mm — pode identificar pacientes com risco de recidiva precoce [47]. Além do cuidado agudo, a ultrassonografia muscular emergiu como uma ferramenta para fenotipagem e estratificação de risco na insuficiência cardíaca crônica. Padrões fisiopatológicos distintos foram descritos entre os subtipos de IC, com atrofia diafragmática e disfunção mitocondrial predominando na ICFEr, enquanto a redução do movimento diafragmático e a infiltração gordurosa do músculo esquelético são mais características da ICFEp [17]. Na ICFEp, estudos ultrassonográficos demonstram comprometimento tanto do diafragma quanto dos músculos periféricos: a excursão diafragmática durante a respiração tranquila e profunda é significativamente reduzida (por exemplo, 1.09 vs. 1.36 cm em repouso e 4.2 vs. 5.8 cm durante a respiração profunda em comparação com controles) e se correlaciona fortemente com a capacidade de exercício, com o VO₂ de pico positivamente associado ao movimento diafragmático (r = 0.47 durante a respiração tranquila e r = 0.71 durante a respiração profunda, p < 0.001), destacando a disfunção diafragmática como um determinante-chave da intolerância ao exercício [48]. Parâmetros derivados da ultrassonografia também se correlacionam com a capacidade funcional, incluindo a distância percorrida no teste de caminhada de 6 minutos e o VO₂ de pico, e podem fornecer informações prognósticas; por exemplo, uma excursão diafragmática <2.5 cm na ICFEp foi associada a desfechos adversos [17]. Além disso, o conceito de sarcopenia respiratória — definida pela coexistência de espessura diafragmática reduzida e função respiratória comprometida — identifica um fenótipo de alto risco. Em uma coorte de 435 pacientes idosos hospitalizados por insuficiência cardíaca (idade mediana de 81 anos), a sarcopenia respiratória esteve presente em 10.8% dos casos e foi independentemente associada ao aumento da mortalidade por todas as causas em 2 anos (HR 2.51, IC 95% 1.40–4.50), enquanto a espessura diafragmática reduzida ou a função pulmonar comprometida isoladamente não foram preditivas [49]. Dados intervencionistas corroboram ainda mais a relevância funcional dos parâmetros ultrassonográficos do diafragma: em um estudo randomizado cruzado incluindo 17 pacientes com insuficiência cardíaca, a carga muscular inspiratória de alta intensidade (60% da pressão inspiratória máxima) aumentou significativamente a espessura do diafragma (de 2.21 ± 0.26 mm para 2.68 ± 0.33 e 2.73 ± 0.44 mm; p = 0.01) e a mobilidade, com efeitos maiores observados com o uso de carga resistiva de fluxo cônico, enquanto a espessura basal do diafragma mostrou correlação moderada com os testes de função pulmonar [50]. Em conjunto, esses achados destacam a importância de integrar a avaliação estrutural e funcional do diafragma, bem como de considerar fatores sistêmicos como perda muscular e fragilidade, que contribuem significativamente para a disfunção respiratória e os desfechos desfavoráveis na insuficiência cardíaca.
Diaphragm ultrasound in interstitial lung diseaseUltrassonografia diafragmática na doença pulmonar intersticial
Interstitial lung disease (ILD) is characterized by progressive parenchymal involvement, restrictive ventilatory impairment, and reduced lung compliance, leading to increased inspiratory load and altered respiratory mechanics. Assessment of disease severity typically relies on lung function tests, exercise capacity, and imaging; however, these approaches incompletely capture the functional contribution of respiratory muscles. Diaphragm ultrasound has emerged as a complementary tool for evaluating disease severity in ILD ( Table 3 ). In a cross-sectional study of patients with stable ILD, diaphragmatic excursion, thickness, and thickening fraction showed significant correlations with dyspnea severity, forced vital capacity, exercise capacity (6-minute walk distance), and radiological extent of disease as assessed by HRCT [51]. Among ultrasound-derived parameters, TF demonstrated the strongest association with functional and clinical indices, while forced vital capacity independently predicted diaphragmatic activation [51].
A doença pulmonar intersticial (DPI) caracteriza-se por comprometimento parenquimatoso progressivo, distúrbio ventilatório restritivo e redução da complacência pulmonar, levando ao aumento da carga inspiratória e à alteração da mecânica respiratória. A avaliação da gravidade da doença baseia-se tipicamente em provas de função pulmonar, capacidade de exercício e exames de imagem; contudo, essas abordagens capturam de forma incompleta a contribuição funcional dos músculos respiratórios. A ultrassonografia do diafragma emergiu como uma ferramenta complementar para avaliar a gravidade da doença na DPI ( Tabela 3 ). Em um estudo transversal com pacientes com DPI estável, a excursão diafragmática, a espessura e a fração de espessamento apresentaram correlações significativas com a gravidade da dispneia, a capacidade vital forçada, a capacidade de exercício (distância no teste de caminhada de 6 minutos) e a extensão radiológica da doença avaliada por TCAR [51]. Entre os parâmetros derivados da ultrassonografia, a FE demonstrou a associação mais forte com os índices funcionais e clínicos, enquanto a capacidade vital forçada previu de forma independente a ativação diafragmática [51].
| Study | Population | Design | Us parameters | Key quantitative findings | Clinical implication |
|---|---|---|---|---|---|
| Tomar et al. [51] | Stable ILD (n = 55) | Cross-sectional | TF, DE, thickness (deep breathing) | TF, DE, thickness correlated with dyspnea, FVC, 6MWD, Warrick score ( p < 0.05); FVC independently predicts TF ( p = 0.003) | US reflects disease severity |
| Jain et al. [56] | ILD (n = 56) | Observational | LUS + elastography | B-lines correlate with GGO/reticulation; stiffness correlates with honeycombing (r = 0.49) | Combined lung + diaphragm US improves staging |
| Milesi et al. [52] | IPF (n = 24 vs. controls) | Observational | Excursion, thickness | DE ↑ at rest (≈2.2 vs. 1.9 cm), ↓ in deep breathing (≈4.9 vs. 5.5 cm); thickness ↓; DE correlates with FVC, DLCO, 6MWT | Dynamic impairment under load |
| Bernardinello et al. [55] | CTD-ILD + IPF (n = 82) | Observational | TF, displacement, thickness | Diaphragm dysfunction prevalence 29%; TF correlates with FVC in CTD-ILD (r = 0.45); dyspnea association | Functional marker in ILD |
| Boccatonda et al. [53] | IPF (n = 12 vs. controls) | Case-control | Excursion (rest vs. deep) | No difference at rest; ↓ DE in deep breathing ( p < 0.001); DE correlates with FVC | Dysfunction emerges under load |
| Ishak et al. [58] | Pediatric chronic lung disease (n = 130) | Case-control | Excursion, thickness | DE significantly reduced vs. controls ( p < 0.05); thickness NS; DE correlates with FEV1/FVC | Excursion reflects function in children |
| Yang et al. [57] | IPF (n = 96) | Prospective (MRI) | Dynamic diaphragm motion | Reduced AP, CC motion in deep breathing; correlations with lung function and 6MWD | Confirms dynamic dysfunction |
Summary of studies evaluating diaphragm ultrasound in interstitial lung diseases, including idiopathic pulmonary fibrosis and connective tissue disease-associated ILD. AP, anterior–posterior; CC, cranio–caudal; CTD-ILD, connective tissue disease-associated interstitial lung disease; DE, diaphragmatic excursion; DLCO, diffusing capacity of the lung for carbon monoxide; FEV1, forced expiratory volume in 1 second; FVC, forced vital capacity; GGO, ground-glass opacities; ILD, interstitial lung disease; IPF, idiopathic pulmonary fibrosis; LUS, lung ultrasound; NS, not significant; TF, thickening fraction; US, ultrasound; 6MWD, 6-minute walk distance.
