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VExUS (Venous Excess Ultrasound Score) - Apostila rapida
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📄 Resumo de estudo
🏥 UTI / Emergência
§ 01
Visão geral
📌 Fonte: Garapati HN, Dandamudi S, Kalagara H. Venous excess ultrasound score (VExUS). Best Practice & Research Clinical Anaesthesiology (2025). DOI: 10.1016/j.bpa.2025.11.010.
Objetivo: organizar os pontos práticos do VExUS para uso à beira-leito (UTI/PS), mantendo o material original disponível.
pdf
VExUS (Venous Excess Ultrasound Score) é uma abordagem integrada de POCUS para quantificar congestão venosa sistêmica, combinando:
Diâmetro da VCI (IVC)
Doppler venoso de veia hepática (HV)
Doppler de veia porta (PV) com cálculo de pulsatividade
Doppler de veias intrarrenais (IRV)
💡 Ponto‑chave: o escore se correlaciona com risco de desfechos como LRA/AKI (descrição inicial no pós‑CABG) e tem sido explorado em cenários como IC descompensada e síndrome cardiorrenal.
⏱️ Meta operacional: exame completo em ~4–5 min, repetível conforme necessidade clínica.
§ 02
1) VCI (IVC): triagem inicial
Janela preferencial: subxifoide. Começar em eixo curto e depois girar para eixo longo (para reduzir chance de confundir VCI com aorta).
Como medir:
Eixo longo, 2 cm abaixo da junção átrio direito–VCI.
Pode ser M‑mode ou B‑mode.
Regra do protocolo padrão:
VCI ≤ 2 cm → VExUS grau 0 e (no protocolo padrão) pode encerrar sem dopplers.
Observação prática (do texto)
§ 03
2) Veia hepática (HV): doppler (mais técnico)
Dica técnica: correlação com ECG é importante para interpretação.
Padrão “normal” (simplificado):
Duas ondas anterógradas:
S (sistólica)
D (diastólica)
Interpretação simplificada:
Congestão leve: D > S
Congestão grave: reversão da onda S (fica uma D dominante)
Armadilhas
§ 04
3) Veia porta (PV): doppler + pulsatility fraction
Como identificar: parede mais ecogênica que veias hepáticas.
Cálculo: Portal Vein Pulsatility Fraction (PVPF)
PVPF = \frac{V_{max}-V_{min}}{V_{max}} \times 100
Cortes sugeridos no texto:
Normal: PVPF < 30%
Congestão leve: 30–50%
Congestão grave: > 50%
Armadilha importante
§ 05
4) Veias intrarrenais (IRV): doppler (mais desafiador)
Alvo: veias intralobulares/segmentares (não a veia renal principal).
Ajustes práticos:
Reduzir profundidade para o rim ocupar a tela.
Refinar caixa de cor para otimizar sinal venoso.
Padrões descritos:
Normal: fluxo contínuo com mínima pulsatividade.
Congestão leve: perde continuidade e aparecem ondas sistólica/diastólica.
Congestão grave: padrão com onda D dominante (análogo à HV quando S reverte).
§ 06
Pré‑requisito
VCI ≤ 2 cm → Grau 0 (protocolo padrão)
VCI > 2 cm → avaliar HV + PV + IRV
§ 07
Lógica do escore (descrita no texto)
Cada leito venoso (HV, PV, IRV) pode ser:
Normal
Levemente anormal
Severamente anormal
Graus:
Grau 1: um ou mais dopplers levemente anormais
Grau 2: um doppler severamente anormal
Grau 3: dois ou mais dopplers severamente anormais (congestão importante)
💡 Ponto‑chave: o VExUS “completo” tende a ter melhor reprodutibilidade do que interpretar um único componente isolado.
Ângulo Doppler < 60° (dependência do cosseno do ângulo).
Ajustar sample volume para pegar o centro do lúmen e evitar sinais extravasculares.
Ajustar tamanho da caixa de cor.
Ajustar wall filter para melhorar sinal.
Ajustar PRF/scale para fluxos baixos.
Evitar usar simultaneamente B‑mode + cor + espectral por muito tempo se estiver degradando frame rate/qualidade.
Ajustar ganho (ganho alto “sangra” fora da parede do vaso).
Se disponível, usar auto‑otimização do aparelho.
§ 08
Risco de AKI pós‑cirurgia cardíaca (pós‑CABG)
Descrito inicialmente por Beaubien‑Soligny et al. (2020).
Critério de alto risco citado: ≥ 2 alterações severas (HV/PV/IRV) + VCI ≥ 2 cm na admissão na UTI pós‑cirurgia.
VExUS grau 3 associado a maior risco de AKI (HR 3,69; IC 1,65–8,24).
§ 09
Insuficiência cardíaca aguda (PS)
VExUS 3 na admissão associado a mortalidade intra‑hospitalar e readmissão precoce (conforme estudo citado no texto).
§ 10
Síndrome cardiorrenal, AKI e tendências dinâmicas
Estudos citados sugerem que tendência seriada do VExUS pode acompanhar melhora/piora clínica.
Metanálise citada: CVP elevado correlaciona com AKI, mas CVP pode não refletir tendência de melhora tão bem quanto marcadores Doppler.
§ 11
Terapia diurética e resistência a diurético
Há suporte de estudos citados de que melhora da descongestão se reflete em melhora do VExUS e padrões intrarrenais.
Ensaio randomizado citado: estratégia guiada por VExUS não melhorou recuperação de função renal, mas aumentou chance/velocidade de descongestão.
Paradoxo da creatinina durante descongestão
Sem ECG simultâneo, HV é suscetível a interpretação errônea.
PV pulsátil pode ocorrer em pessoas magras sem RAP elevado.
Componente intrarrenal é tecnicamente difícil.
As imagens de referência (VCI em M‑mode/B‑mode, dopplers HV/PV/IRV e gráfico de graduação) estão no PDF:
Fig 1–2: medida da VCI
Fig 3: doppler da veia hepática (ondas S e D)
Fig 4: doppler da veia porta (padrão ondulante)
Fig 5: doppler venoso renal contínuo
Fig 6: representação gráfica dos padrões e graduação
A lista completa de referências (incluindo artigos de validação, reprodutibilidade e aplicações clínicas) está no final do PDF.
🗓️ Data de compilação: 16 fev 2026.