Choque vasoplégico pós-parada
Jendoubi et al. · Critical Care 2026
🌊 Estado da arte · Choque vasoplégico pós-parada

Manejo do choque vasoplégico pós-parada

Alvos, estratégias e desfechos — tudo que o intensivista precisa para manejar o choque pós-ROSC: fisiopatologia, alvos de pressão arterial, catecolaminas, vasopressina, angiotensina II e a abordagem multimodal, com as figuras originais.

2 figuras 12 tópicos 10 questões Simulador
VasopressorsCardiac arrestPost-resuscitation shockVasoplegiaNorepinephrine
§ 01

Visão geral

O choque pós-parada (post-resuscitation shock) é definido como a falência cardio-circulatória após parada cardiorrespiratória (PCR), ocorrendo em até dois terços dos pacientes que recuperam a circulação espontânea (ROSC). É a principal causa não neurológica de morte pós-parada — com mortalidade que excede 50% em alguns casos, por choque refratário e disfunção de órgãos.

Apesar dos avanços no manejo da PCR, a mortalidade permanece alta — por dano cerebral extenso, disfunção miocárdica grave e resposta inflamatória sistêmica que leva a choque refratário. Além da fluidoterapia, vasopressores costumam ser necessários após o ROSC para contrapor a vasoplegia e preservar a perfusão de órgãos-alvo.

🧩

Choque pós-ROSC = 3 componentes que variam ao longo do tempo no mesmo paciente

🫀

Disfunção miocárdica

Comprometimento contrátil pós-isquemia-reperfusão.
🌊

Vasoplegia

RVS persistentemente baixas, com DC normal ou alto.
💧

Hipovolemia relativa

Perda de tônus venoso / pooling.

O fenótipo predominante pode mudar no mesmo paciente com o tempo — daí a necessidade de monitorização hemodinâmica multimodal e em tempo real para guiar escolha, dose e timing do vasopressor.

§ 02

Fisiopatologia

Na PCR, dois mecanismos ligados à lesão de isquemia-reperfusão de corpo inteiro contribuem para o estado vasodilatador pós-reanimação:

1. Disfunção endotelial por estresse oxidativo

O estresse oxidativo danifica o endotélio vascular.

2. Resposta inflamatória pós-ROSC

Surto inflamatório agudo → surto de citocinas.

Esses dois fatores up-regulam a óxido nítrico sintase induzível (iNOS), resultando em superprodução de óxido nítrico (NO) — potente vasodilatador. Isso reduz a responsividade vascular aos vasopressores (vasoplegia/hiporresponsividade).

Mecanismos adicionais de responsividade vascular reduzida

  • Lesão intestinal (dano de enterócitos / endotoxemia).
  • InsuFiciência adrenal relativa.
  • Deficiência de vasopressina pós-parada.
🎯

Por que isso importa na prática

A vasoplegia é um estado de baixa resistência vascular sistêmica com débito cardíaco normal ou alto. Reconhecer esse fenótipo é o primeiro passo para escolher a estratégia vasopressora correta.

§ 03

Hipotensão pós-ROSC

Clinicamente, a hipotensão arterial é o achado mais comum do choque pós-reanimação. A prevalência varia amplamente conforme a definição usada: de 15% a mais de 70% dos pacientes.

Definições de hipotensão

  • PAS < 90 mmHg
  • PAM < 65 mmHg
  • Combinação dos dois

Impacto deletério em leitos vasculares regionais

  • Cerebral: hipotensão significativa piora a perfusão e a oferta de oxigênio quando a PA cai abaixo da pressão de fechamento crítico cerebral.
  • Coronariano: hipotensão diastólica reduz a perfusão coronariana e aumenta o tamanho do infarto em pós-PCR com choque após IAM.
  • Sistêmico: hipotensão é preditor independente de no-reflow após reperfusão coronariana.
  • Renal: hipotensão precoce pós-ROSC associa-se a risco aumentado de injúria renal aguda (AKI).
§ 04

Alvos de pressão arterial

O limiar de risco comumente usado (PAM < 65 mmHg) origina-se de estudos observacionais que mostram associação, e não causalidade, entre hipotensão e mortalidade/desfecho neurológico adverso.