| Estudo | População | Delineamento | Parâmetros ultrassonográficos | Principais achados quantitativos | Implicação clínica |
|---|---|---|---|---|---|
| Tomar et al. [51] | DPI estável (n = 55) | Transversal | FE, DE, espessura (respiração profunda) | FE, DE e espessura correlacionaram-se com dispneia, CVF, TC6M e escore de Warrick ( p < 0.05); a CVF prediz de forma independente a FE ( p = 0.003) | A US reflete a gravidade da doença |
| Jain et al. [56] | DPI (n = 56) | Observacional | USP + elastografia | Linhas B correlacionam-se com opacidades em vidro fosco/reticulação; a rigidez correlaciona-se com faveolamento (r = 0.49) | A US combinada de pulmão + diafragma melhora o estadiamento |
| Milesi et al. [52] | FPI (n = 24 vs. controles) | Observacional | Excursão, espessura | DE ↑ em repouso (≈2.2 vs. 1.9 cm), ↓ em respiração profunda (≈4.9 vs. 5.5 cm); espessura ↓; DE correlaciona-se com CVF, DLCO e TC6M | Comprometimento dinâmico sob carga |
| Bernardinello et al. [55] | DPI-TC + FPI (n = 82) | Observacional | FE, deslocamento, espessura | Prevalência de disfunção diafragmática de 29%; FE correlaciona-se com CVF na DPI-TC (r = 0.45); associação com dispneia | Marcador funcional na DPI |
| Boccatonda et al. [53] | FPI (n = 12 vs. controles) | Caso-controle | Excursão (repouso vs. profunda) | Sem diferença em repouso; ↓ DE em respiração profunda ( p < 0.001); DE correlaciona-se com CVF | A disfunção emerge sob carga |
| Ishak et al. [58] | Doença pulmonar crônica pediátrica (n = 130) | Caso-controle | Excursão, espessura | DE significativamente reduzida vs. controles ( p < 0.05); espessura NS; DE correlaciona-se com VEF1/CVF | A excursão reflete a função em crianças |
| Yang et al. [57] | FPI (n = 96) | Prospectivo (RM) | Movimento diafragmático dinâmico | Movimento AP e CC reduzidos em respiração profunda; correlações com função pulmonar e TC6M | Confirma disfunção dinâmica |
Resumo dos estudos que avaliaram a ultrassonografia diafragmática nas doenças pulmonares intersticiais, incluindo fibrose pulmonar idiopática e DPI associada a doença do tecido conjuntivo. AP, anteroposterior; CC, craniocaudal; CTD-ILD, doença pulmonar intersticial associada a doença do tecido conjuntivo; DE, excursão diafragmática; DLCO, capacidade de difusão do pulmão para o monóxido de carbono; VEF1, volume expiratório forçado no primeiro segundo; CVF, capacidade vital forçada; GGO, opacidades em vidro fosco; ILD, doença pulmonar intersticial; FPI, fibrose pulmonar idiopática; LUS, ultrassonografia pulmonar; NS, não significativo; TF, fração de espessamento; US, ultrassonografia; 6MWD, distância percorrida no teste de caminhada de 6 minutos.
Consistent with these findings, studies in idiopathic pulmonary fibrosis (IPF) demonstrated a characteristic load-dependent pattern of diaphragmatic behavior [52–54]. Compared with healthy controls, patients with IPF exhibit increased diaphragmatic excursion at rest but reduced excursion during deep breathing, accompanied by reduced diaphragm thickness [52–53]. Importantly, excursion during deep breathing correlates with lung function, diffusing capacity, exercise performance, and radiological disease burden [52]. This pattern suggests that diaphragmatic function may appear preserved—or even increased—under low-load conditions, while impairment becomes evident when ventilatory demand increases.
Consistente com esses achados, estudos em fibrose pulmonar idiopática (FPI) demonstraram um padrão característico de comportamento diafragmático dependente de carga [52–54]. Em comparação com controles saudáveis, pacientes com FPI exibem excursão diafragmática aumentada em repouso, porém excursão reduzida durante a respiração profunda, acompanhada de redução da espessura do diafragma [52–53]. De forma importante, a excursão durante a respiração profunda correlaciona-se com a função pulmonar, a capacidade de difusão, o desempenho no exercício e a carga radiológica da doença [52]. Esse padrão sugere que a função diafragmática pode parecer preservada — ou mesmo aumentada — em condições de baixa carga, enquanto o comprometimento torna-se evidente quando a demanda ventilatória aumenta.
Beyond IPF, diaphragmatic involvement in ILD appears heterogeneous across disease subtypes. In a cohort including both IPF and connective tissue disease-associated ILD (CTD-ILD), diaphragmatic dysfunction—defined by reduced TF—was observed in approximately one-third of patients and was associated with greater dyspnea severity [55]. Notably, CTD-ILD patients showed lower diaphragmatic displacement and a higher prevalence of dysfunction compared with controls, while correlations between thickening fraction and lung function were present only in CTD-ILD and not in IPF [55]. These findings suggest that ultrasound-derived parameters may reflect different pathophysiological mechanisms across ILD phenotypes, with a more prominent contribution of systemic or muscle-related factors in connective tissue disease. Beyond conventional ultrasound metrics, integrated approaches combining lung ultrasound (LUS) and diaphragm assessment provide additional insight into disease severity and pathophysiology. B-line scores on LUS correlate strongly with ground-glass opacities and reticulations on HRCT, reflecting early interstitial involvement, whereas advanced fibrotic changes such as honeycombing are more closely associated with increased diaphragmatic stiffness assessed by elastography [56].
Além da FPI, o acometimento diafragmático na DPI parece ser heterogêneo entre os subtipos da doença. Em uma coorte que incluiu tanto FPI quanto doença pulmonar intersticial associada a doença do tecido conjuntivo (DPI-DTC), a disfunção diafragmática — definida por redução da fração de espessamento (FE) — foi observada em aproximadamente um terço dos pacientes e associou-se a maior gravidade da dispneia [55]. Notavelmente, os pacientes com DPI-DTC apresentaram menor excursão diafragmática e maior prevalência de disfunção em comparação aos controles, enquanto as correlações entre a fração de espessamento e a função pulmonar estiveram presentes apenas na DPI-DTC e não na FPI [55]. Esses achados sugerem que os parâmetros derivados da ultrassonografia podem refletir mecanismos fisiopatológicos distintos entre os fenótipos de DPI, com uma contribuição mais proeminente de fatores sistêmicos ou musculares na doença do tecido conjuntivo. Além das métricas ultrassonográficas convencionais, abordagens integradas que combinam ultrassonografia pulmonar (USP) e avaliação do diafragma fornecem informações adicionais sobre a gravidade da doença e a fisiopatologia. Os escores de linhas B na USP correlacionam-se fortemente com opacidades em vidro fosco e reticulações na TCAR, refletindo o acometimento intersticial precoce, enquanto alterações fibróticas avançadas, como faveolamento, estão mais intimamente associadas ao aumento da rigidez diafragmática avaliada por elastografia [56].
Additional evidence from dynamic magnetic resonance imaging further supports the presence of load-dependent respiratory muscle dysfunction in ILD. In patients with IPF, diaphragmatic and chest wall motion appear preserved during quiet breathing but become significantly impaired during deep inspiration, with reduced cranio-caudal displacement and lung expansion [57]. These alterations correlate with pulmonary function and exercise capacity, indicating that respiratory muscle dysfunction becomes evident primarily under increased ventilatory demand [57].
Evidências adicionais provenientes da ressonância magnética dinâmica reforçam a presença de disfunção muscular respiratória dependente de carga na DPI. Em pacientes com FPI, o movimento diafragmático e da parede torácica parece preservado durante a respiração tranquila, mas torna-se significativamente comprometido durante a inspiração profunda, com redução do deslocamento craniocaudal e da expansão pulmonar [57]. Essas alterações se correlacionam com a função pulmonar e a capacidade de exercício, indicando que a disfunção muscular respiratória torna-se evidente principalmente sob demanda ventilatória aumentada [57].
Evidence from chronic pulmonary diseases across different age groups further reinforces the context-dependent interpretation of diaphragm ultrasound findings. In pediatric patients with chronic lung diseases, including interstitial lung disease, cystic fibrosis, and bronchiectasis, diaphragmatic excursion is significantly reduced compared with healthy controls, whereas diaphragm thickness remains unchanged [58]. Diaphragmatic excursion correlates with anthropometric variables and lung function indices, suggesting that diaphragm motion reflects the interaction between respiratory mechanics, lung function, and somatic development rather than intrinsic muscle mass [58]. This dissociation between preserved thickness and reduced excursion further supports the concept that ultrasound-derived parameters capture distinct physiological dimensions [58].
Evidências provenientes de doenças pulmonares crônicas em diferentes faixas etárias reforçam ainda mais a interpretação dependente do contexto dos achados da ultrassonografia diafragmática. Em pacientes pediátricos com doenças pulmonares crônicas, incluindo doença pulmonar intersticial, fibrose cística e bronquiectasia, a excursão diafragmática está significativamente reduzida em comparação com controles saudáveis, enquanto a espessura do diafragma permanece inalterada [58]. A excursão diafragmática correlaciona-se com variáveis antropométricas e índices de função pulmonar, sugerindo que o movimento do diafragma reflete a interação entre mecânica respiratória, função pulmonar e desenvolvimento somático, em vez da massa muscular intrínseca [58]. Essa dissociação entre espessura preservada e excursão reduzida reforça ainda mais o conceito de que os parâmetros derivados da ultrassonografia capturam dimensões fisiológicas distintas [58].
Similar findings have been reported in cystic fibrosis (CF), where respiratory muscle dysfunction occurs within a broader context of systemic muscle impairment and nutritional alterations. In adult patients with CF, reduced fat-free mass and peripheral muscle thickness are associated with impaired muscle strength and functional capacity, while conventional diaphragm ultrasound parameters, such as thickening fraction, may remain relatively preserved [59]. More recently, ultrasound-derived indices focusing on diaphragmatic functional reserve have provided additional insight into respiratory muscle performance in CF. Diaphragm contractile reserve (DCR), defined as the ratio between tidal and maximal thickening fraction, reflects the proportion of diaphragmatic capacity remaining during spontaneous breathing. In a prospective study, DCR showed significant correlations with lung function, hyperinflation, nutritional status, and muscle strength, and was independently associated with dyspnea severity and exacerbation frequency [60]. Notably, DCR outperformed conventional indices such as FEV₁ and maximal thickening fraction in identifying patients with greater clinical impairment [60]. These findings suggest that, in CF, diaphragm ultrasound parameters that incorporate the concept of contractile reserve may better capture the balance between respiratory load and muscle capacity than static or maximal indices alone. These findings indicate that diaphragmatic dysfunction in ILD reflects the combined effects of restrictive lung mechanics, increased respiratory load, and altered lung–chest wall interaction, with additional contributions from systemic or muscle-specific factors in selected phenotypes. Ultrasound-derived parameters should therefore be interpreted as context-dependent functional markers rather than direct measures of intrinsic muscle strength. When integrated with lung ultrasound and emerging techniques such as elastography, diaphragm ultrasound may provide a radiation-free, bedside approach to assess disease severity and functional impairment.
Achados semelhantes foram relatados na fibrose cística (FC), em que a disfunção muscular respiratória ocorre em um contexto mais amplo de comprometimento muscular sistêmico e alterações nutricionais. Em pacientes adultos com FC, a redução da massa livre de gordura e da espessura muscular periférica está associada a comprometimento da força muscular e da capacidade funcional, enquanto parâmetros convencionais de ultrassonografia diafragmática, como a fração de espessamento, podem permanecer relativamente preservados [59]. Mais recentemente, índices derivados da ultrassonografia com foco na reserva funcional diafragmática forneceram informações adicionais sobre o desempenho muscular respiratório na FC. A reserva contrátil diafragmática (RCD), definida como a razão entre a fração de espessamento corrente e a fração de espessamento máxima, reflete a proporção da capacidade diafragmática remanescente durante a respiração espontânea. Em um estudo prospectivo, a RCD mostrou correlações significativas com a função pulmonar, hiperinsuflação, estado nutricional e força muscular, e foi independentemente associada à gravidade da dispneia e à frequência de exacerbações [60]. Notavelmente, a RCD superou índices convencionais como VEF₁ e fração de espessamento máxima na identificação de pacientes com maior comprometimento clínico [60]. Esses achados sugerem que, na FC, os parâmetros ultrassonográficos diafragmáticos que incorporam o conceito de reserva contrátil podem capturar melhor o equilíbrio entre carga respiratória e capacidade muscular do que índices estáticos ou máximos isoladamente. Esses achados indicam que a disfunção diafragmática na DPI reflete os efeitos combinados da mecânica pulmonar restritiva, do aumento da carga respiratória e da alteração da interação pulmão–parede torácica, com contribuições adicionais de fatores sistêmicos ou músculo-específicos em fenótipos selecionados. Os parâmetros derivados da ultrassonografia devem, portanto, ser interpretados como marcadores funcionais dependentes do contexto, e não como medidas diretas da força muscular intrínseca. Quando integrada à ultrassonografia pulmonar e a técnicas emergentes como a elastografia, a ultrassonografia diafragmática pode oferecer uma abordagem à beira do leito, livre de radiação, para avaliar a gravidade da doença e o comprometimento funcional.
Diaphragm ultrasound and systemic and interstitial diseasesUltrassonografia diafragmática e doenças sistêmicas e intersticiais
Evidence from systemic and interstitial diseases further supports that diaphragm ultrasound parameters reflect distinct physiological dimensions. In patients with systemic sclerosis, Posavec et al. found that diaphragm thickness and TF were similar regardless of the presence of interstitial lung disease, whereas diaphragmatic excursion during deep breathing was significantly reduced in those with pulmonary involvement, suggesting that dynamic parameters are more sensitive to restrictive mechanical constraints and highlighting the importance of interpreting ultrasound indices within the specific disease context [61]. In contrast, studies in other connective tissue diseases indicate a different pattern of diaphragmatic involvement. In patients with systemic lupus erythematosus (SLE), diaphragmatic muscle thickness is significantly reduced compared to those with primary Sjögren’s syndrome and is associated with lower maximal inspiratory and expiratory pressures, suggesting a component of intrinsic muscle impairment. Notably, diaphragm thickness during inspiration shows a moderate correlation with maximal inspiratory pressure, supporting a link between structural alterations and functional capacity [62]. Similarly, in ankylosing spondylitis, diaphragm ultrasound parameters have been shown to correlate with spirometric indices such as forced vital capacity, reflecting the impact of reduced chest wall mobility and restrictive ventilatory mechanics on diaphragmatic behavior. These findings support the concept of a diaphragm–lung volume coupling, whereby ultrasound-derived parameters reflect the interaction between diaphragmatic function and thoracic mechanics rather than intrinsic muscle strength alone [63]. Together, these observations highlight that diaphragm ultrasound captures heterogeneous pathophysiological mechanisms across systemic diseases, ranging from mechanical restriction of diaphragmatic motion to intrinsic muscle involvement. This reinforces the need to interpret ultrasound-derived indices within the specific disease context rather than applying uniform assumptions across conditions.