O alvo ótimo de PAM ainda não está elucidado

Estudos randomizados não demonstraram diferença significativa entre alvos padrão e mais altos — confirmado em revisão sistemática recente. Não há evidência para apoiar PAM acima de 70 mmHg rotineiramente.

Porém, efeitos notáveis no miocárdio e na microcirculação merecem destaque:

Post hoc NEUROPROTECT + COMACARE

Em pós-PCR com choque após IAM, alvos mais altos de PAM (80–85 a 100 mmHg) com suporte vasopressor-inotrópico adicional foram associados a menor injúria miocárdica vs PAM convencional (65 mmHg), sem aumento de rearrest ou FA.

Embora o alvo alto de PAM não tenha reduzido o dano cerebral anóxico nem melhorado o desfecho neurológico, associou-se a melhor oxigenação cerebral nas primeiras 12 h de UTI.

🔬

Perda de coerência hemodinâmica

Distúrbios microcirculatórios são frequentes após ROSC e associam-se a pior sobrevida (índices microcirculatórios sublinguais e tempo de enchimento capilar). Como há perda de coerência hemodinâmica, otimizar PAM/DC sistêmicos pode não ser suficiente para melhorar a perfusão microcirculatória — é preciso monitorar a microcirculação.

Autoregulação cerebral guiada

Estratégia personalizada de manejo da PA guiada pela autoregulação cerebral (p.ex. índice de fluxo médio por Doppler transcraniano) para identificar a faixa ótima de PAM. Justificativas: (1) a autoregulação pode estar prejudicada pós-ROSC, sobretudo em hipertensos prévios — associada a piores desfechos; (2) a lesão hipóxico-isquêmica compromete a reatividade cerebrovascular.

§ 05

Alvos pré-hospitalares

Uma pesquisa recente mostrou variabilidade substancial nas práticas pré-hospitalares hemodinâmicas e neurológicas para pacientes pós-PCR reanimados.

Prática pré-hospitalar (survey)

  • A maioria dos serviços usa PA não invasiva e adota a PAS como alvo primário — tipicamente PAS > 90 mmHg (recomendado) ou até mais alto (ex. >100 mmHg).
  • Norepinefrina é o vasoativo pré-hospitalar de primeira linha relatado.
  • Epinefrina (infusão ou pequenos bolus) também é usada.
🎯

Recomendação atual (diretrizes pós-PCR)

Evitar hipotensão arterial e visar PAM > 60–65 mmHg após ROSC, refletida por débito urinário > 0,5–1,5 mL/kg/h e lactato normal ou em queda. Os resultados do estudo MAP-CARE (em andamento) esclarecerão o impacto dos alvos de PAM nos desfechos.

§ 06

Vasopressores: catecolaminas

Os vasopressores dividem-se em adrenérgicos e não-adrenérgicos:

Adrenérgicos

  • Inopressores: norepinefrina, epinefrina, dopamina
  • Vasopressores puros: fenilefrina (agonista α altamente seletivo)

Não-adrenérgicos

  • Vasopressina e análogos (terlipressina, selepressina)
  • Angiotensina II

Norepinefrina × epinefrina

Apenas um pequeno RCT (40 pacientes) com choque pós-reanimação (PAM <65 ou PAS <90 em 1h pós-ROSC) comparou os dois: mortalidade em 28 dias semelhante e alta (90%) em ambos os grupos.

Grande estudo observacional multicêntrico (766 pós-PCR)

Epinefrina foi associada a aumento significativo de:

  • Mortalidade por todas as causas: OR 2,6 (IC 1,4–4,7), p=0,002
  • Mortalidade cardiovascular (rearrest ou choque refratário): OR ajusted 5,5 (IC 3,0–10,3), p<0,001
  • Pior desfecho neurológico na alta: OR 3,0 (IC 1,6–5,7), p=0,001

A associação persistiu após propensity score matching (OR 2,1 / 4,3).