Evidências provenientes de doenças sistêmicas e intersticiais reforçam que os parâmetros ultrassonográficos do diafragma refletem dimensões fisiológicas distintas. Em pacientes com esclerose sistêmica, Posavec et al. observaram que a espessura diafragmática e a fração de espessamento foram semelhantes independentemente da presença de doença pulmonar intersticial, enquanto a excursão diafragmática durante a respiração profunda mostrou-se significativamente reduzida naqueles com envolvimento pulmonar, sugerindo que os parâmetros dinâmicos são mais sensíveis às restrições mecânicas restritivas e destacando a importância de interpretar os índices ultrassonográficos dentro do contexto específico da doença [61]. Em contrapartida, estudos em outras doenças do tecido conjuntivo indicam um padrão distinto de envolvimento diafragmático. Em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES), a espessura muscular diafragmática está significativamente reduzida em comparação com aqueles com síndrome de Sjögren primária e associa-se a menores pressões inspiratória e expiratória máximas, sugerindo um componente de comprometimento muscular intrínseco. Notavelmente, a espessura diafragmática durante a inspiração apresenta correlação moderada com a pressão inspiratória máxima, apoiando uma ligação entre alterações estruturais e capacidade funcional [62]. De forma semelhante, na espondilite anquilosante, os parâmetros ultrassonográficos do diafragma demonstraram correlacionar-se com índices espirométricos como a capacidade vital forçada, refletindo o impacto da mobilidade reduzida da parede torácica e da mecânica ventilatória restritiva sobre o comportamento diafragmático. Esses achados sustentam o conceito de acoplamento diafragma–volume pulmonar, pelo qual os parâmetros derivados da ultrassonografia refletem a interação entre a função diafragmática e a mecânica torácica, e não apenas a força muscular intrínseca [63]. Em conjunto, essas observações destacam que a ultrassonografia do diafragma captura mecanismos fisiopatológicos heterogêneos nas doenças sistêmicas, variando desde a restrição mecânica do movimento diafragmático até o envolvimento muscular intrínseco. Isso reforça a necessidade de interpretar os índices derivados da ultrassonografia dentro do contexto específico da doença, em vez de aplicar pressupostos uniformes entre as diferentes condições.
Diaphragm ultrasound in neurological disordersUltrassonografia diafragmática nos distúrbios neurológicos
Respiratory muscle dysfunction is a common and clinically relevant consequence of neurological diseases, resulting from impaired central or peripheral neural drive, reduced motor unit recruitment, and, in many cases, secondary muscle disuse. In this context, diaphragm ultrasound provides a noninvasive tool to assess both structural and functional aspects of diaphragmatic performance, offering insights into the interaction between neural impairment and respiratory mechanics ( Table 4 ).
A disfunção muscular respiratória é uma consequência comum e clinicamente relevante das doenças neurológicas, resultante do comprometimento do drive neural central ou periférico, da redução do recrutamento de unidades motoras e, em muitos casos, do desuso muscular secundário. Nesse contexto, a ultrassonografia do diafragma fornece uma ferramenta não invasiva para avaliar tanto os aspectos estruturais quanto funcionais do desempenho diafragmático, oferecendo insights sobre a interação entre o comprometimento neural e a mecânica respiratória ( Tabela 4 ).
| Study | Population | Design | Us parameters | Key quantitative findings | Clinical implication |
|---|---|---|---|---|---|
| Akçay et al. [53] | Subacute stroke (n = 26) | RCT | Thickness, TF, excursion | ↑ MIP ( p < 0.001), ↑ TF ( p = 0.008), ↑ excursion ( p = 0.005) vs. control | US tracks response to IMT |
| Eid et al. [54] | Chronic stroke (n = 70) | RCT | Excursion | ↑ DE tidal ( p = 0.005), deep ( p = 0.009), sniff ( p < 0.001) | US reflects rehab-induced improvement |
| Zhang et al.; li et al. [55] | Stroke (n = 54; n = 50) | Interventional | Thickness, excursion | ↑ DT & DE ( p < 0.05); combined therapy > monotherapy ( p < 0.05) | US monitors neuromodulation effects |
| Liu et al. [62] | Hemiplegic stroke (n = 45) | Observational | Excursion, TF, thickness | Dysfunction prevalence 46.7%; TF ↓ ( p < 0.05); DE correlated with FMA (R² = 0.296) and BBS (R² = 0.11) | Diaphragm linked to motor & balance |
| Stone et al. [57] | Cervical SCI (n≈?) | Pilot | TF, excursion, thickness | TF–FVC (r = 0.54); DE–FVC (r = 0.57); DE–PCF (r = 0.81); thickness NS | Dynamic > static for function |
| Nair et al. [59] | Neuromuscular (n≈?) | Cohort | Serial excursion | DE <1 cm → ↑ MV risk (RR 2.5); ↓ DE >50% → RR 3.3; ↑ DE → ↑ ventilator-free days | Trends predict MV/weaning |
| Yetkin et al. [60] | FRDA (n = 14) | Cross-sectional | Excursion, TF | DE 1.13 vs. 1.71 cm ( p = 0.005); TF ↓ ( p = 0.019); correlation with SARA r = −0.74 | US reflects disease severity |
| Morishima et al. [61] | ALS (n = 20) | Case-control | ΔThickness | ΔDT 0.80 vs. 1.89 cm ( p = 0.0002); correlation with FVC; paradoxical phCMAP in 35% | Early dysfunction detection |
| Bezerra et al. [56] | Neuro-ICU (n = 20) | Observational | Thickness, excursion | DT ≈1.7 mm; DE ≈20 mm; DT–MIP r = −0.45; no outcome correlation | Reflects strength, not prognosis |
| Dong et al. [58] | Neuro rehab (± trach) | Cross-sectional | ICM + diaphragm | ICM thickness/echogenicity correlate with ADL & Borg; diaphragm weak correlation | Accessory muscles more informative |
Summary of clinical studies evaluating diaphragm ultrasound parameters in neurological conditions, including stroke, spinal cord injury, neuromuscular diseases, and neurocritical care. ACBT, active cycle of breathing technique; ADL, activities of daily living; ALS, amyotrophic lateral sclerosis; BBS, Berg Balance Scale; DE, diaphragmatic excursion; DT, diaphragm thickness; FMA, Fugl–Meyer Assessment; FRDA, Friedreich’s ataxia; FVC, forced vital capacity; ICM, intercostal muscle; IMT, inspiratory muscle training; MIP, maximal inspiratory pressure; MEP, maximal expiratory pressure; MV, mechanical ventilation; PCF, peak cough flow; PFT, pulmonary function test; rPMS, repetitive peripheral magnetic stimulation; RR, relative risk; SCI, spinal cord injury; TF, thickening fraction; US, ultrasound.