⚖️

Cuidado com viés de indicação

A epinefrina tende a ser usada nos casos mais graves (ritmos não-chocáveis, maior tempo até ROSC, pH inicial mais baixo, mais disfunção miocárdica) — pode ser um marcador de gravidade e pior status basal, não o causador. Além disso, dose e duração da exposição à epinefrina impactam: infusões mais longas e doses cumulativas maiores associam-se a arritmias, PCR recorrente e disfunção miocárdica.

Veredito

Não há evidência de dano da norepinefrina vs epinefrina. A norepinefrina é a primeira linha razoável.

Norepinefrina × dopamina

Não há RCTs nessas populações específicas. Em população geral de UTI, o SOAP II (1679 pacientes): sem diferença em mortalidade em 28 dias, mas dopamina associada a mais arritmia e, no subgrupo de choque cardiogênico, a mortalidade em 28 dias foi maior.

Em choque séptico, metanálise de 11 RCTs confirmou: norepinefrina associada a menor mortalidade (RR 0,89; IC 0,81–0,98) e menor risco de arritmia.

Em pós-ROSC: coorte ~1000 pacientes sem diferença de sobrevida em 30 dias; mas coorte de 310 pacientes mostrou que combinação de dopamina + norepinefrina/epinefrina associou-se a maior mortalidade em 30 dias (HR ajustado 2,0; IC 1,3–3,0) e maior mortalidade por lesão neurológica (HR 1,7; IC 1,1–2,7).

💡

Limitações

Viés de indicação não é excluível: epinefrina ou combinações vasopressoras tendem a ser usadas em casos mais graves. Efeitos não-hemodinâmicos das catecolaminas (imunomodulação, metabolismo) também importam.

🧭

Por que norepinefrina é um bom primeiro agente

  • Evidência indireta de choque séptico/cardiogênico: mais eficaz e melhor tolerada.
  • Perfil de segurança favorável: baixo risco de arritmia nos ensaios COMACARE/NEUROPROTECT.
  • Alta atividade α-adrenérgica e baixa β: aumenta PAM e DC minimizando efeitos inotrópicos/cronotrópicos deletérios.
  • Barato, fácil de armazenar/preparar, já usado no pré-hospitalar.
  • Pode ser dado em acesso venoso periférico.
§ 07

Vasopressina

Dados clínicos sobre vasopressina no choque pós-reanimação são limitados, mas há dados em outras populações (evidência indireta, a considerar com cautela).

Evidência em choque séptico e cirurgia cardíaca

  • Séptico: diretrizes recomendam adicionar vasopressina em dose baixa (≤0,03 U/min) quando PAM permanece baixa apesar de norepinefrina moderada (0,25–0,5 µg/kg/min) — baseado em VASST e VANISH. Não reduz mortalidade, mas: efeito poupador de norepinefrina, potencial nefroprotetor e interação com corticoide reduzindo necessidade de vasopressina.
  • Cirurgia cardíaca (vasoplegia): VANCS mostrou que vasopressina como primeira linha reduziu AKI e FA vs norepinefrina (confirmado por metanálise). Especialistas apoiam norepinefrina e/ou vasopressina, com preferência por vasopressina em arritmias induzidas por adrenérgicos ou hipertensão pulmonar.

Início ótimo da vasopressina

Tempo de início — ainda sem orientação clara

O VANISH (RCT duplo-cego, adjuvante precoce em séptico) não mostrou benefício de mortalidade. Estudos mais recentes com emulação de alvo de tratamento ou modelos de reinforcement learning sugerem que início precoce <6h pode associar-se a menor mortalidade — mas com limitações (seleção, confusão residual).