| Estudo | População | Desenho | Parâmetros de US | Principais achados quantitativos | Implicação clínica |
|---|---|---|---|---|---|
| Akçay et al. [53] | AVC subagudo (n = 26) | ECR | Espessura, TF, excursão | ↑ PImáx ( p < 0,001), ↑ TF ( p = 0,008), ↑ excursão ( p = 0,005) vs. controle | US acompanha a resposta ao TMI |
| Eid et al. [54] | AVC crônico (n = 70) | ECR | Excursão | ↑ ED corrente ( p = 0,009), profunda ( p = 0,009), sniff ( p < 0,001) | US reflete melhora induzida pela reabilitação |
| Zhang et al.; li et al. [55] | AVC (n = 54; n = 50) | Intervencional | Espessura, excursão | ↑ ED e EE ( p < 0,05); terapia combinada > monoterapia ( p < 0,05) | US monitora efeitos da neuromodulação |
| Liu et al. [62] | AVC hemiplégico (n = 45) | Observacional | Excursão, TF, espessura | Prevalência de disfunção 46,7%; TF ↓ ( p < 0,05); ED correlacionada com FMA (R² = 0,296) e EEB (R² = 0,11) | Diafragma associado a função motora e equilíbrio |
| Stone et al. [57] | LM cervical (n≈?) | Piloto | TF, excursão, espessura | TF–CVF (r = 0,54); ED–CVF (r = 0,57); ED–PFT (r = 0,81); espessura NS | Parâmetros dinâmicos > estáticos para função |
| Nair et al. [59] | Neuromuscular (n≈?) | Coorte | Excursão seriada | ED <1 cm → ↑ risco de VM (RR 2,5); ↓ ED >50% → RR 3,3; ↑ ED → ↑ dias livres de ventilador | Tendências predizem VM/desmame |
| Yetkin et al. [60] | AF (n = 14) | Transversal | Excursão, TF | ED 1,13 vs. 1,71 cm ( p = 0,005); TF ↓ ( p = 0,019); correlação com SARA r = −0,74 | US reflete a gravidade da doença |
| Morishima et al. [61] | ELA (n = 20) | Caso-controle | ΔEspessura | ΔED 0,80 vs. 1,89 cm ( p = 0,0002); correlação com CVF; phCMAP paradoxal em 35% | Detecção precoce de disfunção |
| Bezerra et al. [56] | Neuro-UTI (n = 20) | Observacional | Espessura, excursão | ED ≈1,7 mm; EE ≈20 mm; ED–PImáx r = −0,45; sem correlação com desfecho | Reflete força, não prognóstico |
| Dong et al. [58] | Reabilitação neurológica (± traq) | Transversal | MIC + diafragma | Espessura/ecogenicidade do MIC correlacionam-se com AVD e Borg; diafragma com correlação fraca | Músculos acessórios mais informativos |
Resumo dos estudos clínicos que avaliaram os parâmetros da ultrassonografia diafragmática em condições neurológicas, incluindo acidente vascular cerebral, lesão medular, doenças neuromusculares e neurointensivismo. ACBT, ciclo ativo de técnicas respiratórias; ADL, atividades de vida diária; ELA, esclerose lateral amiotrófica; BBS, Escala de Equilíbrio de Berg; DE, excursão diafragmática; DT, espessura diafragmática; FMA, Avaliação de Fugl–Meyer; FRDA, ataxia de Friedreich; CVF, capacidade vital forçada; ICM, músculo intercostal; IMT, treinamento muscular inspiratório; MIP, pressão inspiratória máxima; MEP, pressão expiratória máxima; MV, ventilação mecânica; PCF, pico de fluxo de tosse; PFT, teste de função pulmonar; rPMS, estimulação magnética periférica repetitiva; RR, risco relativo; SCI, lesão medular; TF, fração de espessamento; US, ultrassonografia.
Stroke and neurorehabilitationAcidente vascular cerebral e neurorreabilitação
Respiratory dysfunction frequently occurs after stroke and may negatively impact functional recovery. Several interventional studies have demonstrated that targeted respiratory muscle training improves diaphragmatic function and clinical outcomes. In patients with subacute ischemic stroke, inspiratory muscle training was associated with significant improvements in diaphragmatic thickness, thickening fraction, and excursion, along with increased respiratory muscle strength (MIP and MEP) [64]. Similarly, diaphragmatic breathing exercises in chronic stroke patients resulted in significant increases in diaphragmatic excursion during tidal, deep, and sniff breathing, accompanied by improvements in functional capacity, balance, and dyspnea [65].
A disfunção respiratória ocorre frequentemente após o acidente vascular cerebral e pode impactar negativamente a recuperação funcional. Vários estudos intervencionais demonstraram que o treinamento muscular respiratório direcionado melhora a função diafragmática e os desfechos clínicos. Em pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico subagudo, o treinamento muscular inspiratório foi associado a melhoras significativas na espessura diafragmática, na fração de espessamento e na excursão, juntamente com aumento da força muscular respiratória (PImáx e PEmáx) [64]. Da mesma forma, exercícios de respiração diafragmática em pacientes com acidente vascular cerebral crônico resultaram em aumentos significativos da excursão diafragmática durante a respiração corrente, profunda e em sniff, acompanhados de melhoras na capacidade funcional, no equilíbrio e na dispneia [65].
Observational data further highlight the close relationship between diaphragmatic dysfunction and global neurological impairment after stroke. In hemiplegic patients, diaphragm ultrasound demonstrates reduced excursion and thickening fraction on the affected side, particularly during deep breathing, with a high prevalence of diaphragmatic dysfunction in the subacute phase [66]. Importantly, diaphragmatic mobility and thickness parameters correlate with extremity motor and balance function, suggesting that respiratory muscle impairment reflects broader motor system involvement rather than an isolated respiratory deficit [66].
Dados observacionais destacam ainda mais a estreita relação entre disfunção diafragmática e comprometimento neurológico global após acidente vascular cerebral. Em pacientes hemiplégicos, a ultrassonografia do diafragma demonstra redução da excursão e da fração de espessamento no lado afetado, particularmente durante a respiração profunda, com alta prevalência de disfunção diafragmática na fase subaguda [66]. De forma importante, os parâmetros de mobilidade e espessura diafragmática se correlacionam com a função motora e de equilíbrio das extremidades, sugerindo que o comprometimento dos músculos respiratórios reflete um envolvimento mais amplo do sistema motor, em vez de um déficit respiratório isolado [66].
Neuromodulatory and assistive approaches further support the role of diaphragm ultrasound as a monitoring tool. External diaphragmatic pacing and phrenic nerve stimulation have been shown to enhance diaphragmatic thickness and excursion, as well as pulmonary function parameters, with greater effects observed when combined therapies are applied [67–68]. In severe stroke patients with tracheostomy, combined respiratory rehabilitation strategies were associated with improved diaphragmatic function and gas exchange [67–68].
Abordagens neuromoduladoras e assistivas reforçam ainda mais o papel da ultrassonografia diafragmática como ferramenta de monitoramento. A estimulação diafragmática externa e a estimulação do nervo frênico demonstraram aumentar a espessura e a excursão diafragmática, bem como os parâmetros de função pulmonar, com efeitos maiores observados quando terapias combinadas são aplicadas [67–68]. Em pacientes graves com acidente vascular cerebral e traqueostomia, estratégias combinadas de reabilitação respiratória foram associadas à melhora da função diafragmática e das trocas gasosas [67–68].
Spinal cord injuryLesão medular
In patients with cervical spinal cord injury, diaphragm ultrasound provides insight into the functional consequences of impaired neural drive. Dynamic ultrasound parameters, including thickening fraction and diaphragmatic excursion, have been shown to correlate with forced vital capacity and peak cough flow, whereas static thickness measurements were not associated with pulmonary function [69]. Notably, no clear relationship was observed between ultrasound parameters and neurological level of injury, suggesting that respiratory impairment is influenced by multiple factors beyond the anatomical lesion level [69]. These findings indicate that dynamic ultrasound indices better reflect respiratory capacity and may serve as practical bedside alternatives when spirometry is not feasible.
Em pacientes com lesão medular cervical, a ultrassonografia diafragmática fornece informações sobre as consequências funcionais do comprometimento do drive neural. Parâmetros ultrassonográficos dinâmicos, incluindo a fração de espessamento e a excursão diafragmática, demonstraram correlacionar-se com a capacidade vital forçada e o pico de fluxo da tosse, enquanto as medidas estáticas de espessura não se associaram à função pulmonar [69]. Notavelmente, não foi observada relação clara entre os parâmetros ultrassonográficos e o nível neurológico da lesão, sugerindo que o comprometimento respiratório é influenciado por múltiplos fatores além do nível anatômico da lesão [69]. Esses achados indicam que os índices ultrassonográficos dinâmicos refletem melhor a capacidade respiratória e podem servir como alternativas práticas à beira do leito quando a espirometria não é viável.
Neuromuscular disorders and longitudinal monitoringDoenças neuromusculares e monitorização longitudinal
In patients with neuromuscular diseases, diaphragm ultrasound has been explored as a tool for predicting ventilatory support requirements and monitoring disease evolution. Serial assessment of diaphragmatic excursion has demonstrated that reduced baseline values, early decline during the first 48–72 hours, and marked reductions over time are associated with an increased likelihood of requiring mechanical ventilation [70]. Conversely, progressive increases in excursion correlate with a greater number of ventilator-free days, suggesting recovery of respiratory muscle function [70]. Evidence from chronic neuromuscular disorders further supports the sensitivity of diaphragm ultrasound in detecting clinically relevant impairment. In patients with Friedreich’s ataxia, diaphragmatic excursion and thickening fraction were significantly reduced and showed strong inverse correlations with neurological disease severity, outperforming conventional pulmonary function tests in reflecting functional impairment [71]. Similarly, in amyotrophic lateral sclerosis, dynamic changes in diaphragm thickness between inspiratory and expiratory phases were reduced even in early-stage disease and correlated with forced vital capacity, while electrophysiological measures were less informative [71]. Notably, a paradoxical reduction in phrenic nerve activity during inspiration was observed in a subset of patients, suggesting early abnormalities in neuromuscular coupling [72]. These observations highlight the importance of longitudinal and dynamic evaluation. In neuromuscular disorders, temporal changes in ultrasound parameters appear to provide more clinically relevant information than single measurements, reflecting the interplay between neural impairment, muscle capacity, and respiratory load.
Em pacientes com doenças neuromusculares, a ultrassonografia diafragmática tem sido explorada como ferramenta para predizer a necessidade de suporte ventilatório e monitorar a evolução da doença. A avaliação seriada da excursão diafragmática demonstrou que valores basais reduzidos, declínio precoce durante as primeiras 48–72 horas e reduções acentuadas ao longo do tempo estão associados a maior probabilidade de necessidade de ventilação mecânica [70]. Por outro lado, aumentos progressivos da excursão correlacionam-se com maior número de dias livres de ventilador, sugerindo recuperação da função muscular respiratória [70]. Evidências provenientes de doenças neuromusculares crônicas reforçam ainda mais a sensibilidade da ultrassonografia diafragmática na detecção de comprometimento clinicamente relevante. Em pacientes com ataxia de Friedreich, a excursão diafragmática e a fração de espessamento mostraram-se significativamente reduzidas e apresentaram fortes correlações inversas com a gravidade neurológica da doença, superando os testes convencionais de função pulmonar na representação do comprometimento funcional [71]. De forma semelhante, na esclerose lateral amiotrófica, as alterações dinâmicas da espessura diafragmática entre as fases inspiratória e expiratória mostraram-se reduzidas mesmo em estágios iniciais da doença e correlacionaram-se com a capacidade vital forçada, enquanto as medidas eletrofisiológicas foram menos informativas [71]. Notavelmente, observou-se redução paradoxal da atividade do nervo frênico durante a inspiração em um subgrupo de pacientes, sugerindo anormalidades precoces no acoplamento neuromuscular [72]. Essas observações destacam a importância da avaliação longitudinal e dinâmica. Nas doenças neuromusculares, as alterações temporais dos parâmetros ultrassonográficos parecem fornecer informações clinicamente mais relevantes do que medidas isoladas, refletindo a interação entre comprometimento neural, capacidade muscular e carga respiratória.
Neurocritical care and mechanical ventilationCuidados neurocríticos e ventilação mecânica
The interaction between neurological impairment and mechanical ventilation further complicates the interpretation of diaphragm ultrasound findings. In neurocritical care patients, diaphragmatic morphology and function reflect both impaired neural activation and ventilator-induced unloading. In this setting, diaphragm thickness shows moderate correlations with respiratory muscle strength, whereas other ultrasound parameters, including excursion, are not consistently associated with clinical outcomes such as duration of mechanical ventilation or ICU length of stay [73]. These findings suggest that diaphragm ultrasound parameters capture a combination of neural dysfunction and disuse-related muscle changes, without necessarily providing direct prognostic information. This reinforces the need for cautious and context-aware interpretation.
A interação entre o comprometimento neurológico e a ventilação mecânica complica ainda mais a interpretação dos achados da ultrassonografia diafragmática. Em pacientes neurocríticos, a morfologia e a função diafragmática refletem tanto a ativação neural prejudicada quanto o descondicionamento induzido pelo ventilador. Nesse contexto, a espessura diafragmática mostra correlações moderadas com a força muscular respiratória, enquanto outros parâmetros ultrassonográficos, incluindo a excursão, não estão consistentemente associados a desfechos clínicos como duração da ventilação mecânica ou tempo de internação na UTI [73]. Esses achados sugerem que os parâmetros da ultrassonografia diafragmática capturam uma combinação de disfunção neural e alterações musculares relacionadas ao desuso, sem necessariamente fornecer informação prognóstica direta. Isso reforça a necessidade de uma interpretação cautelosa e contextualizada.
Integrated ultrasound assessment in chronic respiratory failure and frailtyAvaliação ultrassonográfica integrada na insuficiência respiratória crônica e fragilidade
An important limitation of diaphragm-focused assessment is the neglect of accessory respiratory muscles, which play a critical role in maintaining ventilation, particularly in patients with neurological impairment or prolonged immobilization. Recent evidence indicates that ultrasound assessment of intercostal muscles may provide complementary—and in some cases superior—information compared with diaphragm evaluation alone [74]. In patients with long-term bed rest and tracheostomy, intercostal muscle thickness and echogenicity showed stronger associations with dyspnea, functional independence, and activities of daily living than diaphragmatic measurements [74].