Perfil de segurança

⚠️

Riscos da vasopressina

  • Vasoconstrição periférica excessiva, redução de DC, isquemia esplâncnica/coronariana.
  • Falta de inotropia + aumento da pós-carga → piora o acoplamento ventrículo-arterial, reduz o DC.
  • Vasoconstrição coronariana mediada por receptor V1 → redução dose-dependente do fluxo coronariano e risco de isquemia miocárdica.
  • Poucas arritmias com vasopressina (metanálises).
  • Impacto esplâncnico conflitante: doses baixas com status hídrico adequado não prejudicam a perfusão GI; doses >0,04 U/min associam-se a isquemia hepática (↑ transaminases/bilirrubina) e hipoperfusão GI (gap PCO₂ maior).
🛑

Usar com cautela

Em estados hipodinâmicos (exigem perfilagem hemodinâmica + avaliação do status hídrico + monitorização cardíaca seriada). Cautela extra em comorbidades cardiovasculares/hepáticas.

Fundamento do uso no choque pós-reanimação

Racional (4 pilares)

  • (i) Deficiência de vasopressina nos pós-PCR → contribui à vasoplegia e hiporreatividade vascular.
  • (ii) Efeitos adversos da carga adrenérgica excessiva durante e após a RCP: arritmias, piora da disfunção miocárdica pós-PCR, disfunção de órgãos e mortalidade. Em vasoplegia refratária a catecolaminas, vasopressina pode ser resgate; também pode ser iniciada precoce como agente poupador de catecolaminas. Pesar contra as complicações isquêmicas.
  • (iii) Potencial nefroprotetor.
  • (iv) Dados durante a RCP: vasopressina + metilprednisolona + epinefrina → maior taxa de ROSC em 3 RCTs. Mas sem efeito na sobrevida até a alta nem dias livres de ventilação → recomendações atuais contra o uso de vasopressina (sozinha ou com epinefrina) durante a RCP (fraca, certeza muito baixa).
Figura 1: Qual a lógica para o uso de vasopressina no manejo do choque vasoplégico pós-rea...
Figura 1. Qual a lógica para o uso de vasopressina no manejo do choque vasoplégico pós-reanimação?
§ 08

Angiotensina II e inibidores de NO

Vasopressina no choque pós-reanimação (evidência específica)

poucos dados sobre vasopressina no choque pós-reanimação:

Estudos chave

  • Pequeno estudo retrospectivo (23 pacientes), vasopressina adjuvante 4 U/h: ↑ PAM, ↓ necessidade de catecolaminas, maior clearance de lactato em 72h.
  • Estudo baseado em registro (901 pacientes), vasopressina vs epinefrina como segundo vasopressor (além da norepinefrina): norepinefrina-vasopressina associou-se a pior sobrevida até a alta (OR adj 0,45; IC 0,28–0,75; p=0,002) e pior desfecho neurológico (OR 0,35; IC 0,15–0,79; p=0,012) vs norepinefrina-epinefrina. Adicionar dobutamina à norepinefrina-vasopressina restaurou sobrevida comparável → sugere que a falta de inotropia da vasopressina é deletéria nesse cenário.
  • Estudo experimental porcino: vasopressina+norepinefrina melhorou perfusão renal mas reduziu fluxo carotídeo vs norepinefrina sozinha; vasopressina isolada falhou em manejar o choque, com alta mortalidade precoce.
  • HYVAPRESS (NCT04591990): primeiro RCT sobre efeito sinérgico de vasopressina + corticoide no choque pós-reanimação. Recrutamento encerrado, resultados em breve.

Outros vasopressores não-adrenérgicos

Angiotensina II (Ang-II)

Nenhum RCT examinou seu papel no choque pós-reanimação, mas há racional plausível:

🧪

Inibidores não-seletivos de NO (azul de metileno, hidroxocobalamina)

A superprodução de NO via iNOS é um dos principais mecanismos de vasoplegia. Azul de metileno (inibidor de NOS e guanilato ciclase) proposto em choque séptico refratário e vasoplegia pós-cirurgia; neuroproteção em modelos porcinos. Hidroxocobalamina liga H₂S (vasodilatador via canais K-ATP). Evidência em pós-PCR muito limitada (séries de caso).