Uma limitação importante da avaliação centrada no diafragma é a negligência dos músculos respiratórios acessórios, que desempenham papel crítico na manutenção da ventilação, particularmente em pacientes com comprometimento neurológico ou imobilização prolongada. Evidências recentes indicam que a avaliação ultrassonográfica dos músculos intercostais pode fornecer informações complementares — e, em alguns casos, superiores — em comparação com a avaliação isolada do diafragma [74]. Em pacientes com repouso prolongado no leito e traqueostomia, a espessura e a ecogenicidade dos músculos intercostais mostraram associações mais fortes com dispneia, independência funcional e atividades de vida diária do que as medidas diafragmáticas [74].
Diaphragm ultrasound has increasingly been applied within integrated ultrasound approaches in older patients with chronic respiratory failure. In a prospective study of hospitalized geriatric patients with acute respiratory illness, Cerundolo et al. combined lung ultrasound, diaphragm ultrasound, and lower limb muscle assessment to evaluate the clinical correlations of respiratory dysfunction [14]. Reduced diaphragmatic excursion was associated with higher lung ultrasound scores, frailty, and in-hospital delirium, while lung ultrasound severity at admission predicted 3-month rehospitalization [14]. Notably, excursion showed a stronger association with clinical outcomes than diaphragm thickness, whereas peripheral muscle assessment provided complementary information on frailty. These findings support the concept that diaphragm ultrasound has its greatest value when integrated into a multidimensional assessment combining lung aeration, respiratory muscle function, and overall patient vulnerability.
A ultrassonografia do diafragma tem sido cada vez mais aplicada dentro de abordagens ultrassonográficas integradas em pacientes idosos com insuficiência respiratória crônica. Em um estudo prospectivo de pacientes geriátricos hospitalizados com doença respiratória aguda, Cerundolo et al. combinaram ultrassonografia pulmonar, ultrassonografia do diafragma e avaliação muscular dos membros inferiores para avaliar as correlações clínicas da disfunção respiratória [14]. A excursão diafragmática reduzida foi associada a maiores escores de ultrassonografia pulmonar, fragilidade e delirium intra-hospitalar, enquanto a gravidade na ultrassonografia pulmonar à admissão predisse a reinternação em 3 meses [14]. Notavelmente, a excursão mostrou uma associação mais forte com os desfechos clínicos do que a espessura do diafragma, enquanto a avaliação muscular periférica forneceu informações complementares sobre a fragilidade. Esses achados apoiam o conceito de que a ultrassonografia do diafragma tem seu maior valor quando integrada a uma avaliação multidimensional que combina aeração pulmonar, função muscular respiratória e vulnerabilidade geral do paciente.
Limitations and unresolved controversiesLimitações e controvérsias não resolvidas
Despite increasing use, diaphragm ultrasound remains limited by methodological variability, physiological complexity, and modest prognostic performance, all of which constrain its routine clinical application. Substantial heterogeneity in acquisition protocols and measurement techniques remains a major limitation. Variations in probe selection, imaging site (dome vs. zone of apposition), patient positioning, respiratory phase definition, and ventilatory conditions significantly affect measurements and hinder comparability across studies [25,75]. This variability contributes to inconsistent cut-off values—particularly for TF—and limits generalizability [4,8]. Even under standardized conditions, associations with outcomes remain modest [76].
Apesar do uso crescente, a ultrassonografia do diafragma permanece limitada pela variabilidade metodológica, pela complexidade fisiológica e pelo modesto desempenho prognóstico, fatores que restringem sua aplicação clínica rotineira. A heterogeneidade substancial nos protocolos de aquisição e nas técnicas de mensuração continua sendo uma limitação importante. Variações na seleção do transdutor, no local de imagem (cúpula vs. zona de aposição), no posicionamento do paciente, na definição da fase respiratória e nas condições ventilatórias afetam significativamente as medidas e dificultam a comparabilidade entre os estudos [25,75]. Essa variabilidade contribui para valores de corte inconsistentes — particularmente para a TF — e limita a generalização [4,8]. Mesmo sob condições padronizadas, as associações com os desfechos permanecem modestas [76].
A key limitation is the intrinsic context dependency of ultrasound-derived parameters. Indices such as TF and excursion reflect the interaction between neural drive, contractility, lung volume, and mechanical load, rather than intrinsic muscle strength [11,25]. Consequently, similar values may represent distinct physiological states. Available evidence indicates that these parameters primarily capture load–capacity balance, limiting the validity of universal diagnostic or prognostic thresholds [76–78].
Uma limitação fundamental é a dependência intrínseca do contexto dos parâmetros derivados do ultrassom. Índices como a fração de espessamento e a excursão refletem a interação entre o drive neural, a contratilidade, o volume pulmonar e a carga mecânica, em vez da força muscular intrínseca [11,25]. Consequentemente, valores semelhantes podem representar estados fisiológicos distintos. As evidências disponíveis indicam que esses parâmetros capturam primariamente o equilíbrio entre carga e capacidade, limitando a validade de limiares diagnósticos ou prognósticos universais [76–78].
Associations between ultrasound parameters and clinical outcomes should not be interpreted as causal. Many studies are limited by residual confounding and heterogeneous outcome definitions [8]. Overall, predictive performance remains moderate, suggesting that diaphragm ultrasound is better suited to characterize physiological vulnerability than to provide robust prognostic stratification [76]. Diaphragm ultrasound is operator-dependent, with variability persisting despite relatively short training requirements [25]. Feasibility also varies by parameter, with excursion more readily assessed than thickness in acute settings. Advanced techniques further increase technical complexity and currently lack standardized implementation pathways [11].
Associações entre parâmetros ultrassonográficos e desfechos clínicos não devem ser interpretadas como causais. Muitos estudos são limitados por confundimento residual e definições heterogêneas de desfecho [8]. De modo geral, o desempenho preditivo permanece moderado, sugerindo que a ultrassonografia diafragmática é mais adequada para caracterizar vulnerabilidade fisiológica do que para fornecer estratificação prognóstica robusta [76]. A ultrassonografia diafragmática é operador-dependente, com variabilidade persistente apesar de requisitos de treinamento relativamente curtos [25]. A viabilidade também varia conforme o parâmetro, sendo a excursão mais facilmente avaliada do que a espessura em contextos agudos. Técnicas avançadas aumentam ainda mais a complexidade técnica e atualmente carecem de vias de implementação padronizadas [11].
Moreover, interpretation of diaphragm ultrasound is frequently limited by the use of isolated parameters. Diaphragmatic function reflects the interaction between neural drive, mechanical load, lung volume, and ventilatory assistance [25]. Accordingly, ultrasound findings require integration with respiratory mechanics, gas exchange, and clinical context. A reduced TF may reflect impaired contractility but also ventilatory unloading, whereas preserved or increased TF may indicate either normal function or excessive inspiratory effort [8,25]. Integrated ultrasound approaches combining lung and peripheral muscle assessment reinforce the value of a multidimensional interpretation [14,46]. Overall, diaphragm ultrasound should be considered a complementary physiological tool, with greatest value in longitudinal and context-aware assessment rather than in single measurements.
Além disso, a interpretação da ultrassonografia diafragmática é frequentemente limitada pelo uso de parâmetros isolados. A função diafragmática reflete a interação entre drive neural, carga mecânica, volume pulmonar e assistência ventilatória [25]. Dessa forma, os achados ultrassonográficos exigem integração com a mecânica respiratória, a troca gasosa e o contexto clínico. Uma fração de espessamento reduzida pode refletir comprometimento da contratilidade, mas também descarga ventilatória, enquanto uma fração de espessamento preservada ou aumentada pode indicar função normal ou esforço inspiratório excessivo [8,25]. Abordagens ultrassonográficas integradas que combinam a avaliação pulmonar e dos músculos periféricos reforçam o valor de uma interpretação multidimensional [14,46]. De modo geral, a ultrassonografia diafragmática deve ser considerada uma ferramenta fisiológica complementar, com maior valor na avaliação longitudinal e contextualizada do que em mensurações isoladas.
Future directionsDireções futuras
Future research should focus on methodological standardization and physiological integration. Harmonization of acquisition protocols and reporting standards is essential to improve comparability and define clinically meaningful thresholds.
Pesquisas futuras devem se concentrar na padronização metodológica e na integração fisiológica. A harmonização dos protocolos de aquisição e dos padrões de relato é essencial para melhorar a comparabilidade e definir limiares clinicamente significativos.
Speckle-tracking ultrasonography represents a promising future tool for the assessment of diaphragmatic function during weaning from mechanical ventilation [79–80]. By providing quantitative information on diaphragmatic deformation and contractility, it may help clinicians identify patients at higher risk of weaning failure and support more individualized decisions regarding ventilator liberation. However, its clinical application should not be considered in isolation, as weaning outcomes are influenced by multiple factors, including respiratory mechanics, cardiac function, sedation, muscle weakness, and the underlying disease. Future studies are needed to standardize measurement techniques, define reliable cutoff values, and validate its predictive accuracy in different patient populations, including those with acute respiratory failure.
A ultrassonografia com speckle-tracking representa uma ferramenta futura promissora para a avaliação da função diafragmática durante o desmame da ventilação mecânica [79–80]. Ao fornecer informações quantitativas sobre a deformação e a contratilidade diafragmática, ela pode ajudar os clínicos a identificar pacientes com maior risco de falha no desmame e apoiar decisões mais individualizadas quanto à liberação do ventilador. Entretanto, sua aplicação clínica não deve ser considerada de forma isolada, uma vez que os desfechos do desmame são influenciados por múltiplos fatores, incluindo mecânica respiratória, função cardíaca, sedação, fraqueza muscular e a doença de base. Estudos futuros são necessários para padronizar as técnicas de mensuração, definir valores de corte confiáveis e validar sua acurácia preditiva em diferentes populações de pacientes, incluindo aqueles com insuficiência respiratória aguda.
Integration into multimodal frameworks represents a key priority [81–82]. Combining diaphragm ultrasound with lung imaging, respiratory mechanics, and measures of inspiratory effort may better capture the complexity of respiratory failure. Longitudinal studies are needed to define its relationship with patient-centered outcomes, including functional recovery and quality of life. In parallel, automated analysis and artificial intelligence may enhance reproducibility but require validation within physiologically grounded models [83–84]. Ultimately, diaphragm ultrasound should complement—not replace—clinical and physiological assessment, with its main role in tracking respiratory muscle function over time.
A integração em estruturas multimodais representa uma prioridade fundamental [81–82]. A combinação da ultrassonografia diafragmática com a imagem pulmonar, a mecânica respiratória e as medidas de esforço inspiratório pode capturar melhor a complexidade da insuficiência respiratória. Estudos longitudinais são necessários para definir sua relação com desfechos centrados no paciente, incluindo recuperação funcional e qualidade de vida. Paralelamente, a análise automatizada e a inteligência artificial podem aumentar a reprodutibilidade, mas exigem validação dentro de modelos fisiologicamente fundamentados [83–84]. Em última análise, a ultrassonografia diafragmática deve complementar — e não substituir — a avaliação clínica e fisiológica, tendo como principal papel o monitoramento da função muscular respiratória ao longo do tempo.
ConclusionsConclusões
Diaphragm ultrasound is a valuable adjunct for assessing respiratory muscle function in critical illness, chronic respiratory disease, and noninvasive respiratory support. However, its utility does not lie in defining fixed diagnostic thresholds or universal prognostic cut-offs. Conventional parameters should be interpreted as physiological signals reflecting the interaction between inspiratory load, neural drive, ventilatory assistance, and muscle capacity, rather than direct measures of intrinsic strength. Across clinical settings, thickness, thickening fraction, and excursion provide partial, context-dependent information, accounting for their moderate and variable prognostic performance. Even when associations with outcomes are observed, they do not resolve the distinction between preserved muscle capacity and compensatory increases in respiratory effort. Reliance on isolated parameters for binary decision-making may therefore be misleading without appropriate physiological context. Advanced techniques—including speckle tracking, elastography, echogenicity analysis, contrast-enhanced ultrasound, and area-based methods—offer additional insights into biomechanics, muscle quality, and perfusion. However, they remain largely investigational and lack standardization and validation against clinically meaningful outcomes.
A ultrassonografia do diafragma é um adjuvante valioso para a avaliação da função muscular respiratória na doença crítica, na doença respiratória crônica e no suporte respiratório não invasivo. Contudo, sua utilidade não reside na definição de limiares diagnósticos fixos ou pontos de corte prognósticos universais. Os parâmetros convencionais devem ser interpretados como sinais fisiológicos que refletem a interação entre carga inspiratória, drive neural, assistência ventilatória e capacidade muscular, e não como medidas diretas de força intrínseca. Em diferentes contextos clínicos, a espessura, a fração de espessamento e a excursão fornecem informações parciais e dependentes do contexto, o que explica seu desempenho prognóstico moderado e variável. Mesmo quando são observadas associações com desfechos, elas não resolvem a distinção entre capacidade muscular preservada e aumentos compensatórios do esforço respiratório. A dependência de parâmetros isolados para tomada de decisão binária pode, portanto, ser enganosa sem o contexto fisiológico apropriado. Técnicas avançadas — incluindo speckle tracking, elastografia, análise de ecogenicidade, ultrassom com contraste e métodos baseados em área — oferecem informações adicionais sobre biomecânica, qualidade muscular e perfusão. Entretanto, permanecem em grande parte experimentais e carecem de padronização e validação em relação a desfechos clinicamente relevantes.
When integrated with lung ultrasound, respiratory mechanics, clinical evaluation, and assessment of accessory and peripheral muscles, diaphragm ultrasound contributes to a multidimensional understanding of respiratory dysfunction. Future research should also aim to define clinically applicable algorithms integrating diaphragm ultrasound with respiratory mechanics and gas exchange to guide decision-making in specific settings such as weaning or noninvasive support. Within this framework, it is best viewed as a dynamic tool for monitoring and physiological phenotyping, supporting individualized clinical decision-making rather than serving as a stand-alone predictor of outcome.
Quando integrada à ultrassonografia pulmonar, à mecânica respiratória, à avaliação clínica e à avaliação dos músculos acessórios e periféricos, a ultrassonografia do diafragma contribui para uma compreensão multidimensional da disfunção respiratória. Pesquisas futuras também devem buscar definir algoritmos clinicamente aplicáveis que integrem a ultrassonografia do diafragma à mecânica respiratória e às trocas gasosas para orientar a tomada de decisão em contextos específicos, como o desmame ou o suporte não invasivo. Nesse contexto, ela é mais bem compreendida como uma ferramenta dinâmica de monitoramento e fenotipagem fisiológica, apoiando a tomada de decisão clínica individualizada, em vez de servir como preditor isolado de desfecho.
Conflict of interestConflito de interesses
The authors declare no competing interests.
Os autores declaram não haver conflitos de interesses.
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Note:Nota: The reference list is reproduced verbatim in its original language, as published. A lista de referências é reproduzida literalmente no idioma original, conforme publicada.
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