§ 09

Incertezas e decisões

O quadro abaixo resume as questões de pesquisa e a evidência atual (Tabela 1 do artigo).

Questões em aberto

FasePerguntaEvidência atual / direção futura
Reanimação
& otimização
Primeiro vasopressor?Norepinefrina é razoável: menor risco de arritmia que dopamina; possível menor risco de choque refratário que epinefrina. Evidência insuficiente para diferença de mortalidade NE×EPI (RCT piloto isolado, qualidade baixa). Impacto da NE no fluxo cerebral pós-ROSC incerto.
Quando usar vasopressores?Iniciar NE se PAM <60–65 mmHg, após reposição volêmica adequada — ou muito cedo, junto à fluidoterapia, em hipotensão profunda/tônus vascular muito deprimido. No pré-hospitalar, adotar PAS como alvo (PAS >90–100 mmHg).
Lugar da vasopressina?Evidência insuficiente para uso rotineiro como 1ª ou 2ª linha em hipotensos pós-ROSC.
OtimizaçãoComo titular?Alvo PAM >60–65 mmHg; sem apoio para PAM >70 mmHg rotineiramente. PAM mais alta pode ser considerada em hipertensão crônica com hipoperfusão tecidual persistente (oligúria, hiperlactatemia).
Alvo arterial ótimo?Chamada por estudos intervencionais prospectivos do impacto da autoregulação guiada personalizada de PAM nos desfechos neurológicos.
🧭

Abordagem equilibrada (vasopressores) no pós-PCR

Estratégia multimodal propagada no choque séptico para reduzir o tempo de hipoperfusão e mitigar os efeitos adversos de alta catecolamina. No pós-ROSC, ainda não estabelecida: faltam dados sobre 2ª linha, dosagem ótima e timing. Até que os estudos forneçam evidência, dados insuficientes para recomendar o uso rotineiro de 2º agente (como vasopressina) em hipotensos pós-ROSC.

§ 10

Fenótipos circulatórios

O manejo efetivo requer a integração holística de três conjuntos de dados:

1. Características basais da PCR

Duração de no-flow e low-flow, etiologia subjacente, profundidade do distúrbio metabólico. No-flow/low-flow mais longos e doses maiores de epinefrina associam-se a maior injúria miocárdica e pior disfunção pós-reanimação. Acidose metabólica grave piora vasoplegia e prejudica a via adrenérgica.

2. Perfil hemodinâmico da falência circulatória

Espectro de fenótipos circulatórios com pelo menos dois subtipos predominantes de choque: cardiogênico e distributivo. O fenótipo depende de:

3. Situações clínicas ilustrativas

§ 11

Monitorização

📊

Monitorização multimodal em tempo real

Ajuda a identificar o fenótipo circulatório predominante e guiar escolha, dose e timing do vasopressor — reduzindo risco de eventos adversos. Ondas de alta catecolamina raramente são necessárias.

Ferramentas

⚠️

Fatores que interferem no manejo vasopressor

  • Disfunção miocárdica grave (NE aumenta pós-carga → piora DC/perfusão).
  • Disfunção de VD com hipertensão pulmonar (NE aumenta RVP).
  • Acidose, distúrbio metabólico.
  • Complicações sépticas intercorrentes.
  • Sedativos: sedação profunda associou-se a maior incidência de hipotensão necessitando vasopressor. O ensaio SED-CARE (parte do STEPCARE) investiga sedação profunda vs mínima em OHCA.
Figura 2: Fatores-chave que interferem no manejo vasopressor do choque pós-reanimação....
Figura 2. Fatores-chave que interferem no manejo vasopressor do choque pós-reanimação.
§ 12

Estratégia multimodal equilibrada

O artigo defende uma visão de estratégia equilibrada (balanced approach) de vasopressores — embora seu papel no pós-PCR ainda não esteja estabelecido.

Proposta

Combinar catecolaminas + vasopressina (e potencialmente Ang-II) para reduzir a carga adrenérgica, diminuir o tempo de hipoperfusão e mitigar os efeitos adversos da alta dose de catecolamina — inspirado na estratégia do choque séptico.

Perguntas em aberto para a estratégia equilibrada

  • Qual o segundo vasopressor ideal?
  • Qual a dosagem ótima?
  • Qual o timing de início?
  • Como fenotipar (etiologia e gravidade)?
  • Protocolo padronizado de início, titulação e desmame?
🔬

Terapia individualizada guiada por biomarcadores

Área importante de investigação: níveis elevados de renina identificados como preditores de resposta — base para vasoativação personalizada nos diferentes estados de choque.

§ 13

Simulador: classificação do fenótipo

Ferramenta de beira de leito: combine os parâmetros para classificar o fenótipo circulatório predominante do choque pós-ROSC e receber a conduta sugerida (fiel ao artigo).

Fase pós-ROSC

define o fenótipo esperado

Débito cardíaco

RVS / tônus vascular

vasoplegia = baixa RVS

FEVE

ecocardiografia seriada

Disfunção de VD / HAP

Necessidade de inotropia

disfunção miocárdica
Defina o fenótipo
    § 14

    Quiz

    Teste seus conhecimentos. Cada questão vale 10 pontos.

    Q1O choque pós-parada (post-resuscitation shock) ocorre em até que proporção dos pacientes com ROSC?
    Q2Qual componente é a 'vasoplegia' no choque pós-ROSC?
    Q3Qual o alvo atual recomendado de PAM após ROSC?
    Q4Sobre o alvo de MAP mais alto (80–85/100 mmHg), qual afirmativa é correta?
    Q5Qual é o primeiro vasopressor mais 'razoável' para hipotensão pós-ROSC?
    Q6No grande estudo observacional (766 pós-PCR), o uso de epinefrina vs norepinefrina associou-se a:
    Q7Sobre norepinefrina × dopamina (SOAP II), é correto:
    Q8Sobre vasopressina no choque pós-reanimação, o estudo de registro (901 pacientes) mostrou:
    Q9Em disfunção grave de VD com hipertensão pulmonar pós-ROSC, é razoável considerar:
    Q10Qual a recomendação sobre vasopressina durante a RCP (não pós-ROSC)?
    § AF

    Referências

    Referências selecionadas do artigo (ver o original para a lista completa).

    [1]Jendoubi A, de Roux Q, Cariou A, Taccone FS, Ghaleh B, Tissier R, Kohlhauer M, Mongardon N. Management of post-resuscitation vasoplegic shock: targets, strategies and outcomes. Crit Care. 2026;30:30.
    [2]De Backer D, et al. SOAP II — Comparison of dopamine and norepinephrine in the treatment of shock. N Engl J Med. 2010;362:779–89.
    [3]Levy B, et al. Epinephrine vs norepinephrine for cardiogenic shock after acute MI. J Am Coll Cardiol. 2018;72:172–82.
    [4]Avni T, et al. Vasopressors for septic shock: systematic review and meta-analysis. PLoS One. 2015;10:e0129305.
    [5]Russell JA, et al. VASST — Vasopressin vs norepinephrine in septic shock. N Engl J Med. 2008;358:877–87.
    [6]Gordon AC, et al. VANISH — Early vasopressin vs norepinephrine on kidney failure in septic shock. JAMA. 2016;316:509.
    [7]Bougouin W, et al. Epinephrine vs norepinephrine in cardiac arrest patients with post-resuscitation shock. Intensive Care Med. 2022;48:300–10.
    [8]Hajjar LA, et al. VANCS — Vasopressin vs norepinephrine in vasoplegic shock after cardiac surgery. Anesthesiology. 2017;126:85–93.
    [9]Nolan JP, et al. ERC/ESICM Guidelines 2025: post-resuscitation care. Intensive Care Med. 2025.
    [10]Kjaergaard J, et al. Blood-pressure targets in comatose survivors of cardiac arrest (BP-TARGET). N Engl J Med. 2022;387:1456–66.